São Paulo – Brasília – São Paulo de BMW R 1200 GS

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Fui buscar boa vontade política, mas...

Todo motociclista tem um estilo. O meu são as nakeds street fighter de quatro cilindros  como as Yamaha´s FZ6, FZ8 e FZ1 , as Honda´s CB1000R e Hornet, Kawasaki Z1000, Suzuki´s GSR600 e GSR750, todas derivadas de uma esportiva puro sangue. São motocicletas versáteis, numa posição mais confortável, utilizáveis no dia a dia com o temperamento esportivo de suas irmãs.

Mas em casa minha esposa ama motocicleta e como as crianças estão crescendo a disponibilidade dela me acompanhar nas viagens deixará de ser raridade.

Sempre olhei com bons olhos as motos de estilo big trail, não porque vou encarar terra, mas porque a posição de pilotagem e o longo curso das suspensões  são características essenciais para quem costuma rodar numa tacada 1 000 km. Fiquei mais entusiasmado quando rodei na Suzuki V-Strom 650 de um amigo.

No entanto, o problema era minha estatura, sempre consegui pilotar essas gigantes, mas na hora de parar o cálculo tinha que ser muito bem feito.

Quando recebi o convite para o Fórum Volvo-OHL de Segurança no Trânsito que seria, como foi, realizado em 15 de junho de 2011 em Brasília, pensei: vou de moto!

Será que trânsito brasileiro tem jeito? Segundo especialistas internacionais, basta vontade política

Conversei com meu editor sobre o desejo de ir com o que é hoje referência no estilo Bigtrail ou Maxitrail: uma BMW R 1200 GS, moto que ainda não tinha tido a oportunidade de pilotá-la.

Quando sai da sede da BMW em São Paulo, comecei a perceber porque essa moto encanta tantos motociclistas.

Minha bagagem foi arrumada com muita facilidade dado as inúmeras opções para se amarrar uma mala de garupa, que ficou fixada no bagageiro, e uma mochila na garupa.

Saí no dia 14 de São Paulo rumo a Brasília e retornei no dia 16, foram exatos 2.012km de rodovias em condições razoáveis com poucos quilômetros em condições péssimas. O grande problema nas estradas brasileiras são os remendos de asfalto que numa moto esportiva passa tudo para o piloto e tratando de longos trechos isso colabora muito para o cansaço.

O modelo utilizado foi a R 1200 GS Triple Black na configuração Premium com kit 765mm, por mim batizado de kit anão, facilitando a vida daqueles que não foram avantajados pela natureza com estatura acima de 1,75 m. Portanto, se você como eu com 1,65 de altura pensava ser problema ter uma bigtrail na garagem, esqueça, a BMW solucionou isso com um banco que permite colocar os pés no chão.

Engana-se quem pensar que se perde em conforto, o banco continua a oferecer conforto, afinal, foram 10 horas ininterruptas de pilotagem e sinceramente, com essa moto, rodaria outros 1 000Km.

Quando sai de casa e acessei o Rodoanel, mantive a suspensão no modo normal, mas quando acessei a Rodovia dos Bandeirantes passei para o modo esportivo, já na Rodovia Anhanguera, depois de Ribeirão Preto passei para o modo conforto, que assim permaneceu até Brasília.

Basta acionar o botão ESA e optar pelo acerto da suspensão: esportiva, normal ou conforto

A R1200GS é assim, o piloto determina o acerto da suspensão num click e você sente a mudança de comportamento como da água para o vinho, é impressionante a tecnologia do sistema ESA – Eletronic Suspension Adjustment.

Sua ciclística é formidável oferecendo muita estabilidade e fazendo curvas como uma esportiva, o piloto tem que tomar cuidado para não raspar os cabeçotes motor no asfalto, porque as pedaleiras facilmente raspam dada a confiança que conjunto transmite.

O painel poderia ser otimizado, mas nada que interfira em buscar rapidamente a informação procurada, seja velocidade, rotação, pressão dos pneus, autonomia ou a hora. Aliás, ao menos nessa unidade, as informações de consumo funcionaram com precisão e me ajudou muito para saber o momento de parar.

