Yamaha XT 660 – A Valentia é Azul

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xt 660

Claro que a convivência diária, é a melhor forma de conhecer a parceira(o), assim como o(a) leitor(a) sabe. Maridos e “Maridas” sabem que só conhecem a cara metade depois de amanhecer com o espécimen sonolento e descabelado por uma par de manhãs (as vezes basta uma). E foi (e está sendo) assim com Camila, minha valente montaria – uma XTezona 2012 azul. Então aqui, não vou ficar com muito blá, blá, blá de propaganda, press release, e vou contar os resultados positivos e negativos produto da minha intimidade com a dama Azul Royal! Sem mais delongas, com vocês, apresento Camila, a XT 660 modelo 2012:

xt 660
Fotos: Divulgação/ Roberto Severo

O lado azul brilhante da força:

Câmbio

Parece que a Yamaha substituiu óleo 4t por manteiga especial para lubrificar o câmbio da Camila, é quase um comando mental. você pensa e ao menor movimento do seu pé esquerdo a marcha engata. Sério, de todas as dezenas de motos que testei, nenhuma tem uma caixa de marcha com tal suavidade. É Manteiga no cetim!

Aceleração / Motor

Extremamente responsiva, explicando: você trisca o acelerador e ela pula, seja qual for a marcha, a resposta é imediata e muito boa. Em primeira e segunda, CUIDADO! Ela levanta a frente tão fácil quanto troca de marchas. Sobra potência.
Por ter refrigeração líquida, a temperatura é muito melhor controlada e o motor tem um desempenho maximizado.

Discordo de quem fala que a moto “engasopa” (falha / engasga) em rotações constantes. Camila anda direitinho mantendo uma velocidade de cruzeiro de 110km/h. ou em velocidades menores e constantes abaixo dos 60km/h. Mito!

xt 660

Agilidade

A mocinha azul esterça muito bem, não faz feio no trânsito pesado, e é fácil de estacionar em qualquer “buraco”. Ela até parece menor do que realmente é. A ciclística também entra como ponto positivo, os pneus agarram e dão segurança na chuva e terrenos molhados. Confesso que não testei na terra ainda, mas pela potência e agilidade, posso afirmar que ela tem vocação para o barro.

Banco / Conforto

Apesar de ter apenas um nível, a sela da montaria se mostra bastante confortável para longos tiros, a garupa também não sofre (pelo menos foi isto que ela me disse) após 300km ininterruptos.

Os lados azuis escuros da força:

Vibração

É inegável que ela vibra, mas ao meu ver, não chega a incomodar na pilotagem, a concorrente direta, uma BMW 800GS vibra menos, mas, aí entra a questão de gosto. prefiro a crueza da 660 do que o suposto conforto da BMW.

Parabrisa

Achei muito baixo, não faz a função de proteger minimamente do vento (“parar a brisa”). Troque!

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Painel

Tosco, apesar da bela iluminação azulada, poderia ter medidor de gasolina (só acende luz) e conta-giros.

Seguro – caro, mas não saia de casa sem ele!

Chega a ser assustador o valor praticado. Na minha pesquisa inicial, variou de R$ 3.000,00 até a estratosféricos R$ 6.700,00, consegui fazer por 1.800,00 na Mapfre, o que achei uma pechincha comparando com o resto do mercado. Antes que perguntem: não, não ganhei nada da Mapfre para falar isso, é só uma referência e um serviço a você, querido leitor, e pode variar como o vento! Pesquise exaustivamente!

Este valor tem uma associação direta com o que? Sim, a moto é muito visada para roubos… Não saia de casa sem seguro.

Tanque / Consumo:

Para 660cc ela bebe acima da média, dado o tanque de 15 litros, normalmente faço 17km/l. rodando na cidade. Claro que não economizo cabo em retomadas e saídas de farol. Uma condução mais suave levaria a 19km/l facilmente.

Adicionais – O que fiz para complementar

Aqui vão algumas dicas do que fiz para complementar a querida Camila. Acessórios que considerei importantes e favilitam a vida, principalmente porque não possuo quatro rodas em um só veículo, ou seja, só tenho moto(s):

Suporte para GPS

Como só tenho moto, comprei um Garmin Zumo 350LM  desenhado para motos: pode ser usado com luvas; tem controle de quilometragem para troca de fluídos; é a prova d’água; tela anti-reflexiva e com iluminação para utilizar sob sol forte; entre outros requisitos fundamentais. Custa US$ 650.00 em média lá fora.

