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domingo, 3 julho 2022
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Kawasaki Versys City: melhor que a encomenda

* Texto e fotos: Edgar Rocha

Sabe quando você fica despretensiosamente folheando uma revista especializada de motos, olhando os modelos atuais e os futuros lançamentos e pensa: “bem que poderiam fazer uma moto no meu gosto”. Aí você inicia um projeto mental e começa a listar como seria a moto perfeita para você.

“Bem, teria de ser um modelo maxitrail, porém com aptidões mais urbanas e asfálticas, pois ando 95% do meu tempo em estradas pavimentadas. O motor tem de ser forte, econômico e com um bom torque. Cilindrada? Queria a economia e o peso de uma 600 com performance de uma 800.

Bem, como não estou pagando mesmo, quero uma bicilíndrica com duplo comando. Design? Algo novo, com belas linhas e soluções estéticas modernas, nada muito convencional. Freios? Quero um duplo disco na dianteira e simples na traseira.

Como imaginar não paga nada, quero disco do tipo margarida e logicamente ABS. Quero um painel moderno, de boa leitura e que traga as informações mais importantes. Quero muitos equipamentos de série e mimos para o piloto.

As suspensões? Bem… têm que ser o que há de melhor. Invertida na dianteira e monoshock na traseira com regulagem. Ah! Por favor, não esqueça de um câmbio de 6 marchas, um banco confortável para o garupa e um lugar onde eu possa guardar minhas coisas. Ixi! Essa brincadeira vai ficar cara! Pelo contrário, ficou apenas R$ 31.990,00.

Bem, esta moto existe. O nome dela é Kawasaki Versys City e está aí ao alcance de todos em qualquer revenda Kawasaki. Tive o prazer de pilotar por mais de 500 km entre cidade, estradas de alta e baixa e até rodei por estradas de terra, aproveitando a versatilidade (a qual o próprio nome do modelo sugere) e a vocação para viagens aventureiras.

A Kawasaki Versys City é uma motocicleta acima dos padrões, se compararmos com as concorrentes da mesma categoria. Ela não economiza em equipamentos, no acabamento e nem tão pouco no design e na performance.

Na cidade, a Versys se mostrou extremamente ágil, fácil de conduzir e com respostas bem rápidas devido aos seus 6,2 kgf.m de torque, que já começam a aparecer a partir dos 4.000 rpm.

O motor, um bicilíndrico em paralelo, acelera suave e progressivo e consegue desenvolver bem, mostrando todos os seus 64 cavalos sem vibrações excessivas em altas e com uma entrega a potência linear. O potente motor aliado ao baixo peso do conjunto (209 kg) faz com que a Versys tenha uma aceleração e retomada excelentes.

Apesar de um porte avantajado, essa maxitrail é surpreendente pelo desempenho e maneabilidade, e acabamos tendo a impressão de que ela é bem mais leve do que aparenta. Em vias urbanas, passamos com facilidade nos corredores, e por vezes esquecemos que estamos em uma maxitrail e precisamos lembrar da largura do guidão (840 mm).

Na estrada ela surpreende quando aceleramos mais fundo e o giro sobe rapidamente. Fica a impressão de que a capacidade cúbica do motor é maior, pois sua desenvoltura se parece com a de motos de maior cilindrada.

As ultrapassagens são feitas com facilidade e o motor DOHC, 8 válvulas, o mesmo utilizado na ER6N, porém com uma calibragem diferente, responde prontamente transmitindo segurança e tranquilidade.

No quesito agilidade, devemos conceder o crédito à sua excelente ciclística formada por um quadro tipo diamond em aço de alta elasticidade e suspensões que possibilitam diversas regulagens.

Composta de garfo telescópico invertido de 41 mm com retorno e pré-carga da mola ajustáveis na dianteira e monoamortecedor com retorno ajustável em 13 níveis e pré-carga da mola ajustável em 7 níveis na traseira. As suspensões não chegam a ser duras, mas diria que ajustadas para um bom asfalto. Ela copia bem as imperfeições do piso, mantém a moto na trajetória e sempre sob controle.

Apesar da versatilidade, seu uso em estradas de terra fica restrito, pelo pequeno vão livre, suspensões calibradas para pisos bem pavimentados (leia-se asfalto) e pneus totalmente “on”, 120/70ZR17M/C na dianteira e 160/60ZR17M/C na traseira.

Ao contrário de algumas maxitrail que adotam aros 19 ou 21 na dianteira, a Versys usa aro 17 o que a torna muito estável e excelente em curvas de circuitos rápidos ou mais travados, demonstrando um comportamento neutro. Facilmente mudamos a moto de trajetória tornado a pilotagem bem divertida.

Os freios são proporcionais à potência do motor. A Versys utiliza duplo disco em formato de margarida de 300 mm com pinças de pistões duplos na frente e 220 mm com pinça simples também em formato de margarida atrás. Eficientes e precisos, eles contam ainda com ABS, que transmitem segurança e tranquilidade.

