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domingo, 28 novembro 2021
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Diversidade e Dificuldades

Se eu disser que a infração de trânsito mais registrada em 2012 foi a de não utilizar capacete, certamente vocês vão dizer que estou louco. Pois é verdade. Durante este período, foram aplicadas 102.455 multas e 20.082 delas, ou seja, 19,6% das multas lavradas eram referentes à condução de motocicleta sem capacete.

Com toda certeza, você deve estar pensando: “como é que nunca vi tanta gente andando sem capacete?”…. “como é possível alguém se aventurar neste trânsito sem capacete”…

FOTO 1

Fotos: Reprodução

Diversidade e Dificuldades

Bem, o que não falei é que estes números são relativos ao Estado do Ceará. O que para um paulistano é inadmissível (andar sem capacete), para um cearense pode ser a coisa mais natural do mundo, e vice-versa.  Cada região brasileira tem particularidades e grandes contrastes se compararmos com as demais áreas.

Outro exemplo interessante é o fato do Sudeste ter a quantidade de pessoas habilitadas na categoria A (motocicletas) menor do que a frota circulante, e no Nordeste acontecer o inverso. Existem mais motos circulando do que pessoas habilitadas. Vale lembrar que a cidade de Fortaleza segue na vice-liderança no número de emplacamentos. Em 2012 fechou com a marca de 26.933, perdendo para a cidade de São Paulo, com 51.971.

O Nordeste vem crescendo sua participação no número de vendas de motocicletas desde 2007, enquanto o Sudeste vem caindo. Parte deste crescimento deve-se as motos de 50cc. Ao analisar a região, Nordeste em separado, mais parece que estamos lidando com outro país. Acabamos por achar marcas com grande representação no mercado local e que são totalmente desconhecidas por aqui. Vemos marcas líderes do mercado sendo desbancadas em algumas cidades por motos das quais nunca ouvimos falar e que nunca aportarão por aqui no Sudeste.

Veja abaixo a lista das marcas de motocicletas, classificadas por volume de emplacamentos e publicada pela Fenabrave no fechamento de 2012.

marcas

Você conhece todas estas marcas? Conhece os modelos que elas disponibilizam para o “nosso” mercado?

Muitas destas marcas desembarcam no Brasil diretamente no Nordeste e não se fazem presentes em outras regiões. Algumas delas são “cases” de sucesso internacional, tentando repetir o sucesso obtido em outros países. Neste mercado onde estas marcas brigam ferozmente, até mesmo o financiamento é diferente. São feitos carnês iguais aos das lojas de departamentos – aliás, muitas destas marcas são vendidas em grandes magazines da região.

moto
Móveis e motos são vendidas nas lojas

Basta analisar as vendas no ano de 2011 de duas montadoras com bastante tempo de mercado nacional e com uma rede de concessionários que abrange todos os estados brasileiros. Em uma delas o percentual de motos de 50cc correspondeu a 34% de suas vendas e em outra, a 68%. São motos que não vemos nos grandes centros e nem em cidades menores do Sudeste. Motos que não são testadas pela imprensa, que não constam em anúncios nas revistas especializadas e que não despertam muito interesse dos consumidores locais. É outro mundo!

Agora, com esta diversidade e diferença de costumes, imagine a dificuldade de uma montadora para lançar um produto que tenha aceitação nacional e que consiga preencher as necessidades dos diversos tipos de motociclistas que temos no Brasil. Imagine a tarefa árdua que é uma campanha de marketing nacional, para lançar uma motocicleta, quando temos de pensar nos nichos específicos de mercado e suas necessidades. Se o nome escolhido para o produto se associa com algo bom ou ruim de cada região. Escolher um garoto propaganda e um enfoque de campanha que tenha entrada igual em todo o Brasil. Realmente não é uma tarefa fácil.

Talvez esteja aí a razão de algumas montadoras lançarem produtos que (nós, paulistanos) questionamos a viabilidade e o motivo.

FOTO 3

Lembro-me de quando o Best Riders noticiou os novos modelos da Suzuki, GSR 125 e 125S, os leitores escreviam críticas à marca sem saber que talvez este produto não era para eles e que as montadoras têm diversos mercados para cuidar e que precisam manter o “share” em todos eles. Quando vemos lançamentos de modelos mais simples em cilindrada e equipamentos (como a Honda fez recentemente com a Biz 100 e Bros 125 e a Suzuki acabou de fazer com a GS 120), temos de entender que estes modelos são para combater um inimigo bem mais incômodo do que as críticas dos consumidores, são para ir de encontro com a contínua invasão de modelos chineses de baixo custo.

Tornar produtos já consagrados em algo mais simples e baratos parece ser a única solução encontrada pelas montadoras para esta guerra silenciosa, que nós do Sudeste não conhecemos de perto. Mas será que não existe uma outra solução?

Temos bastante espaço para mais fabricantes/importadores e modelos, pois nossos consumidores fazem uma seleção natural e acabam por extinguir algumas marcas que não retribuíram com respeito e qualidade a confiança nelas depositadas. Poderia listar como exemplo umas 10 marcas que simplesmente desapareceram com a mesma rapidez que surgiram em nosso mercado, deixando centenas de clientes órfãos de peças e também de respostas.

Neste ponto, tenho a certeza de que nossos consumidores estão cada vez mais maduros, exigentes e preparados, e que possuem excelente memória. Podem ser enganados uma vez, mas não duas. O sucesso destas marcas, sejam elas direcionadas ao mercado do Sudeste, Nordeste ou a qualquer outro, está muito mais no respeito ao consumidor do que na oferta de produtos por eles desejados.  A vida útil destas marcas é diretamente proporcional ao grau de satisfação de seus clientes. Algumas delas parecem desconhecer esta equação ou simplesmente tentam ignorar esta lei de mercado.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Morei em Sobral,Ceará.É mais fácil achar Traxx,Shineray,Kasinski do que uma Suzuki.Levei minha INTRUDER 125 e penei na hora de encontrar um simples filtro de óleo.A HONDA reina absoluta.A cidade tem duas grandes concessionárias HONDA.

  2. A compra dessas motos “desconhecidas” é resultado de um transporte público ineficiente, baixa renda e o custo absurdo das motos “conhecidas”…Honda, Suzuki, Yamaha e Kawasaki…esta ultima nem se mostra interessada em produtos mais populares…!!! E mesmo com os valores nas alturas, e máquinas populares “desatualizadas” nosso mercado só cresce…e assim, contribuindo cada dias mais para esses figurões das duas rodas ficarem mais e mais ricos com pouco trabalho e muito menos qualidade…!!! Infelizmente esse é o país dos espertos…dos coitados…dos seres mudos que aceitam cada vez mais qualquer coisa que é empurrado…maior prova disso é a NX 400cc da “HONDA…MELHOR DO BRASIL”…!!!!!!!!!!!!!!

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