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domingo, 24 outubro 2021
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A morte ronda Interlagos

 

No curso de pós-graduação em Gestão e Direito de Trânsito, convivendo com pessoas que atuam no trânsito, tenho me deparado com uma triste realidade da mentalidade brasileira: trata-se a causa só depois do resultado morte.

Os órgãos de trânsito só atuam na via pública para torna-la mais segura depois que se concretizaram várias tragédias, digo várias, porque se for uma ou duas ou três, nada será feito. Vale lembrar que a decisão é sempre política e os agentes de trânsito mesmo enxergando o problema que poderia ser sanado preventivamente, não conseguem sensibilizar quem decide.

A mesma mentalidade, a mesma conduta omissiva em relação à segurança circunda os órgãos esportivos a motor no Brasil.

Há quatro anos, numa prova de Stock Light morreu Rafael Sperafico na curva do Café, coincidentemente, aquele que era seu companheiro de equipe Gustavo Sondermann sucumbiu no mesmo local ou no mesmo ponto do circuito no domingo 03/04/2011.

Em 24 de fevereiro, num Track Day o grande amigo João Lisboa, um jornalista-fotógrafo que não requer apresentações, bateu na mesma curva e morreu horas depois no hospital.

Sabemos de vários outros acidentes naquele que é considerado um dos autódromos mais importantes do mundo, acidentes com morte instantânea ou horas depois num hospital, mas que cai no esquecimento até a próxima vítima.

O que me deixa intrigado é a omissão da CBA – Confederação Brasileira de Automobilismo que poderia ter feito algo há quatro anos, mas nada fez!

Agora, diante da revolta de vários pilotos, numa atitude teatral e me perdoem o termo, “tirando o seu da reta”, pedindo nova vistoria a FIA e determinando bandeira amarela naquele ponto, ou seja, impedindo o espetáculo.

O que me deixa mais intrigado ainda é a total omissão da FPM – Federação Paulista de Motociclismo que por ser federada a CBM – Confederação Brasileira de Motociclismo que por sua vez é federada a FIM – Federação Internacional de Motociclismo, esta, que não homologa prova de motovelocidade no Autódromo José Carlos Pace.

A morte de João Lisboa, no motociclismo, é o que mais gerou eco por ser da imprensa, todavia, todos sabem dos acidentes fatais ou não, que tem acontecido em Interlagos, quer seja por falta de preparo do piloto que deveria ser acompanhado de perto, quer seja pela falta de fiscalização da FPM e CBM, quer seja pela omissão do dono do autódromo, cujos dirigentes a cada quatro anos pedem nosso voto, mas por politicagem e dinheiro preferem a omissão que mata esportistas e suas respectivas famílias e que sequer são pressionados pelas instituições que deveriam zelar pela segurança dos praticantes.

Quando Ayrton Senna morreu na curva Tamborello no autódromo de Ímola na Itália em 1994, no ano seguinte a famosa curva estava totalmente reconfigurada, já que lá, os organizadores, os dirigentes, “quem manda no autódromo” tem responsabilidade.

O problema de Interlagos é reflexo da fraqueza destas entidades administradas por quem não ama o esporte, mas ali se encontram para “mamar”, nas respectivas, entidades e assim obter vantagem pessoal.

Senhores atuais dirigentes, por um mínimo de decência e por amor ao esporte a motor, sumam, deixe que pessoas sérias tomem as rédeas e fortaleça o esporte brasileiro.

E já que tais entidades não fazem a lição de casa que consiste, não em apurar culpados, mas aprimorar a segurança do autódromo, já passou da hora do Ministério Público do Estado de São Paulo atuar em nome da segurança, todavia, aparato jurídico não falta!

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