Viva ou morra por um pneu

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Não se deixe enganar: diga não a pneu reformado (recauchutado, recapado ou remoldado).

A produção brasileira de pneus ocorreu em 1934, quando foi implantado o Plano Geral de Viação Nacional. No entanto, a concretização desse plano aconteceu em 1936 com a instalação da Companhia Brasileira de Artefatos de Borracha – mais conhecida como Pneus Brasil – no Rio de Janeiro, que em seu primeiro ano de vida fabricou mais de 29 mil pneus.

Entre 1938 e 1941, outras grandes fabricantes do mundo passaram a produzir seus pneus no país, elevando a produção nacional para 441 mil unidades. No final dos anos 80, o Brasil já tinha produzido mais de 29 milhões de pneus.

Desde então, o Brasil conta com a instalação de mais de 13 fábricas de pneus, das quais quatro internacionais: Brigestone Firestone, Goodyear, Pirelli e Michelin.

Não precisa ser gênio para concluir que o Brasil nos dias de hoje é um dos maiores mercados de pneu do mundo, já que o mercado de automóveis, caminhões, ônibus e motocicletas estão em plena expansão com números  crescendo mês a mês.

Se remoldar, recauchutar ou recapear um pneu de automóvel já é polêmico, aplicar essas técnicas em pneus de motocicleta é muito pior.

Pneu de carro reformado

Em 2004 o CONTRAN editou a Resolução 158 proibindo motocicletas, ciclomotores, triciclos a utilizarem pneu reformado (recauchutado, recapado ou remoldado) sob o argumento de que tais pneus não oferecem condições mínimas de segurança.

Desde então, trava-se uma verdadeira guerra nesse mercado, já que a Associação Brasileira do Segmentos de Reforma de Pneus – ABR liderada por políticos sem conhecimento técnico tentam a todo custo autorizar primeiro a importação de pneus usados, matéria prima para esse ramo de negócio e em segundo lugar o comércio desses pneus reformados.

Em 2006 o Deputado Federal Nelson Marquezelli (PTB/SP) apresentou Projeto de Decreto Legislativo sob nº 2142/06 (por enquanto arquivado) para suspender a eficácia da Resolução 158 do CONTRAN, para permitir a fabricação e comércio de pneus reformados para motocicletas.

Em 2007 o mesmo Deputado apresentou outro Projeto de Decreto Legislativo para suspender a eficácia da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006 do Ministério Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que vedava a importação de pneus.

Em 2008 o CONTRAN editou a Deliberação sob nº63 suspendendo a Resolução 158 para acatar decisão liminar da 14ª Vara Federal de Brasília, numa ação movida pela ABR – Associação Brasileira do Segmentos de Reforma de Pneus.

Em 06 de abril de 2011 o CONTRAN editou a Resolução 376 que revoga a Deliberação 63 e ressuscita a Resolução 158, voltando a proibir a utilização de pneus reformados em motocicletas.

Isso se deu após decisão do Supremo Tribunal Federal em caráter liminar até que haja uma solução final com base técnica.

A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) que figura como assistente na ação movida pela ABR contra a União fez um estudo com acompanhamento do Instituto Falcão Bauer com a seguinte conclusão:

• Os pneus novos oferecem maior precisão durante as manobras, enquanto os reformados apresentam uma deficiência de 40%

• Os pneus reformados de motos perdem 30% da estabilidade, quando submetidos a esforços

• A estabilidade do pneu de moto reformado é 65% menor em linha reta e 70% menor em curvas

• A aderência em solos molhados é 40% menor nos pneus reformados

• Em freadas, o pneu reformado precisa de mais tempo e espaço para parar.

Os resultados desse estudo serviram de base aos representantes da Câmara Temática de Assuntos Veiculares do DENATRAN que discutiram o tema por mais de um ano, antes da emissão da Resolução.

Além disso, estudo recente da Universidade da Califórnia – realizado a pedido do Departamento de Segurança no Trânsito em Estradas Americanas (NHTSA) – mostra que os acidentes com motos são causados por perda de controle do veículo nas curvas e em freadas bruscas.

O que me deixa perplexo é que o Juiz da 14ª Vara Federal concedeu uma liminar permitindo que por 3 (três) anos se comercializasse pneus reformados para motocicletas e similares.

