Teste do mês: Kawasaki Ninja 250R chega à metade da jornada em ótima forma

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Na segunda semana de avaliação, coube a mim a tarefa de rodar com a chamativa Ninjinha e confesso que não estava muito empolgado no início. Exceto se estiver em uma boa auto-estrada, não gosto de andar em esportivas, principalmente no dia a dia já que elas são duras, muito desconfortáveis e cansativas. Mas como é bom se surpreender positivamente! Pode ser chatice minha, mas particularmente não gosto quando um fabricante usa um nome (ou um termo) que remete a algo de segmento superior para dar status a produtos que não tem as características que fizeram esse nome famoso. Exemplos? A Fiat, por exemplo, chama de “SUV light” o Palio Adventure, uma perua pequena. No mundo das motos, o caso mais recente é a Yamaha, que deu o sobrenome Ténéré a sua nova XTZ 250. Sei lá, eu sempre associei Ténéré a motos imponentes, de grande cilindrada e que representavam o máximo em sua categoria, não a uma moto pequena como essa 250 que não traz nenhum grande diferencial em relação à Lander. Você não acharia esquisito a Honda lançar uma CB 300R carenada e chamá-la de Fireblade 300? É mais ou menos por aí. Com a Ninjinha era a mesma história. Considerava um exagero estampar o mítico “Ninja” na carenagem de uma pequena 250, mas, pelo menos no caso desta Kawasaki, mudei de idéia por uma simples razão… apesar de pequena, ela é sim uma moto diferenciada e que merece essa distinção.

Como o meu primeiro contato com este modelo, em abril de 2009, resumiu-se poucos quarteirões, senti que estava andando pela primeira vez na moto… e a impressão foi das melhores. Assim que sentei, já me agradou o fato de não ter de encostar meu umbigo no tanque para encontrar os semiguidões, posicionados poucos centímetros mais alto do que é praxe nas esportivas, o ganho em conforto e maneabilidade é imenso já que a posição de pilotagem é mais natural e não sobrecarrega os punhos do piloto. Por falar nisso, apesar de comportar bons 17 litros de gasolina (o que confere à moto uma ótima autonomia) o tanque de combustível não é excessivamente largo e permite um ótimo encaixe das pernas, independentemente da altura do piloto.

Dos 298 km que rodei com a Ninja 250 na semana, mais de 260 foram na cidade, por isso, posso afirmar: em nenhum momento encontrei o desconforto que esperava à primeira vista, considerando o tamanho e a proposta da moto. Estreita, esta Kawa mostrou-se completamente à vontade nos famosos corredores do caótico trânsito paulista. Como o André Garcia citou no relato da primeira semana, o antiquado painel de instrumentos realmente destoa demais do conjunto. A leitura do velocímetro e conta-giros é razoável, mas a sensação de estarmos ao guidão de uma esportiva dos anos 1980 é que mata. Além de modernidade, acrescentar um marcador do nível de combustível e um lampejador de farol também seria bom. Ponto positivo também para o farol.

Se a Ninjinha me surpreendeu pela comodidade da “cabine de comando”, o comportamento de sua mecânica e ciclística não foi menos impactante. Com engates precisos e um pedal de curso adequado, o câmbio desta moto é impecável. Sem dúvida, um dos melhores que já tive a oportunidade de testar. Quando o assunto é motor, a Kawasaki mostra, definitivamente, que é muito mais que uma simples city 250 carenada…e nos faz pensar que os pouco mais de R$ 15 500 pedidos por ela não são um exagero. Preguiçoso em baixa, mas muito bem disposto acima de 5 500 rotações, o bicilíndrico arrefecido a água empolga até o mais recatado motociclista. Pura diversão! Em boas estradas, mantém uma velocidade de cruzeiro de 140 km/h sem esforço e sem perder muito fôlego nas subidas. A sensação que temos é a de realmente estar pilotando uma miniatura de superesportiva. Uma ZX-10 bonsai.

Se carregando apenas o piloto, o pouco torque disponível na parte baixa do conta-giros é algo plenamente contornável, quando acrescentamos o peso de um garupa a coisa fica um pouco mais incômoda, principalmente quando rodamos na cidade com muito trânsito. É difícil arrancar em ladeiras sem queimar um pouco a embreagem e subir a rotação. Não poderia falar do motor sem citar a incrível suavidade de funcionamento deste 250. Independentemente de estar em marcha-lenta ou acima de 10 000 rpm, vibrações incômodas ou ruídos indesejados são coisas que o piloto desta Ninja esquece que existem. Ah, não podemos esquecer do delicioso ronco do motorzinho Kawasaki, típico das bicilíndricas. Quem ouve o imponente som dela chegando, mas não vê que moto é, dificilmente diz que é uma pequena 250.

Sim, a pequena 250 merece esse sobrenome de respeito

De nada adiantaria a moto ter um powertrain excelente, se a ciclística deixasse a desejar certo? Pois é, pode continuar pensando em como juntar pouco mais de R$ 15 000 porque chassi, freios e suspensões estão à altura. Em nenhum momento o quadro tubular de aço demonstrou torções indesejadas ou deu a entender que estava na hora de diminuir o ritmo, muito pelo contrário, passa até a sensação de que suportaria mais potência sem reclamar. As suspensões são simples, mas também dão conta do recado com sobra. Nas esburacadas ruas de São Paulo e em frenagens mais fortes, sentimos que as bengalas são um pouco macias demais, chegando a dar fim de curso em algumas emendas de asfalto mais grosseiras. De qualquer forma, não senti que essa calibragem mais macia comprometa o comportamento em curvas ou a estabilidade em velocidades mais elevadas.

