Video-teste: Kawasaki Vulcan 900 LT

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A terceira versão da Vulcan 900  chega com uma proposta mais touring que a de suas irmãs. Com uma interessante relação custo/benefício, esta Kawasaki apresenta-se como uma opção interessante na categoria


por Gabriel Berardi fotos Motore Produtora/Renato Durães

A Kawasaki do Brasil deu mais uma prova de que, definitivamente, quer disputar cada nicho do nosso aquecido mercado de motocicletas. Depois de sair do lugar comum nas categorias de entrada ao oferecer duas motos de 250 cm³ bastante diferenciadas (Ninja 250R e D-Tracker), de disputar a categoria naked com três modelos bem distintos (ER-6n, Z750 e a novíssima Z1000) e trazer a sua linha completa de esportivas carenadas (ZX-6, ZX-10, ZX-14 e, mais recentemente, a bicilíndrica Ninja 650R), com a nova Classic LT a marca dá provas de que também quer seu espaço no segmento custom e, principalmente, de que está atenta aos “buracos” não ocupados pelas marcas concorrentes.

Mesmo presente oficialmente no nosso mercado há pouco mais de dois anos, a Kawa passa a ser a marca japonesa com mais opções na categoria quando pensamos em custom de média cilindrada. Agora, quem vai a uma concessionária atrás de uma Vulcan 900, encontra três opções: a estradeira LT, a versão Classic (que tem a mesma identidade visual clássica da LT, mas é desprovida de alguns equipamentos) e a invocada versão Custom, que apresenta todo o visual e atitude de uma legítima chopper.

A versão LT vem completar a linha Vulcan 900

Mas afinal, porque alguém com pouco mais de R$ 30 000 para gastar em uma custom deveria se interessar pela LT? Espera aí, custom? Mas esta Vulcan não é uma touring? Pois é, é exatamente isso que tem de ficar claro desde o início, a proposta desta motocicleta…e isso está evidente em seu sobrenome. Para a Kawasaki, LT são as iniciais de “Light Tourer”, ou seja, se você está pensando que vai encontrar nesta moto o conforto, o desempenho, a tecnologia e os equipamentos de uma legítima touring de R$ 100 000, saiba que a diferença de Vulcan para elas é proporcional ao preço. Contudo, para um “Turismo Leve” sim, ela vai muito bem.

Especialmente na cidade, quem não está habituado a pilotar uma moto deste peso e porte, precisará de um rápido período de adaptação, por isso, não estranhe (e não desanime) se nos primeiros quilômetros você achar que a moto é um mastodonte. Acredite, em pouco tempo pegamos a mão da Vulcan e, sair por aí, mesmo no trânsito urbano, deixa de ser um bicho de sete cabeças. É óbvio que estamos falando de uma moto longa, larga e pesada, portanto, ninguém em sã consciência pode esperar a agilidade de uma city nos corredores das grandes metrópoles, ou a mobilidade de um scooter para mudar de faixa e driblar os carros parados, contudo, esta Kawa está longe de ser inviável para um uso ocasional no trânsito.

Curtir com calma uma bela estrada. Para isso, a LT é excelente

Ainda que a altura do assento em relação ao solo seja bem baixa, com esta custom, manobras com a moto desligada ou em ponto-morto — facilmente executadas com motos mais leves —, exigem planejamento, principalmente se o piso não for plano. Em outras palavras, quando for estacionar, pense antes em como você vai sair porque empurrar os 300 kg da LT, de marcha-a-ré, em uma subida só com a força das pernas, é missão para Chuck Norris. Apesar do ângulo de giro ser razoável (38° para a esquerda e para a direita), pelo fato do pneu dianteiro ser bem largo e tendo de “carregar” o peso do para-brisa e seus suportes, a frente da moto é pesada e isso se reflete na força que o guidão exige para ser movimentado, contudo, nada que atrapalhe no dia a dia.

Imponente, além do capricho no visual a LT agrada pelo ótimo acabamento

Se, como comentamos, nas manobras a baixa velocidade as dimensões e o peso jogam contra, com a moto em movimento, a facilidade com que conseguimos pilotar a Vulcan surpreende. Com torque em abundância já em baixas rotações — em uma utilização urbana sem sobressaltos, usamos no máximo 50% do curso do acelerador — e com uma ciclística bem dimensionada, quem aprecia esse estilo de motocicleta seguramente se sentirá bastante satisfeito com esta custom na cidade. Acelerações e retomadas são rápidas e, desde que haja espaço, mudamos de direção com facilidade. Até os retrovisores, com excelente área de visão, colaboram nesse aspecto.