Reflita: quantas vidas se perderam por culpa dessa decisão judicial?

Fico ainda mais perplexo com o argumento do Deputado Nelson Marquezelli no famigerado Projeto de Decreto Legislativo para derrubar a Resolução 158 de que o pneu novo é caro e o pneu reformado é mais barato e o profissional poderá assim trocar por  pneu em condições de uso. E a segurança?

Calma, tem mais: ai, o Deputado Weliton Prado(PT/MG) propõe o Projeto de Lei sob nº 6 de 2011 para instituir benefício fiscal para a atividade de reforma de pneus e altera o percentual de presunção aplicável a referida atividade para apuração da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Sobre Lucro Líquido – CSLL.

Sabe o que isso significa? Zerar o IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, e reduzir de 16% para 8% a alíquota de Imposto de Renda sobre a receita bruta e diminuir de 12% para 8% o porcentual da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das empresas do ramo de reforma de pneus.

Pergunto: porque não fazer isso para as indústrias de pneumáticos e junto aos Estados diminuir o ICMS sobre a venda para o pneu novo chegar mais barato ao consumidor final?

Caro leitor (a) enquanto o mundo fala em Década de Segurança Viária proposta pela ONU o nosso Congresso Nacional trabalha para matar mais brasileiros inocentes num trânsito que já vitima 40 mil pessoas por ano.

Estou aqui falando de pneu de moto, mas o mesmo se dá ao pneu de carro.

Esses pneus (carro e moto) não foram projetados para serem reformados, já que com o desgaste toda estrutura da carcaça estará comprometida. Diferentemente dos pneus utilizados por caminhões e ônibus que foram projetados para serem reformados até 3 (três) vezes, mas só o são, depois de analisado/periciado pelo fabricante/marca.

Meu sogro é caminhoneiro e ele compra pneu novo com a possibilidade de ser reformado. Mas já aconteceu do fabricante/marca se negar a recapar aquele pneu por sua estrutura estar comprometida. Essa análise criteriosa quando não é feita, o que vemos é banda de rodagem se soltando e restos de pneus sujando as estradas e rodovias que utilizamos podendo ocasionar acidentes fatais, como recentemente na Rodovia Castelo Branco, na região de Barueri que matou um motociclista que recebeu toda a carga da banda de rodagem que se soltou de um caminhão.

Lembre-se: Único elo de ligação entre o veículo e o solo, o pneu exerce papel fundamental, proporcionando mobilidade, agilidade e rapidez nos veículos modernos.

Assista o vídeo e veja in loco, porque o pneu de moto e de carro não pode, não deve ser reformado.

12 COMENTÁRIOS

  1. Pelo andar da carruagem aqui tem muito jogo de interesses, pois o autor da materia não se preocupou em pesquisar pesquisar órgãos de regulamentação, tais como INMETRO, ALAPA, ABNT, que são órgãos que parametrizam todo o processo de reforma, só falta dizer que tais órgãos nao tem capacidade para ditar norma nenhuma, e que a única verdade e a que ele citou. É uma ingenuidade tendenciosa nivelar a todos por baixo, existem sim no Brasil empresas idôneas, melhor serviço seria prestados colocando neste blog os canais para denuncia de empresas irresponsáveis que trabalham a margem da legalidade.

  2. Lamentável o comentário sobre pneus de automóvel. Se fosse criminoso, não seria a única atividade de reforma regulamentada por um órgão federal, o Inmetro.

    O autor parece desconhecer a realidade. Gostaria que informasse onde se baseou para alegar que o uso de pneus reformados é causa de acidentes com motos. Em seminário realizado na NTC & Logística, o representante da Polícia Militar de SP informou que a principal causa é o enganchamento, quando o motociclista, por sua própria ação, passa muito perto de caminhões e acaba preso nos ganchos nas laterais da carroceria.

    Pneus de moto tem o perfil arredondado para facilitar a realização de curvas, onde a moto é inclinada. No trânsito urbano, raramente as curvas são feitas dessa maneira e o resultado é um desgaste desigual, maior no centro do pneu. Com isso, quando o espaço permite e a velocidade exige, ao inclinar a moto pode ocorrer a queda porque o pneu fica com uma borda quase quadrada.

