Teste do mês: A pequena Ninja foi para a estrada, confira como ela se saiu

4
1437

Eu fui o designado para a dura tarefa de passar a terceira semana de avaliação com a Ninjinha. Particularmente, eu não sabia o que esperar desta moto, então resolvi pegar um bom misto de estrada e cidade para poder passar, a vocês leitores, os prós e contras dessa moto que tanto me surpreendeu.

Na minha história sobre motos, passei boa parte dela pilotando na terra já que, desde pequeno, meu contato foi sempre no off-road. Até hoje meu grande lazer é pegar uma boa pista de motocross ou trilha no final de semana. Para o dia a dia em São Paulo também optei por usar uma moto trail, ou seja, como vocês já puderam perceber, as chances de que eu não gostasse de uma moto carenada de 250 cm³ era muito grande. Mas na prática não foi bem assim que aconteceu, vou explicar melhor.

Sexta-feira, no fim do expediente, peguei a Ninjinha para voltar para casa e dar início a uma “dura” semana de testes. Logo nos primeiros metros da Marginal Pinheiros já pensei, caramba que ronco legal que tem esta moto! Até então, a posição de pilotagem não tinha me incomodado em nada, conforme eu havia imaginado que aconteceria. Meus planos para a pequena Ninja eram viajar até o interior, mais precisamente para a cidade de Cesário Lange, localizada no interior paulista, aonde minha família possui um sítio e gosta de aproveitar o final de semana. Não teve jeito, olhei aquele abacate 250 na garagem e, meio desconfiado ainda, decidi cair na estrada. Os primeiros quilômetros foram surpreendentes, nunca na minha cabeça teria cogitado comprar uma motocicleta deste estilo, mas, mesmo após poucos quilômetros, eu já estava começando a mudar de ideia.

O som produzido por este bicilíndrico é uma verdadeira sinfonia. Em baixas rotações, este modelo não empolga e comporta-se como um mero meio de transporte, mas, em compensação, em altas rotações a emoção é a de estar pilotando uma verdadeira Ninja. Até 6 000 giros é realmente chocho, mas depois disso fica bem interessante. De 0 a 100 km/h, ela demora 7,9 segundos, o que é praticamente o mesmo tempo que  um Honda Civic SI de quase 200 cv leva para cumprir a prova. Dá pra entender porque eu gostei tanto deste motor, que parece ser de maior cilindrada e passa muita emoção ao condutor. O motor da Ninja é muito bem balanceado e transmite pouquíssima vibração, atribuindo conforto na viagem. Algo que eu gostaria de citar é o fato da Kawasaki optar por comercializar em nosso país motos para quem gosta de motos. Você já reparou que todas elas são para verdadeiros motociclistas?  Uma moto que confirma meu pensamento é a Kawasaki D-Tracker, que me impressionou justamente pelo mesmo ponto. Motos fabricadas com ênfase na qualidade, emoção e uma boa dose de tempero.

Afim de testar a moto mais a fundo, resolvi desviar um pouco a minha rota, o destino? Pirapora do Bom Jesus — lugar ideal para desenvolver boas curvas —, local onde pude confirmar outro ponto positivo da pequena Ninja: a boa capacidade de deitar — mesmo achando a frente muito mole. Nas frenagens mais arrojadas isso se confirma já que sentimos a suspensão dianteira dando fim de curso em algumas situações. Admito que o trajeto de Pirapora foi bastante divertido, mais do que eu poderia imaginar para uma moto de 250 cm³. De volta à minha rota, voltei para a Castelo Branco, e na rodovia, aproveitei para esticar o bicilíndrico. A 120 km/h a sensação é boa e a posição de pilotagem é mais agradável do que aparenta. Em nenhum momento senti algum desconforto ou cansaço, e, devido a carenagem que cumpre muito bem a sua função aerodinâmica, a sensação era a de estar muito mais devagar do que eu realmente estava. Apesar de parecer pequena, a bolha cumpre bem o seu papel de desviar o vento do piloto quando “carenamos” na moto.