Seu tanque de 19 litros possibilita uma boa autonomia (cerca de 370 km) e seu câmbio de 6 marchas, um pouco duro, porém bem escalonado, dispensa a constante troca de marchas em trechos urbanos.

Um pequeno e útil para-brisa auxilia no desvio do vento e consequentemente ajuda nos dias de chuva e em viagens mais longas. Os instrumentos são de fácil leitura, o acabamento, encaixes e arremates são de excelente qualidade e textura e demostram uma preocupação com os detalhes.

Basta ver o capricho da peça que finaliza a mesa superior do guidão, os detalhes da marca no baú traseiro, a lanterna traseira de LED, os protetores de mão na cor da moto, o escape com belo design encaixado sob o motor, a bela balança traseira e muito mais itens que diferenciam a Versys e a colocam em destaque no nível de acabamento comparando as outras motocicletas da categoria.

Para não dizer que gostei de tudo, achei o baú traseiro bem barulhento, além disto e ele poderia utilizar a mesma chave da moto e não ter uma específica.

A Versys está sob medida para quem precisa de agilidade, economia e espaço para acomodar sua bagagem do dia a dia e para aqueles que procuram uma moto de bom desempenho para longos deslocamentos, seja priorizando o conforto ou uma “tocada” mais esportiva.

Um conjunto que combina excelente performance, bons freios, uma confortável posição de pilotagem e ótima autonomia faz da Kawasaki Versys City uma boa escolha para ser sua companheira em pequenos passeios ou longas viagens.

O que eu achava que era fruto de minha imaginação, é bem real e está facilmente ao nosso alcance em uma das 50 concessionárias da rede.


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7 COMENTÁRIOS

  1. Não sou economista, nem contador, tampouco comerciante de motos. Não se compara preço de carro e moto, e sim de moto com moto e carro com carro. Na Europa e nos USA os serviços são extremamente caros, enquanto no Brasil os serviços são baratos e os bens de consumo caros. Não se pode ganhar sempre. Só tem uma moto desta quem pode, quem não pode compra um carro 1.0 usado ou uma Titan. Ja tive uma Versys 650, uma moto excelente, Sem igual para a proposta dela, uso mais urbano do que trail. Agora estou com uma Vesrys 1.000, melhor ainda, só que mais indicada para a estrada.

  2. ali nos usa isso custa 6.550, dollares, parece ate brincadeira, no brasil se ninguem compra isso abaixo o preco mas eles acham bobos que compra entao poe o preco la encima.

  3. Complementando: a Versys seria meu número… se não fosse esse tom de amarelo que destoa completamente.
    Toparia comprar uma se saísse ela toda em preto ou outra cor.

  4. Preferia que o modelo standart já viesse com um bagageiro integrado, como a maioria das maxi-trails, esta city ficou com uma cara meio enjambrada com seu baú, as alças não são mais as originais, e achei um certo exagero os detalhes também na cor amarela. No exterior existe a opção toda preta, bem mais discreta. Aliás falando em cor, bem que poderiam oferecer mais opções, se levar em conta que estamos investindo mais de R$ 30 mil. Poderiam também colocar um protetor no pneu traseiro, a exemplo da Versys 1000, e ER6n, protegendo mais a parte traseira da sujeira.

  5. José Raro, sua análise tem um erro. Vende-se muito menos motos grandes que carros, por isso o custo não é tão baixo, pois tem pouca escala, e o gasto com desenvolvimento tem de ser diluído em poucas motos. Apenas a Honda, por vender mais de 15 milhoes de motos/ano, consegue distribuir os custos das motos grandes nas milhoes de pequenas. Além disso, o desgaste das motos grandes é muito menor que o de um carro. É muito raro uma moto grande passar de 100 mil km em toda a vida útil. A contrapartida é que as motos sobrevivem mais tempo que os carros. Este raciocínio não serve para as pequenas, que vendem aos milhares e tem pouca tecnologia e custo de desenvolvimento.

  6. Por R$32.000,00 compra-se um carro 1.4, zero km, completo!

    Uma moto dessas não tem custo de produção superior a R$12.000,00 incluindo impostos, nunca!!! O restante é lucro da fábrica!

    Abram os olhos, brasileiros!!!! Estão te fazendo de bobos!

    • José, acho muito válida a tua indignação.
      O problema é que, tanto o “1.4” quanto a Versys e todas as outras motos do Brasil sofrem do mesmo problema: alta taxa de impostos, lucro excessivo das montadoras, e um público que aceita qualquer preço.
      É aquela velha história: enquanto o brasileiro comprar produtos caros, sem reclamar, vão continuar vendendo carros e motos a preços absurdos.
      Cai o IPI? Todo mundo compra carros pagando juros caros, carros super-valorizados e sub-equipados (haja visto que o brasileiro considera um 1.4 “completo” quando tem ar e direção… e não quando tem ABS, Airbag, ESP, etc).
      Se fizerem parecido com as motos, será a mesma coisa.

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