    Sobre o projeto de lei 6/2011, o deputado é tão desinformado quanto o autor, ao citar redução de IPI para qualquer processo de reforma. Na recapagem e na recauchutagem não existe (e nunca existiu) cobrança de IPI por se tratar de uma prestação de serviços.

    Curiosamente, o único documento que não possui link no texto é aquele utilizado como argumento de segurança, da NHTSA. Por quê?

    O alegado estudo publicado na revista da ABRAPNEUS é ridículo. Afirma que um pneu de moto reformado reduz em 30% a estabilidade quando submetido a esforços. Logo em seguida afirma que, em ritmo normal, a mesma estabilidade é reduzida em 65% em linha reta e 70% em curvas. Como pode a diminuição sob esforço ser menos da metade daquela em uso normal?

    Quem critica a importação de carcaças desconhece que isso também é feito no maior mercado de pneus do mundo, os Estados Unidos, e das mesmas fontes, Europa e Japão. E apenas por uma razão: ecologica e ambientalmente mais correto fabricar internamente posto que o consumo de energia, matéria prima e liberação de carbono na atmosfera é maior na fabricação que na reforma.

    Por fim, o Brasil exporta carcaças inservíveis para a Inglaterra, para uso como combustível em cimenteiras. Se essa atividade (a importação de carcaças) é crime ou danosa ao meio-ambiente, não deveríamos enviar o nosso lixo para outros países.

    • Eliana viva a democracia! Se os fabricantes afirmam que o pneu de motocicleta não foi projetado para ser reformado, isso deve ser levado em consideração. Mas o dinheiro é colocado como prioridade e não a vida humana.

      Ao contrário dos pneus de caminhões e ônibus que podem ser reformados, desde que analisado a carcaça.Porque foram projetados para isso!

      Por que as empresas reformadoras de pneu não lançam um pneu de motocicleta ou de carro projetado para ser reformado? Assumindo toda responsabilidade legal?

      Infelizmente o dinheiro está em primeiro lugar, mesmo que isso mate pessoas.

      Quanto a inexistência da cobrança de IPI no processo de reforma de pneu, isso deve ser dito ao autor do projeto. Afinal de contas, se o processo é considerado prestação de serviço ou processo industrial é mera conjectura jurídica.

      Apesar de PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ser tipificado ou descrito como um trabalho realizado a título de aluguel de mão-de-obra física ou intelectual.

      Ao invés do Brasil exportar pneus inservíveis para Inglaterra, deveria servir de matéria-prima para o nosso sofrível asfalto, como já utilizado por algumas concessionárias de rodovias.

      Como motociclista jamais utilizarei pneus reformados.

      Quando a MOTOGP passar a utilizar pneus reformados, quem sabe me convença de sua segurança.

      Entidades como AEA, ABRACICLO, SAE e toda uma gama de engenheiros e técnicos no assunto não atrelados a indústria reformadora de pneus e fabricantes de pneus são unânimes quanto a falta de segurança propiciada a estes pneus.

      Por fim, o link já está ativo.

      obrigado

  3. A cada dia fico com mais nojo desse país. Que merda de país é esse?? Bom, não podemos reclamar muito, já que o problema aqui é cultural, e só vai mudar, quem sabe, daqui à uns 500 anos.

    Mesmo se um pneu novo que hoje custa R$500 passar a custar R$100 e o reformado custar R$60, o brasileiro vai comprar o reformado. Brasileiro de modo geral não pensa na segurança, nem na própria e nem da de terceiros, e adora fazer economia “porca”. É a cultura do brasileiro. Todo mundo que se F***, o importante é levar vantagem, mesmo que seja uma vantagem ilusória.
    Tem a questão da ignorância também. Quando comprei um capacete de R$380, que é apenas mediano, todos falavam que eu estava louco, que onde já se viu pagar mais de R$100 num capacete!!! E vai tentar explicar a diferência de qualidade, ninguém quer saber, povo fala que vc é metido e tudo mais…
    Brasileiro tem que se fuder mesmo. Povo burro, troxa…. E ainda se acha espertalhão…

  4. Infelizmente, temos que conviver com um Poder Judiciário que profere decisões absurdas, despropositadas e absolutamente questionáveis. Por outro lado, temos legisladores que agem como verdadeiros lobistas, propondo projetos que só beneficiam àqueles que os patrocinam. É evidente o descaso e ausência de preocupação de certos Juízes e Deputados com a vida humana; tais indivíduos atuam apenas em favor dos próprios interesses, por muitas vezes escusos. Eu jamais comprarei um pneu recondicionado para a minha moto, isso eu garanto. Pena que muitos, por ignorância ou por necessidade, agem de forma contrária.