Falando do visual, na minha opinião ele é bastante diferenciado — o que eu acho muito bom —, contudo, para os conceitos atuais, ele esta um pouco desatualizado. A começar pelo painel, que encaixaria muito bem em qualquer moto dos anos 80. A carenagem é bonita, mas é comum, e o farol tem um formato que também não me agrada. Por outro lado as cores disponibilizadas pela marca japonesa, são bastante chamativas… e uma moto diferente não poderia mesmo ter cores comuns. O tradicional verde Kawasaki, o impactante preto brilhante, o vermelho e o azul metálico, muito bonitos também. Visualmente a pequena Kawa aparenta ser uma moto de maior cilindrada e chama muita atenção por onde passa, principalmente no interior. Os espelhos retrovisores são outro ponto negativo já que por mais que você os regule, só irá enxergar o próprio braço.  Também senti falta de um marcador de combustível, e, como sou um pouco desligado, fui surpreendido pela luz da reserva. Refletindo mais um pouco, eu concordo com o que o Gabriel disse no seu texto anterior em relação à qualidade da Ninja 250. Realmente ela não fica devendo em nada para as suas irmãs de maior cilindrada. Com certeza ela é da mesma ninhada!  Se o motor me agradou, o câmbio impressionou. De todas as motos que eu já pilotei, essa foi uma das top 5 no quesito câmbio. A alavanca é do tamanho certo, os engates são macios e a precisão sublime. Os freios também me agradaram, ambos a disco, são muito fáceis de dosar e permitem uma boa frenagem. Devido a estes atributos, eu não vejo hoje nenhum concorrente à altura para ela.

Ainda na estrada fui pego de surpresa por uma chuva bastante forte, e nela pude provar os pneus com piso molhado. À primeira vista eu imaginava que seriam ruins, especialmente devido ao seu desenho, mas, na prática, eles se mostraram eficientes. Exceto pelo fato de estar com as partes baixas molhadas não tive problemas, e assim segui viagem. De volta a São Paulo, pensei que deve ser difícil arrumar uma namorada (ou manter uma)  se você tiver uma Ninjinha por dois motivos: o primeiro é que ela chama a atenção da mulherada por onde passa e, a segunda, é que andar na garupa deste modelo é extremamente desconfortável. Encarar uma viagem na garupa é castigo. O banco é minúsculo e duro, não há qualquer alça de apoio e, para dificultar ainda mais as coisas, a altura das pedaleiras deixa o deslocamento ainda mais desconfortável.

Após 450 quilômetros eu obtive o meu veredito: a Kawasaki Ninja é uma motocicleta de respeito e apesar de sua baixa cilindrada, seu desempenho é excelente.  Tanto na cidade quanto na estrada a pequena se sai muito bem. Seu baixo peso, aliado a uma boa agilidade, garantem uma locomoção rápida por dentro das grandes metrópoles, e, por incrível que pareça, é excelente para o uso diário, seja para ir à faculdade, ao trabalho ou até mesmo a padaria. Se você procura diversão, não desconsidere este modelo. Seus componentes são de alta qualidade e o visual a diferencia das demais. Antes de pilotá-la eu considerava o seu valor muito alto — 15.550 reais —, mas hoje, depois de conhecê-la melhor, até acho justo. Quase caí da cadeira quando vi que o modelo 2010 está sendo comercializado por R$ 13 990 (até durarem os estoques), mas contive a empolgação e corri para a internet acessar o saldo da minha conta. Bom, agora é torcer para que os estoques não acabem enquanto eu consiga juntar os 13 000 que faltam… e tem gente que ainda acha que jornalista ganha bem.

Bom, se você possuía a mesma opinião que eu em relação ao desconforto na pilotagem, não a julgue, experimente este modelo, que você irá se surpreender. Infelizmente passo agora a roda para meu companheiro de equipe Pablo Berardi, excelente piloto, poderá transmitir, uma boa avaliação para vocês e espero que ele possa se divertir tanto quanto eu, até a próxima.

Fora de seu habitat. A Ninjinha até passou por canaviais em Cesário Lange

4 COMENTÁRIOS

  1. PARABÉNS FELIPE

    è isso aí amiguinho essa NINJINHA é de + msm,
    vamos ver quem sabe se a KAWASAKI lança logo NINJA MÃE,,,,,,,,,,,,digo NINJA 500cc aí sim vai ser da hora.

    gde abço.

    ZEBRA

    ah obrigado por divulgar nossa CESÁRIO LANGE.

  2. Parábens pelas matérias, principalmente da “NINJINHA”.

    A KAWASAKI acertou em lançar esta moto no mercado brasileiro,

    demonstrando querer agradar, não só em termos visuais, como em qualidade.

    Atenção!!! Yamaha e honda.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


+ sete = 9