24.4 C
São Paulo
domingo, 28 novembro 2021
spot_img

Roubo de moto: espero que não chegue a sua vez

Nos anos 80 existia um slogan que dizia “Carro a álcool. Você ainda vai ter um”.  Ele fazia parte de uma campanha criada pela Copersucar em 1983, prevendo que no futuro todos adotariam o novo combustível. Hoje os tempos mudaram e o slogan do momento é: “Moto roubada. Você ainda terá a sua”.

roubo de moto

Foto: Eduardo Anizelli

Roubo de moto: espero que não chegue a sua vez

Esta violência está alcançando números alarmantes e está difícil encontrar um motociclista que já não tenha passado por este momento de terror. Basta olhar os noticiários e ver a crescente onda de roubo de moto e seus desfechos trágicos.

Não consigo enxergar medidas eficazes para diminuir esta “praga”, mas vejo cada vez mais, leis feitas por quem não anda ou não entende nada de motos.

Uma nova lei foi criada, e como sempre não existe definição para sua fiscalização, proíbe a entrada em postos de combustível do motociclista usando o capacete. O motociclista tem de parar antes da faixa amarela, retirar o capacete e ai sim se dirigir sem o equipamento de segurança até a bomba. Realmente impraticável. Você para na frente do posto, tira a luva, tira o capacete (coloca aonde?) e se dirige a bomba desrespeitando outra lei. Cumpre uma e desrespeita a outra, que diz que é necessária a utilização de capacete quando a motocicleta está em movimento. E quanto a balaclava? Tira? Fica? E se o capacete for aberto? Ou escamoteável? Só rindo mesmo. Mais uma lei para proteger o comércio de assaltos onde a motocicleta é utilizada como veículo de fuga. Mas qual lei que protege os motociclistas dos motoristas desatentos ou dos assaltos?

E quem se lembra da lei criada em 2009 pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que obrigava a instalação de equipamento de rastreamento (chip antifurto) em todos os veículos novos (inclusive  automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, ciclomotores, motocicletas de qualquer cilindradada, triciclos, quadriciclos, tratores, reboques e semi-reboques) visando a diminuição de roubos? O cronograma dizia que entraria em vigor em 15 de janeiro de 2012, depois foi para 15 de agosto do mesmo ano e após altos investimentos por parte das montadoras até agora não entrou em vigor.

O que temos de fazer é agir por conta própria e não esperar nada deste pessoal que nada entende de motociclismo e são capazes de montar em uma moto voltados para trás! Quando digo agir, é tentar conscientizar ao máximo as pessoas de que os roubos de motos são realizados em sua maioria para suprir um mercado paralelo de peças.

O que podemos fazer para a redução de roubo de motos é uma campanha de conscientização dos motociclistas para não comprarem peças de origem duvidosa. Adoraria saber que um motociclista foi expulso de seu moto clube por ter comprado peças deste “mercado”.

Em setembro de 2012, houve o leilão de relógios, jóias e objetos que pertenciam ao traficante Juan Carlos Abadia. Lembro-me de ter visto no noticiário o tumulto de pessoas comprando, desde valiosos relógios até objetos simples de casa.  Para negociantes de jóias, até posso entender a oportunidade, mas jamais compraria por melhor preço que fosse ou aceitaria de graça uma coisa que foi adquirida à custa de vício, drogas, sangue, desgraça de famílias inteiras e morte.

Para mim, adquirir peças de motocicletas de origem duvidosa é a mesma coisa. Aquela simples peça que está bem mais barata do que em uma revenda autorizada ou em uma loja de moto-peças, pode ter custado à vida de um motociclista e ter deixado uma família desamparada. Não aceito esse tipo de conduta e se fosse meu caso, preferiria ficar com a moto parada, do que alimentar um mercado que não poupa vidas e pelo que temos visto não tem limites de violência. Não é possível que, quem compra um manete de freio de origem duvidosa não se sinta apertando o gatilho cada vez que aciona o freio da moto!

Quando uma determinada marca de motos se estabelece em nosso país, com toda a certeza não será alvo de furtos, pois não existe demanda para suas peças. Mas basta um único proprietário de uma motocicleta desta marca, procurar peças neste “mercado” paralelo e criará uma demanda para que esta moto comece a ser roubada. E o que ele não pensa, é que a moto roubada para suprir esta demanda pode ser a dele e pode custar a sua própria vida.

O caminho é bem longo, pois além da conscientização por parte dos motociclistas, é preciso a participação das montadoras que poderiam reduzir os preços das peças de reposição e não deixar faltá-las no mercado.

Outra participação importante nesta batalha seria a das seguradoras, que deveriam destruir as motos dadas como “perda total“ e não comercializá-las em leilões visando diminuir o prejuízo das indenizações pagas.

Já o governo também poderia reduzir parte dos impostos de peças como forma de colaboração.

Mas acredito mesmo que, a mobilização deste grupo forte e unido que são os motociclistas obteria mais resultado.

Só existe comércio de peças roubadas por que existe demanda. Temos que divulgar esta ideia e mostrar nossa desaprovação para aqueles que consciente ou inconscientemente alimentam este mercado.

Related Articles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


9 + = catorze

 

Stay Connected

22,566FãsCurtir
3,029SeguidoresSeguir
18,800InscritosInscrever
- Advertisement -spot_img

Latest Articles