  5. Veja como é o Brasil… importar lixo (sim pois se os pneus foram descartados em seus países de origem, são lixo) e reformá-los com a desculpa de tornar mais acessível ao consumidor, deveriam sim atuar fortemente em relação aos impostos cobrados sobre os pneus novos… e digo mais, em se tratando de motocicletas, os preços em geral são uma vergonha, motos que chegam aqui custando 3 vezes mais que em seu país de origem. A ganância dos políticos e do governo faz com que o consumidor seja lesado em cada compra feita. Resta saber até quando ficaremos passivos frente a isso?

  6. Cuidado, não podemos colocar a reforma de pneus numa vala comum. Devemos lembrar que pneus de carga são fabricados para suportarem a recauchutagem, que além da economia evita que um pneu seja descartado na natureza antes do tempo. O setor inteiro de transportes usa a reforma de pneus e depende dela para equilibrar seus custos.

    Existe sim a reforma inescrupulosa, feita de maneira irresponsável pelos famosos “boca de porco”, sem qualquer critério e que coloca a vida de motoristas em risco. Este alerta é importante, especialmente para pneus de moto e passeio.

    Mas não podemos deixar de falar nos profissionais sérios que investem em material e tecnologia para realizar uma boa reforma de pneus, certificada pelo INMETRO para pneus de carga e que é utilizada por boa parte das empresas de transporte do Brasil e do mundo.

    • O INMETRO trabalha para atender aos interesses dos lobistas, então não podemos achar que todo produto que tenha o certificado seja algo de qualidade.
      Brasil é assim…. Quem tem poder pode tudo, quem não tem não pode nada…

      Olha a piada que é esse país, se eu entrar em um site de uma loja no exterior e comprar um pneu novo, quando chegar no Brasil o mesmo será apreendido, mesmo que eu queira pagar os impostos eu não posso importar o produto. Agora, importar lixo pode né??? Esfaquear o consumidor com preços abusivos que se cobra de um pneu novo no Brasil também pode….

      Porcaria de país….

    • Juliana, o que as empresas de recauchutagem não falam e a maioria dos clientes não sabe é desbalanceamento que os pneus recauchutados trazem para os veículos. Eu já trabalhei como mecânico e posso afirmar que os pneus recauchutados não são possíveis de balancear com qualidade, isso interfere em carros, caminhões e ônibus, porém nenhum destes citados possuem somente duas rodas como uma moto…logo, afirmo sem sombras de dúvida que não existem pneus recauchutados com metade da qualidade de pneus novos…memsmo os que possuem selo do inmetro, vide situação semelhante comentada pelo André Garcia sobre capacetes….

  7. Um comentário pessoal: não é fácil trocar pneu. Vejo pelo meu caso, o jogo para um Yamaha FZ6 N custa em torno de R$ 1.400,00.
    O jogo atual que está na minha moto é Pirelli Diablo Corsa III e já rodei perto dos 12 mil Km e já precisa trocar novamente.
    Detalhe: troquei a 8 meses. Quando fui patrocinado pela Casa Fernandes – Brooklin.

    Quando se coloca um pneu novo, é nítido a mudança de comportamento da motocicleta. É impressionante!

    Fico imaginando como seria mais fácil e prazeroso ($$$) trocar os pneus da moto se houvesse redução de impostos.

    Como pode esse políticos inescrupulosos oferecer incentivo fiscal para reformar pneus e não conceder o mesmo benefício para quem fabrica pneus novos e que oferecem maior segurança.

    É lamentável!
    Ah! E quando houver acidente com moto, a culpa é do motociclista, é claro!!

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