O Palhaço e o Equilibrista – Situações Circenses em uma Rodovia Pedagiada

24
137

Coluna do Roberto SeveroNo manifesto sobre a minha coluna, disse que os textos seriam divertidos, mas destas vez, apesar de figurarem palhaços, vai ser meio sombrio.

Na minha época, o palhaço mais famoso era o Arrelia, hoje é Patati Patata, Atchim, Espirro, Bozo, seja lá quem for. Por que estou falando sobre palhaços em um site de motociclismo? Simples, o piloto estradeiro padrão brasileiro por várias vezes se parece com um bufão.

Foto: Roberto Severo/Acervo Pessoal

Para não dispersar muito, vou concentrar em uma situação circense da minha última experiência na estrada fazendo um teste com uma moto grande rumo a Campos do Jordão.

Reeeeeespeitáááááável público, com vocês, Roberto Severo no centro do picadeiro, ou melhor, das praças de pedágio!

Pedágio #01 = Ayrton Senna km. 33 (Itaquaquecetuba):

Poucos quilômetros de rodovia e já avisto uma praça de pedágio na Ayrton Senna, em Sampa, a caminho de Campos do Jordão. Reduzo e aproximo da cabine exclusiva para motos. Ok, era uma só, mas o fluxo de motocicletas não estava alto. Olho para frente e verifico que o corredor genialmente arquitetado de cones é quase da largura da minha moto… Problemas à frente. Pago, olho, miro acelero e claro, o corredor era MENOR que a distância entre retrovisores. Esbarro em um, o que já me deixa em estado alterado de nervos. Sigo.

Pedágio #02 – Ayrton Senna km. 58 (Guararema):

Desta vez faço a aproximação, chego perto da cabine para motos e, para minha surpresa… está fechada! Mudo a rota a uns 50 metros da cabine, atravesso a pista e vou para uma de carros. Olho para o chão, e uma poça de óleo. Pergunto para a moça o que aconteceu com a cabine de motos e ela diz que tem pouco fluxo de motos, então eles fecham. Havia pelo menos três motos fazendo fila atrás de mim. Me contenho e sigo.

Pedágio #03 – Carvalho Pinto km. 92 (Jacareí)

Desta vez nem cabine para motos tem. Como de costume aproximo, olho para o cidadão da cabine, pergunto por que não tem cabine para motocicletas. Não sabe responder, pergunto como reclamar, ele me confessa ao pé do capacete que não adianta nada. Desvio de manchas de óleo, fecho a viseira e sigo viagem.

Pedágio #04 – Carvalho Pinto km. 114 (Caçapava)

Acumule as experiências de falta de cabine exclusiva e mais óleo na pista. Paro, olho para a senhorita da concessionária, pergunto novamente por que não há cabines de motos. Ela me encara como se eu fosse um marciano sobre duas rodas. Começo meu procedimento: olho o relógio, apoio os pés tentando achar um local menos oleoso (se cair tudo se complica), abro a viseira, tiro as luvas colocando-as sobre o tanque (se a luva cair tudo se complica), abro o zíper da jaqueta, acho as notas e moedas, passo para a moça, recuso o recibo pegando cuidadosamente o troco (se as moedas cairem tudo se complica), guardo no bolso, fecho o zíper, coloco as luvas (se as mãos estiverem molhadas tudo se complica), fecho a viseira, parto cui-da-do-sa-men-te acelerando devagarzinho, olho o relógio. Tempo total: um minuto e quarenta segundos, pelo retrovisor, encontro uma fila de carros. Alguém está preocupado com isso? Não dá para criar algo inteligente para motos?

Interlúdio do texto:


Fonte: Pedagiometro

Depois de uma truta em Campos do Jordão, fé renovada, e no caminho de volta a história se repetiu… Claro!

Fora os pedágios, há outras situações de humor negro, e se você conta para alguém de fora, mesmo se for um marciano, o cara pensa que é brincadeira. Quer um exemplo? Se o motociclista vier a cair na estrada, reze para não ir para o guard rail, pois da forma que são arquitetados e montados, viram guilhotinas afiadas. Sabe aquele capacete bonitão que você comprou? Sabe aquela jaqueta cara com proteção? Aquela botina lindona? Caso colida com as lâminas do guard rail a cento e poucos quilomentros por hora, eles vão ficar intactos, cada um a 20 metros dos outros e possivelmente com seus membros ainda vestidos, dá até para vender em brechó. Perfeito para carros, assassinos para motociclistas. Mas mesmo assim continuamos pagando o pedágio, pisando no óleo, em faixas escorregadias, e reclamando…

Faço votos para que os concessionários encarem como uma crítica construtiva, e FAÇAM ALGUMA COISA! Perdoem os moradores de fora de São Paulo, pois meu exemplo foi paulista, mas convido-os a relatar experiências semelhantes em suas regiões.

E no centro do picadeiro o mestre de cerimônias abre os braços e anuncia: O Show Deve Continuar!

Keep riding!