Considerando alguém de estatura média, a posição de pilotagem imposta ao piloto não é forçada como em algumas concorrentes. Nesta Vulcan, as pernas não ficam excessivamente dobradas e nem muito esticadas, os braços encontram um guidão de formato e altura adequados e a nossa bunda repousa em um assento de dimensões generosas, mas que para ser ainda melhor, poderia ter um pouco mais de espuma.

Na frente, um pneu largo e disco de freio simples. O assento é bom para piloto e garupa

Tendo a excelente Yamaha Midnight-Star 950 como uma de suas principais concorrentes, a Kawasaki não podia deixar de caprichar no acabamento da LT, e assim o fez. Principalmente se comparada à versão Custom, notamos que a LT ganhou um pouco mais de capricho em alguns detalhes, mas apesar disso, ela ainda não está no nível da moto da Yamaha. Também sentimos falta de alguns equipamentos nesta Kawa. Itens como lampejador do farol alto, por exemplo, são indispensáveis em qualquer moto, enquanto outros, como faróis auxiliares e pisca-alerta seriam muito bem-vindos em uma moto que, seguramente, passará muito tempo nas estradas.

Oferecer uma versão com freios ABS (disponível em algumas versões da Vulcan no mercado externo) passou de diferencial a obrigação, especialmente depois que a Honda apresentou a Shadow 750 ABS. A capa de plástico que emoldura o velocímetro fazia muito barulho na moto testada, mas, independentemente disso, uma peça metálica seria muito mais apropriada para esta moto. O miolo de ignição na lateral esquerda também tem o seu charme, mas não é nada prático.

O painel merece uma cobertura metálica, e, no punho esquerdo, falta o lampejador

Como também acontece com outras motos desta categoria, o calor gerado pelo motor V-Twin acaba incomodando um pouco no anda e para da cidade, e, nesta versão LT, o enorme para-brisa acaba potencializando a sensação de calor em dias quentes já que, mesmo com a moto em movimento, ele desvia todo o vento que poderia “arrefecer” o piloto. Vale lembrar que, ainda que seja um pouco trabalhoso — ele é preso por robustos parafusos —, é possível retirar o grande para-brisa para rodar na cidade (o que recomendamos).

Por falar em conforto, as suspensões cumprem bem sua função nesse sentido. Considerando o estado deplorável de nossas ruas, e claro, o fato de ser uma custom — ou seja, não espere muita coisa —, tanto a dianteira quanto a traseira conseguem “filtrar” boa parte das imperfeições. Com apenas 150 mm de curso na frente e 100 mm atrás, não há como fazer milagre e a calibragem (principalmente do amortecedor traseiro) tende mais para o firme do que para o macio, entretanto, só em imperfeições grandes na pista sentimos aquela pancada seca indicando fim de curso. Graças à possibilidade de ajustar a pré-carga traseira em 7 níveis, levar alguém de até 60/65 kg na garupa afeta muito pouco a dirigibilidade e o conforto.

O ronco do escape duplo é bem agradável. As amplas pedaleiras estão bem posicionadas

Quando deixamos a cidade para trás e caímos na estrada, finalmente entramos no “habitat natural” da Vulcan, contudo, confesso que depois de rodar muito, nas mais diversas condições de piso, clima e velocidade, esperava um lado “touring” mais acentuado nesta versão, mesmo considerando que, como explicamos lá em cima, ela tenha essa abordagem light.

Erro de julgamento meu? Pode ser, talvez tenha exagerado na expectativa em cima da LT, especialmente porque já tinha pilotado a versão Custom da Vulcan antes e a impressão que tive dela foi das melhores — cá entre nós, seria a minha escolha nessa categoria — mas , por outro lado, não há como negar que o visual e o porte da LT fazem a nossa expectativa ir lá para cima!

Não que a moto deixe a desejar, muito pelo contrário, mas senti falta daqueles detalhes que fazem a diferença. O motor, por exemplo, tem um funcionamento agradabilíssimo, praticamente não vibra em baixas e médias rotações e permite que o piloto sinta o funcionamento dos dois cilindros trabalhando de uma maneira que as concorrentes não o fazem (só o motor Honda, que equipa a Shadow, transmite sensações tão agradáveis). Nesse sentido, vale lembrar que o câmbio mostrou um comportamento estupendo em toda a avaliação. Com engates precisos, transmite a sensação de robustez típica das custom — inclusive com o característico ”clanck” ao engatar primeira — e contribui para as boas sensações transmitidas pelo power train. Pena que a potência dos freios não seja das melhores. Com um disco simples de 300 mm na dianteira e um de 270 mm atrás, tivemos a sensação de que o sistema está trabalhando no limite para o peso da moto, que abastecida e levando piloto e garupa, passa dos 400 kg.

