Kawasaki Z750

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Uma das naked mais vendidas no mundo, as qualidades da Kawasaki Z750 são indiscutíveis. Mas, afinal, considerando seus prós e contras, vale a pena investir quase R$ 39 000 (com ABS) neste modelo?

 

por Gabriel Berardi fotos Gustavo Epifanio

Com características que agradam aos mais diversos públicos, o estilo naked é um dos preferidos pelos motociclistas. Capazes de encarar o dia a dia na cidade sem sacrifícios e proporcionando muita diversão quando partimos para a estrada, estas motocicletas conquistam pela versatilidade; mas não é só isso. Quem opta por uma naked também o faz porque geralmente procura uma moto de visual arrojado, comportamento esportivo e alto desempenho.

Entre todas as naked de média cilindrada que encontramos hoje disponíveis no mercado — e olha que não são poucas — uma das mais desejadas é justamente esta, a Kawasaki Z750.

Um dos grandes diferencias desta nipo-brasileira é o motor de 750 cm³ que, para muitos, representa a cilindrada ideal pra uma moto desta proposta. Ideal porque ela mostra quase toda a disposição em baixa rotação de um legítimo “mil”, mas com a agilidade e capacidade de subir de giro que caracterizam os modelos de 600 cm³.

Isso é, claro, sem falar no maior apelo emocional que a cilindrada extra proporciona, principalmente uma “7-galo” (galo é o animal correspondente ao número 50 no jogo do bicho) apelido fora de moda e que poucos jovens conhecem atualmente, mas que fez parte dos sonhos de mais de uma geração de motociclistas no Brasil.

Os europeus descobriram esse diferencial há bastante tempo, tanto que a Z750 é a naked média mais vendida em países como Itália, França e Espanha há vários anos consecutivos. Essa receita deu tão certo que outras marcas também se preocuparam em lançar modelos para ocupar o nicho entre as 600 cm³ e 1000 cm³, nas mais diversas categorias. Modelos como Yamaha FZ8, Ducati Monster e Hypermotard 796 e Streetfighter 848, BMW F 800R e 800GS, Triumph Tiger 800  e os novos modelos mundiais que estão chegando com motores ao redor de 700 cm³ são um exemplo claro de como essa nova faixa de cilindrada veio para ficar.

No Brasil, apesar de mês após mês ela figurar nas primeiras posições da categoria, esta Kawasaki nunca foi a mais vendida; basicamente por duas razões: a concorrência da CB 600F Hornet — modelo que além da qualidade indiscutível tem a seu favor a força e tradição da marca Honda em nosso mercado — e o preço, acima daquele praticado pelas rivais.

Ainda que esteja longe de ser considerada uma motocicleta pouco potente, a cavalaria declarada para a “Z” (106 cv) até que não é tão elevada para uma tetracilíndrica de 750 cm³ e proposta esportiva. Na verdade, é no torque elevado — e que chega cedo — que o motor Kawa se destaca! Sabe aquelas motos que você sobe, engata primeira e, antes mesmo de colocar segunda, você já está com um sorriso escancarado no rosto? Pois é, a Z750 é uma delas.

Em trajetos urbanos, graças à elasticidade do motor, ela mostra muita disposição desde as rotações mais baixas e não sentimos necessidade de ficar trocando de marcha a todo instante em busca de uma faixa de giros mais elevada e, consequentemente, mais torque.

Na estrada, a primeira característica que se faz notar é o funcionamento muito suave e praticamente isento de vibrações. Com uma entrega de potência muito linear, não sentimos aquele característico “coice” que surge quando o ponteiro do conta-giros supera as 8 000 rpm— ainda presente em algumas sport-naked 600 — avisando que a diversão vai começar.

Sim, com um comportamento tão uniforme perde-se um pouco em emoção na pilotagem, mas o ganho em conforto e dirigibilidade compensa. No geral, podemos dizer que a Z750 é um pouco mais lenta nas acelerações que as rivais de 4 cilindros (como se uma moto que chega a 100 km/h em 4 segundos pudesse ser chamada de “lenta”), mas com retomadas mais rápidas e uma velocidade final ligeiramente superior. Em suma, não há nada a reclamar quando o assunto é “descarga de adrenalina”.

O resultado de tudo isso é uma moto que combina todo o desempenho e sonoridade que encantam nas rivais sport-naked de 4 cilindros e 600 cm³, mas com a impetuosidade e abundância de torque que caracterizam as bicilíndricas entre 650 e 800 cm³. Lembra da tal cilindrada ideal? Pois é disso que estávamos falando.

