Transalp e VFR 1200: os próximos lançamentos da Honda

1
2090

Transalp e VFR 1200: os próximos lançamentos da Honda

Quem esteve no Salão do Automóvel de São Paulo 2010 deve lembrar que a grande atração no estande da Honda não era nenhum lançamento com quatro rodas ou mesmo novas versões dos conhecidos Fit ou Civic. O centro das atenções naquele espaço estava voltado para duas motos: a trail XL 700V Transalp e a sport-touring VFR 1200… e isso não era a toa. Como já foi noticiado pela imprensa, elas serão os próximos lançamentos da marca no Brasil.

XL 700 V Transalp: Para alegria de sua rival histórica, a Yamaha, o segmento trail de média cilindrada sempre foi ignorado pela Honda do Brasil. Em terras tupiniquins, os modelos XLX 350/NX 350 Sahara, NX4 Falcon, e, mais recentemente, XRE 300, foram, pelos últimos 20 anos, os modelos “top” da marca na categoria, o que é muito pouco. Sim, é verdade que nos últimos anos a marca também oferecia a XL 1000 Varadero, contudo, tratava-se de um modelo importado,  de segmento superior e que custava mais de R$ 50 000. Para quem, como eu, é apaixonado por esse estilo de moto, era difícil entender porque a marca não trazia para cá a Transalp, modelo que existe no mundo desde 1987.

Foco em outros segmentos, pouca demanda, excesso de conservadorismo, enfim, não conhecemos as razões que levaram a Honda a ignorar o segmento por tanto tempo, contudo, era evidente que depois de Suzuki V-Strom 650, BMW G 650 GS “Made in Manaus”  e, mais recentemente,  Kawasaki Versys 650 terem aquecido o mercado e colocado o segmento em destaque na imprensa, a Honda chegaria para exigir a sua parte no bolo. Assim como o macho alfa de uma alcatéia de leões espera os demais integrantes do grupo preparar a emboscada, perseguir e abater a presa para, depois, chegar e levar o melhor pedaço de carne, podemos dizer que a Honda esperou os concorrentes darem uma sacudida no segmento — despertando o interesse dos consumidores e da mídia — para, logo em seguida, “chegar discretamente” com o seu produto.

Chegar discretamente entre aspas porque, como se sabe, só por ter o emblema da asa no tanque, a entrada da Transalp no mercado não deve ser nada sutil e a chance dela bater sem dó na concorrência, já no primeiro mês de comercialização, é enorme. Para isso, duas coisas serão fundamentais: capacidade de produção e preço. Quanto à primeira questão não deverá haver problemas visto que não é difícil para a Honda colocar nas concessionárias entre 400 e 500 unidades por mês. Já com relação ao preço, sabemos que “barato” não é item de série nos modelos da marca, entretanto — principalmente neste primeiro momento —, a Transalp nacional não pode fugir muito daquilo que hoje é cobrado pelos concorrentes que já estão no mercado, o que significa entre R$ 30 000 e R$ 34 000 — dependendo da presença ou não do ABS.

A XL 700V que será produzida em Manaus corresponde à terceira geração do modelo — apresentada na Europa em 2008 — contudo, mesmo tendo sido reformulada há apenas três anos, não espere encontrar na Transalp soluções técnicas inovadoras ou um conjunto repleto de tecnologia. Chassi e balança são de aço, as suspensões são simples e ela está entra as mais pesadas da categoria, contudo, esta trail atingiu um grau de aprimoramento que lhe permite competir em condição de igualdade com concorrentes mais modernas. Robustez, confiabilidade e baixo custo de manutenção são as principais características que a Transalp mostrou ter em seus quase 25 anos de história. Mas é claro que não é só isso.

Apesar do motor bicilíndrico em V desta Honda não se destacar pelos números de potência (60 cv a 7 750 rpm) e torque (6,1 kgfm a 5 500 rpm) ele é famoso pela suavidade de funcionamento. A configuração V2 a 52º é a mesma utilizada no propulsor que equipa a Shadow 750, contudo, as semelhanças não vão muito além disso. Facilidade ao pilotar, conforto e boa ergonomia para piloto e garupa também são qualidades que sempre são associadas ao nome Transalp. Estima-se que a XL 700 V chegue às lojas ainda no primeiro semestre deste ano. Seguramente, será um sucesso de vendas por aqui… e nós estamos ansiosos para colocar nossas mãos nela!

VFR 1200: Se a Transalp já tem bastante “tempo de casa” dentro da família Honda, a outra novidade preparada pela marca para nosso país ainda tem cheiro de novidade mundial! Estamos falando da Honda VFR 1200, a sport-touring japonesa que foi uma das grandes novidades no motociclismo em 2010. Equipada com um inédito motor tetracilíndrico em V de 1 237 cm³, esta VFR entrega o desempenho típico de uma superbike (são 173 cv a 10 000 rpm), mas com a suavidade, linearidade e abundância de torque (13,4 kgfm a 8 750 rpm) das mais confortáveis estradeiras. Se somarmos a essa característica “mecânica”  alguns outros detalhes de ergonomia e conforto, não é nenhum absurdo dizer que esta Honda está no meio termo entre uma sport-touring e uma legítima GT. O robusto chassi de dupla viga de alumínio, as suspensões e os  freios (com C-ABS) estão perfeitamente dimensionados para a proposta da moto, isto é, suavidade quando utilizamos a moto com uma calma touring  e excelente comportamento dinâmico quando exploramos toda a sua cavalaria.

Como se toda a tecnologia empregada na ciclística e motorização fosse pouco, a Honda ainda equipou uma versão da VFR 1200 com o câmbio DCT (Double Clutch Transmission). Com esse sistema, além do piloto poder escolher entre trocas automáticas nos modos Drive e Sport (como acontece na maioria dos automóveis), é possível utilizar o câmbio no modo semi-automático fazendo a troca por meio das teclas “+” e “-“, situadas próximas à manopla esquerda (o sistema DCT elimina o manete de embreagem). Vale destacar que não é um câmbio CVT e sim um câmbio tradicional, de 6 marchas. Graças ao sistema de dupla embreagem — uma para marchas ímpares e outra para as marchas pares —, a velocidade na troca de marchas é impressionante. Veja como o DCT funciona no vídeo abaixo.

Assim como a Transalp, a VFR deve desembarcar no Brasil ainda no primeiro semestre deste ano. Ainda não sabemos se a Honda trará as duas versões (standart e DCT), mas, seguramente, ela chegará com preço muito mais próximo ao da  Kawasaki ZX-14 (R$ 62 000)  do que aos irreais R$ 95 000, pedidos pela BMW K 1300 GT — a 1600 chega em junho, pelo mesmo preço.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


× quatro = 28