Honda XL 700V Transalp

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Se você procura uma maxitrail média confortável e sem pretensões esportivas, a Honda Transalp pode ser a sua opção. Apesar do preço um tanto salgado, conquista pela simplicidade e eficiência de sua proposta. E de quebra, pode vir com C-ABS.

 

por Pablo Berardi fotos Renato Duraes

Quem é apaixonado por maxitrail como eu, por muitos anos, ficou a mercê da boa vontade dos fabricantes. Os motociclistas mais antigos logo vão relembrar das antigas Honda XL 250 e XLX 350, além da Sahara e das Yamaha DT 180/200. Motos maiores, apenas algumas Suzuki DR 650/800 e Yamaha XT 600, além de raros modelos como Aprilia Pegaso, por exemplo.

Infelizmente, a Transalp nunca desembarcou por aqui, mesmo existindo no mercado estrangeiro desde 1987. Uma ausência que fez com que a Yamaha nadasse de braçada no mercado de maxitrail com a Yamaha XT durante anos. O mais curioso, é que a Honda acabou importando a XL 1000V Varadero em 2008, antes mesmo da Transalp, deixando essa lacuna aberta para a concorrência ganhar mercado.

Apesar da novidade, a Honda chegou “tarde demais” e, hoje, enfrenta rivais de peso como as também japonesas Kawasaki Versys e Suzuki DL 650 V-Strom e a alemã BMW F 800 GS. Além disso, ainda há dois modelos mais acessíveis, a conhecida Yamaha XT 660R e a BMW G 650 GS que acabou de ser remodelada.

O primeiro protótipo da Transalp surgiu em 1985, como uma moto off-road de 500 cm³, mas logo recebeu algumas mudanças sendo lançada em 1987 com o nome de XL 600V. Três anos mais tarde, recebeu um motor de 650 cm³ e, após, em 2008, chegou ao modelo que está sendo comercializado no Brasil. Note que, apesar de ter sido lançado em abril deste ano, o modelo já tem três anos de estrada no exterior. Na verdade, se considerarmos pequenas alterações, ela só chegou ao Brasil em sua 5ª geração.

A Transalp foi lançada em 1987 e teve uma grande modificação em 1994. A próxima grande reestilização foi em 2008 que é o modelo oferecido por aqui

Antes de receber a moto da Honda, comecei a avaliar a sua ficha técnica e compará-la com as rivais. Em relação às concorrentes, a Transalp possui a menor potência da categoria e um peso semelhante ao das rivais. Seu conjunto ciclístico não é dos mais modernos e, junto com a Suzuki, são as únicas motocicletas que possuem bengalas comuns na dianteira. A BMW e a Kawasaki já oferecem opções invertidas, apresentando um comportamento muito melhor.

O motor V2 possui um funcionamento bem suave e linear, além de garantir um bom desempenho. Ele é bem apropriado para uma utilização mais touring, mas não traz a emoção de pilotar da Versys ou da F 800 GS, por exemplo. O câmbio possui 5 marchas com engates super precisos, no melhor estilo Honda.

O design é bem marcante e diferenciado das rivais. Não agrada a todos, mas é de bom gosto em minha opinião. O farol redondo, a dupla saída na ponteira de escape (característica desde o lançamento) e o grande tanque de combustível são bem marcantes neste modelo. O que talvez seja um pouco exagerado é a quantidade de plásticos sob a motocicleta. Além de não serem esteticamente muito atraentes, podem estragar com facilidade caso a moto enfrente uma situação mais radical. De toda forma, durante a avaliação, muitos curiosos perguntaram a respeito desta moto; apesar de alguns perguntarem se ela é melhor que a extinta NX4 Falcon, tem cabimento?

A terra não é so seu habitat, mas ela vai bem... Pode apostar!

Analisando os equipamentos, a Transalp traz a eficiência do sistema C-ABS, que garante frenagens muito seguras no asfalto; contudo, sem a opção de desligar o componente, a Transalp fica um tanto limitada caso o piloto queira fazer uma condução mais esportiva na terra. Como a proposta da Transalp é um passeio leve no off-road, o ABS atende muito bem a proposta. O painel que mescla instrumentos analógicos e digitais é bem moderno, mas itens como os punhos de luz, os retrovisores e os protetores de mão, mostram a idade do projeto.

