Impressões: Honda CBR 600F – Esportividade na medida certa

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Meio termo entre a radical CBR 600RR e a naked CB 600F Hornet, esta nova Honda traz credenciais para agradar aos mais diversos motociclistas. Versatilidade, conforto e alto desempenho com um preço muito interessante.

Fotos: Honda

Uma semana antes da abertura do Salão Duas Rodas 2011, a Honda reuniu a imprensa especializada para apresentar dois novos modelos: a street-fighter CB 1000R e o modelo que protagoniza esta avaliação, a nova CBR 600F.

Apresentada mundialmente menos de um ano atrás (sua estreia foi no Salão de Milão 2010) e derivada direta da conhecida CB 600F Hornet, a nova CBR já está sendo produzida em Manaus e chega às lojas neste mês. Você gosta de esportivas e ficou feliz com a notícia? Então olhe o preço e sorria ainda mais: R$ 32 500 para a versão standard e R$ 35 500 para a moto equipada com C-ABS. Praticamente o que poucos meses atrás se cobrava pela naked Hornet.

Diferentemente do que muitos pensam, o “F” no nome não faz referência ao motor “Four” (quatro cilindros) e sim a “Fun”, que significa diversão em inglês. E se você quer saber, foi exatamente isso que sentimos nos dois dias de avaliação: muita diversão!

Muito fácil de pilotar, a nova CBR 600F vai bem em um autódromo, na estrada ou até mesmo na cidade

Passamos, literalmente, horas pilotando a CBR 600F na excelente pista onde foi realizada a apresentação, ora buscando extrair do novo modelo toda a sua esportividade (afinal é uma CBR), ora simulando uma condição menos racing e mais descontraída (afinal ela é um ‘fun”). Depois, já sem macacão, ainda tivemos a possibilidade de conferir seu comportamento em uma boa variedade de estradas e em trechos urbanos durante um percurso de 140 km.

A ciclística e o motor “seiscentos” de quatro cilindros são compartilhados com a Hornet, o que é uma excelente notícia se considerarmos que a conhecida sport-naked, além de ser uma das motos mais desejadas de nosso mercado é uma das referência na categoria em comportamento dinâmico e motorização.

Assim, não há novidades significativas em termos de desempenho e nos números de potência e torque: são, respectivamente, 102 cv a 12 000 rpm e 6,53 kgfm a 10 500 rpm. O tetracilíndrico Honda continua demonstrando especial predileção por altas rotações, entregando o que tem de melhor na faixa entre 9 000 e 12 500 rpm. Como você já sabe, a contrapartida disso é que trafegando abaixo de 6 000 giros ele apresenta respostas mais lentas, mas nada que torne seu uso na cidade desagradável.

Apesar de utilizar o mesmo chassi de dupla viga de alumínio da Hornet (foto à esquerda), a posição de pilotagem da CBR é diferente. O assento e as pedaleiras estão no mesmo lugar e altura da naked, contudo, o guidão da CB deu lugar a semiguidões na CBR. A postura do piloto sobre a moto ficou mais esportiva, com o tronco menos ereto e braços mais baixos, contudo, longe de ser radical e desconfortável já que os semiguidões estão posicionados acima da mesa superior — na 600RR ficam na inferior.

O tanque de combustível da recém-lançada esportiva é novo. Está mais baixo e menos volumoso que o da CB 600 para permitir que o piloto assuma essa posição mais “deitada” imposta pelos semiguidões. Em função do novo design, ele comporta agora 18 litros, contra 19 litros da irmã Hornet.

Ao lado da Hornet, notamos que apesar de mais esportiva, a posição de pilotagem da nova CBR não sacrifica o piloto

O melhor teste foi quando depois de várias voltas com a F na pista, pulamos para o guidão da Hornet (que a Honda disponibilizou para demonstrar ainda melhor a diferença entre elas). Quanta diferença! A primeira impressão, compartilhada por muitos jornalistas com que conversamos, foi que o guidão da Hornet havia sido trocado por outro mais alto e largo, o que, evidentemente, não era verdade.

