Suzuki GSX-R1000 (SRAD) – Quando a Bela se casa com a Fera

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GSX-R1000

Muito bem, quinze dias e dois eventos após, estamos de volta às avaliações de nossas amadas máquinas de duas rodas, e desta vez encararei a “milzona” da Suzuki, filha prodígia da consagrada família SRAD, e de cara digo que não entendi porquê a marca japonesa deixou de usar o nome SRAD tatuado no corpo da bela, que para mim é um paradigma de moto feroz e confiável.

Suzuki GSX-R1000 (SRAD)

Ficou somente o nome científico GSX-R1000. Na verdade, antes de virar um sobrenome pelo uso,  SRAD é um sistema: Suzuki Ram Air Direct, que acrescenta cerca de 25 cv acima dos 200 km/h.

Que raios é o RAM Air?

O Ram Air, não é um conceito novo, vem do final da década de 40 e era usado em jatos militares para tomada de ar nas turbinas. A Suzuki implantou o mesmo sistema de tomada de ar em suas superesportivas lá nos idos de 1998. Mas, Roberto, que raios faz com que uma motocicleta que está acima dos  210 km/h, “ganhe” 25cv de potência do nada? A Suzuki desenvolveu um turbo compressor natural na GSX 750. Foram criadas tomadas de ar na frente da moto que, quando esta estivesse em uma determinada velocidade (cerca de 210 km/h até 250 km/h), o ar que entrasse seria jogado diretamente (o D de Direct de SRAD) para o motor com uma enorme pressão. Sacou?  O ar, que é naturalmente pressurizado, enriquece a mistura ar/combustível gerando maior potência para a moto e, dessa forma, consegue-se de 25 cv a 30 cv do além, ou melhor, literalmente do vento!

Antes que me perguntem, já respondo: não! A Hayabusa (ou GSX-R1300), apesar de ter o sistema SRAD, é de outra categoria, chamada pela Suzuki de Ultimate Sports, então não temos como comparar com a GSX-R1000. Mas para efeito de texto, peço a permissão do leitor para usar o simpático e conhecido nome SRAD 1000 para me referenciar a Lady GSX-R1000.

Preliminares concluídas, vamos voltar o foco para a Bela Fera SRAD 1000, e percebemos que a moto é bastante elegante com seus traços retos e angulosos. Neste modelo a Suzuki caprichou nos acabamentos. O painel precisou de um estudo detalhado para que eu pudesse entender e transmitir aqui os pormenores dos controles apresentados:

  • Conta-giros analógico;
  • Velocímetro digital;
  • Dois hodômetros parciais + um total + um da reserva de combustível;
  • Relógio;
  • Display de marcha;
  • Temperatura ambiente e do motor;
  • Cronômetro;
  • Contador de voltas (poucos modelos de superesportiva o tem);
  • Shift light sequencial ajustável (leds que acendem em intervalos de giro reguláveis até o quarto led com intensidade maior).

Todos os controles de visualização estão logo ali, próximos ao manete, e podem ser obtidos com o simples mover de um dedo, sem tirar a mão do guidão.

Painel, entendido, hora de ligar a bela e montar na fera! Motor de 999 cm³  de 4 tempos; tetracilíndrico; equipado com duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC); com SRAD (Suzuki Ram Air Direct); são 16 válvulas; com arrefecimento líquido; potência de 185 hp a 12.000 rpm e o torque é de 11,9 kgf a 10000 rpm.  Para os chegados em dados técnicos, vale dizer que a compressão é de 12,81, e a relação diâmetro x curso dos pistões é de 74,5 x 57,3 mm.