O motor V2 prima pela suavidade e o painel é de fácil leitura

O teste

Gostei de fazer esse vídeo-teste, pois conheço muito bem as concorrentes e tenho um bom parâmetro de comparação entre os modelos rivais. Apesar da chuva que caiu no meio da tarde do dia da avaliação, pude sentir bem as características da Transalp que, resumindo em poucas palavras, tratar-se de uma maxitrail voltada para o turismo e modesta no conjunto mecânico. Apesar do grande sucesso deste modelo junto ao público, ela ficou em uma posição desconfortável já que, sem se destacar em nenhum ponto específico, ela ficou no meio das rivais. Na verdade, talvez seja isso que a torne tão interessante…

A Transalp me cativou por utilizar rodas raiadas de 19”, ficando bem menos “alérgica” a terra como a Kawasaki Versys (quase uma supermotard) e a Suzuki V-Strom (que possui rodas de 19” de liga-leve). Mesmo com esse “pezinho” na terra, nota-se claramente que a Honda privilegiou o seu lado touring — diferente da BMW F 800 GS que é uma autêntica maxitrail com roda de 21” na dianteira e banco fino para a melhor movimentação do piloto. Tal característica da Transalp fica evidente pela posição de pilotagem, na qual ficamos “dentro” da moto sentado em um amplo assento que privilegia o conforto. Tal posicionamento não torna a posição das mais indicadas para um uso off-road.

Os freios da versão avaliada não possuiam o C-ABS. Mas garanto que vale a pena investir nesse opcional

A vantagem dessa posição é a baixa altura em relação ao solo, pois o piloto consegue colocar os pés no chão com mais facilidade do que as “altas” F 800 GS e XT 660R com seus estilos mais brutos. A proteção aerodinâmica é boa, mas no frio da estrada, senti saudades do aquecedor de manopla da BMW. Também achei o farol um tanto fraco, mesmo no facho alto. Quem for na garupa estará bem acomodado em um largo assento, encontrará boas alças para se segurar e um bagageiro com tamanho apropriado. Arrisco dizer que, para o passageiro, é a melhor opção em maxitrail média. Uma pena que para ajustar a pré-carga da mola seja um sufoco, desanimando 99,9% dos motociclistas. Uma roldana mais acessível tornaria essa ação mais fácil, tornando a pilotagem mais equilibrada ao rodar com garupa.

Se no conforto a Honda convence e supera as rivais, a parte mecânica é conservadora demais. Não podemos esperar a diversão e agilidade da Kawasaki Versys e nem a pimenta e a ciclística irretocável da BMW F 800 GS. A Suzuki V-Strom mais uma vez é a que mais se assemelha com a Honda, mas apresenta um desempenho superior.

O torque do motor é interessante e há fôlego suficiente para levar o ponteiro do velocímetro a 190 km/h . Ou seja, viajar em uma velocidade de cruzeiro em torno de 120 km/h é tranquilo e muito melhor do que em um modelo monocilíndrico, como a Yamaha XT 660R, que apresenta considerável vibração nessa faixa de velocidade. Gostaria de ter mais uns 10 cv nesse excelente motor para dar um “plus” de diversão. Se bem que ela também poderia ter um chassi de alumínio, balança de alumínio… bem, deixa para lá.

Os conjuntos ópticos são atípicos e os piscas são característicos da Honda

Do jeito que está, com um motor linear, suave e perfeito para viagens, a Transalp atende bem a sua proposta , mas não convence quem busca uma tocada mais esportiva. A ciclística é boa, mas o chassi de aço não é dos mais rígidos, assim como as suspensões que, mesmo bem calibradas, privilegiam o conforto. Durante a avaliação, ousamos um pouco mais em uma estrada de terra e rapidamente sentimos a suspensão dianteira acusar fim de curso nas ondulações. Em outras palavras, ela vai bem na terra, mas não abuse demais, pois ela não aceita muita exigência.

Podemos concluir que a XL 700V é, sem dúvida, uma opção muito válida dentro da categoria. Ganhou fama de resistência e durabilidade ao longo dos 20 anos de história e ainda conta com a assistência técnica da Honda espalhada por todo o Brasil. Ela não é esportiva, nem off-road, nem ágil e divertida, mas consegue ser uma moto bem agradável de pilotar, confortável e suficiente para a maioria dos motociclistas que não buscam tantas emoções sobre rodas.

Regular a compressão da suspensão traseira não é tão difícil, mas poderia ser mais discreto. A saída dupla de escape é uma herança do primeiro modelo de 1987

O preço é razoável. A tabela de preços indica valores de R$ 31 800 para a versão básica e R$ 34 800  para a versão com C-ABS. Contudo, na prática, os valores são aproximadamente R$ 2 000 acima disso, tornando a Transalp “perigosamente” cara, pois torna-se a opção de preço mais elevado entre as rivais. Exceção feita à BMW F 800 GS, que é um modelo nitidamente superior em desempenho e equipamentos e que é comercializado por R$ 42 900.

