Vinde a Mim os Ciclistas

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Ok, vamos falar sobre coisas polêmicas, e isso é algo que não tenho problemas em fazer. Afinal ir contra o senso comum é algo que pode irritar, provocar, mas pelo menos faz com que pensemos um pouco mais.

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Fotos: Divulgação

Vinde a Mim os Ciclistas

De uns tempos para cá comecei a observar com muita atenção como alguns seres se comportam no trânsito das grandes cidades, mais especificamente São Paulo, que é onde moro, dirijo, piloto e em algumas vezes ando de bicicleta. Claro que também não posso esquecer que ando a pé boa parte do tempo pelas ruas da capital paulista.

Muito bem, este é um fenômeno que ocorre ao ser humano quando está conduzindo algum veículo de transporte, seja carro, motocicleta, bicicleta ou até mesmo seus tênis sujos. Eles esquecem… Éééé… ficam tão imersos naquela experiência que esquecem que em algum momento não tão longínquo do tempo utilizam os outros equipamentos de transporte. É muito fácil, ver motociclistas vociferando contra motoristas de carros, estes últimos por sua vez, fecham os motociclistas e desejam coisa pior do que a morte para eles, buzinam para pedestre que foram flagrados no meio da faixa quando o verde acendeu.

Pedestres, por sua vez, fazem careta e exibem o dedo médio para os motoristas, que só faltam morder os volantes, quando não descem do carro e partem para vias de fato. Pois é, por causa de uma fechada, uma mera fechadinha, sem nenhum dano material nem físico, sai morte, cacetada, chutes e pontapés. Pedestres que atravessam o corredor dos carros xingam os motociclista que passam por lá a mais de 70km/h, descem da moto e sentam a porrada no vivente. O trânsito pára para ver a disputa física, só faltam apostas nas calçadas.

Não, eu não esqueci dos ciclistas, apenas deixei esta cereja do bolo para o final. Eles são, atualmente, as prima-donas do trânsito, os queridinhos do senso comum, assim como os motociclistas já foram, os pedestres também… Parecem que podem tudo, inclusive não me assombraria se uma série deles comentarem este texto indignados com a petulância deste que vos escreve. Ééééé… Descobriram a bicicleta no Brasil, e já estão beatificando os ciclistas. Só faltou alguém dar um destes objetos sagrados de duas rodas ao Papa em sua visita ao país.

Hoje em dia, parece que o senso comum é que os ciclistas escutam secretamente o mantra enquanto pedalam: “Vinde a Mim os Ciclistas, vinde a mim os ciclistas, …”. Repito: isso não é privilégio dos andadores de bicicleta, é só um momento que estamos passando. Acho legal ver ciclistas andando nas ciclovias improvisadas nos finais de semana em São Paulo, ou mesmo nas poucas oficiais. Experimente buzinar para um ciclista que anda no meio da faixa a 15km/h em uma via urbana cuja velocidade é de aproximadamente 60km/h. Se houver mais ciclistas, há a possibilidade de agressões verbais e físicas em seu veículo. Descobriram a bicicleta no Brasil, Veja, o governo adora e incentiva esta onda de pedal, até porque tira o foco da verdadeira solução que seria investimento em transporte público, este sim melhoraria a qualidade de vida de todos. De novo: pense! O governo muitas vezes incentiva algo para tirar o foco de outra(s) coisa(s).

ciclistas equipamentos de segurança

Comece a olhar as bicicletas e reparar se elas atendem minimamente o que é obrigado. Agora, alguém para para cobrar isso? Um agente do DSV vê ou sabe disso?
Quer saber? Se querem andar na rua como todos os carros, aqui vão minhas sugestões do que precisa ser regularizado, de forma bem didática, e que choque a quem tiver que chocar:

  • Precisam andar equipado (bicicleta e ciclista). Sim, os viventes também! Precisam de equipamento de segurança. É lindo ver uma bela dama pedalando sua bicicleta de R$ 5.000,00 “retrô”, com seus cabelos esvoaçantes no meio da avenida Paulista carregando um buquê de flores do campo em sua cestinha frontal e uma baguete no bagageiro. Claro que se colocar luvas, joelheiras, óculos de segurança, adesivos reflexivos na bike, luzes piscantes, e um “casco” na cabeça da vivente a poesia acaba, mas a vida continua…
  • Precisam ser habilitados, o que significa educado. Tem cara que anda na rua e mal sabe pedalar. Leva toda a família para uma avenida movimentada e expõe, desde a esposa até os pequenos filhos (muitas vezes bebês pendurados em suas costas, às intempéries do trânsito maluco.
  • Se querem andar na rua como moto, igual a um carro, por que não pagar imposto? Eu tenho mais de uma moto e pago imposto para todas elas, e isso me confere o direito de trafegar pelas ruas. Há um bom tempo atrás, bicicleta andava na calçada, junto com os pedestres, o que as reposicionou para o meio da rua?
  • Se quiserem andar em enxames, tudo bem, mas ocupem apenas uma faixa e não se espalhem por toda a rua ou avenida.
  • Multas! Ciclistas devem ser multados… Punidos como qualquer cidadão. Andou sem equipamento (item anterior), passou no farol vermelho, trafegou na contra-mão. O guarda deve parar e multar o pedalante.

