Opinião: Um Balanço do Salão Duas Rodas 2011

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A opinião de um motociclista consumidor sobre o maior evento de motocicletas da América Latina.


Num ano em que a indústria brasileira espera comercializar no mercado interno 2 milhões de unidades no setor, o Salão Duas Rodas não poderia ter acontecido em melhor momento.

Se 2009 o Salão Duas Rodas pós-crise 2008 foi considerado morno, dado a incerteza, certamente, apesar da crise tida como certa na Europa e Estados Unidos parece não ser considerada pelo setor de duas rodas brasileiro que se mostrou muito, mas muito confiante no crescimento de toda cadeia produtiva, do fabricante ao importador de acessórios, peças e equipamentos.

Fabricantes/marcas

A Honda líder de mercado com 79% de share mostrou que não dormirá em berço esplêndido como aconteceu no setor automotivo, quando um fabricante alemã deixou de liderar o mercado por 30 anos e hoje luta para se manter em segundo lugar, sendo a marca que mais novidades apresentou em produtos e pós-vendas.

De uma só vez, a Honda lançou a CB 1000 R e a CBR 600 F, bem como, já avisou que importará a partir do primeiro trimestre de 2012 a CBR 250 R.

Sua concorrente direta é a Kawasaki Z1000

Sem sombras de dúvidas os lançamentos no Salão Duas Rodas, ação agressiva de marketing utilizando Facebook com a ação “Sonhe Grande” e um atendimento personalizado nas concessionárias com o projeto “Dream”, onde os consumidores Honda a partir de 450cc terão um pós-vendas diferenciado com serviços expressos, lavagens e vendas de acessórios, mostra que a Honda atuará em todas as frentes do mercado, quer seja no nicho popular desde as motonetas de 100cc, quer seja no nicho premium com produtos de alta cilindrada e atendimento diferenciado, fazendo frente a BMW e Kawasaki.

A eterna vice-líder no mercado Yamaha mais uma vez decepcionou e se mostrou um tanto tímida para o mercado brasileiro, apesar do lançamento da XT 660 Z Ténéré.

Diante de um passado não muito remoto, a pergunta que me faço é: será que a XT 660 R permanecerá no line-up da marca? Se todos falam em escala industrial, por que não manter XT 660 R, XT 660 Z e MT-03 na linha, como acontece no declinante mercado europeu?

FZ8 poderia ter sido anunciada, espaço há no mercado, mas...

Em seu estande como novidade foram apresentados os modelos V-Max, também mostrada no Salão Duas Rodas 2009, a FZ8 sucessora da FZ6, a esportiva R6, duas Scooters de 250 e 500 cm³ e toda sua linha já de conhecimento do público sem qualquer novidade, salvo com cores comemorativas dos 50 anos de motovelocidade e a XTZ 250 com nova cor azul como das irmãs Ténéré´s maiores 660 e 1200.

Trouxe ainda, a M1 utilizada por Ben Spies no Mundial de Motovelocidade.

A Yamaha buscou cativar o consumidor com interatividade, onde era possível ao público feminino pintar as unhas, receber massagens e para todos tunar as motos da marca.

Com a presença do Presidente Mundial, a marca manda o recado de que, como não poderia ser diferente, o Brasil está, ao menos, nos planos da companhia.

Na minha modesta opinião, nada deve acontecer antes de 2013, se acontecer. E até lá Dafra e Kasinski não devem ameaçar o segundo posto no mercado.

A Dafra apesar de quase uma recém-nascida, demonstra a que veio e acertadamente busca parcerias para lançar produtos de maior valor agregado que avançam no nicho premium do mercado brasileiro.

Um produto com qualidades aparentes.

Exemplo disso é o anúncio de mais uma parceria, agora com ninguém menos que a italiana MV Agusta que já comercializará três modelos montados em Manaus a partir de dezembro de 2011.

Já no nicho de baixa cilindrada anunciou três novos produtos: Riva 150, Roadwin 250 e Next 250.

A segunda parceria anunciada foi com a chinesa Daelim Motor que já resulta no modelo Roadwin 250 que vem disputar mercado com Kasinski Comet GTR 250, Kawasaki Ninja 250 R e futuramente com a Honda CBR 250 R, todas carenadas que remetem a esportividade.

A Riva é resultado da parceria com a chinesa Haojue, e a Dafra se dá ao luxo de dispor de dois produtos de 150cm³. Conversando com o Presidente da Dafra, Creso Franco afirmou que o novo produto não disputará vendas com a Apache (da Indiana TVS), já que a Riva tem característica para quem precisa rodar muito durante o dia e a Apache tem característica mais esportiva.