Painel completo, mas poderia ser otimizado para facilitar a leitura

Sinceramente, não sentia necessidade física de parar, sua ergonomia é excepcional tudo na mão do piloto, pouca vibração, boa proteção aerodinâmica, mas cavalo que anda deve ser alimentado e a R 1200 GS fez médias de 16 a 19,5 km/l. O único trecho que ela fez 10 km/l foi quando abasteci no Posto Ipiranga do Graal Norte, no km 125 da Rodovia dos Bandeirantes e fiquei “p” da vida quando tive que parar no Graal em Ribeirão Preto para novo abastecimento. Por muito pouco não tive pane seca e, ali, passei acreditar no aviso emitido no painel para abastecer.

O consagrado motor boxer, talvez esteticamente não seja bonito, mas é muito eficiente oferecendo torque e potência em qualquer rotação. Por falar em rotação, aos 4 000 rpm em 6ª marcha é quando o motor fica liso. Mas, sinceramente, impossível ficar só nessa tocada de 4 000 rpm e a vibração maior passa pelas pedaleiras mas não incomoda as mãos. Nada fica dormente, como acontece em outras bicilindricas quando exigidas em altas rotações.

Cheguei em Brasília as 20h30. Quando escureceu totalmente, por volta das 18h30, ainda estava ao meio do serrado, no meio do nada e, pilotar à noite, apesar de gostar muito, é algo que tenho evitado depois que tive o diagnóstico de “ceratocone”. Durante o dia, obrigatoriamente preciso usar viseira fumê além das lentes do óculos que escurecem e a noite o meu tormento é o escuro com fachos de luzes.

Mas senti muita segurança com a luminosidade da R 1200, usar o adjetivo de sensacional não é exagero para quem tem uma patologia na visão. A iluminação proporcionada pela moto foi tão boa e agradável inclusive não permitindo o ofuscamento dos veículos em sentido contrário, tamanho a claridade gerada na estrada, permitindo  que a tocada continuasse a mesma.

Basta acionar o botão e a manopla fica aquecida

Com o cair da noite, veio o friozinho e…bastou acionar um botão para as manoplas aquecerem. Mesmo no tropical Brasil não é frescura, é necessidade, já que o frio é fator determinante para tirar a concentração.

Os freios tem grande competência para parar a gigante que com piloto, combustível e bagagem passa fácil dos 350 kg, mas não gostei do tato do ABS, que além de ser acionado muito cedo, estrala e dá um retorno incomodo, mas nada que assuste ou descredencie a segurança que o sistema oferece.

Aliás, segurança é o ponto forte dessa máquina que além do sistema ABS, oferece controle de tração ASC (Automatic Stability Control).

O único detalhe que na minha modesta opinião precisa mudar, são os botões de acionamento das setas, seria perfeito se fosse abandonado o padrão lusitano e adotado o padrão internacional, já que até as setas desligam sozinhas.

E só para constar, na cidade não tive qualquer dificuldade em pilotá-la no corredor paulista ou brasiliense, passa fácil nos corredores.

Por fim, depois de rodar mais de 2 000 km sozinho com bagagem e  dar uma volta com trecho cheios de curvas com a esposa que teceu elogios a garupa, devo admitir que a BMW R 1200 GS entrou na minha lista de aquisição.

André Garcia usou na viagem: macacão e protetor de coluna Tacna, capacete Shark RSX, bota Tutto Moto e luvas MTech; na cidade: capacete Shark S650, jaqueta Summer Shock e calça jeans da HLX Racing e bota Ridge da Alpinestars


** O canal está aberto para Ipiranga e Rede Graal se manifestarem sobre a qualidade da gasolina. Reclamação feita no site da Rede Graal até o momento não foi respondida e no Ipiranga não foi feito, já que não encontrei o canal apropriado.

11 COMENTÁRIOS

  1. André, boa tarde.
    Qual é este “kit anão”???
    Se não estou enganado o banco da BMW vem com uma altura regulável, porém no modo mais baixo tem 820mm de altura. Para baixar para 765mm teria de baixar 55 mm ou 5,5cm. Não acredito que tenha baixado somente o banco. Mudou a suspensão também??? Tem um kit de suspensão que é vendido pela Hyper Pro que baixa 30MM e mexe tanto na suspensão dianteira como na traseira. Dai se o banco baixa mais 25mm acho que é coerente.

    Seria isto mesmo???

