O que faz uma pessoa se tornar piloto de motovelocidade?

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*Por Bruno Corano

Para perguntas como essa não existe uma resposta única, tão pouco duas ou três variações. São inúmeros motivos, caminhos e formas que levam uma pessoa a se transformar em piloto de motovelocidade. E uma vez piloto, ainda existem inúmeras segmentações, não de categorias, mas sim de perfis de atletas.

Seria impossível listar todas as origens dos pilotos, mas sempre observei, conversei e li que a primeira divisão vem através do seguinte corte.

Alguns (a infinita minoria no Brasil) começam cedo, antes dos 12 anos, e nesse caso notoriamente existe uma referência ou estímulo de alguém muito próximo, em geral o pai ou um tio. Não só estimula, mas também viabiliza. Nesses casos os psicólogos dizem que o atleta muitas vezes nem sabe ao certo se foi uma escolha ou se ele foi direcionado para aquilo. Conhecem aquela situação em que o filho é corinthiano porque segue o time do coração do pai? Parece engraçado e não conseguiremos nos aprofundar aqui, mas funciona exatamente assim.

Vamos mencionar dois exemplos. Valentino teve seu pai como referência, o qual incentivou e lhe aproximou do esporte. Talvez se o pai fosse bailarino, Valentino tivesse seguido o mesmo caminho. Outro exemplo é o jovem brasileiro Eric Granado.O caso é muito parecido com o de Valentino. Seu pai, Marcos, também ex-piloto, introduziu logo cedo o filho no mundo das pistas. Se esses pais transportam e projetam seus sonhos nos filhos é outro assunto que não é o tema de hoje.

Não vamos ser hipócritas em dizer que essas crianças fizeram suas próprias escolhas. Comprovadamente, pela psicologia, não é simples assim. Crianças são sugestionáveis, influenciadas com extrema facilidade. Até alguns adultos são. Pergunte a uma criança se ela não quer entrar em um mundo que aos olhos externos é glamouroso, técnico e desafiante. Claro que a resposta será sim. E não pense você que por ser criança que essa leitura subliminar não é feita. Se sabe que crianças com apenas três anos já tem um grande discernimento. Poucas crianças não terão atração por esses inputs. Ou melhor, poucas crianças terão coragem de dizer que não se interessam. Diriam isso somente se tiverem muitas outras opções, ou porque não serão punidas pelos pais que sabem realmente deixá-los à vontade (existem aqueles pais que acham que deixam os filhos à vontade). O fato é que elas entram nesse universo e nem sabem ao certo porque e como. Por isso é tão comum jovens talentos simplesmente sumirem do mapa quando viram adultos e passam a realmente fazer escolhas. Ao mesmo tempo, existem aqueles que se adaptam e se desenvolvem no ambiente em que foram lançadas. O fato é, não existe certo ou errado, apenas variações. E não existem dúvidas que o esporte, se levado a sério, agrega muito na formação de todos.

A outra parcela são os adultos que já velhos ingressam no esporte. Quando falo velho é qualquer idade acima de 22 anos. Hoje os esportes são tão precoces que, de certa forma, quem não começa cedo sempre está correndo atrás do prejuízo.

Dentro desse grupo a lista não teria fim para traçamos o perfil dos pilotos. Muitos trazem sonhos, frustrações, necessidades de autoafirmação, auto-projeção, status, gosto pela competição, gosto pelo desafio. A verdade é que essa parcela de pilotos entra por uma porta muito delicada, que tem uma placa dizendo supostamente o seguinte: Salão dos egos, de vaidade, de ostentação e entre outros aspectos. Muitas vezes esses valores deixam em segundo ou terceiro plano o real sentido do esporte competitivo, que é a superação, a disciplina, a justiça, a cordialidade, o respeito, a forca de vontade, o controle emocional e muito mais.

É interessante mencionar que quando o piloto começa tarde significa que ele já era motociclista de rua, e quase sempre daquele tipo maníaco, que anda acima dos 250 km/h nas estradas o tempo todo.

Nesse ponto é interessante comentar os curiosos casos que encontramos. É verdade que para se migrar para as pistas é necessário de um pouco de dinheiro, tempo e disposição para enfrentar desafios. E aqueles que reúnem esses ingredientes, além de outras características, participam hoje do SuperBike Series Brasil, maior campeonato da America Latina que conta inclusive com várias categorias amadoras. Lá se comprova o lado belo do esporte. Todos dentro de cada um dos seus limites, seja de idade, disposição, aspiração, dinheiro. Dão o melhor, e verdadeiramente entram em contato com o ponto máximo que o esporte nos proporciona que é a superação, a aceitação dos limites, a capacidade de administrar emoções, entre tantas outras coisas. Vemos pilotos que começaram a correr com 55 anos. Vemos pilotos darem seu máximo, e entrarem em contato com os seus limites, mesmo que isso represente 15 segundos a mais por volta que um piloto profissional de ponta. Isso mostra que essencialmente todos com esse perfil são atletas.