Já a Next 250 é uma Naked da Sym, mesma fabricante da scooter Citycom, que já vendeu 1.800 unidades em 2011, e que tem tudo para ser mais uma sucesso.

Por fim, a Dafra ainda apresentou uma bicicleta e um scooter elétricos. O scooter é um modelo idêntico a Smart.

Fazendo bastante barulho com seu crescimento e a chegada ao terceiro posto com 2,8% de share no mercado, agora empatado com a Dafra, a Kasinski apresentou quatro novos modelos de 150 a 700 cm³: Comet 650 GT (versão naked), Comet 150 S (naked), Comet 150 SR (carenada) e ST7 uma custom mais no estilo clássico que sua irmã Mirage 650.

Também lançou nova bicicleta elétrica e mostra grande apetite no mercado de duas rodas de poluição zero.

A BMW  fez o lançamento mundial do modelo G650 GS Sertão e mostrou o quanto o mercado brasileiro é importante no cenário da empresa.

Além da G 650 GS, a marca bávara lançou no Brasil outros três modelos: K1600 GT, K1600 GTL e R1200 R.

A marca tem comemorado muito, seu crescimento no mercado brasileiro que tem colaborado muito com os números globais de vendas da BMW Motorrad.

Sem qualquer alarde, a BMW tirou de seu line-up o modelo F 650 GS, que não apareceu no Salão Duas Rodas e não mais figura no site da empresa.

A marca demonstra total confiança no mercado nacional e já monta quatro modelos em Manaus em parceria com a Dafra: G 650 GS, G 650 GS Sertão, F 800 GS e F 800 R.

A Ducati lançou mundialmente a Streetfighter 848 e mostrou toda gama de produtos já comercializados no Brasil.

A marca tem muito potencial, mas…

A KTM estreou no Salão Duas Rodas mostrando todo line-up, demonstrando o grande interesse no mercado nacional e as atenções do público se voltaram para o modelo de 200 cc que será comercializado em torno de R$ 14.000,00. Apesar de ostentar a marca no tanque, o valor é salgado para a categoria das 200/300cc e em termos de acabamento chinês está muito aquém dos demais modelos da marca austríaca.

Harley-Davidson muito provavelmente teve o estande dentre os mais visitados, lançou 8 (oito) novos modelos e sua loja com produtos da marca como jaquetas, calças, camisetas ficou lotado o tempo todo e com preços longe do absurdo como era praticado num passado recente. A lenda está mais do que viva no mercado brasileiro e a recente disputa judicial com os antigos representantes em nada abalou a paixão pela marca pelos consumidores brasileiros.

Com dois lançamentos – Ninja 1000 e Concours 14 – a Kawasaki continua sua expansão e sendo a grande responsável, desde 2008, pela grande mexida no mercado de alta cilindrada, especialmente, pela “cutucada” na gigante Honda.

sua concorrente nessa briga de rua é a Honda CB 1000 R

Quem ganha com essa disputa, indubitavelmente, é o consumidor brasileiro que se tinha a Z1000 de R$ 45.000,00 a R$ 50.000,00 com ABS, agora tem a CB 1000 R de R$ 37.000,00 a R$ 40.000,00 com ABS, vamos aguardar cenas dos próximos capítulos dessa guerra de Samurais.

Quem falta nessa disputa, lamentavelmente é a Suzuki, que representada no Brasil, não trouxe nada de novo para o Salão Duas Rodas e nem merece nota.

Traxx que tem forte atuação no mercado nordestino e já conquistou 1,1% de share, com produtos de 50 a 125 cm³, tentar mostrar suas garras na categoria, que é a bola da vez no mercado nacional, 600cm³ com o produto Dune. Trata-se de uma Trail monocilíndrica que lembra alguns modelos de outros fabricantes.

Hoje o Brasil tem vários outros fabricantes made in China como Shinneray que apresentou sistema flex, Iros Motos que lançou três novos modelos e várias outras que tentam um lugar ao sol no já amadurecido mercado brasileiro.

Com 5 milhões e 400 mil unidades comercializadas em 2010 no mundo, a Hero Motocorp veio ao Salão Duas Rodas a procura de parceiro brasileiro para instalação de uma nova planta industrial, já que suas outras 3 na Índia detém capacidade para a produção de 6,15 milhões de motocicletas.

Necessário destacar a presença da fabricante espanhola Rieju com suas motos de 50 a 125 cm³ de 2 e 4 tempos com motor Minarelli e alguns modelos com suspensão Marzzochi e chassi em liga de alumínio, e bicicletas elétridcas e-bicy_Alu com chassi de alumínio, bateria de lítio e câmbio shimano.

