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terça-feira, 24 maio 2022
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Shadow 750: Bela, confortável e robusta

Fotos: Edgar Rocha

O melhor de ser o primeiro a pegar a moto no Teste do Mês é poder batizá-la antes do Roberto Severo. Desta vez coube a mim abrir os testes e consequentemente apelidar nossa companheira de curtos 30 dias.

Apesar de não ser muito criativo, nossa Honda Shadow 750 será denominada de Branca de Neve. Não se deve a algum trauma de infância ou fixação erótica na personagem. Achei a Shadow 750 bonita, macia, dócil, sem sal e bem simpática com os baixinhos.

Rodar pela cidade e estradas com a Branca de Neve é uma tarefa fácil e prazerosa. A moto se mostrou comportada, com suspensões bem calibradas, e apesar do grande ângulo de caster é bem manobrável no trânsito.

A Shadow 750 do teste é branca com detalhes em cinza e fica difícil passar no trânsito sem que ela seja contemplada. Realmente, a cor lhe caiu muito bem, realçando os inúmeros cromados. Sua beleza é simples, leve e moderna, até demais. Sem adereços ou abusos de detalhes, traduz o mais puro espírito custom. Vale destacar os para-lamas grandes e envolventes, o assento compacto, guidão alto e mais estreito, escapamento cromado duplo e pneus largos. Sem dúvida, a qualidade dos componentes é excelente. Mas a economia de itens de conforto fica patente. A moto, apesar de bela e com bons acabamentos em alguns pontos, peca por ser espartana demais, com detalhes que lembram a simplicidade e robustez de um veiculo militar.

Seu painel, em formato gota no tanque, consiste em um bonito velocímetro central que contém diversas luzes espiãs, além do hodômetro digital (parcial 1 e parcial 2) e hora. Duas outras espiãs, que poderiam ser incluídas dentro do velocímetro, ficaram posicionadas na mesa: luzes indicadoras da reserva do tanque e do farol alto. Isso que me lembrou um veiculo militar. Luzes espiãs, sem charme ou desenho especial, colocadas em um local que nada tem a ver com o painel.

Os punhos são precisos, porém com aquele tato e acabamento de quem andou de Willys. Realmente não falha, mas não tem nada de belo e nem um mimo, como o lampejador de farol alto.

A posição de pilotagem é bem confortável, graças ao banco largo e macio que fica a 660 mm do solo (ideal para baixinhos) com as pedaleiras avançadas e guidão alto e estreito. Perfeito para longas viagens e deslocamentos na cidade.

Seu chassi de berço duplo em aço bem rígido aliado ao entre-eixos maior que o do modelo anterior contribuíram para baixar o centro de gravidade, permitindo maior maneabilidade em altas e baixas velocidades e maior estabilidade. Vale lembrar que este modelo ficou 18 quilos mais leve que o anterior.

O longo garfo dianteiro e consequentemente o grande ângulo de caster (34º) são os únicos pontos que tornam a pilotagem na cidade um pouco mais delicada.

As suspensões têm como principal característica a maciez apesar do pouco curso. Na frente o garfo telescópico convencional de 41 mm com 166,8 mm de curso, e na traseira duplo-amortecimento regulável com 90 mm de curso. Posso dizer que este conjunto é um dos pontos altos da moto. A Branca de Neve se mostrou ágil, de fácil pilotagem e confortável nos diferentes tipos de piso e confiável nas tomadas de curva.

Nossa Branca de Neve calça pneus aro 21” na dianteira (a grande novidade) 90/90 – 21 M/C 54S e 160/80 – 15 M/C 74S na traseira o que dificulta um pouco a entrada nas curvas, mas depois possibilita um contorno bem harmonioso. O aro 21” na dianteira, como um salto alto, destaca ainda mais suas linhas e torna a Branca de Neve mais esguia e sedutora. Mais um ponto positivo é que com este detalhe estético ela lembra cada vez mais suas origens das clássicas choppers americanas.

Apesar de 750 cc, Branca não possui uma desenvoltura atlética. O motor V2, de 52º, OHC (Over Head Camshaft), com comando de válvulas no cabeçote de 745 cm³, sistema de injeção eletrônica de combustível PGM-FI e refrigeração líquida, produz 45,5 cv e torque de 6,42 kgm.f a 3000 rpm. Apesar de nada emocionante, seu motor proporciona força desde as baixas rotações. Em altas, vibra um pouco mas nada que incomode em demasia.

O câmbio apesar de ter somente 5 velocidades é extremamente macio e preciso, com pouco curso na alavanca. As marchas são muito bem escalonadas e graças ao grande torque do motor, mesmo na cidade as trocas de marcha são muito reduzidas. A retomada de velocidade se dá de forma linear, sem trancos ou soluços. A transmissão por eixo-cardã proporciona respostas imediatas com maior eficiência, baixa manutenção e conforto. Outro ponto extremamente positivo para Branca é seu conjunto motor/transmissão. Ponto para ela!

