Moto e trânsito: Rir para não chorar

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Andando de moto pelo trânsito no nosso dia a dia, deparamo-nos com coisas que vão contra qualquer princípio de preservação, segurança e bom senso. Não consigo entender os motivos que levam as pessoas a fazerem isso, mas desta vez, ao invés de reclamar e citar as normas de segurança resolvi rir um pouco. Rir para não chorar.

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Fotos: Reprodução

A estória que vou contar abaixo é a mais pura mentira, apesar de muitas atitudes citadas nelas ocorrerem cotidianamente.

Pouca gente sabe, mas no fim de novembro, depois da última etapa do campeonato de MotoGP realizado em Valência, grande parte do staff do MotoGP visitou a capital paulista. A visita foi feita no maior sigilo possível e por isso não foi noticiada em nenhum veículo de comunicação. O motivo da viagem foi descobrir o porquê do Brasil ser referência no mercado mundial de motocicletas e levar ideias e conceitos nacionais para a próxima temporada do MotoGP.

Nesta comitiva estavam presentes chefes de equipes, mecânicos, dirigentes, patrocinadores, designers, pilotos, engenheiros, fornecedores de equipamentos de segurança e organizadores do campeonato.

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Todos ficaram fascinados com a habilidade e destreza dos “pilotos” brasileiros e com as várias ideias que obtiveram ao observar esses “pilotos” em ação no trânsito paulistano. Vou listar apenas algumas delas, que com toda certeza serão colocadas em prática no próximo campeonato de MotoGP.

A ideia de utilizar o boné virado para trás e sob o capacete foi aprovada por todos imediatamente. O representante de um fabricante de capacetes, disse que vai ajudar muito, pois terá apenas de fornecer capacetes tamanho único, baixando assim as despesas e a burocracia em saber o tamanho certo de cada piloto. Já os patrocinadores adoraram, pois a qualquer momento que o piloto tirar o capacete, já estará com o boné do patrocinador, sem falar que quando o piloto for fotografado por trás, sempre aparecerá na aba do boné e o logo do patrocinador.

Outra grande ideia vista em nosso trânsito que deverá ser incorporada na categoria no ano que vem, é a utilização de dois capacetes. Um sobre o boné e o outro no cotovelo. Desta forma, aumentará a área para exposição de marcas pelos patrocinadores e os fabricantes de capacetes poderão mostrar novos modelos a cada corrida.

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Mais uma sacada que será copiada de nossos “pilotos” brazucas será a colocação dos manetes de freio e embreagem para cima, dificultando ao máximo o acionamento e tornando a competição mais acirrada. Os engenheiros não viram nenhum problema na modificação, mas os pilotos presentes acham que torcer o punho e os dedos para cima cada vez que precisarem acionar os manetes vai fazer com que as frenagens sejam menos eficazes, porém, mais emocionantes.

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Além dos manetes, os engenheiros estão estudando tornar o guidão mais estreito, aproximando ao máximo a distância entres os punhos. Não estou falando em reduzir o comprimento, mas em dobrá-los para trás, para que o piloto fique com os cotovelos colados ao corpo, a fim de tornar a pilotagem mais difícil e complicada. Um fabricante de macacões de competição presente na comitiva achou bem interessante a ideia e disse que já está confeccionando um protótipo no qual a parte superior das mangas será costurada no corpo do macacão, assim como é feito nas luvas de moto velocidade, onde o dedo anular é costurado no mindinho. Parte dos pilotos presentes achou absurda a ideia, pois isso tira toda a maneabilidade e vai contra qualquer técnica de pilotagem. Os organizadores replicaram que bastava olhar o trânsito em volta e ver como os “pilotos“ brasileiros andavam rápido e sem problemas com o guidão dobrado e os cotovelos colados ao corpo.

Outra técnica aprendida na observação de nossos “pilotos” vai baratear os custos de comunicação entre as equipes e pilotos. O complicado sistema de rádio comunicação entre o chefe de equipe e o piloto, será substituído por um simples celular encaixado dentro do capacete.