O carregador para o GPS, comprei na Dealextreme e puxei a energia do farol, a ignição é outra alternativa. Foi mais simples e prático do que puxar direto da bateria. Pois teria que fazer um sistema de cortar a corrente quando a moto é desligada.

Baús

xt 660

A minha ideia era colocar apenas o baú traseiro, mas como viajo bastante acabei por optar pelo laterais também, e matutando na estrada durante uma viagem percebi o grande negócio que fiz. Os baús laterais diminuem significativamente o risco de roubo da moto no trânsito. Mas cuidado, assim como protegem, deixam a moto larga e difícil de passar no corredor. Perde agilidade. Normalmente ando somente com o traseiro.

Outro pênalti, é que você vai ter que remover as alças laterais (garupa), o que pode gerar protestos em casa.

Optei pelo modelo preto da Roncar, que em São Paulo, custaram 2.500,00 os três, com suporte completo, e montado. Há também uma dificuldade em encontrar o suporte traseiro para o baú, tive que mandar fazer sob encomenda em uma boa casa do ramo. Ficou excelente!

Parabrisa

xt 660
Este parabrisa da marca Givi me custou US$ 120.00 em uma loja especializada na Califórnia. Não faço ideia se é fácil de encontrar no Brasil. Melhora muito o impacto do vento acima dos 100km/h. Se você viaja muito, é essencial.

Proteção de Mãos

xt 660

Este é nacional (Circuit) e optei pela armação de ferro. Amigo, se você esbarrar em algum retrovisor, ele derruba ou quebra o espelho do carro. É sólido e resistente igual a rocha. Cuidado!
A montagem é simples, apesar do manual não ajudar muito. Tirei o adesivo com o grafismo pois achei que era realmente horroroso (sai fácil). Fora isso, é muito bom, e não precisa remover nenhuma peça para montagem, nem o peso de guidão.

Filme de lançamento (Yamaha)

Especificações Técnicas

yamaha-motor

yamaha-chassi-dimensao

yamaha-geral

Conclusão

Infelizmente a Yamaha tirou o modelo azul de produção em 2013, só há disponíveis nas cores branca e preta (?). Na categoria 660 da Yamaha, prefiro a limpeza de design da XT que tem valor sugerido de R$ 26.880,00 à Teneré com valor mais alto R$ 31.110,00.
Pode parecer estranho, mas se eu tiver que explicar, você não vai entender: é uma moto para quem gosta de motos. Potente, bem dimensionada, valente e ágil, sem frescura… Quer subir paredes? Vá de XT660! Quer suavidade? Vá de scooter!

Keep Riding!

15 COMENTÁRIOS

  1. Legal estar aqui !!!!
    Alguém saberia me dizer que se XTzona vai sair de linha. Tenho interesse em comprar uma 2015. Li os comentários a respeito da vibração… é isso mesmo ???vibra muito???
    Obrigado

  2. tenho uma xt660r e a comprei com fins de viajar, distancias curtas e longas…a moto realmente e tudo que falam, torque sobrando, resposta ultra-rapida…e vibra!!! vibra muito!!! da pra encarar viajens curtas numa boa, porem as mais longas tenha certeza de que a vibração vai ate te deixar cansado!!! ja tive lander fazer e twister, todas otimas motos, mas essa xt eh outro mundo!!! proprietario ultra feliz, recomendo 10 vezes… 🙂

  3. O que eu tinha esquecido é dizer que a XT é como um filho rebelde que você ama. Ela é arisca, recusa-se a ser pilotada com displicência e simplesmente apaga quando isto ocorre. Com menos cavalos que minha Super Four, mas seus cavalos são nervosos: acelerou, a traseira já sai cavoucando. Mas como se dizia, boi que pula rodopiando e moto que acelera derrapando não é defeito, é qualidade.

  4. Roberto, a XT é uma puta moto mesmo. Rodei 35000km com uma 2005 e agora troquei por uma 2013 (tenho também uma CB 1300).. Nunca deu problema mecânico. Ela não é nota dez em nada, mas é nota oito em tudo. Agora, a Yamaha podia ao menos ter consertado a pipoqueira e melhorar o comportamento em baixa: subindo um monturo na fazenda em baixa, ela costuma dar pequenos sopapos. Melhorou um pouquinho-inho-inho. Mas, enfim, gosto tanto desta moto que repeti a opção mesmo sem quaisquer mudanças, o que me levou a pensar depois de desfazer do meu din-din: porque que eu troquei mesmo?