24 COMENTÁRIOS

  1. Detalhe: a cobrança de pedágio para motocicleta no Estado de São Paulo é ilegal. o Sr. Serra passou por cima do Decreto Lei 9812/77: “Considerando que a motocicleta é, notoriamente, veículo de baixo consumo de combustível; Considerando, mais, que o uso desse tipo de veículo, além de representar economia de gasolina, não causa, em razão de seu peso, danos à pavimentação das rodovia; Para isentar as motocicletas do pagamento de pedágio”

    Esse Decreto ainda está vigente e o então Governador Serra na 2ª etapa de privatizações das rodovias paulistas autorizou contratualmente a cobrança de motocicleta.

    Por isso, rodovias como Carvalho Pinto, Mal.Rondon, Ayrton Senna, D.Pedro…cobram pedágio!

    • Meu amigo André,

      Cara, muito obrigado por este complemento! Como sempre você traz uma informação precisa e bem fundamentada!

      Abração,

      Roberto Severo

  2. Aêe Severo,

    Desta vez não dá pra elogiar o seu texto. Não que ele não esteja bem escrito, mas porque é um assunto triste mesmo!

    Mas o cúmulo do absurdo é o pedágio no Rodoanel trecho oeste sentido Regis.
    Primeiro você tem que desviar totalmente pra esquerda para o segundo conjunto de cabines. Depois muda totalmente pra faixa da direita e passa rente à mureta de concreto, obviamente que devagar. Ao terminar a mureta você estará bem na frente dos carros que passaram pela cabine do “sem parar” a cerca de 100 metros e já vêm acelerando. Se bobear é colisão traseira na certa !!!
    Abraços

  3. Ótimo texto Severo!!! Realmente além dessa questão do pedágio que você abordou com muita propriedade, o assunto dos guard rails é um verdadeiro atentado contra a vida!

    Abraçõs

  4. O mais bizarro eh pra quem mora perto dos pedagios e vez por outra precisa pegar as rodovias rodar alguns kilometros e se deparar com uma praça de pedagio.
    Eu por exemplo moro em Aparecida-SP e pra ir para Pindamonhangaba rodo 30km e preciso pagar R$5,00 de moto e R$10,00 de carro, agora quem vem do rio de janeiro ateh Pinda roda 150km e paga os mesmos R$5,00 reais, isso eh um absurdo!!!
    Entao Roberto, eh como vc disse, se dos orgaos publicos ja eh dificil saber pra onde vai nossa grana, imagina dos orgaos privados!
    A carvalho Pinto eh toda pedagiada e o asfalto eh um lixo, cheio de desniveis, remendos feitos “nas coxa”, e sem acostamento praticamente.
    Me revolta muito esse tipo de assunto!!!
    Roberto, me explica uma coisa se possivel:
    Porque se eu tiver 2, 3 motos sou obrigado a pagar mais de 1 DPVAT?
    Se o DPVAT cobre gastos medicos, morte, invalidez e nao cobre gastos com a moto, entao o correto nao seria cobrar o 1 DPVAT por usuario e nao pela quantidade de veiculos?
    Nao vou me acidentar com 3 motos ao mesmo tempo e muito menos dar entrada em 3 DPVAT simultaneamente.
    Alguem me explica por favor?

    • Rafael,

      sinceramente, me faz mal também este assunto… Tive que tomar dois Engov para escrever. E se pudesse tomaria um Lexotan para pegar a estrada e me deparar com as praças de pedágio. Sua analogia foi perfeita, e a questão do DPVAT é muito bem pensada. Minha resposta: não tenho resposta! Alguém tem? o Fórum é aberto!

      Grande abraço,

      Roberto Severo

      • Migliano,

        não sei te responder tecnicamente, o que posso afirmar é que quando a gente vê aqueles “tapetes asfálticos” fora do país (nem em todos), nos faz questionar mesmo!

        Abraço,

        Roberto Severo

  5. Ei carinha: “BELÍSSIMA PALHAÇADA”
    Fiquei estarrecido com aqueles numeros saltitantes do PEDAGIÔMETRO na casa dos 5 trilhões. — Gostaria de saber se o “sem parar” esta contabilizando nesse total. — Outra pergunta = porque no sem para temos que pagar uma taxa de inscrição para facilitar a vida deles alem de diminuir os custos.
    Alem de todos os per-causos narrados , por coincidência, fui ontem para São José dos Campos a 93km de SP. e fiz a seguinte comparação:
    Se o pobre viajante, por uma questão de economia, tiver uma motinha de 100cc. ou 125cc., vai gastar mais de pedágio do que de combustível .
    É tanta injustiça que não dá narrar mais. CCCHHHHEEEEEEGGGGGGAAAA.
    Abraços.

    • Luis, obrigado pelo comentário,

      vou mais além, se o vivente tive que ir e voltar todos os dias pagando uma média de 5,00 de pedágio em cada sentido, dá para pagar., se não todo, mas boa parte do financiamento da moto dele.

      Sim, segundo a fonte o pedagiômetro está com o sem parar, é uma estimativa.