Os freios utilizam o Combined-ABS (Anti-lock Brake System e Combined Brake System), sistema que evita o travamento das rodas em frenagens bruscas e que distribui a força de frenagem de forma eficiente entre as rodas dianteira e traseira. Eles são bem eficientes levando em conta a distribuição do peso e estilo da moto.

O tanque de 14,3 litros permite uma boa autonomia e na minha mão, entre percursos de estrada e cidade fez uma media de 23,7 km/l. As laterais do tanque são um pouco angulosas e acabam por incomodar um pouco as laterais internas da perna do piloto, mas nada grave.

Precisei crescer para me apaixonar pela Branca de Neve. Apesar de seus defeitinhos (todas elas têm), casaria com ela e a usaria todos os dias. Agora sem brincadeira.

Realmente a Shadow 750 é uma moto muito interessante e acredito que é uma das melhores opções para quem procura uma custom bela, robusta que versátil. Os pontos que não gostei, tais como o fato dos retrovisores ficarem tortos entre outros, não descredenciam de forma alguma a ser uma excelente alternativa para que procura uma custom.

Salvo o excesso de caster (mas não podemos ter tudo: linhas esguias e clássicas sem um longo garfo), usaria a shadow 750 diariamente e viajaria sem limites de distância. Uma custom que roda macia e sem trancos e vibrações.

Resumindo, gostei e muito. Confiabilidade mecânica, suavidade e força do conjunto motor e câmbio, suspensões extremamente bem calibradas e confortáveis, boa ergonomia e linhas elegantes, modernas e belas.

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14 COMENTÁRIOS

  1. Realmente esse paralama traseiro matou um pouco a moto ele bem que poderia ter vindo mais clássico e foi por isso que eu desisti de trocar a minha 600 por está.

  2. Edgar, quero tirar uma dúvida em relação à esta moto. Sempre quis ter uma dessas. Entretanto, fico com um pouco de receio em relação ao amortecimento traseiro. Já li vários comentários que dizem que é muito duro, que sentimos muito os buracos do asfalto, etc. Eu gosto de pilotar motos tranquilamente, não gosto de correr e nem “deitar” em curvas. O meu problema para decidir comprar ou não esta moto, é que a única referência que eu tenho é a minha Factor 125cc. Já procurei concessionárias para fazer o tal de test ride, mas nenhuma oferece esse tipo de serviço. Então eu pergunto: por mais absurdo que pareça o meu questionamento (mas para mim vai ser muito útil a resposta), comparando a suspensão traseira da Factor 125 com a da Shadow 750, qual delas sentimos mais as irregularidades do asfalto? Se forem no mínimo iguais, acabaram-se as minhas dúvidas, e irei correndo buscar a minha Shadow. Abraços e continue com as excelentes matérias.

  3. Esse final de ano estou querendo comprar uma estou fazendo um comparativo entre a shadow 750, Yamaha Mid 955 e a Vulcam 900 estão todas no mesmo preço com excessão da Haley a que eu gosto está na casa dos 43.000 básica que é a fat boy 1200 ai sim mas $$$.
    Agora voltando nas outras 3 marcas e modelos a Honda está muito caro pelo que é mais ainda quando eu vi de perto é tudo de plástico muito simples muito básico d+ o Brasileiro caiu na real e saiu do fusca mas ainda pensa que Honda é tudo. Todo mundo tem medo de quebrar a cara com moto importada mas veja só que o aconteceu com os carros os importados dominaram e são fabricados aqui e muitos estão no mesmo preço dos populares e todos muito superiores. Moto está na mesma

  4. Boa noite..
    me diz em qual velocidade, esta media de 23km por litro. a minha so da 170km rodado
    entra na reserva. quando vou abastecer cabe dez litro…diz qual o milagre

  5. O brasileiro comum compra Honda porque é Honda. Eu até entendo, já que as outras marcas não tem um pós venda convincente. Se uma moto concorrente não for muito superior à uma Honda, o sujeito compra a Honda mesmo, uma vez que ruim ela não é.

  6. Gosto muito da Shadow, o problema é o preço. Pelo mesmo valor leva-se uma Estrela da Meia-noite com 950cc, ou mesmo uma Vulcan com 900cc que são igualmente boas e belas, senão melhores até.

  7. Ninguém se preocupa com pneus com câmaras ? Afinal, um furo e esvaziamento repentino a uma certa velocidade, coloca nossa segurança em jogo. Nem se fala de outras situações muito incômodas, com um pneu furado numa moto.
    O que custa desenvolver aros com outro tipo de fixação dos raios ( exemplos: Crosstourer 1200, GS 1200, Teneré 1200) ?
    Há uns anos atrás as motos estavam sempre na vanguarda da tecnologia, em relação aos carros. Hoje ocorre o inverso, até o Mille (Uno) do nosso mercado nacional, sempre um passo atrasado, é mais seguro neste quesito… E olha que o Mille tem 4 rodas, e as motos apenas 2 !!!

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