Viagem de Moto: Dinamarca – Península de Jutlândia (Terra dos Vikings) | Parte II

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Mapa Dinamarca

Confira também | Viagem de Moto: Dinamarca – Península de Jutlândia (Terra dos Vikings) Parte I

Alô amigos!

Continuando o artigo anterior, vamos seguir pela Dinamarca, terra dos wikings, para nos próximos artigos, seguirmos em diante para os países mais ao norte. Mundão é isolado e a falta de informação é grande, talvez devido ao clima frio.

Nestes países, a maior parte do ano a temperatura é muito baixa, mas nada que um bom equipamento não resolva, o que pode faltar é ânimo. Procurem programar suas viagens entre os meses de maio a setembro, afinal não somos vikings sobre duas rodas, mas confesso a vocês que tenho boas lembranças das experiências geladas que já tive. Me lembro delas como se fossem hoje: em 2004 indo pra Machu Picchu, em 2008 indo pro Deserto do Atacama e em 2009 chegando em Ushuaia. Não tenho nada contra o frio, alias até gosto e as paisagens das montanhas cobertas de gelo são fantásticas.

Atacama
Atacama – 2008
Machu Picchu
Machu Picchu – 2004

A primeira experiência que tive com a neve, foi saindo de Arequipa no Peru, rumo a Puno. Parei no meio de uma nevasca para tirar fotos, o frio era muito grande e a luva não era apropriada para aquilo, minha mão doía tanto de frio que segurei no escape da moto, bem ali na saída do motor e pasmem vocês, mas em menos de um minuto o escape da moto já estava frio. Momento registrado na foto acima, moto verde, mas valeu o “perrengue” – e coisa do tipo deve ser comum nos paises nórdicos.

No artigo anterior, tecemos alguns comentários em relação à Península de Jutlândia, agora seguiremos para sua Ilha Central (Funen) e posteriormente Zelândia, onde está a capital Copenhague.

Funen (Fyn) é a segunda maior ilha da Dinamarca, situada entre a ilha da Zelândia e a Península da Dinamarca (Jutlândia). É um lugar fantástico para visitar durante as férias na Dinamarca. Você pode ver na hora o porquê essa ilha é chama de Ilha do Jardim, com as suas colinas suaves, pomares, cercas vivas e fazendas. O sul do Arquipélago de Funen, é um lindo lugar para ser explorado, com ilhas de diferentes tamanhos, lindos estreitos, baías e enseadas. A ilha tem duas vias de acessos principais. Pela Ponte do Cinto Grande a partir da Zelândia e pela Ponte do Cinto Pequeno a partir da Jutlândia. Pequenas pontes e balsas ligam você ao Sul do Arquipélago de Funen.

123 castelos e casas dignas de serem visitadas na ilha e muitos lugares: A Vila de Funen, um museu a céu aberto, onde o ambiente é reconstruído em uma aldeia como ele apareceu no momento de Hans Christian Andersen; Svendborg, casa histórica com vista para o fiorde homônimo de frutos do mar onde você pode, então, descer para o sul e visitar a ilha idílica de Taasinge e a Valdemar Castelo, o castelo mais bem preservado na Dinamarca.

ilha cidade jardim
Ilha do Jardim da Dinamarca,  sul de Funen – Exuberante e ondulada paisagem repleta de ciclovia e trilhas

O acesso oeste à ilha é realizado por Middelfart, cidade portuária, com lindos bosques às margens do canal – mas nosso destino é Odense,  a apenas 50 quilômetros.

Odense é uma das principais cidades da Dinamarca, com cerca 200 mil habitantes, é a terceira cidade mais populosa do país. É uma cidade que, historicamente, tem a distinção de ser o Santuário de Odin, por isso conta com importante conteúdo de lendas e mitologias escandinava, não surpreendentemente, é uma das cidades mais antigas do país e da Escandinávia, com uma origem datada do século X (Brasil com pouco mais de 5 séculos – de fato velho mundo). É o lugar onde nasceu Hans Christian Anderse, um dos mais amados escritores dinamarqueses. Se você está planejando uma visita a Dinamarca, não deixe de visitá-la.

Fora de Odense, Funen reforça seu caráter de zona rural. As ótimas estradas que cortam a ilha passam por plantações, criações de ovelha e vilarejos de nomes impronunciáveis. É exatamente esse cenário que o turista encontra na rota entre Odense e a minúscula Kvaerndrup a apenas 90 quilômetros dali, cuja grande atração é o Castelo de Egeskov, mas convenhamos que às vezes a estrada é muito melhor que o destino. Egeskov, castelo cercado por um lago plácido, uma densa floresta e um grande jardim de rosas, o mais fascinante castelo da Dinamarca.