  5. Legal suas impressões da XT, só não entendí porque você nunca andou em estrada de terra com ela, aliás prá quem só anda em asfalto (se me permita) acho um desperdício, ou na sua cidade tem buraco pracas que só dá prá encarar com a XT.

  6. Estranho, sua matéria saiu exatamente no mesmo dia em que foi anunciado às concessionárias o modelo 2014, e você pode comemorar, a cor azul voltou, junto com a vermelha (https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/16909_461607883935882_461557025_n.jpg)
    Estou pegando uma vermelha, pois por coincidência também fui contemplado nesse dia. Preferia que a Yamaha tivesse mudado o painel, ou a tampa do tanque, ou ainda uma balança nova de alumínio. Mas tudo bem, ainda assim está legal.

    • Boas Guilherme,

      coincidência mesmo! Fiquei sabendo logo depois… Muito bom saber que a Yamaha está escutando os motociclistas e colocando novas cores…

      Obrigado pelo post e parabéns pela aquisição! Não vai se arrepender! Mas faça seguro!

      Abraço,

      Roberto Severo

  7. Eu também já tive uma Lander e em percursos mais longos em estradas eu sentia esse mesmo formigamento/dormecia nas mãos que você fala (mesmo usando luvas de couro com reforço nas palmas das mãos).
    Nunca andei na XT então não posso falar de sua vibração, mas em relação à BMW G650GS eu posso dizer que quando parada vc sente uma vibração muito mais forte – comparando com a Lander, mas andando ela reduz a um nível que não incomoda. Tenho uma, faço viagens com ela e não é incômodo algum.

    Abraço.

  8. Severo, por que você diz que a concorrente direta da XT660 é a BMW F800GS? Eu diria (e muitos hão de concordar) que seria a G650GS pela cilindrada semelhante e ambas serem monocilíndricas.
    Abraço.

    • Olá Allan,

      Muito pertinente seu comentário. Eu deveria ter explicado melhor no texto. Apesar da motorização / capacidade cúbica da 650GS seja mais semelhante, a ciclística da XT se assemelha mais com a 800GS.

      Grande abraço,

      Roberto Severo

      • Ciclística em que sentido? Tanto a 650GS quanto a XT têm o mesmo tipo de quadro e, se compararmos com 650GS Sertão, ambas tem rodas raiadas e de 21″ na dianteira.
        Fora que a 800 custa quase o dobro do preço, tem quase o dobro de cavalaria e muito mais torque.
        Ou seja, acho que quem procura uma moto trail média ou fica em dúvida entre XT e 650GS, ou entre 800GS e 800XC.
        Mas enfim, esse detalhe não lhe tira o mérito dos bons reviews que sempre publica aqui no Best Riders.

        Abraço.

  9. Parabéns Roberto!

    Os melhores testes de motos vem de pessoas que as possuem, quem tem a moto e usa é que sabe os pontos fortes e fracos. Eu sempre tive um receio com relação a XT 660: a vibração! Tenho medo de adquirir essa moto (usarei para viajem…) e me arrepender depois devido a tal vibração.

    Já tive motos menores como a Tornado e a Fazer ambas 250 cc e vibravam um pouco, chegava ficar com a mão meio dormente apos um longo trecho sobre ela, isso na estrada.

    Mas se for pra pegar a estrada mesmo será que a vibração incomodaria?

    • Olá Fernando,

      Se você for pegar longos trechos de estrada e com muita frequencia, sinceramente, recomendo fazer um test-ride nela e na F800GS / G650GS da BMW, e veja por si mesmo. Falando em 250cc, fiz viagens longas com uma Teneré 250 e não tive problemas. Isso também tem muito a ver com o equipamento que vc usa, como luvas de proteção.

      Abraço,

      Roberto Severo

    • Eu também já tive uma Lander e em percursos mais longos em estradas eu sentia esse mesmo formigamento/dormecia nas mãos que você fala (mesmo usando luvas de couro com reforço nas palmas das mãos).
      Nunca andei na XT então não posso falar de sua vibração, mas em relação à BMW G650GS eu posso dizer que quando parada vc sente uma vibração muito mais forte – comparando com a Lander, mas andando ela reduz a um nível que não incomoda. Tenho uma, faço viagens com ela e não é incômodo algum.

      Abraço.

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