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sexta-feira, 1 julho 2022
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Uma aventura pelo Rally Dakar 2012

Alô amigos!

Estive presente na final do maior rally do mundo. Esta versão do Rally Dakar ocorreu entre Mar Del Plata, na Argentina e Lima, capital do Peru e lhes digo que foi ESPETACULAR, um Show inesquecível.

Em 2008 estive presente na largada em Buenos Aires e não tenho duvida, a chegada é muito mais emocionante. Quem esta indo assistir a final do Dakar, também esta em um rally de regularidade porque não pode dar nada de errado, nenhum dia pode ser perdido, senão perdemos a festa da chegada.

As estradas ficam repletas de grupos de motociclistas vindos de toda parte, principalmente Brasil, Argentina e Colômbia. Muitos motociclistas sozinhos e todos no mesmo sentido. Em Cuzco, em praticamente todos os hotéis haviam motocicletas estacionadas na porta. No nosso hotel em Ica eu vi dois grupos procurando vaga sem sucesso.

A emoção de uma viagem desse calibre começa antes de sair, com a formação do grupo. São pessoas vindas de vários estados do Brasil e a ansiedade é grande com as apresentações dos integrantes e obviamente, das maquinas. Esse grupo teve um integrante solitário no estilo. O grupo foi composto em 99% de bigs trail e 1% de Suzuki Boulevar 1500, isso mesmo, com autonomia de apenas 130km, essa custom “peso pesado” se fez presente na final do Rally Dakar e pasmem vocês, também na estrada da morte (Coroico), segundo a UNESCO, a estrada de “terra” mais perigosa do mundo.

Moto custom na terra!!!!!

Reinaldo, carinhosamente chamado de caderante, foi um valente por essas estradas e merece nosso registro.

Conduzimos um grupo de dezessete motos pela espetacular Cordilheira dos Andes, pelas infinitas retas da estrada Pan-americana que totalizaram 9.400 kilometros da mais pura aventura.

Estradas ora muito geladas, ora muito “calientes”, trechos quase intermináveis que cheguei a registrar 26 quilometros de subida íngreme e curvas de 180 graus a todo o momento, esta foi entre Cusco e Nazca rumo ao Pampa Galera, foto abaixo.

Rumo à Pampa Galera

No artigo anterior, mencionei alguns pontos de interceptação do Rally. Nestes locais são montados os estandes do Rally onde pernoitam as equipes e são feitas as manutenções nas maquinas.

Resolvemos interceptar o Rally já na sua penúltima etapa, pois nesse momento a disputa esta mais emocionante e as posições já melhores definidas.

Bom! A nossa viagem começou dia 04 de janeiro de 2012, seguimos para o Dakar saindo de Cuiabá, Mato Grosso. Aqui o grupo se reuniu com pessoas vindas do estado de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e daqui do interior do estado. Cuiabá é um ponto estratégico para os destinos turísticos da Bolívia e Peru. Passamos por Rondônia, Acre e adentramos o Peru pela novíssima Trans-pacífico rumo a Cusco (Machu Picchu). A estrada é belíssima, mas também traiçoeira e quando menos se espera, estamos a mais de quatro mil metros de altitude. No Brasil, alguns aviões viajam a essa altitude.

Ficamos em Cusco por dois dias para visitar Machu Picchu. O local é inspiração para centenas de fotos e ali se encontram pessoas de todos os lugares do mundo. Aqui fizemos um tour gastronômico e a cozinha peruana é fantástica. O Peru tem em seu território uma larga margem de litoral do Oceano Pacífico e por consequência disso, muita opção de prato com frutos do mar. Gostei muito do Ceviche, prato de peixe cru, levemente cozido apenas no limão servido com cheiro verde, cebola rocha e pimenta branca. Perfeito.

Grupo na estrada – dezessete motos e dois carros

Próximo destino é Nazca onde se localizam as famosas “Linhas de Nazca”. As linhas traçam desenhos e formas geométricas perfeitas no deserto que realmente intrigam, vistas apenas de cima, das alturas. Todos fizeram o vôo e cada um tem sua própria tese sobre a existência delas, algumas um tanto mirabolantes. O Rally passou a 200 km de Nazca e o próximo acampamento foi em Pisco, nós resolvemos pernoitar um pouco antes, em Ica. Foi uma decisão acertada.