Outro exemplo de que simplicidade e eficiência podem ser sinônimos vem do sistema de freios. Com um único disco na frente e um atrás, a Ninjinha freia com precisão em qualquer situação. Além de um tato muito, o sistema é potente e fácil de dosar, permitindo frear forte com total confiança e sem risco de travar a roda dianteira. No post referente à primeira semana, o André também comentou que preferia os pneus Dunlop aos atuais IRC. Bom, nunca andei na Ninjinha calçada em Dunlop, mas posso garantir que os atuais sapatos da moto são muito bons, inclusive na chuva. A medida adotada pela Kawa também mostrou-se perfeitamente dimensionada para a potência e porte da moto. Com um 110/70 na frente e um 130/70 atrás, o compromisso entre aderência, estabilidade e agilidade é irretocável, ou seja, se você tem uma Ninjinha nem pense em colocar um pneu mais largo atrás (a não ser que você queira deixar a moto pior). Já havia andado em uma D-Tracker com pneus IRC e a impressão que tive também foi das melhores.

Ainda no que se refere à segurança, um ponto a melhor são os retrovisores, pequenos e em uma posição que refletem apenas os braços do piloto (até nisso a Ninja 250 lembra as maiores superesportivas). O farol dianteiro de dupla parábola é muito eficiente, principalmente quando acionamos o facho alto já que, nessa condição, a lâmpada do farol baixo também permanece acessa — o que é raro de acontecer até em motos de categoria superior. Além de atualizar o preço da cesta de peças, na próxima semana publicaremos as impressões do repórter Felipe Cunha, que pegou muita estrada com a Kawasaki e já avisou que não devolve mais a moto. Bom, fico por aqui, tenho que ir ao banco ver se consigo financiar R$ 15 550.

8 COMENTÁRIOS

  1. Olá amigos tenho uma ninjinha 2014 e acho uma moto muito boa, porém quando ela indica a reserva do combustível você não sabe quanto quilômetros pode rodar ainda e fora que em até redução de marcha ela desliza o pneu traseiro, tirando isso é uma moto muito boa para curtir nos fins de semana e para trabalhar também, linda e bela moto. Revisão, a primeira paguei 160 reais e a segunda vou pagar 160 reais também, depois não sei quanto vai ficar, mas só sei que aumenta bastante abraços.

  2. amigos acabei de comprar uma ninja 250 edition especial pelos comentarios de ser uma boa moto pequena mas agreciva vamos ver se ela tem mesmo estilo valeu galera ninja

  3. Tenho uma ninjinha 250 2011, ESPECIAL EDITION, a motinho é muito boa, maleável, bom esterço para uma moto com visual esportivo, confortável (apenas para o piloto, mais confortável que a minha fazer 250). Suspensão macia, motorzinho bem redondo, fraco em baixos giros e bem gostoso em médios e altos giros. Não vibra, freia bem sem sustos, ronco bonito. O painel da E.S. tem fundo branco o que confere mais esportividade, embora penso que nesta moto, já deveria estar vindo com painel analógico-digital, o que casaria muito bem com seu estilo esportivo. Este motor lembra muito a menos a mim, um motor 2t, fraco em baixo e bem fortinho em médio-alto regime. Não confere sustos, pois, não tem trancos de potência. O motor não chega a ser fraco em baixa, mas é um motor bem manso. A sensação de pouca força é aumentada pela sua suavidade, que deixa passar a impressão de ser fracom. Mas é apenas uma característica de sua grande virtude, que é, a suavidade em baixa, mas quando os giros sobem o motor mostra sua força com desenvolvutura e progressividade. Enfirm projeto muito bem acertado. Ótimos freios, design, faróis…Hoje a melhor 250-300 do país.

  4. Fui numa concessionaria ver a moto, pois mes que vem vou pegar uma…o vendedor falou que a Ninjinha 2011 esta para chegar…ele falou que vai vir na cor branca, mas que o painel vai ser igual (alguns dizem que ele virar na cor branca, como os americanos)….resta apenas esperar pra ver

  5. Ultimamente ando de custom e estava querendo um pouco mais de emoção, resolvi fazer um test drive na Ninjinha aqui na minha cidade já que todos estavam falando sobre essa moto, realmente me impressionei pela potência se falando de uma 250, sua aparência é de moto pequena mas é agradável, a moto estava com pneus traseiros 150/70 e também com em WR de 22cm, eu achei a posição de pilotagem boa e ela ainda atingiu um final de 175km/h, e o cara da concessionária disse que ela andaria ainda mais com algumas pequenas preparações. Com certeza é a moto certa para começar no mundo das esportivas. E parabéns a todos pelo Blog, muito bom.

  6. A ninjinha é uma moto bem gostosa de pilotar, no entanto po R$ 15.000,00 ela merecia uma painel melhor. O painel chega a beirar o ridiculo. Será que o pessoa da Kawasaki não vê essas coisas? Sera que é o brasileiro que se contenta com pouco? Na verdade acho que é um pouco dos dois. Mas creio que não há desculpas nesse caso! O painel é muito feio, ainda mais durante a noite, com aquela luz azul, quase minguando. Credo!

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