O Teatro da Segurança

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O povo gosta de ter uma falsa sensação de segurança em relação às suas vidas.

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O Teatro da Segurança

É impressionante o quanto este aconchego tenta levar com que o povo acredite no Estado e nos anúncios que pregam cegamente uma segurança ficctícia. É a falsa sensação de segurança que nos assola diariamente, em campanhas, em leis discutíveis (lembram da lei da garupa?). O real objetivo destas leis parece ser tirar o foco de questões mais importantes, criar uma indústria onde ele mama nas tetas, e fazer com que o povo ache que o governo faz algo por ele. E o triste é que muitos acreditam sem questionar e ajudam a criar este ambiente de terrorismo. Pois é… terror e medo é o que os bandidos (e terroristas) querem, e é isso o que eles conseguem! Vivemos em um regime de pânico, paranóia e terror. Vendem preservativos para oferecermos aos nossos estupradores. Lembra do “estupra mas não mata” proferido por um Sr. que chegou a governar São Paulo? É isso.

Veja este aviso que me deparei no final de semana em uma loja dos Jardins (bairro de classe alta em São Paulo):

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Vão multar o ladrão? E no caso de reincidência o bandido tem que pagar “milão”! Tá então… Poderia deixar claro: “Sr. bandido, favor deixar sobre o balcão 500,00 (1000,00 se for uma segunda vez) para pagar a multa por assaltar nossa loja. Obrigado!”. Devolve o lucro do assalto (hahaha)! Para ser econômico por que não muda a placa para “Ë proibido roubar (pelo menos de capacete)”. E óculos escuros, pode? Gorro no frio? Grita da porta se pode entrar para o balconista? Hahaha! … Trágicômico…

Estas mazelas de segurança não são exclusividade nossa como país, nem do terceiro mundo. Quem já viajou para Londres, Paris, ou Estados Unidos, é obrigado a ler e escutar coisas do tipo: “If you see something, say something”. ou seja se você ver algo que “considere” suspeito, denuncie a alguma autoridade. “Bullshit” no maior estilo de criança apavorada com o terrorismo, gerando mais terror ainda! Pânico nos cidadãos comuns.

Imagine a cena: eu, um mero cidadão, sem o menor treinamento, acho que um senhor que acabou de estacionar sua moto mexeu de forma suspeita em seus bolsos, ou andou alguns metro com o capacete vestido. Vou a uma “toridade” e denuncio a um policial, que por causa desta campanha absurda se sente na obrigação de fazer algo. Pronto! Cana! Delegacia, interrogatório… blá, blá, blá… Não interessa se eu tenho instabilidade emocional, sou bipolar, ou mesmo tenho alguma rusga com o sujeito “suspeito”. Estou obedecendo ao que li e ouvi insistentemente, nas ruas, no metrô, no ônibus… É o Estado atribuindo sua função ao povo! Transferência de medo. É isso o que acontece… e dá até para escutar uma gargalhada estridente vindo de dentro de alguma caverna do Oriente Médio. O terrorismo nunca foi tão bem sucedido desde setembro de 2001. Mais efetivo do que explodir um prédio, é explodir um monte de mentes, e iniciar uma nova geração aterrorizada! Pago para ver como será está sociedade da geração WTC em 2020. Isso sim dá medo e pânico!

Voltando para os excessos da proteção de qualquer um de nós, em muitos casos existe uma indústria oportuna escondida atrás de campanhas que convencem que a compra de um ou outro objeto a ser agregado ao seu corpo vai garantir vida longa e próspera sobre duas rodas. Disse e repito: motocicleta é essencialmente inseguro. Escutaram? É INSEGURO! Assim como paraquedismo, “bungee jump”, homem-bala de canhão de circo e coisas correlatas. Dá para amenizar ou mitigar? claro… Mas não se iludam, por melhor que seja o capacete, por melhor que seja a jaqueta, calça, airbag (!!!!???), balão, salva-vidas. Motociclismo tem um risco maior, em troca da experiência (assim como pára-quedismo, bungee jump,, blá, blá, blá). É mais perigoso do que dirigir um carro, que por sua vez é mais perigoso do que andar a pé, que também é mais perigoso do que ficar em casa, que é muito mais perigoso do que ter nascido nascer.

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Sabe o que eu já vi anunciado? Uma jaqueta a prova de bala para motociclista ! É…!!!! E vai custar uns 2 paus e meio. Somos mestres em acreditar que é seguro cuidar da conseqüência e não da causa. A matemática é simples: cuidar da consequência requer menos investimento (melhor policiamento, ruas bem asfaltadas, infra-estrutura), e olhar para a causa recolhe mais impostos (sobre peças de reposição, equipamentos, etc…). Uma real inversão de alotes… É a história do marido que chega em casa e pega sua mulher traindo na cama. Sabe qual é a providência que ele toma? VENDE  CAMA!

Estamos acostumados a conviver com vendedores de cama… vendedores de preservativos para “estupradores” (ou de serviço de obstetrícia para a vítima), de corretores de “seguro de vida” para suicidas em potencial, enxugadores de gelo profissionais, limpadores de carvão certificados.

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E claro que o omisso Estado se esconde atrás da cortina de fumaça que ele mesmo espalha. Ao invés de se posicionar de forma responsável perante ao que realmente importa, fica procurando selinho do inmetro nos capacetes dos motociclistas em blitz vexatórias, ou aplicando multas nas ruas esburacadas da cidade. A falta de segurança que deveria preocupar não esta na moto ou no motociclista, está na esquina a espreita da sua moto, na garupa do assaltante que te rouba e dá pinote na sua moto. A ai de você se passar no sinal vermelho às 2:00 da manhã por questões de segurança. Se uma câmera do Big Brother te pegar, perdeu brother! Você ganha uma multa.

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Agora, a vida como ela é pode ser vista em um vídeo de repercussão global onde um policial acerta um ladrão de motocicletas que acabava de render o dono, e estava prestes a fugir. Tudo documentado pela câmera do capacete da vítima! Essa é a verdadeira insegurança que vivemos.

“…vai roubar agora no inferno maluco!…”

Keep riding!

1 COMENTÁRIO

  1. Roberto, muito boa coluna mesmo… As pessoas não pensam nisso tudo mesmo. Fica escondido….

    Parabéns mais uma vez de lidar com assuntos polêmicos. Parabéns ao Bestriders de publicar!

    Abraço,

    Marcos Garcia.

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