Ica merece um capitulo a parte, simplesmente um Oasis no deserto. Saímos de Cusco bem cedo, um lugar gelado a 3400 metros de altitude e no mesmo dia estávamos ao nível do mar, calor intenso e para consolar os brasileiros, aqui a cerveja é “muy fria”, ao contrario das cidades localizadas na Cordilheira que as servem praticamente natural.

Ica esta a duas horas de Pisco (base do Dakar), mas aqui tivemos a melhor imagem do Rally. O povo peruano em Ica nos encantou com sua hospitalidade. São calorosos e receptivos. Eu particularmente me sinto bem à vontade no Peru, mais do que em qualquer outro país que já visitei. Experimentei uma bebida fantástica chamada Pisco. É uma cachaça artesanal feita de uva com alto teor alcoólico, mas com sabor leve e cheiro adocicado, isso tudo às margens do Oasis de Huacachina. Salud!

Oasis Huacachina

No dia seguinte ainda em Ica, seguimos para a Tenda. Um local no deserto onde os caminhos do Rally se estreitaram e ali teriam que passar todas as motos, carros, caminhões e quadriciclos da competição. Neste local o Hummer vermelho do Robby Gordon capotou no penúltimo dia e eu fui um dos que ajudaram a virar a maquina, é muito emocionante. É como se fizéssemos parte do show, me senti um navegador e a euforia de todos ao redor foi contagiante.

Gaiola tubular com motor V8 em Ica

O acesso a esse local no deserto foi realizado em gaiolas equipadas com motor V8 que proporcionaram aos mais de dez ocupantes uma sensação de voar pelo deserto. As gaiolas, chamadas de tubulares, saltam as dunas fazendo nos sentir verdadeiros pilotos. Realmente um show!

No dia seguinte fomos para Lima, alguns trechos das estradas foram interrompidos para passagem dos veiculos da competição e o mais interessante era os que se perderam, uma gaiola do Rally passou por mim no asfalto, mas com muita pressa.

Em Lima a festa foi grande. Dez quadras em torno da Praça de Armas estavam interditadas e o acesso só em meio à multidão. Estávamos uniformizados e fomos muito bem recebidos, nos aplaudiram, tiramos varias fotos. O povo peruano é muito hospitaleiro. Os veiculos participantes do Rally ficaram circulando pelas ruas no entorno da praça, isso durou horas a fio com os caminhões e carros acelerando forte e as motos fazendo um show à parte com manobras radicais. A multidão ficou extasiada.

Foi ao nosso encontro o navegador da equipe brasileira Petrobras/Lubrax Emerson “Bina” Cavassin, simpatia de pessoa e com muita paciência tirou foto com todos que estavam ao seu redor. Parabéns à equipe e merecido reconhecimento.

Emerson "Bina" Cavassin e eu

Após a euforia, só nos restava voltar para o hotel e nos preparar para a próxima fase, mas antes, uma volta para conhecer o shopping Largo Mar e depois uma visita às praias da região de Mira Flores, boa companhia, sol e mar. Perfeito! Mira Flores é uma das melhores regiões de Lima com vários bares, restaurantes e muita gente bonita.

Maior grupo de brasileiros em Lima. (Em 2013 estaremos lá novamente)
Visão – Shopping Largo Mar

Para nós, aqui era apenas a metade do caminho. Retornamos ao Brasil pela Pan-americana, retas intermináveis até Camana no Peru. No trecho seguinte peguei uma nevasca pesada que caiu por mais ou menos trinta minutos mas que pareceram horas em temperatura baixíssima. Essa é a segunda vez que pego nevasca nas imediações de Arequipa, comum nessa região.

Na seqüência adentramos a Bolívia por Copacabana e logo em seguida visitamos Coroico, uma das estradas mais perigosas do mundo segundo a UNESCO. Alto grau de dificuldade. Em certos pontos a estrada se estreita a apenas um metro e meio e o melhor é não olhar para os lados por que não enxergará o fim do abismo. Estrada para gente grande.

