Kasinski Comet 150

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Com esta nova moto urbana de origem Zongshen, a Kasinski busca ganhar espaço no principal segmento do nosso mercado. Uma chinesa que promete sacudir o mercado com 3 anos de garantia.

por André Garcia fotos Motore Produtora/Renato Durães

Segundo dados da ABRACICLO, em 2010, foram vendidos mais de um milhão e quatrocentos mil motocicletas entre 100 e 150 cm³, o que representa 83% do mercado nacional. Atenta a essa importante fatia de mercado, a Kasinski apresentou a Comet 150, a sua representante na categoria. Quando a Kasinski mudou de mãos, em julho de 2009, além de substituir o tradicional azul de sua logomarca pelo vermelho, o slogan “Kasinski que acelera sua vida” mudou para “Kasinski que valoriza sua vida”. Mais recentemente, sem qualquer alarde, a Kasinski substituiu o “valor à vida” por “revolucionária”. Seguindo esse novo slogan (revolucionária), a Kasinski almeja aumentar seu share no mercado nacional e já demonstra seu apetite, lançando um produto com diferenciais que prometem agitar o mercado.

A Kasinski Comet 150 chega ao mercado com um pacote de benefícios que engloba seguro total grátis por 1 ano — incluindo assistência 24 horas — e garantia de 3 anos. A garantia tem três aspectos: o psicológico do consumidor, que torna-se um quesito de convencimento na aquisição do produto, a confiança do fabricante no seu produto e, por último, o incentivo à utilização de suas concessionárias, já que, para se manter a garantia, é obrigatório realizar todas as revisões previstas na rede autorizada.

A moto, de origem Zongshen, é um produto para utilização estritamente urbana, com design bem resolvido e boa qualidade de acabamento e pintura. Falando em design, o que mais chama atenção na dianteira é o farol em formato poligonal com vinte leds distribuídos em dois filetes que fazem o papel de lanterna. O painel, além de bonito, trás todas as informações necessárias ao piloto: velocímetro, odômetros e indicador de marcha são digitais, enquanto o conta-giros e o marcador do nível de combustível são analógicos. Nas bengalas, há pequenos refletores brancos, o que torna a moto mais visível à noite e aumenta a segurança do condutor.

A dianteira da moto é moderna, enquanto a traseira é mais conservadora

Já na traseira há um útil bagageiro de alumínio com alças de apoio emborrachadas para o garupa, que também conta com pedaleiras suspensas. Apesar do tamanho, a grande lanterna preserva a boa harmonia do conjunto. O banco tem boa densidade de espuma, mas isso não se traduz em conforto ao piloto. Curto e pouco ergonômico, o assento exige que o piloto fique bem encaixado em suas delimitações e não sobra espaço para “ajustar” nossa posição de pilotagem. Quem gosta de pilotar sentado mais à frente, próximo ao tanque, sentirá uma saliência que incomoda os “países baixos” (que também sofrem grande incômodo com a vibração que chega do motor). De resto, no que se refere à posição de pilotagem, guidão e pedaleiras estão bem posicionados, mantendo os braços relaxados e as pernas em uma posição bastante natural e confortável.

As peças plásticas têm bom encaixe, ausência de rebarbas e os botões de acionamentos, apesar de duros, tem bom tato e são intuitivos, já que estão em posições adequadas. Aqui, ponto para a Kasinski, que oferece lampejador de farol alto, item que às vezes não encontramos em motos de categoria superior. A buzina dupla, com som muito eficiente, está acoplada a uma grande peça plástica que imita um radiador. Seguramente, se esse acabamento incrementa o visual, por outro lado, prejudica o arrefecimento a ar do motor, já que se nota aquecimento acima do normal no anda e pára do trânsito paulistano, atrapalhando o funcionamento da embreagem.
O motor é um monocilíndrico de 149 cm³, arrefecido a ar e alimentado por carburador PZ 27. Com comando simples no cabeçote, gera 12,9 cv a 8 000 rpm e 1,24 kgfm de torque a 6 000 rpm, o motor pode ser acionado por partida elétrica ou pedal.

Farol com leds, seguindo tendência dos carros Audi. O painel é completo e bonito

Dotada de um chassi do tipo berço semiduplo em aço, a Comet conta com suspensão dianteira telescópica convencional e um sistema bi-choque na traseira (com pré-carga das molas ajustável). No exemplar testado, encontramos um acerto excessivamente macio na frente e muito rígido atrás, o que comprometeu sensivelmente a progressividade do conjunto. As rodas são de liga leve, de 18” e estão calçadas com pneus Cheng Shin nas medidas 2.75 na dianteira e 90/90 na traseira.