A ergonomia da moto impõe uma posição de pilotagem bastante agressiva, graças principalmente ao assento alto — que nos deixa “sobre” a moto e bem próximos ao guidão —, e as pedaleiras, que também estão elevadas e recuadas. Não chega a ser a posição de uma legítima esportiva já que o guidão é mais alto que em uma Ninja, por exemplo, contudo, o cansaço chega mais cedo na Z750 do que em modelos como Honda Hornet, Yamaha XJ6 e BMW F 800R. Nesse sentido ela só ganha da Ducati Monster, que impõe uma posição ainda mais radical.

O grande responsável pelo desconforto após algum tempo pilotando esta Kawasaki é o assento pouco ergonômico e fino, este sim, digno de uma radical Ninja. O garupa também não irá ficar satisfeito com suas “acomodações”, já que o seu banco é praticamente decorativo, as pedaleiras são bastante elevadas e não há sequer alças para que ela possa se segurar. Em uma superesportiva, essas características não seriam nenhum demérito, porém, a proposta desta naked está longe disso, e a ciclística deixa isso bem claro.

As suspensões privilegiam o conforto em detrimento de uma performance mais esportiva, o que associado às agradáveis respostas do motor, tornam a Z 750 bastante agradável para uma utilização urbana. O guidão é estreito e as dimensões compactas colaboram no trânsito e nos corredores entre os demais veículos, mas a moto esterça pouco, o que atrapalha em algumas manobras em baixa velocidade. Os comandos são macios e, como em toda Kawasaki, o acabamento é condizente à categoria da moto. A dupla câmbio/embreagem mostrou-se impecável durante toda a nossa avaliação e, sem dúvida, é um dos melhores conjuntos do mercado.

Apesar do visual arrojado e que insinua alto desempenho e esportividade, por baixo das agressivas carenagens encontramos uma moto de ciclística até que bastante conservadora. Um sinal de que o projeto desta “Z” não é dos mais modernos fica evidente na balança. São 230 kg para a versão com ABS, 10 kg a mais que o peso da moderna Z1000 e 37 kg “extras” em relação à Hornet. É muita coisa.

O pesado chassi de aço faz a bela Z perder alguns pontos, especialmente por não conseguir repetir o excelente comportamento dinâmico que encontramos em algumas rivais. Pouco perceptível em uma condução tranquila, quando começamos a buscar os limites da moto sentimos que eles chegam um pouco antes da média da categoria, especialmente quando o asfalto apresenta irregularidades. As ótimas retomadas do motor 750 compensam nas saídas de curva, mas a verdade é que sentimos como se sobrasse motor para o chassi da moto.

A grande novidade do modelo 2011 está nos freios, que podem receber opcionalmente o cada vez mais indispensável ABS. Um opcional que custa cerca de R$ 4 mil, mas que vale cada centavo. Presente na moto testada, o sistema antitravamento da Kawasaki mostrou um funcionamento muito bom, especialmente no que se refere à calibragem, já que não notamos ele atuando precocemente (como na BMW F 800R). Somando esse bom comportamento à excelente potência das pinças e ao tato de acionamento do manete e pedal, o resultado é que o sistema de freios é um dos pontos fortes desta bela naked de origem japonesa.

A “Z” é uma sport-naked, mas não tão esportiva quanto sua aparência radical e posição de pilotagem podem sugerir. Com um motor bem disposto em qualquer condição e uma ciclística pouco exigente com o piloto, o fator limitante da Z 750 é o conforto. Se você não liga para isso, basta escolher entre a tradicional verde, a preta ou a branca.

Se ela é cara ou barata, cabe a você definir, mas, seguramente, a chegada da Honda CB 1000R por cerca de R$ 38 000 (valor sugerido) provocará mudanças na tabela atual da Kawasaki. Hoje, os preços praticados (em São Paulo) são R$ 34 900 para o modelo standard e R$ 38 900 para a moto equipada com ABS.

19 COMENTÁRIOS

  1. Olá pessoal, eu tenho uma Z750 que tirei zero da Kawa e NUNCA tive nenhum tipo de problema ou desapontamento com a máquina, neste tempo só fiz as revisões na hora certa e tive que trocar as pessas que realmente se desgastam com o tempo, como pastilhas de freio e pneu…quanto ao assunto da balança, posso dizer que nunca tomei sustos, muito menos tive problemas, pois como a matéria mesmo diz, o problema é que não responde muito bem em pista ruim quando se está no limite…então pergunto a vocês, quem vai andar no limite em uma curva numa pista ruim? Ninguém…então vos falo, ando com a minha no limite em autódromos e em rodovias quando tenho espaço e segurança, e no máximo que senti, é que a máquina é forte e se vocês der muita mão nela na hora errada, vai se assustar com certeza…tem que saber pilotar, ela é uma máquina de 8kgfm de torque, puxa bem…então saiba acelera-la e será feliz!!!! Recentemente fiz umas atualizações na minha que deixaram ela muito melhor do que já é…(RAPID BIKE, QUICK SHIFT, SCAPE FULL, BOLHA, MALHA DE AÇO COM PASTILHAS E FLUIDO RACING, PNEU RACING, ) e não mexi na balança…não tem necessidade alguma! A moto ficou espetácular…falando em números, ela tinha 106cv no motor e passou a ter 118cv, 8kgfm de torque e passou a ter 9,02kgfm de torque, 0 a 100km original 3,8s agora faz de 0 a 100km em 3,2s, velocidade final original eu tinha chegado a 242km no painel, hoje e chego no painel a 271km sempre que tenho espaço pra acelerar tudo!!! RESUMINDO, ESTOU MUITO FELIZ COM A Z750 E SÓ TROCAREI ELA PELA TOP TOP DA KAWA…A ZX10R!!!!!!!!!! Grande abraço a todos(09/04/13)