Mas o que a galera quer é ver, ou melhor escutar, todo este “blá, blá, blá” em funcionamento, certo? Eis o que acontece quando acionamos a “besta fera“:

Já fiz o teste de várias superesportivas, como a Honda CBR 1000 RR, Yamaha YZF R1, Kawa ZX-10R e BMW 1000 RR, então fico à vontade em relacionar algumas diferenças evidentes para quem deseja enfrentar uma superesportiva e está com dificuldades em escolher:

Pontos positivos da GSX “SRAD” R1000:

  • Permite mudança dinâmica do mapeamento da moto (mais nervosa ou mais mansa), ou seja, se começar a chover, você não precisa parar para mudar. Basta mover um dedo, e voilá!
  • A posição de pilotagem é mais confortável do que as outras que testei, pois o guidão fica mais afastado deixando os braços esticados;
  • O banco, a 81 cm de altura do chão,  é largo, e deixa a moto mais confortável para maiores tempos e distâncias de pilotagem;
  • O tanque grande faz com que o piloto quase abrace o corpo da moto, ficando muito bem acomodado;
  • A pedaleira não é tão alta, e com isso os joelhos ficam mais esticados;
  • O descanso lateral é bem abaixo do corpo do piloto e é fácil de acioná-lo;
  • Controles bem ao alcance dos dedos, evitando com que o piloto solte o guidão.

Pontos Negativos:

Para pilotos e “seres” de pista: as características acima devem fazer com que ela não seja tão eficiente nas pistas, mas, cá entre nós, fazer uma volta em 1min41s543 ou 1min42s321, para mortais, é a mesma coisa. E tenha certeza que para o resto de nós, grupo o qual este urso que vos escreve se inclui, as diferenças ficam diluídas e muito tênues.

Para “humanos”: não canso de dizer que o ABS deveria ser ABSolutamente obrigatório para esta categoria de bólidos, principalmente para caras normais que têm como hobby dar umas voltinhas mais rápidas em um “Track day”, ou umas esticadinhas nas estradas.

Siglas embarcadas na Suzuki R1000:

SCEM (Suzuki Composite Electrochemical Material): um revestimento com um tratamento especial da Suzuki para reduzir o atrito e aumentar a transferência de calor.

SCAS (Suzuki Clutch Assisted System): uma inovação da japonesa que ameniza o retorno de torque reverso para que as reduções de marcha e aceleração sejam graduais.

S-DMS (Suzuki Drive Mode Selector): A Suzukona possui 3 mapeamentos do sistema todo, que podem ser alterados a qualquer momento. Dependendo da posição, A, B ou C, ela muda a forma como despeja a potência. A velocidade final não é alterada. O que muda é o tempo a chegar lá. O comando é acionado pelo dedo próximo ao manete, e não no painel.

A Bela SRAD 1000 pesa 205 kg em ordem de marcha, e possui 2,045 metros de comprimento com uma distância entre eixos de 1,405 m.

Os escapamentos possuem uma câmara de ar localizada sob o motor que minimiza a emissão de poluentes e ruídos, e que também ajuda a baixar o centro de gravidade. Apesar de serem grandes, acho belíssimos os dois canhões apontados para trás da Suzukona.

A suspensão dianteira é telescópica invertida com 125mm de curso, ajuste de pré-carga da mola e compressão.  Na suspensão traseira encontramos uma balança articulada do tipo link com monoamortecedor hidráulico e curso de 130 mm. Também tem todos os ajustes de mola e amortecedor atendendo os mais gordinhos aos levinhos.

A rabeta é removível e pode ser trocada por uma peça semelhante, porém acolchoada, que alguns chamam de assento de garupa. Bem, Suzuki, bela tentativa. Talvez seja mais funcional carregar dois tomates médios, que é o que cabe dentro deste compartimento. Vide filme:

O freio dianteiro é duplo com 310 mm de diâmetro e pinças de 4 pistões, o traseiro é disco simples de 220 mm e pinça deslizante de 1 pistão. As rodas de 17” estão equipadas com pneus de 120/70 na frente e 190/50 atrás. Diga-se de passagem: proporcionam um magnífico “grip” no asfalto.