    Estou interessado na gs1200 mas também tenho “pouca perna”… rsrs.

    Abraço e agradeço se puder tirar a minha dúvida.

    Todo

  2. Olá André.

    Assim como vc, a primeira coisa que identifiquei na R1200 GS Adv. foi a necessiade do KIT anão citado em sua narrativa da viagem sobre a BMW, pois o meu 1,68m não é fácil rs.

    Não tenho moto e estou estudando a aquisição da r 1200 GS adv. e a princípio preciso de diversas dúvidas sanadas, que entre elas cito a questão de depreciação, mercado e o custo de manutenção.

    Gostaria que vc comentrasse sobre essses itens ok

    Abraços

    Denício

  3. Caro André,
    Me identifiquei muito com sua reportagem.
    Tive uma BANDIT 650 S com a qual fiz 44 mil km em viagens (Br/Ch/Ar/Uy e Py).
    E agora estou para comprar uma GS 1200. A minha maior dúvida é em relação aos meus 1,70m de altura e ao peso da moto para manobrar.
    Gostaria de sua opinião.
    Abraço.

  4. Andre parabens pela materia,comprei uma 1200 GS a uma semana,trquei meu estilo de pilotagem radicalmente ja que so tive motos epid e turing,.
    A pergunta é, sera q vou me acostumar,a moto e isso tudo q falam,e vrdade q o motor boxer e duravel a ponto q passr dos 100.000km se problemas,a minha tem35.000 km o ano 2004.
    Bom o seguro e um ponto muito positivo $1.500.00

    Como minha mulher disse (coisa boa a gente se acostuma logo)

    Grande abraço e obrigado.

  5. André, parabens pela reportagem.
    Vc transmitiu detalhes especificos da moto que eu nunca imaginei, como o caso das setas lusitanas. Rss.
    Nessa mesma epoca, dia 15/06, eu estava saindo de BSB com destino a Serra do Rio do Rastro-SC e posso acrescentar que o caminho de Araguari-MG a Uberlandia-MG está pessimo!! Em obras, cheio de remendos e buracos.
    Sei bem pois sofri muito com minha Monster 696 de suspensao dura, assim como meu amigo de MT-03. Atencao redobrada nesse trecho.
    Abrs

  6. André,

    Pelo que você postou acredito que esse roteiro seja bem interessante para ser feito de moto, você conseguiria se lembrar dos trechos e alertar aos que queiram fazer esse mesmo trajeto das armadilhas e claro as coisas legais que encontraremos de São Paulo para Brasília?

    • Paulo quando termina a Anhanguera e entramos no Estado de Minas Gerais poucos trechos são de pista dupla, grande parte 99% são de pista simples e todo cuidado é pouco. Se ver caminhão no sentido contrário, tire a mão, pois você deparará com alguém tentando fazer ultrapassagem. Use muito o lampejador do farol.

      Outra dica é que depois de Araguari-MG você roda cerca de 210Km sem passar por qualquer posto de combustível. Portanto, encha o tanque em Araguari-MG, pois logo em seguida entrará no Estado de GO e você ficará em meio ao nada bem solitário.

  7. Andre, eu nao sei como funciona mas seria muito interessante se voce mesmo pudesse testar a F800gs e fazer um comparativo com a 1200. Sem duvida a 1200 é superior mas no que ela é, realmente é indispensável?
    A começar pelos faróis, será que existe grandes diferenças? Fica a sugestão. Abcos

  8. Show em André…viajar assim é uma beleza!
    qual foi a velocidade média no trajeto??achei bem interessante o consumo dela em relação a potência e peso.
    Abrass

  9. Caro Andre.Parabens pela reportagem! Sobre o ceratocone fique tranquilo. Se vc ja passou dos 35 ela nao deve mais evoluir. De qualquer forma, andar de moto a noite e com ceratocone é pedir pra sofrer. Forte Abraco.

    • Obrigado Tiago! Já tenho 38 anos. Graças a Deus meu ceratocone é leve. Mas, realmente, perturba muito! Faço acompanhamento 2 vezes por ano.
      Mas por incrível que pareça nessa viagem durante a noite em pista simples, que normalmente me deixa quase em pânico, foi sensacional! Dou graças a iluminação dessa BMW que deixou o caminho muito claro…rs…rs…rs

      grande abraço

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