Outra fabricante da península ibérica foi a AJP Motos, fabricante portuguesa há 20 anos no mercado europeu que desembarcou no Brasil em 2010 com produtos off road, com dez concessionários espalhados pelo Sul, Sudeste e Nordeste.

Outra grande curiosidade no Salão Duas Rodas foi com empresas voltadas ao transporte de pequenas cargas como Motocar e Fusco-Motosegura.

Peças e Lubrificantes

Os efeitos do aquecimento do mercado de duas rodas é sentido quando vamos para o setor que abastece com produtos para reposição e equipamentos como elevador hidráulico e desmontador de pneus, aqui destaque para Metalcava.

No Salão Duas Rodas alguns estandes chamaram atenção pela grandiosidade agressividade em chamar atenção do consumidor.

Nem todas serão mencionadas, já que havia ao menos dezenas de empresas fabricantes ou representantes disputando cabeça a cabeça o consumidor brasileiro ou prestadores de serviços.

O que me chamou mais atenção foi a japonesa D.I.D. e a brasileira Riffel com um mix de produtos como kits de transmissões e aros de alumínio.

A Yuasa com suas baterias, a RTO com retentores e a Nachi com rolamentos fornecidos a fabricantes, Brembo com a Perfect Motors, que também importa Bimota.

A japonesa NGK com seus já conhecidos produtos e a apresentação de terminal colorido, sensor de oxigênio, vulgo sonda lambda, buscou de alguma forma agradar o consumidor com mochila para quem carregava capacete na mão e clássico chaveiro que fica pendurado no pescoço.

No setor de pneus a presença de Pirelli e Metzeler com pneus para motocicletas de alta cilindrada, Rinaldi e Maggion com pneus para categorias de 100 a 250cc por si só demonstraram o interesse pelo consumidor, ausência sentida foi da Michelin que não deu as caras no Salão Duas Rodas, apesar de recentes lançamentos.

Voltando um pouco para bicicletas, a BigBike Veículos Elétricos empresa sediada em Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, apresentou kit de conversão elétrica com motor central para bicicletas.

Lubrificantes ponto para Motul que além de um estande gigante, fez tarde de autógrafos com pilotos da SuperBike Series.

Equipamentos

A disputa nesse mercado está acirrada e levará a melhor quem oferecer melhor qualidade por preço mais acessível.

O que pude notar foi à ausência de grandes lojas que estiveram presentes em 2009, isso demonstra que a alta carga tributária e a concorrência tem dificultado a permanência de lojistas, importadores e representantes no setor.

Por outro lado, surgem novidades, como novas marcas de capacetes e de vestimentas como a Kore que não nega sua origem paquistanesa, oferecendo jaquetas de couro e cordura, macacões, luvas e botas.

Aliás, cabe aqui um aviso: praticamente tudo que se refere a equipamento-vestuário de segurança é fabricado no Paquistão, mesmo as marcas famosas.

A Denko surge no mercado trazendo uma jaqueta air bag com material de publicidade dando ênfase a sua aprovação pela JARI – Japan Automobile Research Institute, que bom, isso significa que lá do outro lado do mundo o produto já pode ser vendido.

Marcas como Tutto Moto, SBK, Khepra marcaram presença mais uma vez com novidades em suas, respectivas, grifes.

No setor de capacetes as fabricantes Starplast (detentora das marcas Bieffe, Peels, Fly, Aris, One) e Taurus fizeram de tudo para chamar atenção do consumidor, mercado que vende na média 2 capacetes para cada motocicleta nova vendida.

Os capacetes de primeira linha como Nolan (agora com a Vaz), Shark, Arai, Shoei, AGV não fizeram qualquer ação para o consumidor, mas podiam ser vistos quietinhos em algumas vitrines.

A CET/SP esteve presente com um estande buscando conscientizar o motociclista em prol da vida e em respeito ao pedestre e ao ciclista, entregando material elaborado junto com a Honda e divulgado cursos, inclusive, por internet.

Por fim, me chamou atenção duas marcas que aparentemente nada tem haver com o motociclista, mas o quer como consumidor: a Rede Graal posto de serviços nas estradas e rodovias com forte presença nos Estados do Sudeste e uma única franquia em Gravataí –RS, cujo foco era ouvir o consumidor e Nivea que apresentou a linha “for men Silver Protect”, com uma exclusiva barbearia.

O saldo do Salão Duas Rodas 2011 para todo o setor e para a cidade de São Paulo que recebeu milhares de turistas é positivo, já que apesar de não ter dados oficiais, não ficarei surpreso se noticiarem que o público ultrapassou os esperados 250 mil visitantes.

Mas diante da demonstração da força do setor, devemos unir forças para diminuir a carga tributária, especialmente nos equipamentos de segurança.

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