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terça-feira, 24 maio 2022
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Conforto, potência e tecnologia em uma só moto

Retornado de um longo passeio, já de noite, começo a trocar as estações do rádio à procura de uma boa música. Encontro uma velha canção que diz, ‘Take the long way home’. Nossa! Precisei de 33 anos e estar a bordo de uma Electra Glide Ultra Limited para entender o que a letra da banda inglesa Supertramp queria dizer com isso. Expressa exatamente o que eu estava sentindo naquela hora, a vontade de continuar pilotando a Ultra indefinidamente.

Se você está procurando um carro esportivo conversível, calma. Leia antes este texto e depois avalie, pois o espírito de liberdade, potência, conforto, tecnologia e as demais sensações que você procura podem estar em um veículo de apenas duas rodas. Não vou entrar no mérito do que a marca representa, seu estilo de vida, o mito, o fato de ser a moto mais cultuada do mundo ou de ser quase uma religião. Detive-me apenas ao prazer de viajar a bordo da uma HD Ultra.
Logo de cara, tudo impressiona. O nome com sobrenome, Harley Davidson FLHTK Electra Glide Ultra Limited, e seus números: 400 quilos de peso seco, 2.525mm de comprimento, 1.690 cm³, 13,9 kgf.m de torque e bagageiros com capacidade para mais de 67 litros. Lógico que você pensa duas vezes antes de começar a rodar com ela. Não é uma máquina para qualquer situação. É uma moto que pede estradas muito bem pavimentadas e nada de trânsito pesado na cidade, como qualquer outra motocicleta touring de grande porte.

Feito o roteiro e acertado o horário para evitar trânsito na saída de São Paulo, montei na Ultra e comecei a me habituar com o painel e os inúmeros comandos. O que chama atenção logo de início é a perfeita ergonomia e o excelente conforto. O largo tanque de 22,7 litros faz com que fiquemos com as pernas mais afastadas do que habitualmente fazemos em outras touring, mas isso em nada atrapalha a posição de pilotagem. O conjunto do amplo painel envolvente com inúmeros instrumentos analógicos (velocímetro, conta giros, voltímetro, pressão do óleo, marcador de combustível e temperatura do ar) o para-brisa curto e curvo e a posição de pilotagem me lembrou muito a de um pequeno monomotor de treinamento. Me senti dentro da moto e não em cima dela.

Se você procura LED´s e instrumentos digitais, esqueça. Tudo na Ultra é clássico e mantém a sobriedade e padrão de bom acabamento e esmero das HD. A tecnologia de ponta está escondida e as únicas coisas modernas que você vai ver são o hodômetro digital dentro do velocímetro analógico e o sistema de som. Os punhos possuem diversos comandos. Quatro somente para ajustar o fantástico sistema de áudio Harman-Kardon que conta com quatro alto-falantes de 20 watts por canal além de rádio AM/FM, CD, MP3, um intercomunicador e CB (a famosa faixa do cidadão). A qualquer velocidade você consegue um som puro e perfeito devido à qualidade, posição e potência dos alto falantes.

Bem, checado a localização de todos os botões e testada suas funções, vamos colocá-la em movimento. Vale citar que os controles manuais da HD são extremamente intuitivos, não precisando de muita memorização de onde ficam e como apertá-los. Os comandos dos piscas ficam um em cada punho e desligam sozinhos ou apertando-os novamente. Naturalmente, você se acostuma.
Quando em movimento, a sensação de moto grande e pesada desaparece. O motor de grande cavalaria cresce uniforme e a entrega de potência acontece de forma suave. Com o aumento progressivo da velocidade, começamos a sentir o quanto a moto é confortável para se rodar. O assento largo e de espuma bem macia fica a 745mm do solo e permite um bom posicionamento do piloto.

As suspensões cumprem bem a finalidade de manter a estabilidade e transmitir conforto a seus ocupantes. Isso graças a um sistema ajustável a ar somente para a traseira, proporcionando a regulagem de acordo com o estilo de pilotagem e carga da moto. Os freios Brembo com ABS são de série e completam o conjunto, passando segurança e confiabilidade. Composto por disco duplo de 32mm na dianteira com 4 pistões e simples na traseira, também com pinça de 4 pistões.

O chassi é bastante rígido e não apresenta flexões, mesmo quando exigido em curvas mais fechadas. Sim, foi bem mais fácil do que eu esperava, mas não tão simples assim. Ainda preciso ficar atento a manobras em baixa velocidade, me antecipar às mudanças de direção e verificar bem antes de parar onde vou colocar os pés.

Se ficar preso em algum engarrafamento, basta usar o EITMS (Engine Idle Temperature Management Strategy). Resumindo, este é um sistema que automaticamente corta o combustível e a centelha do cilindro traseiro para baixar a temperatura do motor e evitar que o piloto e garupa fiquem sentindo o vento quente proveniente do motor. O sistema pode ser acionado pelo piloto, bastando virar o acelerador em sentido contrário.
Ao chegar na estrada, tudo muda. A tensão inicial já passou e agora é só acelerar mais um pouco, aumentar o volume do som e curtir a Ultra em seu habitat natural. Na estrada, percebemos toda a força do Twin Cam 103. Este poderoso motor de formato em V, que somado a uma injeção eletrônica sequencial bem acertada, um par de escapes bem dimensionados e sua transmissão de seis velocidades Six-Speed Cruise Drive, não poderia dar em outra coisa a não ser muita potência, respostas suaves e uma rápida aceleração.