A Bolívia é um belo país, suas estradas são fantásticas, mas que vem sendo alvo de muitas críticas por parte dos motociclistas que por ali passam. A policia é corrupta e estão como nunca, esparramadas por todos os lados, parece que o contingente de policiais triplicou naquele país nos últimos anos. Somado a isso agora estão tendo problemas com a gasolina. Filas imensas para abastecimento e quando consegue abastecer o preço do litro é o “triplo” para veiculos com placas estrangeiras.

Casa Camba – melhor restaurante tradicional de Santa Cruz

Tirando os problemas com a polícia que é crônico, conheço a Bolívia de norte a sul e sempre foram assim, e os problemas de ordem política, o povo boliviano nos remete a outra realidade. São hospitaleiros e quero deixar um agradecimento a duas pessoas, agora amigos, que conheci em Santa Cruz de La Sierra, Kiko e Harry que me auxiliaram em um problema que tive descendo a serra, inclusive providenciaram até gasolina a preço local. Muito obrigado amigos.

Só pra registrar, a gasolina na Bolívia esta mais cara que a daqui do Brasil.

O grupo chegou bem em Cuiabá, no dia programado.

Algumas considerações:

Para que essa viagem se tornasse um sucesso, foi necessário programação prévia bem elaborada. Saímos com TODOS os hotéis reservados, condutor bilíngüe, destinos e pontos turísticos traçados.

Em grupo a viagem fica mais segura, a polícia não fica a vontade pra pedir propinas e somos mais respeitados nas estradas.

Estamos formando um grupo para o Deserto do Atacama em Julho, na seqüência abriremos as inscrições para o Dakar 2013 que será ao contrario desta vez. Vai sair de Lima no Peru e a final será em Santiago, no Chile. Estamos aguardando o roteiro definitivo.
Interessados podem adquirir mais informações pelo site http://www.jaguarsafaris.com/dakar.html que brevemente será liberado as inscrições para o Deserto do Atacama com vagas limitadas ou pelo e-mail [email protected]

Grande abraço
Fausto Malheiros

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6 COMENTÁRIOS

  1. FAUSTO, foi um prazer enorme desfrutar da Companhia do amigo em tão maravilhosa aventura. Valeu toda sua experiencia em nos orientar e agradeço a Deus e a minha família a oportunidade de ter realizado tão maravilhosa viagem, ao lado de valorosos aventureiros que fizeram parte

  2. Faustão,

    Foi uma honra compartilhar as estradas do pacifico e da cordilheira dos Andes com você. A viagem teve só 20 dias mas parece que foram muito mais, tamanhas as lembranças da viagem. INESQUECÍVEL, e parafraseando um dos companheiros da viagem: só perdeu quem não foi!
    Em julho estarei ai no Deserto de Atacama & Cataratas do Iguaçu (recebi a programação hoje!).

    Muito obrigado pelo relato, nem parece que estive ai com todo esse grupo.

    Braulio A Carlos

  3. FAUSTO, AGORA GRANDE AMIGO OBRIGADO PELA CITAÇÃO EM SUA MATÉRIA QUERO QUE TODOS SAIBAM QUE PARA NOS MOTOCICLISTAS UMA VIAGEM DESTA MAGNITUDE NAO TEM PREÇO,O QUE PUDE OBSERVAR NESTE LONGO PERCURSO E VOCE DESCREVEU COM MUITO BRILANTISMO É QUE MUITAS COISAS QUE NÃO PUDEMOS REGISTRAR COM FOTOS FICARÃO GRAVADAS NA MAIS PERFEITA DAS MAQUINAS (NOSSAS LEMBRANÇAS) ESSA NINGUEM APAGA.
    E QUE TODOS UM DIA POSSA TER O MESMO PRIVILEGIO DE FAZE-LO, AGRADEÇO A DEUS POR TER VOLTADO E A MINHA FAMILIA PELO APOIO E AOS GRANDES AMIGOS PUDE FAZER NESTA VIAGEM.

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