Marraio! – Quebrando preconceitos

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Quando na reunião de pauta do Best Riders foi dito que a próxima  motocicleta do Teste do Mês seria a Yamaha Crypton 115, gritei: “marraio!”.

Aqueles que já jogaram bola de gude na infância sabem o que eu quis dizer. Queria ser o último a andar com a moto.

Todos me olharam e estranharam o meu desinteresse pelo modelo. Expliquei que nunca gostei deste tipo de motoneta cub, pois não era nem uma moto nem uma scooter. Não entendia muito o seu uso e aquela coisa de marcha sem embreagem era bem estranha. Fui para casa com a cub atrás da orelha, ou seria com a pulga atrás do cub…não sei bem.

Chegando em casa fui pesquisar mais sobre este modelo e entender melhor seus números de mercado, público alvo e utilização.

Para minha surpresa, checando os dados da Fenabrave, descobri que de janeiro até julho de 2011, foram emplacadas mais de 203.500 motocicletas estilo cub. Ou seja, 18,8% de todos os modelos vendidos neste período. Nos números, estavam modelos desde 50 até 125 cm³ e que a marca líder, com seus dois modelos de cub, representava mais de 84% destas vendas.

Percebi também que toda marca de moto que entra no país, seja montada aqui ou importada, tem em sua linha de produtos pelo menos uma cub, às vezes até duas e em alguns casos três modelos de cub na mesma marca.

Bem, e de onde vem este nome? Esse modelo de motocicleta é mundialmente conhecido como “underbone”, uma moto pequena construída em uma estrutura única tubular de grande diâmetro. A posição do tanque de combustível e o projeto do quadro (em que se passa a perna pela frente do assento e não se monta como na motocicleta comum) dão a ela uma aparência semelhante à de uma scooter, porém as rodas, a posição do motor, e a transmissão são semelhantes ao das motos convencionais.

Esse conceito de motocicleta teve origem na Europa no início dos anos 50. O nome CUB veio com o modelo da Honda em 1958 quer dizer (Cheap Urban Bike – motocicleta urbana de baixo custo). Em meu primeiro contato com a Cryptonita, procurei me despir dos preconceitos e deixar que ela me impressionasse. Bem ou mal…

Apesar de suas pequenas dimensões, não foi difícil me acomodar em sua ergonomia.  Logo na saída, a poucos metros do Best Riders, uma luz alaranjada se acendeu no painel…pensei: “pronto! Luz do óleo” , mas não era nada de grave,  apenas avisando que o câmbio tinha chegado ao fim e estava na quarta marcha! Não teriam outra cor de luz para colocar?

Não deixava de lembrar que as marchas eram todas para baixo e de que não podia errar. Realmente, no início não errei, mas logo depois de relaxar e me sentir mais acostumado com a Cryptonita, errei a troca de marcha…era para passar 4 e coloquei uma segunda..Opsss! imagina o tranco!

Por ser leve e bem curtinha é extremamente fácil de manobrar e anda super bem no trânsito engarrafado, passando por qualquer lugar com facilidade. Até que anda bem para seus 115 cm³, acelera rápido e mantém velocidades acima de 70 km/h sem problemas.

O câmbio é bem preciso quando usado para aumentar as marchas, ou seja, descendo. O retorno (reduções de marchas), feito pelo calcanhar ou mesmo com a ponta do pé, é impreciso e nestas horas sinto falta de um contador de marcha no painel. Coisa simples que outras cub têm como padrão. A falta de indicação de marchas no painel me fazia levar o câmbio até o neutro para depois deixar em primeira.

Tentei por muitas vezes trabalhar com o calcanhar, mas não sei se por falta de costume ou inabilidade, preferi utilizar a ponta do pé para reduzir as marchas.

As marchas são bem curtas, pode-se sair em segunda sem problemas e o câmbio sem embreagem passa a ser bem útil neste trânsito engarrafado, porém duas coisas me incomodaram;

1 – O fato da moto ligar engrenada, o que considero um perigo, ainda mais se tratando de um modelo que é o mais utilizado para quem esta começando.

2 – A dificuldade em reduzir sem dar tranco. Tentei de tudo, até mesmo segurar o pedal (pois quando fazemos isso é como se tivéssemos apertado a embreagem) e dar uma aceleradinha, mas se torna uma operação muito complicada.

Os freios são suficientes e param bem a Cryptonita, mas quando imagino que existe uma versão com freios a tambor me preocupa. Você acaba usando muito mais o freio e não o freio motor em uma moto desta, daí a necessidade de bons freios.

Achei o banco muito largo na base e entre 60/70 km/h transmitia toda a vibração da moto para a b.. do piloto. Bem piloto não né, este é o tipo de moto que não se pilota, se conduz.

Sob o banco tem espaço de sobra para você levar a Enciclopédia Britânica toda….em CD claro. A construção deste tipo de moto, no sistema Underbone, propicia um espaço generoso sob o banco. Mas porque a Crypton não dispõe deste útil espaço?

Os pneus, a meu ver são muito finos, quase de bicicleta e acabam não transmitindo muita segurança, seja em curvas ou em buracos.

O design não chama a atenção e o fato da Crypton ser desprovida de maiores detalhes, acaba que não seduz pelo visual. Ela é muito simples, a começar pela chave, que fazia tempo que não via uma destas. Me lembrou a da RD 50.

Senti falta daquele porta luvas aberto que tem na sua irmã, Neo, pois não temos onde guardar as luvas quando precisamos tirar ou colocar o capacete.

O painel tem um grafismo ultrapassado alem de muito pobre, sem relógio e nem indicador de marcha (indica apenas neutro e top).

Toda hora a boca da calça prendia na pedaleira, deve ser esse meu habito de usar calças pantalona boca de sino. Falando serio, as pedaleiras são largas e posicionadas bem no eixo em que colocamos o pé no chão. Toda hora esbarrava com a perna na pedaleira e a calça sofria.

Confesso que não me adaptei muito ao conceito cub, mas tenho de reconhecer seu valor.

Em resumo, entendi o porquê do sucesso deste modelo de moto em nosso mercado. Aliás, em nosso mercado não, no mundo! Em abril de 2008 a Honda comemorou a marca de 60 milhões de cubs vendida desde seu lançamento.

Uma moto leve, ágil e de fácil condução. Extremamente econômica e com manutenção barata. Robusta e apta a circular em qualquer condição de tráfego e de piso. Uma excelente ferramenta de trabalho para quem precisa se deslocar com segurança, comodidade e de forma mais econômica possível.

Fotos: Divulgação e Renato Rabello

 

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