Castelo Egeskov em Kvaerndrup

Egeskov, em dinamarquês, significa “floresta de carvalho“. O nome vem da lenda de que foi necessário derrubar uma floresta inteira para fazer os pilares de carvalhos que sustentam a estrutura sobre o fosso. Verdade ou não, por trás da engenharia que mantém um castelo desse tamanho quase flutuando sobre o espelho d’água não poderia haver uma história qualquer.

Nas cidades de Kerteminde e Nyborg, ao norte de ilha, tem as melhores praias, mas não esperem as barraquinhas ou vendedores ambulantes como aqui no Brasil. Levar o próprio piquenique é uma coisa cultural na Dinamarca e não se assustem em ver as pessoas trocarem de roupa na sua frente. A liberdade nesse quesito na Dinamarca é grande, tiram a roupa se quiserem e andam “em pelo” no meio da rua.

hotdog
Hot Dog em Kerteminde. Bruto!
praia
Uma de suas praias. “Sem vendedores e sem barraquinhas”.

Em Funem, as cidades são próximas, algo em torno de 50 km uma das outras, não perca tempo, coloquem as motos para rodar, a ilha toda parece ter saída de um conto de fadas.

Vamos seguir agora rumo a capital da Dinamarca, para a ilha de Zelândia. Copenhague é uma cidade de pouco mais de meio milhão de habitantes, dinâmica, ideal para visitar, percorrendo as suas ruas e os seus monumentos, comprando em suas lojas e bebendo em seus bares e restaurantes. A cidade é reconhecida internacionalmente como uma das melhores cidades para se viver e comer. Hoje em Copenhague há 14 estrelas Michellin, consagrando-a como a capital culinária da Europa. A gastronomia dinamarquesa saiu da cozinha para entrar no mapa-múndi com o Noma, restaurante de Copenhague comandado pelo chef René Redzepi, eleito duas vez consecutiva como o melhor do mundo pelo The S. Pellegrino World’s 50 Best Restaurants. A lista organizada anualmente pela revista inglesa “The Restaurant” e recentemente ganhou uma estrela do Guia Michellin.

Lagostim com gotas de gel de algas nas mesas do Herman, no Tivoli de Copenhague
Lagostim com gotas de gel de algas nas mesas do Herman, no Tivoli de Copenhague

O Castelo de Havn é um dos seus monumentos mais famosos. Está datado no século XII. As origens da cidade remontam ao século X, embora haja indícios de assentamentos humanos no ano 4000 a.C. Em Copenhague, há lugares que não devem ser desperdiçados, como a Rua Mikkel Bryggersgade, na zona medieval da cidade e a Catedral de Roskilde.

Esta cidade, também, conta desde ano 2000, com uma ponte de cerca de 8 quilômetros que liga a cidade com o Malmoe, cidade sueca ao sul do país escandinavo, que tem melhorado muito as comunicações. Está ligada por via ferroviária e rodoviária. É por isso que a área metropolitana da Dinamarca também é extensível até a vizinha Suécia. A ponte de Oresund, sem dúvida, é um símbolo da unidade de dinamarqueses e suecos.

Alguns dos lugares mais interessantes de Copenhague são o Tivoli, o Museu Nacional, o Jardim Zoológico, o Palácio Real, o Teatro Real, ou as igrejas, as catedrais, as muralhas e os outros monumentos. Não deixe de visitar a Legolandia.

Os cervos que vivem nos parques da Dinamarca se acostumaram com a presença silenciosa de seres humanos, por isso é possível testemunhar esse fantástico ritual anual bem de perto. Você pode ver os cervos vermelhos e cabritos monteses no Parque dos Cervos Haderslev Jægersborg, a 15 km ao norte de Copenhague.

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Túnel Cinto Largo

A foto acima, mostra a ponte-túnel do Cinto Largo que transpõe o estreito de Oresund, ligando as cidades de Copenhague, na Dinamarca, e Malmo, na Suécia.  É um milagre da engenharia moderna; carrega trens e carros sob e sobre o estreito de Oresund.

Como já estamos acostumados aos bate-voltas nas manhas de domingo, vamos agora sugerir alguns passeios na Ilha de Zelândia, todos saindo de Copenhague, são imperdíveis e podem ser feitos vários destes no mesmo dia, vamos a eles:

HELSINGØR: Neste cidade está o castelo de Kronborg, onde se passa a história de Hamlet, escrita por Shakespeare. Dentro do castelo está a estátua de um herói dinamarquês, Holger Danske, que segundo a lenda, acordará quando o país estiver em perigo. Do outro lado do estreito de Øresund está a cidade de Helsingborg, na Suécia.