O grande para-brisa protege muito bem do vento, mas preferimos a moto sem ele

Viajando entre 90 e 110 km/h, a moto mostra o seu melhor: suavidade de funcionamento, baixo consumo, ótima proteção aerodinâmica e plena estabilidade. Agora, se você costuma viajar entre 120-130 km/h, acompanhando o fluxo das melhores autoestradas, vai sentir vibrações incômodas chegando ao guidão e falta de potência para empurrar toda a massa na estrada, principalmente nas retomadas ou ultrapassagens. Com a suspensão dianteira acontece o mesmo: muito eficiente quando viajamos sem superar 100 km/h, se aumentarmos um pouco o ritmo a frente começa a oscilar mais que o desejado.  Coisas que acontecem com todas as motos dessa categoria, mas que, em nossa opinião, notam-se cedo demais na LT, uma moto que tem como grande diferencial a “promessa” de viajar com mais conforto que as concorrentes.  Considerando que a versão Custom é muito mais estável, mesmo que roda, pneu e geometria da suspensão sejam diferentes, o comportamento inquieto da frente é, possivelmente, um efeito colateral do grande para-brisa, equipamento que é junto ao sissy-bar e aos alforjes laterais, um dos pontos de diferenciação deste modelo.

Um par de faróis auxiliares não seria demais. O belo tanque oferece boa autonomia

Se não temos dúvidas da praticidade das duas malinhas laterais (“inhas” porque levam apenas 15 litros cada) e da segurança e conforto extra que o encosto no banco traz para o garupa, quando o assunto é o para-brisa encontramos mais pontos negativos que positivos.  Como positivo, podemos destacar que, mantendo por volta de 100 km/h, a proteção aerodinâmica é realmente muito boa já que todo o tronco e a cabeça do piloto ficam protegidos do vento…e só, os benefícios acabam aí. Como comentamos, além de atrapalhar na cidade, quando estamos na estrada a grande área frontal acaba funcionando como um freio aerodinâmico, o que, além de deixar a moto muito sensível a rajadas de vento, exige muito do propulsor de 900 cm³ — o que sacrifica o consumo e a velocidade máxima — (só com muita paciência chegamos a 140 km/h). Na chuva, por exemplo, se por um lado o para-brisa desvia a água e permite até rodar com a viseira do capacete um pouco aberta, por outro, a água acumulada dificulta a visão, o que é muito ruim, especialmente à noite. É como rodar em um carro, na chuva, sem limpadores. Sentimos isso na pele neste teste quando voltando à noite, e com chuva, de Campos de Jordão, em alguns trechos esburacados da escura estrada que leva à cidade, tinhamos de levantar do banco para poder enxergar por cima da grande “bolha” para ver o melhor caminho. Nem vamos falar do aspecto estético, já que isso é completamente subjetivo.

No final das contas, se você (como eu) procura prazer ao pilotar e aprecia motocicletas com este estilo vale a pena conhecer melhor este modelo. Principalmente se levarmos em conta que, pelo preço que a Kawasaki pede por ela, não outras opções com as mesmas características mecânicas/estéticas. Para viagens tranquilas, sozinho ou acompanhado, não tenha dúvidas de que ela te atenderá perfeitamente, basta ter a consciência de que, apesar de sua imponência visual, ela não se encaixa na categoria daquelas bigcustom com mais de 1500 cm³. Se você quer este visual e não abre mão de viajar rápido, junte cerca de R$ 20 000 a mais e parta para uma Harley-Davidson Heritage Classic.

Gabriel Berardi utilizou calça (Panic), jaqueta (Mojave), bota (Targa Florio) e capacete (RR800) da SBK

12 COMENTÁRIOS

  1. Bela matéria. Ainda estou pensando se adquiro uma LT 2012, 0 KM. Em princípio ela atenderia minhas expectativas, apesar de lamentar os pontos negativos – ausência de faróis auxiliares e ABS, a questão de rodar na chuva com aquela super-bolha, as rajadas de vento no sul do Brasil (sou de SC), as oscilações acima de 100 km, o peso de 400 kg embarcado para viagem, os freios (merecia disco duplo na frente), conforto do banco (não gostei do banco da Custom), a potencia (poderia ser 950), o sissy-bar minúsculo —- sei lá, tá parecendo que a Midinight ainda é a melhor opção.