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Grande parte dos presentes ficou impressionada com a velocidade com que nossos “pilotos“ trocavam de marcha e descobriram que a técnica brasileira de acionar o pedal de câmbio com o calcanhar é a responsável por estas trocas rápidas e precisas. Fabricantes de botas já estudam uma modificação nos equipamentos, fazendo um encaixe no calcanhar para o pedal de caâbio. Um fabricante de botas presente nesta visita disse: “poderemos utilizar botas brancas sem sujar e usar a parte dianteira para colocar a marca do fabricante”.

Duas ideias que ainda estão em discussão, (pois dependem de um “ok” por parte dos fabricantes de motores) são a obrigatoriedade de que, durante a prova, o piloto tire a moto de giro por 5 segundos durante uma determinada volta e em uma reta em frente à arquibancada e em outra volta passe desligando e ligando a ignição na chave corta corrente para que a moto dê “tiros”. Estas técnicas chamaram muito a atenção dos organizadores, pois viram que elas atraem muito público e que os “pilotos” brasileiros gostam bastante de fazer. Um dos dirigentes que ficou fascinado ao ver uma exibição destas no transito declarou: “acreditamos que o publico do MotoGP irá ao delírio com estas práticas incomuns e que requerem muita habilidade, pois vemos que aqui no Brasil este costume atrai muitos entusiastas”.

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Um grande mal-estar aconteceu no fim do almoço de toda comitiva, em uma famosa churrascaria paulistana. Após muita carne de rodízio regada a caipirinha, os pilotos do MotoGP que participavam da visita, foram desafiados a andarem com a mesma “habilidade e rapidez” dos “ pilotos” brazucas, com as motos de entrega que estavam paradas na frente da churrascaria.

Nenhum teve coragem de circular no caótico transito paulistano e passar nos corredores a toda velocidade, pilotando motos com freios a tambor e em precário estado de conservação. Neste momento, parte dos patrocinadores e dirigentes das equipes presentes começou a alimentar a ideia de contratar “pilotos” brasileiros para a próxima temporada, a fim de baratear os custos das etapas. Segundo eles, nossos “pilotos” não faziam questão de equipamentos básicos de segurança, como jaquetas e luvas, e não estavam nem ai para as condições ou tipo de pneus utilizados, ou seja, topavam tudo, sem exigir muito em troca.

É rir para não chorar, mesmo…

4 comments

  1. Quando eu fui tirar habilitação de moto meus colegas “CGzeiros” disseram os “absurdos” que a polícia fazia com motociclistas. Já ando há 3 anos e nunca tive problemas com a polícia porque ando corretamente. Hoje eu vejo como esses meus colegas andam e percebo que eles dão muitos motivos para um policial cismar com eles e para sofrerem acidentes. Mas é a cultura medíocre da maioria dos brasileiros, difícil de mudar, assim como a prática de comprar peças de motos roubadas para alimentar o crime. O Brasil é isso, sem educação, sem cultura. Depois quando alguém fala mal tem gente que não gosta ou então tem sempre alguém disposto a fazer piada. Dizem que o Brasil é o país do futuro, e dizem que o Brasil está evoluindo economicamente, mas moralmente está lá embaixo e só tende a piorar.

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  2. Edgar Rocha, Chorei de tanto rir, kkkkkkkkkkkkkk
    só de pensar que hoje mesmo vi uma figura em cima de uma twister amarela, parado em um “retorno” de chinelo capacete de cuia, e boné p/ trás, atrapalhando o transito por cerca de 8 minutos, enfim, ñ sei que diabos ele estava fazendo, mas com certeza era da FAVELA!
    Pior, essa gente ñ liga em por a vida do próximo em risco, e ainda acha ruim, quando toma uns tapas da policia!

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  3. É Edgar, é para chorar mesmo com a situação que se vê no transito de São Paulo. O pior é que as autoridades se baseiam nos motoqueiros e não nos motociclistas para fazerem normas ou leis. As autoridades por sua vez não fiscalizam e as auto escolas somente habilitam qualquer um que possa pagar por uma habilitação. Não há por parte do governo um incentivo fiscal para reduzir imposto sobre os equipamentos de segurança decente para motociclistas, gastasse muito mais dinheiros com auto socorro, SAMU e helicóptero, e pensão por invalides.

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  4. E SABE O QUE É PIOR QUE ISSO TUDO? É SABER QUE A TENDÊNCIA É SÓ PIORAR!

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Comentário Best Riders


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