O preço de uma “plugada”

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Olá, pessoal!

Quem trabalha com mecânica sabe que, no dia a dia da oficina, ouvimos dos clientes as mais diversas dúvidas, e sobre uma infinidade de questões. Por ser uma ferramenta cada vez mais utilizada, principalmente depois que a eletrônica passou a ser usada de forma maciça nos modelos mais novos, muitos de nós já nós perguntamos para que realmente serve um scanner. Normal, essa fundamental ferramenta serve para tanta coisa que a gente se confunde mesmo.

O scanner é um computador com um programa capaz de ingressar na ECU (unidade de controle do motor) e fazer a leitura dos sensores da motocicleta, acusar erros de trabalho e apagá-los. Hoje há tantos modelos e tipos, que até para mecânicos experientes é difícil decidir qual adquirir. Em uma época em que a injeção eletrônica já está presente na maioria das motocicletas comercializadas no Brasil — das pequenas 125 cm³ até as enormes 2300 cm³ — o scanner tornou-se o braço direito do técnico.

Os scanners de hoje monitoram — e, em alguns casos, permitem até regular — uma infinidade de sensores e atuadores: injeção, ABS, imobilizer, controle de tração, pressão de óleo, pressão de combustível, compressão dos cilindros, e acredite, até a tensão da correia de alguns modelos de moto pode ser ajustada com alguns scanners. Tamanha é a quantidade de recursos oferecidos pelos scanners, que alguns modelos trazem até um vídeo explicativo, indicando o lugar especifico do conector e apresentando o diagrama elétrico principal da motocicleta testada. Ainda assim, é errado o motociclista acreditar que o scanner vai consertar sua centralina queimada, ele apenas vai falar para o técnico que o problema é nela. Mas pode acreditar que, com centenas de motos diferentes precisando de assistência técnica, contar com esse tipo de informação é muito bom para o técnico.

Aproveito para esclarecer uma dúvida muito frequente: O módulo de injeção é uma coisa totalmente diferente do scanner, já que não atua como tal. Ele simplesmente faz a leitura de alguns sensores, TPS (sensor de borboleta), sonda lambda, etc., e, baseado nas informações que recebe corrige alguns valores, modificando o CO (monóxido de carbono) em baixa, por exemplo. A maioria das injeções de hoje armazenam os erros ocorridos — mesmo quando já foram resolvidos —, e depois transmitem para o scanner. Alguns sistemas informam até a data em que o defeito ocorreu, o que ajuda o técnico a resolver um possível problema repetitivo. A maioria permite imprimir um laudo do que foi feito na motocicleta de forma que o proprietário possa ter um histórico dos serviços executados em cada “plugada”. Um recurso que faz muita diferença na hora de negociar com o cliente e que proporciona uma imagem mais clara e, principalmente, profissional do serviço prestado. Imaginem limpar 18 erros de uma centralina e ter de escrever tudo isso na Ordem de Serviço.

Alguns clientes acham caro o que as oficinas cobram para passar o scanner “só para apagar a luz de advertência no painel da moto”, mas o que eles não sabem (ou sabem e não consideram) é que surgem muitos modelos novos anualmente no Brasil — sejam eles nacionais ou importados — e para que o técnico se mantenha atualizado, precisa investir no aparelho e em cursos para saber trabalhar com eles. Cursos esses que muitas vezes são realizados fora do país. Além disso, o técnico tem de saber como funciona a atualização do aparelho (muitas vezes, paga-se por isso), a cada quanto tempo deve ser feita, se e feita pela internet ou por cartão,(e se o cartão e comercializado no Brasil), e outras coisas mais. Em outras palavras, podemos ver que para uma oficina conseguir adquirir o equipamento, mantê-lo atualizado e operado por um técnico capaz de interpretar — e trabalhar — as inúmeras informações que uma simples “plugada” entrega, há por trás disso um custo bastante significativo.

Atualmente existem algumas empresas que importam scanners para moto e para carro, outras já fabricam por aqui mesmo, e ainda brindam apoio técnico no Brasil. Um exemplo de utilização do aparelho é no famoso Controlar (vistoria anual obrigatória realizada em São Paulo que fiscaliza a emissão de gases poluentes dos veículos). Junto com o analisador de gases, o scanner consegue mudar alguns valores da Centralina, ajudando a motocicleta no teste de emissão de gases.

Existem scanners portáteis muito pequenos, do tamanho de uma caixa fósforos, mas que são muito específicos e limitados; há também aqueles do tamanho de uma caixa de sapatos, mais complexos e completos, enquanto outros devem ser instalados em um PC.
Agora, se você está interessado em comprar um scanner, seja para algum modelo específico ou um “multimarca”, precisa se assessorar muito bem e perguntar muito, pois o investimento é alto, e o retorno é lento. Informe-se direito sobre as marcas e modelos que o scanner trabalha, pergunte quais conexões que ele traz junto porque se você trabalha com motos japonesas, por exemplo, não adianta comprar um aparelho superatualizado que só traz os cabos para as motos europeias. Pergunte tudo! Na dúvida, ligue para algum mecânico amigo que já trabalhe há um tempo com scanners. Ele pode evitar que você faça uma compra errada.

Quando falamos de valores, um scanner básico (que normalmente só atende um modelo de uma determinada marca) custa na faixa de R$ 400 enquanto um multimarca mais completo chega a custar até R$ 20 000. Como podemos ver, o scanner é uma ferramenta cara, o que deixa ela como exclusiva e necessária para as oficinas, não para o proprietário do veículo, por ficar muito fora do custo-beneficio.

Dando um exemplo, um scanners como o TEXA, que a Magneti Marelli comercializa oficialmente no Brasil, e muito completo e vem prontinho de Europa. Traz um manual de utilização em fotos e vídeo, diagrama elétrico geral dos modelos que atende, etc. Outro scanner que esta ficando bom e o da Tecnomotor, empresa que tem uma experiência muito boa com carros no Brasil mas que entrou no mercado das motos há pouco tempo e, por isso, ainda tem poucos modelos. Sei que a atualização do aparelho vai ser paga, mas ainda não há valores definidos. Esse modelo é um produto 100% brasileiro.

Por isso, dá próxima vez que aparecer aquela ferramentinha no painel da sua motocicleta indicando que e necessário realizar a revisão de “X” km, saiba que é o scanner que se encarregará de apagá-la. Contudo, há muita tecnologia, profissionalismo e investimento por trás disso… e os scanners não fazem milagres, apenas brindam caminhos para os técnicos.

1 COMENTÁRIO

  1. YA LEI LAS 3 NOTAS Y ESTAN MUY INTERESANTES , ESPERO NOS SIGAS NUTRIENDO DE INFORMACION INTERESANTES, ME GUSTARIA SABER DE COMO FUNCIONA LA SUSPENSION DE UNA SUPERBIKE, CON TANTOS AJUSTES, DIFERENCIAS ENTRE PNEUS.
    GRACIAS. PABLO

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