Motocicleta? O que é isso?

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Poucos dias depois de escrever aqui no Blog sobre o trânsito “Este vício é saudável, permita-se” (21/3), saiu mais uma reportagem interessantíssima sobre o assunto, desta vez na Veja.
Resumindo. Mais uma vez provaram por A + B que o trânsito nas grandes cidades é um caos, que a cidade vai parar, que as pessoas estão ficando doentes e neuróticas e que, maior que os engarrafamentos, só o prejuízo que todos nós temos com o trânsito.

Segundo a matéria, estudo de 2008 da Fundação Getulio Vargas (FGV) calculou que as perdas causadas pelo trânsito em São Paulo chegam a 33,5 bilhões de reais por ano, o equivalente a 9,4% do produto interno bruto (PIB) na época. São 27 bilhões de reais que a população deixa de produzir parada no trânsito e outros 6,5 bilhões com combustíveis, saúde pública, etc.. Depois de mostrar uma monte de dados, gráficos e histórias, a reportagem mostrou as 11 soluções propostas pelos “especialistas” :

1- Pedágio urbano;
2- Faixa exclusiva para carros com mais de uma pessoa;
3- Ônibus mais rápidos;
4- Ônibus especiais (caros e luxuosos para a classe média deixar o carro em casa);
5- Mais corredores (de ônibus);
6- Semáforos inteligentes (porque ainda são burros?);
7- Disciplinar embarque e desembarque nas escolas (cadê a CET);
8- Organizar o crescimento da cidade;
9- Ter alternativas para bicicletas;
10- Eliminar carros velhos e multar mais;
11- Limitar o estacionamento em vias rápidas.

Aí eu pergunto, e as motos?

Quando o trânsito está ruim (sempre!), o prefeito Kassab vai ao seus compromissos de helicóptero. Quem sabe assim, vendo de cima, ele não consegue "organizar o crescimento da cidade"...

As motos e os motociclistas: Elas aparecem na reportagem dessa maneira: “Apressados, costurando entre as faixas e buzinando sem parar”, “Irresponsáveis, boa parte dos motociclistas põe em risco sua segurança e a de outros motoristas e pedestres” ou ainda, “Muitos dirigem perigosamente e não respeitam o código de trânsito”. Só. Em nenhum momento elas são citadas como um meio de transporte extremamente ágil, barato, econômico, fácil de estacionar e que acabam poluindo menos que um automóvel parado no engarrafamento.

As únicas citações neutras (positiva não houve uma sequer) foram feitas por Luiz Célio Bottura, consultor de engenharia urbana. “As motos não são as vilãs…imagine, por exemplo, se todas as motos fossem substituídas por carros. A frota aumentaria muito.” “Trata-se de um problema de educação e conscientização.”

Quando o resultado é favorável às motos, elas ficam de fora

Pergunta: Quando será que alguém neste país vai ter coragem de dizer que a motocicleta é sim uma alternativa viável para mudar esse panorama caótico? Quando vão assumir que as tragédias que a TV e os jornais adoram estampar nas manchetes se devem, em sua maioria à imprudência, à imperícia e à negligência dos condutores dos veículos? Quem causa acidentes não são as motos, são as pessoas.

Fiquei feliz em saber que o Sr. Marcelo Branco, secretário de transportes de São Paulo, anda de moto. Será que ele terá a iniciativa de fazer algo para mudar esse preconceito generalizado contra os motociclistas? Não sei, mas até lá vamos continuar celebrando a ignorância.

7 COMENTÁRIOS

  1. Do ponto de vista da segurança moto deveria ser proibido de trafegar em via pública, eu amo moto mas a realidade é que ela não oferece proteção contra acidentes não importa o quão educados sejam os motoristas e o quão seguras sejam as ruas acidentes acontecem e numa motocicleta eles tem muitas vezes mais chance de serem fatais do que num carro

  2. mas não dá pra negar que a maioria dos motociclistas são imprudentes. E é ilusão achar que cursos de pilotagem vão educar esse povo. O legal seria o governo fazer a isenção de impostos nos itens de segurança para o motociclista, e junto com isso uma lei obrigando o motociclista a usar além do capacete, calça, bota, jaqueta e antena anti cerol. Se o cara sair sem a jaqueta por exemplo, já seria passível de multa.
    É isso que vai educar esses “motoqueiros”, que mancham a imagem dos motociclistas, punição e fiscalização!

    eu se estivesse no governo, também não sei se teria coragem de incentivar o uso de motos.

  3. Pois é;infelizmente ainda existe um preconceito muito grande em torno dos motociclistas,vemos isso diariamente;muitas vezes eles são até melhores que os “certinhos e educadinhos” que andam de carro que nem conhecem uma faixa de pedestre.E enquanto existir essa forma pequena de pensar,ninguém vai assumir que moto é o meio mais barato,rápido e menos poluente de se locomover.
    Aproveito a oportunidade para parabenizar á todos os envolvidos no BESTRIDERS;um site magnífico que explica suas matérias de forma fácil de ser assimilada até por leigas(os) admiradoras(es)de moto como eu!!
    Parabéns!!Bjos…

  4. Fiquei muito feliz com esta matéria pois enfim destacaram as motos de forma positiva. Concordo com as imprudências, mas descordo de que sejam apenas do lado dos motociclistas. Outro vilão pouco citado são as condições das vias, muitas vezes silenciosas causadoras de acidentes!
    Outro ponto que tenho notado diariamente são os estados dos veículos, em geral, e que andam em condições à desejar!
    Não tem sido nada incomum ver “veículos” com problemas de sinalizações, lâmpadas diversas queimadas e fumaças terríveis.
    Enquanto o prefeito anda de helicóptero, como anda a fiscalização de poluentes e condições dos veículos?
    O detalhe que me entristece é que tenho notado isso mesmo nas estradas onde a polícia rodoviária federal sempre foi eficiente!

  5. A é!!! Nosso amado Gilberto Kassab vai a seus compromissos de helicóptero, parabéns para o Prefeito… não poderia ser diferente neste Brasil de poucos. O que é novidade é saber que o Sr. Secretário de Transporte anda de moto,será que ele já ouviu falar do “BESTRIDERS”. Sugestão, mande um e-mail para ele…
    Acredito que o Site terá um grande “ALIADO”.

  6. “Quem causa acidentes não são as motos, são as pessoas.” Perfeito, vejo ultrapassagens irregulares, fechadas e outros absurdos diariamente e sempre que ocorre um acidente escuto: “Claro, tava de moto” como se a moto se guiasse sozinha e tivesse carregado o piloto.

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