Da parte do governo, e na falta de ciclovias, será que não poderiam criar rotas alternativas para as frágeis duas rodas? Ruas paralelas às grandes avenidas? Bem, fizeram isso com as motos na Marginal Tietê. Por lá não podemos trafegar na pista expressa. Se é efetivo, é outra história, mas poderiam tentar.

Acho louvável, e análogo a grandes cidades européias, grandes bancos disponibilizarem bicicletas nas ruas para empréstimo e aluguel, mas vamos comparar não somente esta iniciativa pontual, mas também a infra-estrutura das cidades que estamos falando.

Intervalo para o jogo dos 21 erros e contravenções:

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Pasme, leitor! Nem sempre em acidentes de trânsito envolvendo bicicletas, o ciclista é inocente! SÉRIO?! Sim, ele apenas é o mais frágil e temos propensão a proteger, muitas vezes de forma equivocada, os mais frágeis e oprimidos. Eles são os que deveriam seguir de forma mais contundente algumas regras, se não for para melhorar o trânsito, que seja por mera auto-proteção.

Vamos também parar com aquela ideia romântica de que reduz a emissão de carbono na atmosfera, sim reduz, mas há estudos que provam que isso não é tão significante do ponto de vista ambiental.  Do jeito que está hoje, só aumentam os problemas. O advento do pedal seria ótimo para melhorar o trânsito, e é um veículo barato para quem anda do ponto de vista de manutenção, além de propiciar um bom exercício diário para o ciclista. Fora isso, pode se transformar em um estorvo urbano.

Keep Riding!

9 COMENTÁRIOS

  1. Me acabei de rir com a parte da “bela moça e seus cabelos esvoaçantes na bicicleta retrô”, sendo transformada de “bela” para “fera”!

    O risco de se andar de bicicleta na capital paulista, assim como em outras cidades de grande porte, é eminente. As pessoas esquecem da ‘inefetividade’ deste meio de transporte em algumas situações, principalmente no meio técnico.

    Em algumas cidades do interior de São Paulo, as bicicletas são ‘emplacadas’ e registradas. O emplacamento não é gratuito, uma forma de tributo para o ciclista, e uma forma de regularizar o trânsito na cidade e fazer a contabilidade, aproximada, de ciclistas ativos no município.

    Claro que, nenhum ciclista se aventura debaixo de chuva por diversão. Digo. Alguns podem até gostar de ficar debaixo de chuva com suas magrelas. Mas, se tratando da maioria, não é desejo de ninguém ficar encharcado, ganhar bolhas nos pés e calos nas mãos, pegar resfriados e outras doenças indesejáveis advindas. Entretanto, após a chuva, os ciclistas pegam novamente suas magrelas e colocam para rodar! Entram numa via aonde a velocidade média é de 45~50km/h, possui semáforos (Av. Paulista) e, após a chuva contam ainda com algumas poças de água. Aí temos um outro grande perigo! Se sua bicicleta não possui um sistema de freio a disco (nem que seja somente o traseiro), e o aro da bicicleta se molhar, a pastilha de freio simples necessita de atrito para iniciar a frenagem, com a água, o atrito é praticamente nulo! Em uma situação de emergência um dentista e um ortopedista, ou, em algum caso ‘menos divertido’, um traumatologista juntamente com um neurocirurgião e um terapeuta deverão ser contratados! Ninguém mandou o ônibus parar no semáforo quando este sinaliza a luz vermelha, certo?! Mesmo com alguns metros de segurança, sem frenagem adequada e espirrando água pelas pastilhas de freio, o ciclista tem a sensação de ser um torpedo cujo alvo é a traseira do coletivo.

    Em cidades como Amsterdam (Holanda), o centro da cidade é fechado para veículos automotores. Só é permitido o trânsito de bicicletas. Na Alemanha o tráfego de bicicletas também é intenso, havendo sinalização específica (contando com semáforos) nas vias públicas.

    Não é só jogar bicicletas nas ruas, passar uma faixa de tinta no chão e dizer: “Bicicleta é legal! Respeite o ciclista!” É necessário regulamentar a nova ‘categoria’ de transporte no Brasil. Até lá, veja a nossa ‘dama da bicicleta de R$ 5.000 e cabelos esvoaçantes’ como mais uma pessoa internada num centro de traumatologia, com três dentes (um para doer, outro para abrir garrafa e o último para dar cárie), e com um Q.I. de um repolho!

    • Luis,

      Muito grato pelo comentário, note que de forma alguma sou contra as bicicletas, inclusive eu tenho uma magrela, o problema é a distorsão… Sempre!

      Abrax,

      Roberto Severo

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