Lógico que a aspiração de um executivo, casado, três filhos, tendo que trabalhar na segunda e com 52 anos será diferente de um piloto profissional de 30 que ganha para acelerar. O fato é que na essência ambos estão dando seu melhor e aí está a beleza do esporte. É exatamente nesse ponto que eles se assemelham. O que faz eles se tornarem pilotos?

Será uma pergunta sem fim, mas certamente esses pilotos compartilham visões e sentimentos semelhantes.

Mas quem lê esse tipo de artigo quer informação clara, verdadeira, sincera. Então não posso deixar de falar que muitos vão correr sem saber exatamente porque. Não querem chegar a lugar nenhum. Muitas vezes querem apenas se exibir, e nesse caso ficam notoriamente identificados aos olhos de um crítico do meio. Ainda assim em qual ambiente ou esporte não existe esse tipo de perfil? Talvez esse seja mais um desafio: aprender a conviver com todos os tipos de colegas e fazer disso um prazer, uma compreensão.

A verdade é que  para me aprofundar em um tema tão profundo eu teria que escrever um livro e não somente um artigo. Andar de moto com performance é marcar hora para expor suas emoções, aceitar riscos e brincar com uma balança que mistura incômodo, desconforto, dor, medo, e também por outro lado, prazer, realização, superação e muito mais.

E como tudo na vida, o segredo está em nossa mente. Nossa idade, peso e outros fatores importam pouco.

Nos mais de 5 mil alunos que formei no Brasil na MotoSchool onde sou instrutor chefe, muitos perceberam que sem se expor a um risco desnecessário, sem gastar mais do que se pode, sem precisar conturbar sua agenda é possível praticar esse esporte que tanto vem crescendo no país. Faço esses comentários pois aqueles que são conscientes, gradativos, dão tempo ao tempo raramente se machucam e nem por isso não se desafiam, não se exigem. Aqueles que não podem gastar muito optam por categorias que com menos de R$ 5 mil ao ano se corre uma temporada. E quando a pessoa quer mesmo, ela passa a cuidar do físico, da mente, supera os obstáculos de agenda e tudo mais. Quantos executivos não vão aos treinos de sexta porque não podem faltar no trabalho? Mas nem por isso deixam de estar no sábado dentro da arena fazendo parte deste grande circo.

No próximo artigo abordaremos os benefícios que esporte proporciona ao praticante.

11 COMENTÁRIOS

  1. Quero muito me tornar um piloto profissional, tenho 18 anos e Amo Moto mais que tudo nesse mundo.. Se puder me ajudar a iniciar serei muito grato pela ajuda.. Parabéns pelo Artigo.. Sensacional

  2. ola bruno eu só um desses pilotos de rua maniaco qui gosta de andar a 250kh o tempo todo qui você falo eu tenho 20 anos e só apaixonado por moto e velocidade. Eu também quero saber como faço pra me tornar um piloto de moto velocidade quiria saber se você pode me ajudar???? A e aproposito seu artigo ta muito top

  3. ola amigo gostaria muito de saber como poderia entrar para uma equipe de moto velocidade pois quero me tornar um piloto gostaria de obter respostas positivas sobre o assunto pois isto é meu sonho sei que nasci para correr e para isto preciso de ajuda obrigado

  4. Caro amigo bruno
    Ola bruno eu tenho 13 anos e meu sonho e ser piloto de moto velocidade tenho receio de contar para meu pai isso mas eu estou pronto para falar para ele sobre isso e eu presciso de algumas respostar de como comecar minha carreira. Muito obg
    Zorinha

  5. Belo texto Bruno. Eu possuo o vermezinho de querer correr de moto, e aqui no estado (Ceará) há uma categoria de 125cc, que se gasta entre 2 e 5 mil/ano para correr. Estou correndo atrás para entrar.
    O maior problema aqui é a falta de oportunidade de correr na pista mesmo, o que me leva a sair nos sábados de manhã bem cedo e procurar pistas desertas para “treinar” posicionamento e outros fundamentos, na minha 250. Me dá um prazer imenso conseguir entrar numa curva mais rápido, inclinar, esterçar… Com fé acho que próxima temporada consigo algo.

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