Foram quase 800 quilômetros de uma agradável companhia da bela e da fera,  e o consumo do seu tanque de 17,5 litros foi de 17,1 km/l na cidade, 15,2 km/l na estrada. A Suzuki oferece dois grafismos e pinturas: azul e branca e a preta com marrom. A Bela Fera tem preço sugerido de R$ 56.500,00.

É isso, e até a próxima! Saionara e…

Keep riding!

 

29 COMENTÁRIOS

  1. TENHO UMA GSXR1000. ESTAVA A 150 KM, BOTEI UMA SEGUNDA E ACELEREI TUDO. ELA NÃO EMPINOU, MAIS, PATINOU E DEU UM TIRO. IMPRESSIONANTE, FOI DEMAIS. SOU DOIDO ?

  2. parabéns pelas matérias Roberto! estou querendo comprar uma moto, pago um consorcio suzuk 650f, mais ela está muito ultrapassada, eu estava pensando em pegar a suzuk1000c, mais está muito cara, e penso em pegar a cbr 600f da honda porque ela está mais atualizada do q a suzuk 650f, estou com muita dúvida, por favor me qjude qual melhor compra? ou qual moto vc sugere?

    • Obrigado pelo comentário VAL,

      Tens experiência com motos speed? Tens vontade de andar muito acima dos 200km/h? A diferença basicamente é potência (e preço). Ambas são muito boas…

      Grande abraço,

      Roberto Severo

  3. Grande Roberto,

    Com certeza a suzuki não tem as motos mais rápidas do mundo, mas creio que eles foram os que tiveram o conceito “Potência e conforto” antes de qualquer outra.
    E algo que me encanta é que Suzuki é sinal de moto elegante. Você não precisa de uma moto que atinja 200 km/h em 6s,e sim de algo que chame a atenção e não te deixe na mão quando precisar.
    Excelente materia, e quanto a moto só alegria!
    Abraços

  4. Gostei muito do teste,esta Suzukona, mesmo defasada em relação ao modelo atual pela política de marketing da J. Toledo, é um show. E o som do escape,uau, that’s rock’n’roll. O preço deveria ser mais baixo pela defasagem de modelo. O representante desta marca insiste em tratar os brasileiros como seres de segunda classe, já que esta moto, a DL 650, a GSX 750 já sofreram atualizações que aqui não chegaram.

    • Boas Rocão,

      Obrigado pelo comentário, não sei qual é o motivo de existir esta defasagem, mas realmente há. Quanto ao ronco da “madame”, realmente é de respeito, e mostra para o que veio!

      Abraço,

      Roberto Severo

  5. Bela matéria só faltou falar que essa GSX1000R vendida aqui no Brasil é de uma geração anterior(inclusive a gsx750R, a vstron650, etc), a atual nem os dois escapes tem mais e tem freios monobloc brembo, um dos defeitos das gsx antigas.
    Ou seja numa categoria onde a evolução nunca para, comprar uma moto 2012 de geração anterior com preço cheio, me desculpe tem que ser muito burro.

