Motociclismo na Terra do Imediato

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Hoje em dia o motociclismo está ficando parecido com a vida. O motociclismo imita a vida. Outro dia estava em um famoso posto de gasolina da capital paulistana e claro que não podia deixar de escutar a mesa ao lado, onde um senhor de meia idade, quase aos berros contava que havia chegado a 270km/h na BR116 rumo a Curitiba. Que havia feito a viagem de São Paulo à capital paranaense em apenas 4 horas, e todos riam comendo suas coxinhas de boca aberta. Ok, prometo que não vou começar um discurso moralista sobre os perigos da estrada, de segurança! Nada disso. Vou fazer somente uma pergunta: onde a viagem começa e onde acaba? E o que se aproveita disso?

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O percurso é tão bom quanto chegar, lembro bem da cena de Easy Rider (Sem destino), quando Peter Fonda joga seu relógio de pulso fora, no meio da estrada, como se dissesse: “o tempo não me importa, quero aproveitar cada minuto da viagem, seja de motocicleta, seja a grande viagem da vida”. Falando em “Sem Destino”, o próprio nome, é feliz o suficiente para dizer que o que importa é a viagem, não o destino. Os protagonistas estão interessados em explorar, conhecer, experimentar, sem a preocupação de concluir, chegar, rotular nada. Por que a moto? Porque é o meio que mais permite a comunhão com o meio ambiente durante a viagem.

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É fácil encontrar pilotos com motos que atingem mais de 150km/h em ruas congestionadas, para ir trabalhar!!! Cada sinal verde é como se fosse uma largada, chegam a 100km/h em segunda marcha e acionam o ABS pararando no próximo semáforo. Aí aguarda as motos mais lentas chegarem… Verde! Cabo enrolado de novo, e os pequenos motociclos somem no retrovisor. Sinal vermelho a cem metros! Freio alicatado. Quinze segundos e as pequeninas crescem no espelho e param ao lado. É como um soluço intermitente. Verde! corre… Vermelho! Param… Esperam… Verde!…

Claro que é diferente de propostas de correr em locais apropriados como autódromos em racing days, ou poeticamente justificáveis pelos “Ton-up boys” da décadas de 50 e 60 que percorriam os cafés de Londres correndo contra o tempo da música do “Jukebox”. Inseriam a moeda, e tinham que ir até um outro café e voltar antes da música terminar.

60s Ton-up boys from HK Rockers on Vimeo.

Hoje esta mesma cultura foi alterada pelos mais tradicionais cafés. Os frequentadores partem com suas “cafe racers” em passeios mais longos aproveitando a cada polegada do asfalto ou encontros de motociclistas que pouco se preocupam com o tempo (veja a programação do famoso Ace Cafe).

Tudo está rápido e superficial hoje em dia, a vida imita o Facebook, e a comunicação tem que caber nos 140 caracteres do Twitter, a linguagem se resume aos “vc”, “tks”, “ok”, “kd”, “td bem”, tudo rápido de se fazer, tudo fica na superfície como rãs na lagoa, rápidos batráquios que vivem na superfície de tudo. Passam mal ao mergulhar, ou se perdem ao olhar ao redor quando vagueiam pelo solo. Sapos de gincanas diárias, semanais, mensais, anuais… Começam a correr quando aprendem a digitar e não param mais…  até chegarem ao fim… Aí descansam em paz sem lembrar do percurso. O motociclismo imita a vida!
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Enquanto isso, vou a 90 km/h. Conversando com os bois do acostamento…  Cada um tem os amigos que merece!

Keep riding (slow)!
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15 COMENTÁRIOS

  1. Roberto, aprecio demais seus textos.

    Motivado pelo texto “A fina arte de desentortar bananas” publicado na Motociclismo 213, de setembro de 2015, estou a procura de mais deles e encontrei aqui na Best Riders.

    Você pretende lançar um livro com eles? Ou já tem um impresso?

    Saudações!

  2. Muito bom! Quando vai ter outro sobre os tipos motociclisticos… me mato de rir…. kkkkkkk

    Este pode ser o inicio do tipo “apressadinho” … hahahaha

    Luis

  3. Primeiro texto da série Tipos de Motociclistas* que realmente foi escrito por Roberto Severo.

    *poderia ser motoqueiros que daria no mesmo, mas algum ser superior resolveu que existem diferenças…

    • Continuando:

      Os verdadeiros Motociclistas, que respeitam as leis de trânsito e seus semelhantes, pilotam com cautela e não barbarizam quem está de automóvel, não gostam de ser comparados com os Mortoqueiros (Motoqueiros), que ao contrário, atravessam no vermelho, sobem em calçadas, jogam suas motos em cima dos pedestres, quebram espelhos retrovisores dos carros, dão socos em capôs, passam rasgando nos corredores….., um quer engolir o outro, passar por onde não dá…é, talvez se não fizerem assim, não dão conta de cumprir suas entregas e pagar a prestação da moto. É uma pena, devido a isto todos os dias tem vários estendidos no asfalto.

      Abçs

  4. PAra variar, Roberto Severo transitando muito bem entre o motociclismo, a vida diária e com um a visão crítica na medida… Gosto dos textos aqui e na revista que ele escreve tb. – Motociclismo.

    Parabéns para a Best Riders.

    Abraço,

    M. Paulo – Piracicaba – SP

  5. Marília, parabéns pelo ótimo texto!

    Realmente na vida e no motociclismo a estrada é mais interessante que o destino!

    Só uma coisa, o Roberto Severo vai ficar bravo por vc usar o tradicional “Keep Riding” dele, rs.

    • Oswaldo!!! Vc me ajudou a corrigir um erro! O texto é todinho do Roberto Severo! Não meu!!! rs…
      Mas já está corrigido e vou mandar os parabéns para ele!
      Obrigada!
      Abraços!

    • Grande Oswaldo,

      obrigado mais uma vez pelo comentário.

      Sim, esta Marilia se arrisca por pouco 🙂 … Ela é “Sister”

      Abrax e Keep Riding,

      Roberto Severo

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