“Para ser global primeiro precisamos ser locais”, diz Wandell

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Fotos: Eduardo Coutelle

“Investimento em crescimento, melhoria continua, meio ambiente e sustentabilidade”. Esses foram os quatro pontos destacados pelo CEO da Harley-Davidson, Keith Wandell, para o futuro da marca no mundo. Wandell esteve presente na inauguração da nova fábrica da HD em Manaus, evento que ocorreu na manhã da última segunda-feira (26) e que contou com outras figuras importantes da marca no Brasil e no mundo.

Mesmo sendo a principal estrela do lançamento, a permanência do americano foi breve. Sempre bem disposto, respondeu a maioria das perguntas dos jornalistas na coletiva de imprensa que durou aproximadamente uma hora.

“No final de 2009 apresentamos as estratégias para os anos futuros. Nosso trabalho agora é fazer que nossa atividade permaneça sempre relevante”, disse ao iniciar sua apresentação.

Na sequência, Wandell destacou a preocupação da HD em estar atualizada com as demandas mundiais e com todas as culturas locais.

“Em cada região do mundo somos muito bem aceitos. Nosso projeto é crescer rapidamente até 2014 e abrir de 100 a 140 novas concessionárias. E como desenvolvemos produtos relevantes de mercado? Trazendo produtos novos e de qualidade para os clientes”, revela.

Sentado ao lado de Wandell, o vice-presidente da Harley Davidson para América Latina, Mark Van Genderen, destacou a importância do Brasil para a marca americana no cenário global. Segundo ele, o país é o maior consumidor das motos HD da América Latina, fato que pode ser facilmente compreendido pela atual condição econômica e pela facilidade em adquirir crédito.

“O Brasil tem forte a cultura da motocicleta e tem um mercado muito grande a ser explorado. Vendemos nossas primeiras unidades aqui na década de 20. Atualmente, montamos 18 modelos nessa planta. A proposta é entregar as motos certas para os clientes certos no momento certo”, completa.

No cenário brasileiro, Longino Morawski é um dos principais nomes da marca. O diretor-superintendente comercial da HD Brasil reforçou o que os clientes já tinham percebido: a dificuldade para se encontrar assessoria técnica especializada e reposição de peças no mercado. Esse será o ponto crucial deste ano para a marca. E para isso, Longino conta que foi construído um armazém de peças, com mais de 15 mil itens diferentes de todos os 18 modelos da Harley. Com isso, o proprietário terá a vida facilitada. Ele receberá as peças solicitadas em até dois dias úteis. No caso das importadas, esse prazo se expande para 20 dias.

“Abrimos 10 concessionárias e um Centro de Treinamento Técnico. Temos um line-up com 18 modelos nacionais e um importado (isso sem considerar as duas motos montadas especialmente para as forças armadas brasileiras). Nosso ideal é uma rede forte, bom pós-vendas, line-up de mercado e uma fábrica moderna”, diz.

E completa: “Iniciamos o ano em quarta, quinta marcha e acelerando”, afirma Longino.

Para corroborar o breve crescimento da montadora no Brasil, está prevista a inauguração de mais seis concessionárias da marca em diversas cidades do país.

Com todos esses fatores unidos, a HD já apresenta uma pequena linha crescente do número de emplacamentos no país. Em 2010 foram 4.053 unidades. O ano passado totalizou 4.322. E os dois primeiros meses de 2012 não ficam para trás. A média mensal de janeiro e fevereiro ficou em 500 unidades emplacadas. Este é o atual número de produção da fábrica brasileira. Todas as motos montadas são feitas sob encomenda. Mas isto não quer dizer que este número seja a capacidade final da fábrica. Longino despista e não quantifica o potencial da linha de montagem. Ele revela que será o mercado que definirá o número de motos produzidas no Brasil, e que a planta, nas atuais condições, poderia montar até 600 unidades já para o mês de abril.

“Estamos trabalhando com apenas um turno. Poderíamos abrir um segundo caso seja necessário. Se o mercado demandar, produzimos mais. Não posso precisar quanto porque é o mercado que vai definir”, diz.

Fotos: assessoria de imprensa da HD

A palavra ‘montadora’ é o termo mais adequado para a nova planta da HD em Manaus. Isso porque todas as peças são importadas dos Estados Unidos e chegam prontas, pintadas e até adesivadas. O diretor-superintendente industrial da HD Brasil, Celso Ganeko, é o responsável final por todas as ações que ocorrem dentro do galpão de 10 mil metros quadrados. Sob sua responsabilidade já foram montadas e repassadas às concessionárias cerca de 25 mil motos desde que a marca começou a operar no Brasil. A atual média diária é de 30 unidades, que demoram de 14 minutos a 35 minutos para serem montadas pelos 110 colaboradores da fábrica.

O galpão da fábrica tem um espaço destinado ao almoxarifado de 4,4 mil m². Lá ficam todas as peças que compõe cada uma das motos produzidas. O interessante é que elas vêm totalmente desmanchadas. Por exemplo, o guidão chega em caixas separadas dos manetes e cabos de freio e embreagem. Em outro canto fica o coração da planta: a montagem dos motores. Oito dos operadores mais capacitados montam individualmente cada motor, do princípio ao fim, em um processo que demora de 1h20 a 2h30 para ser concluído.

Em seguida, eles são encaminhados para a linha de montagem, local em que a moto ganha vida. Após receber as demais peças, cada unidade é testada individualmente em um processo de inspeção de qualidade. Todos os detalhes são conferidos. Em seguida o último estágio: o teste de rodagem. Todas as HD, independente do modelo, percorrem de quatro a seis quilômetros em uma cabine fechada de rolamento denominada Road Test.

Após todo esse processo realizado, o leitor poderia se perguntar: porque a HD não aproveita a atual planta para aumentar o número de unidades montadas e exportar para países vizinhos? Todos ganhariam: maior a demanda, mais funcionários e empregos diretos e indiretos, mais renda distribuída. Entretanto, isso é impossibilitado devido a um entrave legal. Pelo fato de a HD receber benefícios fiscais para operar na Zona Franca de Manaus todas as unidades produzidas aqui só podem ser vendidas no Brasil.

E isto não é um problema para a Harley. O CEO da HD, Keith Wandell, afirma que nunca teve a intenção de exportar as motos produzidas daqui para os Estado Unidos. Isso porque todas elas são projetadas e pensadas levando em consideração as regionalidades.

“A gente entende que para ser mais global primeiro precisamos ser locais. Precisamos saber o que as pessoas de cada lugar esperam. E ainda assim a marca vai continuar a mesma. Isso pode ser traduzido de formas diferentes na China e no Brasil”, diz Wandell.

E essa mesma coisa que unifica a marca, o chefão da HD traduz em uma única palavra: ‘freedom’ (liberdade em inglês).

3 COMENTÁRIOS

  1. Ótima reportagem, foi bem além do basicão que costumam postar. A HD a cada dia melhora o atendimento de que tanto reclamamos e isso é bastante positivo.

  2. Estranho, pois para ser local, apenas como exemplo, o motor deve ser adequado a funcionar com o alto teor de alcool da nossa gasolina, não só em desempenho como em resistência à corrosão de seus componentes, mas se vem dos EUA sem nunhuma modificação, daquí a quatro anos vai “desmanchar”. Isto não ficou claro nesta reportagem, fica a dúvida se apesar de vir em CKD é modificado para nossa realidade.

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