  6. Caro Roberto:

    Desculpe, mas na minha opinião, você falou, falou, e não falou nada.
    Quer dizer, tudo bem que a matéria ficou uma “Matéria altamente profissional…show!!!” como o colega disse acima, mas gosto muito mais quando você coloca sua opinião pessoal nos testes e opiniões.
    Gosto muito dos seus textos e das suas opiniões. Você consegue trazer para perto da gente motos que normalmente não conhecíamos nem cogitaríamos, e que provavelmente nunca vamos ter, pois aqui tem a oportunidade de usá-las e compará-las.
    Nós não podemos fazer isso. Mas aqui, no mundo real é isso que fazemos o tempo todo, não é mesmo? Mesmo que as vezes comparamos alhos com bugalhos. Como uma Big trail com uma Custom. Ou uma Sport Touring com uma Naked.
    Ninguém no dia a dia fica comparando somente dentro de categorias, só esportivas, só estradeiras, só nakeds, etc. Comparamos motos diferentes, que estarão ao nosso alcance financeiro. É assim que vamos gastar nosso suado dinheirinho.
    É isso que senti falta no seu texto. Gosto quando você dá um toque pessoal aos artigos, quando dá nome as motos, quando faz uma ligação emocional com elas, e usa do seu gosto mesmo para dar uma opinião ao usar determinada moto por um período de tempo.
    Pois tenho o grande problema de me ligar emocionalmente a todas as motos que experimento, e percebo que muitas vezes você é assim também.
    Gostaria de ter essa oportunidade de fazer isso que você faz também, para ter acesso a tão grande variedade de motos, e ficar com a cabeça cheia de dúvidas sobre quais motos vou querer ter na minha garagem. E por isso o invejo estar na sua posição (no bom sentido, claro).
    Você nos dá a oportunidade de nos tornamos íntimos das motos que não temos, através dos seus belos textos. E eu lhe agradeço por isso.
    Se dependesse de mim, minha garagem seria bem grande. Mas aí infelizmente aí minha mulher largaria de mim, e ainda quero ter o melhor dos dois mundos também.

    Abraços

    Junior

    • Junior,

      Muito obrigado pelo comentário. Realmente agregou. Você deu um feedback completo, e investiu tempo nisso. Li três vezes! Está anotado e será lembrado nos próximos textos.

      Continue nos lendo e fornecendo feedbacks! Mas tenha em mente que precisamos ter equilibrio em tudo… E nós motociclistas sabemos mais do que ninguém o que esta palavra significa, certo?

      Grande abraço,

      Roberto Severo

  7. Não sei por que as esportivas não tem indicador do nível de combustível.

    Favor testa estas:

    YAMAHA R1
    HONDA CBR 1000RR Fireblade 
    SUZUKI GSX-R1000
    DUCATI 1199 PANIGALE
    BMW S 1000 RR
    KAWASAKI NINJA ZX 10R-ABS
    MV AGUSTA F4
    KTM RC8R
    APRILIA RSV4 Factory APRC/RSV4 R APRC
    BIMOTA DB7

    • Olá Érlison,

      A maioria tem um odômetro que mostra quando elas entram na reserva.

      Não sei se entendi com a relação que você postou, mas a Fireblade, GSX-R1000 (esta), Kawa ZX-10R já foram testadas.

      Abraço!

      Roberto Severo

    • Marios,

      muito grato pelo comentário! Nós do Best Riders gostamos que vocês gostem. E adoramos escutar o que podemos melhorar.

      Abraço,

      Roberto Severo

    • Olá Dênisson,

      Obrigado pelo comentário!

      Realmente a carga tributária é cavalar, e é transferida diretamente ao consumidor final, este é principal ofensor!

      Abraço,

      Roberto Severo

    • Opa Zeca,

      Aprecio muito tê-lo como leitor meu amigo. Gosto muito de saber sua opinião, afinal também é amante e praticante de “Motor Sports” (Kart).

      Grande abraço,

      Roberto Severo

  8. ta, vc flw flw e flw, mas a moto se comparada com outras mil, por exemplo a ninja, ela fica lah pra trazzzzzzzzzzzzz, em todos os quesitos, estetica, motor, freios, tecnologia, valor de seguro, revenda, etc etc etc, ou seja, suzuki e yamaha estao dormindo no tempo. boas motos, mas atraz de kawa e bmw.

    • Olá Rodrigo,

      Pois é my friend, concordo com você que em alguns quesitos a ZX-10R ou a 1000RR alemã superam a SRAD, exceto nos pontos positivos que ressaltei e que senti “na pele”, agora, o texto não se propõe essencialmente a compara-la com a concorrência, tô falando da grandona da Suzuki, mas agradeço sua opinião comparativa. Sua opinião entra naquela parte em que falo que os pontos positivos da SRAD podem ser negativos nas pistas. Lá as concorrentes podem se dar melhor.

      Tá falado e continue comentando.

      Abração

      Roberto Severo

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