  2. Parabenizo vcs pelo bom trabalho.Sou proprietário de uma Vulcan 900LT 2012 e endosso a avaliação bem fiel.Quem quer andar a mais de 130~140km/h realmente deve adquirir outra moto.Mas quem se contenta em contemplar a paisagem entre 100~120km/h numa tournig; não deveria comprar outra moto senão esta.Seu custo/benefício é insuperável aliado ao visual, acabamento de bom nível e autonomia de aprox. 450 km.(faço 22,5km/l 90~120km/h) tenho 115kg+garupa 65kg.

  3. Boa tarde, parabéns pelo belo trabalho! Vi o vídeo e li a matéria sobre a Vulcan 900 LT, pois estou há um certo tempo me preparando para adquirir uma custon com mais de 750cc e, a intenção é realizar o sonho até o final deste ano, o que já está bem próximo. Fiz uma comparação entre algumas marcas: Honda Shadow 750, Yamaha Midnight Star 950, Suzuki Boulevard M800, Kawasaki Vulcan 900 LT e Harley Davidson Harritage Classic 1600. Na Shadow 750, tiraram de linha o modelo classico 2010 (lindo) e somente ficou este modelo com a roda fina que não me agrada, o tanque de combustível é somente para 14 litros, não possue marcador de combustível e, as luzes de visualização das setas e neutro ficam sobre a mesa do guidão, o que dificulta a visualizaçãom sob a luz do sol, somente a transmissão secundária por cardã e o ABS considero positivos nesta moto, assim como também quando atinge mais de 120 km/h o guidão recebe certa instabilidade (segundo relato de um amigo que possui este modelo; a Midnigt Star 950 ficou uma mistura de Custon com Esportiva, prefiro rodas raiadas, a capacidade do tanque de combustível é 3 litros a mais que a Shadow, também não tem marcador de combustível; a Boulevard M 800 também não me agrada muito pelo seu visual confunde Custom com Esportiva, poderia ter mais cromados; quanto a Harritage Classic o preço é alto (não que ela não mereça, falo de acordo com o meu bolso é a minha preferida); comparando todas estas, decidi pela Vulcan 900 LT, porém, depois de ler a matéria, confesso que fiquei indeciso, apesar de não me amarrar em alta velocidade. Gostaria de uma sugestão. Abraços e, mais uma vez parabéns.

  4. Caras, comecei a acompanhar o site de vcs a pouco tempo e estou adorando. Sou louco por motos e curto muito as matérias relacionadas. E, falando em matérias, como vcs são objetivos e claros. Muito equilibrado os comentários. Em breve terei minha primeira moto “de respeito.” Ainda não decidi o que vou buscar, mas tenho certeza que pesquisando em sites respeitáveis como este, vou escolher sabiamente. Um grande abraço.

  5. Site fantástico, parabenizo a equipe pela qualidade técnica das informações, dedicação pela informação precisa. Quase adquiri a Vulcan 900 classic, mas depois que lí aqui as informações, desisti completamente dessa linda moto, ficarei com a Bulevard M800. Agradeço a equipe, Grato, Marcos Alves

  6. Parabéns ao envolvidos no projeto, e Renato, as fotos e videos estão incríveis, que você tenha cada vez mais sucesso em sua carreira meu velho!

  7. olá pessoal primeiramente gostaria de dizer que adorei o site e que ele já esta na minha lista de favoritos. entro diariamente para checar as noticias e novidades(conheci o site pelo “jalpnik”) oque mais me chamou atenção para o site foi o video teste que é a principal singularidade deste site em relação a outros do genero.só tenho uma sugestão a fazer… nos videos apresentados ate agora fiquei com a impressão de que a moto era o segundo plano do video pois raramente consegui escutar algum barulho de motor acho que isso deveria ser modificado pois pára verdadeiro motociclista não existe melhor sinfonia do que o motor de sua moto preferida… enfim abraços a todos, espero que leiam a minha sugestão.susseço

  8. Gostaria de dar meus parabéns a toda equipe bestriders, qualidade de video impressionante! Finalmente temos um site digno de um acompanhamento diário. Conheço o trabalho da equipe e sei do profissionalismo com que eles atuam. Recomendarei o site com toda a certeza! Os vejo em breve

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