A BMW G 650 GS e a Yamaha XT 660R ficam abaixo da casa de R$ 30 000.  A Kawasaki Versys parte de pouco mais de R$ 31 000 na versão básica e R$ 34 500 com ABS, praticamente o mesmo que a Suzuki cobra pela V-Strom sem ABS (não existe a opção com esse recurso). Ou seja, como custo/benefício, a Kawasaki Versys se destaca.

Mas enfim, você optou por uma maxitrail bicilíndrica, privilegia o conforto, mas eventualmente pode andar em estradas mais esburacadas ou na terra e não abre mão do ABS, então a sua moto tem que ser a Transalp.

8 COMENTÁRIOS

  1. Excelente a matéria. Li principalmente porque estva em dúvida na compra entre a transalp e a v-strom. Vendi minha BMW g 650 gs, que é uma moto muito boa mas o desempenho e barulho do motor me decepcionaram. Mas o fator fundamental da venda para mimn foi o fato de não ter concessionária em minha cidade (JUiz de Fora-MG), tinha que ir ao Rio (200 km) toda vez que precisava de assistência. E em 06 meses foram 4 idas. A primeira na revisão de 1.000 km (muito bom atendimento e serviço diferenciado das outras marcas), a segunda foi um mês depois para troca de minha carenagem direita porque apresentava sinal de desgaste na pintura sob o banco, a terceira foi para arrumar o acelarador pois estava travando no retorno e a última para troca de um rolamento no guidão (problema visto na última ida mas tinha que agendar pois levaria o dia todo. Então estar em uma cidade sem concessionária é um problema. Bem, comprei a transalp no susto e por um ótimo preço (34.200 com ABS) e somente através de opiniões nos sites e testes comparativos. Aqui na minha cidade são duas concessionárias. Andei na V-strom e não me apaixonei. Tirei a moto há 05 dias e estou impressionado com a transalp. A moto é maravilhosa. Não desmerecendo a BMW mas não dá para comparar com a 650 gs. É outra categoria! A moto é infinitamente syuperior na estrada. Na cidade também é deliciosa. Confesso que vendi minha moto com pesar e comprei preocupado mas foi o melhor que fiz. Já tive muitas motos e de diversas marcas e posso dizer que foi a melhor moto que já pilotei nesta categoria. Sabem o que é voltar do trabalho no final do dia e não querer ir para casa sem dar umas voltas a mais? Pois é! É isto que a transalp te faz!
    Detalhe: o comportamento do C-ABS na transalp é fenomenal, nem de longe compete com o da BMW que trava bastante. O sistema combinado de freio dela é excelente! Também gostei muito do dispositivo anti-roubo que fica piscando no painel (mesmo com a moto desligada). A moto só liga com a chave original e codificada.
    Último detalhe: minha mulher adorava a BMW e não queria que trocasse. Achava a BMWlinda e coisa e tal. Só consegui um positivo murcho quando dizia que não queria mais ir ao Rio, que era perigoso, etc. Depois que cheguei ela já encantou com a moto. Depois que andou,…… Pergunte a ela se valeu ou não a troca?

  2. A minha honda transalp é com c abs, e esta com 5000km, fiz uma viagem de Balneário Camboriu, passando por Itapetininga, com destino final Campos do Jordão, neste trajeto atravessei o parque estadual Carlos Botelho – serra, estrada de chão com buracos e lodo-, a moto estava com os bauletos laterais, bau givi 45 litro, e com carona. Já tive entre outras as motos honda varadero 1000, yamaha tdm 900, v strom 1000, V strom 650, bmw gs 1200 adventure, harley Davidson ultra glide, harley Davidson heritage classic, falcon, portanto posso falar em termos de comparativo real. Fiquei surpreso com o desempenho da transalp 700, principalmente naquela estrada do parque estadual carlos Botelho, pois que tinha chovido, e a estradinha de chão em alguns pontos foi passada a patrola, assim barro solto e espesso, muitos buracos, trajeto muito difícil, só quem andou lá sabe o que é, a Honda transalp 700 encarou sem problemas. Assim a transalp 700 com c abs, é uma moto muito forte, confortável, estável, com consumo médio 18km, minimo 16km, e máximo 20km/l. Não acredito que existe no mercado nacional no momento uma motocicleta que proporcione o que a transalp 700, oferece pelo peço de R$ 37000,00. Coloquei alguns acessórios na minha:aquecedor de manoplas, bolha alongada-mais 14cm, e bauletos. Recomendo esta moto, e não acredito que a v strom 650 ou a versys fariam o percurso que fiz no parque estadual Carlos Botelho, nas mesmas condições que eu enfrentei. Daqui a um ano veremos que a transalp 700, será o mesmo sucesso que é a na Europa.

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