Yamaha XVS 950A Midnight Star – uma custom para viajar de corpo e de alma

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Conheça o modelo que te leva à nostalgia de décadas passadas.

Por: André Garcia Fotos: Gustavo Epifanio

Quando a Yamaha lançou a XVS 950A Midnight Star, em 2009, ficou muito claro que sua intenção era alcançar um público mais jovem na categoria custom, especialmente as mulheres.

A Midnight Star não lembra esse modelo antigo - Chevy 1950?

Olhando para a custom da Yamaha é possível notar um saudosismo nas linhas, que lembram aqueles carrões musculosos de décadas passadas. Apesar da Yamaha declarar que foi inspirada em carros esportivos da década de 1930, sinceramente, o que me vem à mente é um Chevy 1950.

Apesar de não ser adepto ao estilo custom, a Midnight Star me causou boas impressões. Quando o assunto é conforto, a única coisa que falta é um sissy-bar para o garupa, mas ambos os bancos são confortáveis e apresentam boa densidade de espuma. Para meu gosto, o assento do piloto poderia ser menos convexo.

A suspensão dianteira da marca Kayaba conta com tubos de 41 mm de diâmetro e 135 mm de curso, enquanto na traseira tem um sistema de Monocross com 110 mm de curso e ajuste da pré-carga da mola, projetada para oferecer um curso inicial macio, mas que se torna progressivamente mais firme enquanto a suspensão é comprimida, o que se traduz em conforto para piloto e garupa.

Quando se liga o motor o ronco me pareceu abafado, até meio rouco, mas é delicioso ouvir o som emitido pelo belo escapamento 2X1.

Saindo da imobilidade é que se constata que realmente a Midnight Star é muito fácil de pilotar em baixa, média ou em velocidade de rodovia. Isso é possível graças ao conjunto formado pelo chassi berço duplo em aço, que oferece boa rigidez, pela geometria da suspensão (trail de 145 mm e cáster de 32”10’), pelas rodas de 18″ na dianteira e 16″ na traseira (ambas de liga-leve) e pelo elevado torque disponível já em baixa rotação.

Essa custom muda fácil de direção e nas curvas todo cuidado é pouco, já que é muito fácil raspar as pedaleiras e, se houver abuso, pode ocorrer um efeito “alavanca” e, consequentemente, um acidente na certa!

Belo motor V2

Na rodovia, em 5ª marcha entre 80 e 120 km/h não há vibração que incomode, mas as sensações transmitidas pelo pulsar do motor e a batida dos dois cilindros compassados lembram um taiko (até 80 km/h) ou um V8 (entre os 90 e 120 km/h). Seu motor  é um V2 a 60 graus, oito válvulas, OHC de 942 cm³, refrigerado a ar e que desenvolve potência de 53,6 cv a 6.000 rpm e torque de 7,83 kgfm a 3 000 rpm. O propulsor trabalha quase “quadrado” com diâmetro x curso de 85.0 mm x 83.0 mm.

Vale lembrar que todo o revestimento dos cilindros e pistões é idêntico à de sua irmã esportiva R1, o que provoca menos atrito e maior durabilidade. Sua transmissão secundária é por correia dentada de 28.6 mm de largura, reforçada com kevlar e fibra de carbono,  ideal para o longo curso da suspensão traseira e com propriedades absorventes a impacto e resistente à corrosão. Além de não ser necessário lubrificar a correia, sua durabilidade, certamente, ultrapassa os 100 mil km.

Disco dianteiro dá conta do recado. Na traseira, transmissão por correia dentada que emite pouco ruído
Botões de comandos são intuitivos e possuem bom acabamento

Para parar essa máquina, que passa fácil dos 400 kg quando abastecida e com piloto, garupa e bagagens,  foi adotado um freio a disco com 320 mm de diâmetro e dois pistões na dianteira e freio a disco de 298 mm na traseira.

Não é uma moto para ultrapassar os 120 km/h, é uma moto para viajar de corpo e de alma. Não fugindo de suas características, torna-se muito prazeroso pilotá-la. Sua ergonomia é muito boa, a posição do guidão proporciona ao piloto andar com os braços bem relaxados e os pés bem apoiados nas plataformas, que transmitem pouca vibração. Os espelhos retrovisores oferecem boa visibilidade e não há distorção da imagem, mesmo em velocidades mais altas. Um detalhe que me chamou atenção é que mesmo trocando os pilotos com variação de estatura de mais de 1,80 m  para os meus 1,65 m, não havia necessidade de mexer ou fazer novo ajuste nos retrovisores.

Há harmonia nos design´s dianteiro e traseiro
Painel é bonito, mas o piloto pode sofrer com o reflexo do sol

Os botões são intuitivos e de fácil acionamento, ponto para Yamaha que no punho direito colocou um botão para se acessar informações do hodômetro, dois trip, fuel trip e relógio na tela de LCD no enorme painel de instrumentos disposto sobre o tanque de combustível.