Com seu tanque com capacidade para 18,5 litros, dependendo da tocada, esta Kasinski promete altíssima autonomia. Com 1,65 de altura e 95 kg, fiz média de 39,3 km/l no trânsito urbano, o que significa uma autonomia de 727,5 quilômetros. Um exagero. O problema no tanque é sua tampa, que ao contrário do usual, não permite que a chave fique presa à fechadura quando efetuado a abertura para abastecimento, isso sem falar do desenho esquisito e nada prático. No geral, rodando com a Comet 150 encontramos um comportamento adequado para sua proposta urbana, mas existem alguns pontos a melhorar. Como comentamos, no trânsito pesado a embreagem superaquece precocemente, dificultando as saídas da motocicleta e o engate das marchas.

O garupa conta com boas alças emborrachadas e pedaleiras suspensas

A medida que a temperatura sobe, o câmbio — muito preciso e macio enquanto o motor está trabalhando na temperatura ideal — apresenta um neutro falso entre a 1ª marcha e o neutro indicado no painel. Também não é raro alguma marcha escapar e encontrar um neutro falso entre a 3ª e 4ª marchas. Curto, o escalonamento do câmbio é bem dimensionado para uma utilização dentro da cidade. Seu motor mostra uma vibração incomoda desde as baixas rotações, especialmente quando estamos abaixo dos 6000 rpm, ocasionando a dormência das pontas dos pés, mãos e demais partes do corpo em contato com a moto. Nota-se falta de coxim nas pedaleiras e na mesa do guidão, o que amenizaria, e muito, a vibração percebida. O melhor desse motor está em 4ª e 5ª marchas entre 6 000 e 8 000 rpm, quando o motor fica liso e apresenta baixíssima vibração. Possivelmente por ser carburada, há um buraco quando a Comet 150 fica abaixo dos 5000 rpm e abrimos totalmente o acelerador em 5ª marcha para retomar velocidade.

A 8000 rotações, em última marcha, a Comet 150 está a 90Km/h… e não recomendamos superar essa velocidade já que, para alcançar 100 Km/h temos de levar a moto a 9 000 rpm, já na faixa vermelha do conta-giros. Apesar de declarar números de torque e potência situados, exatamente, no meio termo entre as 125 e 150 cm³ do mercado, o rendimento desta Comet é tímido para uma 150 cm³ e típico de 125 cm³. Culpa dos 134 kg de peso (a seco), o valor mais elevado da categoria. Apesar do peso, a moto é ágil e a maneabilidade é muito boa, mudando fácil de direção com a pista seca. Afirmo com a pista seca, pois, enquanto a Kasinski insistir em comercializar a Comet 150 com estes pneus, pilotar este modelo na chuva é um perigo. Com água na pista perde-se muito grip e a sensação é de estar pilotando sobre gelo. Seguramente, algo que o fabricante deve rever.

A buzina dupla é um diferencial, mas o plástico que a cobre não ajuda a arrefecer o motor

Seus freios não comprometem, mas o traseiro travava com facilidade e o dianteiro mostrou-se muito borrachudo, possivelmente um efeito do flexível de freio, muito longo. No geral, a Comet 150 não chega a ser revolucionária já que há no mercado produtos similares, com um refinamento maior (alguns até com injeção eletrônica) e um preço equivalente, todavia, esta utilitária de origem Zongshen tem tudo para agradar o público que deseja fugir do transporte público ou que atua como moto profissional, dado ao pacote de benefícios na aquisição do produto.

As perguntas que ficam são: será possível renovar o seguro no segundo ano da motocicleta? A rede de concessionárias está preparada para atender a demanda de revisões com mão de obra qualificada e abundância de peças de reposição? Será que o diferencial “pacote de benefícios” vale a pena? Para quem roda 30 mil km ao ano, valerá a pena custear todas as revisões em concessionária para manter a garantia, sabendo que as revisões são a cada 3.000km? Esperamos que sim, afinal de contas, nada melhor para o consumidor do que a livre concorrência.

O visual agrada, mas será que a Comet conseguirá brigar com as líderes?

André Garcia utilizou calça jeans (Comfort) e jaqueta (Summer Shock) da HLX Racing e capacete (RR600) da SBK

5 COMENTÁRIOS

  1. Comprei a comte 150, e me arrependi, pois viajo muito e éla não me proporciona, o desempenho adequado para longas distâncias, sem fala que quando carrego um carona, não posso passar de 70 km/h, pois a pedaleira trazeira tripida tanto que é quase insuportavel. Estou muito arrependido da compra mas não consigo vende-la, já que nova custa pouco mais de 5.000 Reais, e a minha tem apenas 8 messes de uso, e já coloquei varias benfeitorias. NÃO ACONSELHO A COMPRA!!!

    • Prezado Júlio,
      Se você comprou uma moto de 150 cc para viajar, e ainda com garupa, só lamento. Você não comprou a marca errada de moto, você comprou o tipo de moto errada !!! Quer viajar, no mínimo compre uma 250 cc, de preferência bicilíndrica.

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