      Abração,

      Roberto Severo

  6. Olá Roberto,

    A engenharia de tráfego no Brasil simplesmente ignora a existência desses seres de duas rodas. Aliás, nem deveria utilizar o termo “engenharia” para não envergonhar os engenheiros. Em qualquer país civilizado esses exemplos que vc citou e outros tais como essas pastilhas refletivas no piso das estradas (Lindo à noite, um perigo 24 horas), faixa escorregadias dividindo as pistas, acostamentos com degraus, piso sujo e ruim, etc. não são aceitáveis. Isso sem falar nos absurdos nas vias urbanas (assunto para um outro dia, talvez).
    Além disso, cobrar pedágio de motos é ser muito avarento. Qual o desgaste que as motos causam na estrada? Nenhum. Quantos atendimentos são feitos a motociclistas relativamente aos automóveis e caminhões? O sistema Anhanguera-Bandeirantes não cobra pedágio de motos e vai muito bem de saúde financeira…

    • Olá Hesley,

      muito bem complementado com as outras situações circense nas quais motociclistas têm que se submeter!

      Obrigado pelo ótimo e útil comentário!

      Abração,

      Roberto Severo

  7. Não tem jeito Rafael, o brasileiro infelizmente é um povo bizarro.
    Um povo que parece ter prazer somente em futebol, pagode e carnaval.
    Na europa eles vão pra rua e quebram o pau, só assim os políticos sentem pressão, as poucas manifestações pacificas que fazem aqui não vejo efeito.

    “Brasil, aqui você é o palhaço”. Esse slogan combina com a matéria.

    Eu vivo em Curitiba, faz pouco tempo que esses escrotos desses políticos gastaram uma fortuna pra divulgar as cataratas como uma das maravilhas do mundo, mas… PASME! Nosso governador inútil deve ser cego, mudo e surdo, por um simples detalhe…
    DE CURITIBA ATÉ FOZ TEM “9” [NOVEEEE] PRAÇAS DE PEDÁGIO.

    De que adianta fomentar o turismo sendo que o custo da viagem dobra somente com pedágios.
    Típico de organização criminosa, tudo muito bem arquitetado, é o esquema mensalão, não acabam com pedágios porque ganham uma porcentagem.

    Incrível, não encontro palavras educadas pra nomear tamanha incompetência “desse” presidenta, chamar de inútil é ser gentil.
    PORQUE NÃO ACABAM COM O IPVA? Era o imposto destinado as estradas, e o que temos hoje?

    *Paga IPVA mas paga PEDÁGIO.
    *Paga imposto pra polícia mas leva tiro dela mesma, paga segurança particular, zilhões de alarmes, e mesmo assim vive preso em casa.
    *Paga ICMS pra saúde mas tem grávidas ganhando filhos nos corredores.
    *É suficiente em petróleo mas paga o combustivel mais caro do mundo.

    Espaço pequeno pra desabafar, não vejo esperanças para o Brasil, pelo menos nos próximos 50 anos. Lamentável.

    Enquanto isso seguem gritando gol, seguem com piadas prontas que tudo vai acabar em pizza, é tudo uma grande festa, dos políticos obvio, e o detalhe é que são pagas com seu dinheiro.

    Ótima matéria Sr. Roberto Severo. Parabéns!
    Fazer o povo refletir é o caminho.

    • Ivan,

      Realmente é muita cobrança ($) para pouca providência

      Obrigado pelo valioso comentário, e por compartilhar com todos.

      Abraçom

      Roberto Severo

    • Como o Ivan disse,

      As estradas pedagiadas do Paraná são uma vergonha. Para ir ao litoral paga-se um valor abusivo e não é aquela qualidade de rodovia. Posso estar enganado, mas aqui no PR não vi nenhuma praça de pedágio com cabine exclusiva para motos. Na minha próxima viagem vou perguntar só para ver a cara da atendente e ainda vou questionar no site da concessionária. Se responderem, eu posto aqui para entendermos os motivos.

      Abraços

      Osmar

  8. Nao entendo, ops, melhor dizendo, NINGUEM entende pra onde vao nossos impostos, taxas e tarifas.
    Ja virou cliche falar que pagamos os impostos mais altos do mundo e em troca recebemos o que?
    Estradas esburacadas sem segurança alguma tanto para motos como é o meu caso quanto para os carros tambem.
    Pagamos pedagios caros, DPVAT OBSCENO para motos, IPVA, combustivel superfaturados e de ma qualidade pra que?
    Mesmo nao tendo vivido essa epoca, tenho saudades dos anos quando nossos pais e avos saiam as ruas para reivindicar seus direitos, que hoje sao nossos tambem, deviamos continuar o que eles começaram, sairmos as ruas, nao de forma violenta, de maneira alguma, mas para fazermo-nos visivel e cobrarmos essa divida por melhorias ja!!!
    Nada alem do justo!!!

    • Rafael,

      Nossos impostos muitas vezes vão para “projetos sociais” nas Ilhas Caymans, Suiça, etc… Agora as tarifas de estradas privatizadas, é mais difícil de saber!

      Abração,

      Roberto Severo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


4 − três =