Por fim, achei a Midnight Star uma custom acima da média, pois vibra pouco, tem bom acabamento, não é necessário trocar peças para torna-la mais confortável, basta um sissy-bar para garupa apoiar as costas, tem preço de peças de reposição razoável e a ótima concorrência a trouxe para um valor abaixo dos R$ 30 mil reais. O seguro no meu perfil de 38 anos, casado, residente em São Paulo ficou na média, abaixo dos R$ 1.500,00. Prefiria a cor vermelha, mas esse azul lhe caiu muito bem, sem mencionar que faz lembrar ainda mais os carros antigos. Para quem é fã do preto, a cor foi mantida na linha.

André Garcia vestia: calça jeans com proteção da HLX Racing, jaqueta e protetor de coluna TACNA, botas Ridge da Alpinestars, luvas X-Vince e capacete S650 da Shark

9 COMENTÁRIOS

  1. Amigos acabei de comprar uma mid 2009 com apenas 11000km rodados estou curtindo muito pilotar essa maquina,mas vendo os comentários fiquei surpreso com o valor do sistema de transmissão e com tal despreparo das concessionarias yamaha para executar a manutenção espero que a transmissão da minha dure os 100.000km kkkk

  2. Boa noite a todos , pelos vistos ai no Brasil não há concessionários responsáveis na Yamaha,
    tenho uma Yamaha xvs 950 midnight star com 53.500 km e a correia de transmissão está nova ,em Portugal todo o concessionário tem ferramentas adequadas para as manutenção de cada modelo.
    A transmissão da xvs midnight star não é recente, toda a Harley tem o mesmo tipo de transmissão e aí vocês podem optar fazer o chec in na Harley envergonhando esses concecionários falidos da Yamaha.

    Nota quem tem uma midnight star tem que verificar a tensão da correia e alinhamento todos os 4.000km e verificar a limpeza das polias pois somente uma pedra ou algo que passe pelo circuito pode danificar a correia.
    Quanto á moto palavras para quê , até os aficionados da Harley ficam doentes ao ver esta maquina . Um abraço

  3. Tenho 64 anos, e só agora comprei a minha primeira moto, uma MIDNIGHT na cor azul, linda!! o que tenho a dizer é que me adaptei muito bem nessa moto, já viajei com ela, tem um desempenho muito bom na estrada elém do conforto na pilotagem que é exelente.

  4. Sobre a Midi,
    Comprei a minha tem 15 dias e já rodei 220 km, kkkkkkk. Prá quem não está acostumado com esse estilo de moto é meio diferente no começo. No primeiro dia que peguei na autorizada rodei 120 km na pista e achei que não ia me acostumar facilmente.
    Os dias vão se passando e estou me acostumando com ela e já estou gostando. Agora uma coisa posso afirmar: ela é muito pressão, linda demais.
    Quanto ao preço das peças de reposição ainda não posso falar nada.
    Se tantas pessoas tem e falam tão bem dela, realmente deve ser muito boa.

  5. Tenho uma Mio 2011, estou muito satisfeito com a moto, no entanto, minha preocupação reside no desgaste da tal correio…algumas estouram com 15mil kms, outras até com menos. A maioria não está passando dos 25mil kms.

    Em pesquisa junto aos proprietários constatamos que aparentemente isto ocorre em função de despreparo dos mecânicos nas concessionárias, pois, a durabilidade da correia e demais engrenagens do conjunto depende exclusivamente da tensão da correia.

    Desta forma, o problema é que nenhuma concessionária tem o tal tensiômetro para medir sua tensão durante a revisão ou manutenção da motocicleta. Neste caso, nós consumidores e proprietários pensamos estar cuidando bem de nosso bem precioso e estamos entregando-a nas mãos de curiosos sem treinamento e ferramentas adequadas para atuação.

    Quando a correia da sua mid estourar ninguém vai responsabilizar aquele cara que entende de YBR e que nunca poderia colocar as mãos em um moto de alto valor agregado. Vão dizer pra você que o conjunto custa R$6mil e que você vai ter que esperar 06 meses para substituição.

    Ponto negativo para Yamaha.

    E para você que tem uma MID: fique de olho na tensão da correia.

  6. eu tenho uma midnight star estou muito satisfeito;certa vez um amigo me disse;por que não comprou uma harley??? em 1° lugar o visual da midnight da um show.Em 2° lugar desempenho conforto para o piloto e o carona, economia e muito superior a harley.

  7. “Sua transmissão secundária é por correia dentada de 28.6 mm de largura, reforçada com kevlar e fibra de carbono, ideal para o longo curso da suspensão traseira e com propriedades absorventes a impacto e resistente à corrosão. Além de não ser necessário lubrificar a correia, sua durabilidade, certamente, ultrapassa os 100 mil km”

    A minha Midnight com 25.000km apresentou correia, pinhao e coroa desgastados. R$6.000,00 para subtituí-los. E aí? Baseado em quê você fala que dura tanto assim?

  8. Já tive o prazer, sorte e o previlégio de andar com uma dessas e as minhas impressões foram exatamente essas. Torque linear do início ao fim, ronco fenomenal, mas as pedaleiras arrastam com muita facilidade.

    Referente a custom, todos me chamam de louco, mas a melhor que andei foi a Viraguinho 250!

    Parabéns pela matéria!

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