  2. Pessoal,

    Gostei muito da matéria, foi esclarecedora. Meu noivo quer comprar uma, e eu não estava gostando muito da idéia, como eu serei garupa em 100% do tempo gostei menos ainda da idéia “sem conforto” tudo bem que adoro velocidade, mas fiquei indecisa entre a concorrência.

    Obrigada!

  3. amigo eu tenho uma xj6n estou prestes a compra um z750 2010,a minha moto é 2012 o que vcs acham nunca tive uma kawa estou muito afim o problema é que minha moto so esta com 5000 km a z750 ta com 19000 sera que eu teri problemas com a moto alguem pode me ajudar

    • Amigo, tenho uma Hornet ABS 2009, jamais faria isso. Sugiro que vc Tente pegar uam zerada, pois a sua da uma boa entrada e a kawa esta trabalhando com taxas de juros para financiamento bem baixas.

  4. Eu comprei uma z 750 c/ ABS, é uma exelente moto, eu tive que colocar um spoiler pequeno para tampar as soldas do escapamento, slaiders, adesivo no tanque, aquele transparente com bolinhas preta, a moto ficou muito bonita, eu ia pegar a z 1000, mas a minha espôsa achou o banco do garupa muito pequeno, sinceramente eu vi a cb 1000r, no salão duas rodas, e na Japauto (Alfaville), visualmente as Kawasaki são mais bonitas, a minha verdinha eu não vendo só se for para pegar outra.

  5. Isso é o que eu chamo de teste. Se a opinião do avaliador não é a mesma que a minha, paciência. Mas quando abro uma página com a palavra ”Teste”, tudo que eu quero ler/ouvir são opiniões e análises. E isso não faltou. Parabéns ao pessoal do Bestriders, site que acompanho sempre!

    Dica: façam um video teste com a nova Hornet.

  6. Avaliação muito justa, tenho uma e de fato no início o banco incomodava bastante, tive de aprender a usar as pedaleiras em certos pisos, agora a balança traseira além de pesada é traiçoeira nas ondulações (nossa em curva com asfalto ruim é um pesadelo).
    Uso ela no dia a dia do transito de São Paulo, ela é show e as vezes até esqueço que estou numa moto de média até ter esterça-la.

    Gabriel você ficou devendo um comentário sobre o consumo.

  7. Texto muito repetitivo. O autor não tem opinião clara. Numa hora condena, noutra elogia a moto. Se não tem opinião convicta, atenha-se aos fatos. E um dos fatos omitidos é que na Europa, Japão e Estados Unidos a Z750 ganhou a versão R, um “update” do produto montado em Manaus, com mudanças pontuais, principalmente na pesada balança traseira.

    • Caro Vander,

      Obrigado pelas tuas considerações. O intuito é justamente esse, elogiar o que é para elogiar e criticar aquilo que, na minha opinião, deve ser criticado. Quanto à versão R nos já divulgamos essa moto aqui mesmo no site, mas nesta avaliação, tinha que me ater às características da Z750 que avaliamos.

      Um abraço,
      Gabriel Berardi

  8. Eu ja havia me decidido pela Kawa 750, mas com o lançamento da honda 1000 fiquei com muitas duvidas, tanto é que adiei minha aquisição até ver a honda no mercado. Diga-se que isso é uma duvida muito boa

    • Bom cara… uma coisa é voce querer comprar uma Kawasaki Z750.. outra coisa é voce dizer que esta esperando a nova CB 1000R que nao é concorrente da Z750… Entao dê uma olhada se é que voce já nao a conhece.. na Kawasaki Z1000 que é a concorrente direta da CB 1000R, com valores bem proximos…

      Bom como eu prefiro Yamaha e ela está deixando muito a desejar em questao de motor… eu tambem sou apaixonado pela Kawasaki que esta ganhando em quase todas as comparaçoes com as motos de sua concorrencia!!!

      Muito boa a materia, só achei um pouco baixa as notas… mais opniao é opniao e cada um tem a sua!! Adorei o site e acompanharei sempre que puder!!

      Parabéns!!

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