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Visão da Suécia

 

Castelo de Kronborg
Castelo de Kronborg

BAKKEN: O parque de diversões mais antigos do mundo! Em funcionamento desde o século XVI (impressionante!), é muito parecido com o Tivoli e  talvez fique repetitivo para quem já foi no da capital, mas é uma opção.

PARQUE BAKKEN: O parque de diversões mais antigos do mundo! Em funcionamento desde o século XVI (impressionante!), é muito parecido com o Tivoli e talvez fique repetitivo para quem já foi no da capital, mas é uma opção.

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Bakken

MUSEU AO AR LIVRE: Este museu mostra como era a vida nas fazendas do interior do país e pertence ao Museu Nacional. Os edifícios foram resgatados de várias partes do país e reconstruídos ali. Site oficial.

MØNS KLINT: imensos penhascos de giz, paisagem maravilhosa. Mas prepare a perna: tem uma escadaria enorme para descer e depois subir! Fica mais fora de mão, então o ideal é ir de carro, mas aqui tem dicas para visitar usando transporte público (trem + ônibus).

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ROSKILDE: Esta cidade é famosa pelo festival de música, pela belíssima catedral e pelo museu de barcos vikings.

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FREDERISKBORG: Mais um castelo impressionante, com belos jardins e pertinho da capital (na cidade de Hilleröd).

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FREDERIKSBORG CASTLE

DRAGÖR: Ao sul da capital, está essa pequena cidade pesqueira, com suas casinhas típicas bem conservadas. O centro histórico está intacto há praticamente 3 séculos.

dragor

Mapa da Região sugerida para o Bate Volta

roteiro dos bate volta

 

Outras curiosidades da Dinamarca:

* Caça ao tesouro com GPS

O geocaching é uma caça ao tesouro interativa ao ar livre usando o GPS para procurar tesouros escondidos. Muitas pessoas em todas as partes do mundo fazem parte desse esporte e há centenas de tesouros escondidos pela Dinamarca.

Os tesouros são, em geral, pequenos potes com um livro de anotações com lembrancinhas. Se você encontrar o tesouro, pode levar parte dele e registrar sua descoberta em um livro de registros. Depois, visite: Geocaching website a fim de registrar seu achado e ver quais outros tesouros esperam para ser descobertos.

* Fogueiras

Existem muitas áreas em toda a Dinamarca designadas como locais em que se podem acender fogueiras. Os parques nacionais e as áreas públicas com natureza, como as florestas, podem até mesmo ter instalações cobertas, bancos para assentar e outras facilidades. É importante usar apenas os locais destinados para cozinhar seu jantar selvagem na floresta, por isso verifique onde estão os locais corretos para acender sua fogueira nos centros de informações turísticas.

* Coleta de alimentos silvestres

Dependendo da estação, o interior da Dinamarca está cheio de bagas silvestres, nozes, cogumelos e outras plantas comestíveis. Sinta-se à vontade para coletar esses deliciosos alimentos silvestres nas áreas públicas. Como regra geral, deixe um pouco para os outros, então tente não coletar mais do que uma sacola desses alimentos nos lugares pelos quais você passar a noite no meio do mato

* Mountain bike

Existem oito áreas especiais de florestas dinamarquesas que você pode se soltar e pedalar a sua bike fora das trilhas demarcadas e passear pela floresta. Veja quais:

– Floresta Bidstrup na Zelândia do Norte (9,5 km)
– Blåbjerg Klitplantage ao sul de Ringkøbing Fjord (7,3 km)
– Bordruo plantation em Båvands Huk (6,8 e 8 km)
– Klosterheden ao noroeste de Holstebro (50 km)
– Hare woods ao noroeste de Copenhagen (26 km)
– Rold Skov na Jutlândia (23 km)
– A floresta fica bem ao norte de Copenhagen (10 km)
– Florestas Aabenraa na Jutlândia do Sul (8,4 km)

Se não tiver trazido sua mountain bike com você, existem muitas lojas de aluguel de bike na Dinamarca. O preço varia de R$48 a R$65 por dia de aluguel.

Encerrramos aqui a seqüência de artigos sobre a Dinamarca. Pequeno paíss mas com muito o que ver. Praias, ilhas, castelos e muita história. Estradas fantásticas e paisagens que mudam bruscamente, dependendo da época do ano que você for.

Seguiremos pelos paises Nórdicos, na seqüência Suécia, aguardem…

Abraços
Fausto Malheiros

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4 COMENTÁRIOS

  1. Fiquei interessado em fazer bate-volta de Copenhagen para Mons Klint, estarei na cidade entre 28 e 3 de maio. Será que é possível fazer bate-volta no mesmo dia? Sabe se existe alguma excursão saindo de Copenhagen? Tentei pesquisar, mas é dificil encontrar informações… Obrigado.

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