Mantendo os 120km/h de cruzeiro com o giro a 2.750 rpm e em seguida baixando para os 110km, onde desaparece por completo a pequena turbulência sobre o capacete, comecei a desfrutar e curtir todos os itens que essa HD possui. Carenagem inferior ventilada, manoplas aquecidas, piloto automático, faróis auxiliares, banco com encosto para o passageiro, pedaleira integral para os pés, sistema keyless, rodas de 28 raios em liga de alumínio dianteira de 17 polegadas e traseira de 16, entre outros.

Neste ritmo na estrada, os números iniciais já não têm tanta importância. Se questionados, responderíamos rapidamente. ‘Potência?’ Suficiente e de sobra! ‘Freios?’ Muito e com ABS! ‘Cor?’ A mais bonita! ‘Conforto?’ Se tivesse um assento reclinável, serviço de bordo e um cobertor nas pernas diria que estaria voando de primeira classe!
Uma vez pilotando a Ultra na estrada você sentirá o grande diferencial deste modelo: a potência aliada ao grande conforto. Tudo nela foi pensado para este fim. Três grandes malas onde cabe muita bagagem, assentos de dois níveis com encosto para o passageiro, bastante proteção aerodinâmica e uma boa autonomia graças ao seu grande tanque. Mas é para isso que a Electra Glide Ultra Limited foi feita: para longas viagens, onde piloto e garupa terão tempo suficiente para aproveitar toda tecnologia, conforto e incontáveis ‘mimos’ de série que acompanham este modelo.

Um simples final de semana a bordo desta máquina poderia ser prolongado indefinidamente sem ficar cansativo ou redundante, ratificando a sensação de liberdade relacionada às motocicletas.

A bordo da Electra Glide Ultra Limited, vi que às vezes o caminho mais longo pode proporcionar deliciosas sensações, bons momentos e muito conforto. Tudo em grande estilo, linhas clássicas e o melhor da tecnologia.

A MAIS QUERIDA NO BRASIL

A Electra Glide Ultra Limited é de longe a moto preferida dos brasileiros no segmento Touring. O modelo 2011 foi o que obteve maior número de emplacamentos dentre todos os concorrentes. Neste ano, perde a preferência somente para outras motos da HD, mantendo-se à frente das rivais BMW e Honda.

 

 

VEJA MAIS INFORMAÇÕES DA FLHTK NA FICHA TÉCNICA ABAIXO:



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11 COMENTÁRIOS

  1. Estas motos gigantes são difíceis no transito urbano, mas realmente compensam em viagens rodoviárias. Quanto eu tinha XT 600 e GS 500 e chegava quebrado ao final da viagem, quando passei para a Triumph Tiger as viagens “diminuiram” pela metade. Eu chego inteiro devido ao conforto do banco, ao parabrisa, a inexistencia de vibrações. Tenho certeza que a HD Electra Glide vale quanto pesa. Quem sabe um dia terei uma.

  2. Realmente tudo é grande nessa moto, grande demais. Não consigo enxergar vantagem nela em relação as outras motos grandes da Harley. Ela é no mínimo 100 kg mais pesada que as outras, mas larga do que o necessário, consome quase o dobro de gasolina, e custa 20 mil reais a mais na média em comparação com as outras big engines, não sei, pro Brasil acho um desperdício, nos EUA tem aquelas retas de 500 km, onde ninguém muda de faixa e os pilotos e garupas pesam 50 kg a mais que os brasileiros. Sou muito mais uma Fat Boy Special, que tem tudo, conforto, potência, ABS de série. Custa 22 mil a menos e faz quase 20km/l. Eu acho até a nova Dyna Fat Bob muito confortável e mais agressiva, mais guiável. E radio hoje em dia tem sistema que além de vc escutar radio e qualquer música, também já vem com intercomunicador entre seus amigos e celular tudo dentro do capacete, nem aparece pros outros. Talvez para quem pese mais de 120 kg e faça viagens de mais de 800 km/dia vale a pena, sei lá…

  3. Ótima reportagem! Com atuais 25 anos, estou mais focado na Sportster e na super glide custom, mas quando dobrar minha idade, vou para uma dessa, sem dúvida.

  4. Caro Sr. Rocha,

    Q U E I N V E J A !
    Gostei muito da reportagem, e como disse o Gabriel, me senti pilotando esta HD. Tenho até uma miniatura dela em casa, modelo 2002, que tento manter longe do meu filho (rs). Fico olhando pra ela e pensando “Um dia chego lá”.

  5. Parabéns pela matéria, tenho 56 anos e acabei de comprar uma Ultra 12/12 preta pois prata como esta que vc usou,linda, não tem p entrega.
    Ainda dono de uma Kawasaki Concours 14 2008, que coloquei a venda, tenho a dizer que minha expectativa sobre esta Motocicleta é tudo o que vc falou, pois na Concours, belissima maquina, estava começando a ter receios de viajens com a Esposa, haja vista, a velocidade média dela ser muito alta, estando eu andando a uma velocidade de cruzeiro acima dos 180 Km/pH,chegando as vezes aos 240 Km/ph, então resolvi mudar radicalmente, preterindo a velocidade pelo conforto, segurança, boa musica e tempo de apreciar uma boa viajem…

  6. Belissima materia parabens.Essa é uma motocicleta incrivel sem duvida mas ainda prefiro a K 1600 gt/gtl, principalmente pelo estilo moderno que ela possui,agrada mais ao meu gosto.

  7. Fantástico relato. Me senti pilotando a Ultra e deu uma puta saudade das viagens que tive a oportunidade de fazer com essa moto.
    Valeu Edgar!!

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