Notamos que, em relação à CB, a F ganha muito em estabilidade e controle do eixo dianteiro. Temos a nítida sensação de que a nova distribuição de peso do modelo proporciona a mesma agilidade que aquela alcançada pela versão naked (mesmo com um guidão com menos alavanca), mas com um comportamento mais estável, principalmente em mudanças rápidas de direção ou quando saímos acelerando forte de uma curva com os giros elevados.

Outra novidade da CBR 600F são as bengalas dianteiras com regulagens na carga da mola e na ação do amortecedor. A suspensão traseira também conta com ajuste da pré-carga e retorno, e, vale dizer, a geometria do conjunto é idêntica à da Hornet. No chassi, a única diferença está na parte dianteira onde há alguns suportes para fixar as carenagem, ou seja, não dá para adaptar a carenagem da “F” na Hornet.

O C-ABS é um opcional de R$ 3 000, mas as bengalas ajustáveis são de série. O assento é bom para uma moto esportiva, mas o garupa terá que se segurar nos rebaixos sob a rabeta

Para a sua proposta, o conforto oferecido pelo assento é bom, inclusive para o passageiro. As “alças” do garupa ficam embutidas na rabeta, o que resulta em uma solução esteticamente harmoniosa, mas, na prática, não tão eficaz quanto as tradicionais alças do tipo asa.

Durante a apresentação promovida pela Honda não foi possível medir o consumo da nova CBR, mas, como não houve nenhuma alteração mecânica em relação à Hornet, os números devem ser praticamente os mesmos da naked se considerarmos que a melhor aerodinâmica deve compensar os poucos quilos a mais em relação à naked. O tanque garante uma autonomia próxima a 300 km.

Por falar em proteção aerodinâmica, ela mostrou-se muito eficiente. A velocidades entre 100 e 120 km/h é perceptível como a carenagem desvia o vento do peito do piloto, e o melhor é que não precisamos literalmente deitar no tanque para sentir seus efeitos. Sinônimo de conforto e que faz muita diferença em viagens. O painel é integrado à carenagem e peca apenas por não trazer o útil indicador de marcha. Algumas pessoas ainda preferem o conta-giros analógico, entretanto, a barra digital que indica as rotações na CBR não compromete uma boa visualização.

Além do tanque, dos semiguidões e das carenagens, a outra diferença em relação à CB 600 é o farol, que não esconde o DNA Honda mas confere uma identidade própria a CBR 600F.

Diferentemente das motos naked da marca que compartilham uma identidade visual (CB 300R, CB 600F Hornet e CB 1000R), não há como confundir a nova F com outras esportivas da marca, já que o conjunto frontal é bem diferente das demais CBR. Pena que a Honda não tenha aproveitado para colocar indicadores de direção mais discretos (de LED talvez) já que os enormes piscas que equipam a CBR e também estão presentes em toda a linha CB não combinam com a modernidade das linhas deste novo modelo.

Design harmonioso sob qualquer ângulo. O painel é completo e a proteção aerodinâmica é muito boa

Até pouco tempo, quem procurava uma moto esportiva de média cilindrada tinha apenas duas opções: as naked ou as supersport. Como a presença da carenagem faz uma grande diferença tanto no visual como também no comportamento, muitos motociclistas fãs de esportivas eram “obrigados” a partir para as radicais RR (Race Réplica). Com a experiência, muitas vezes percebiam que as superesportivas nem sempre atendiam aquilo que eles necessitavam. Fantásticas sim, mas elas cobram o preço de seu DNA 100% esportivo no conforto, versatilidade e custo de manutenção. Fora que 90% desses motociclistas jamais tiveram a pretensão de explorar todo o potencial de suas máquinas em um circuito a mais de 250 km/h.

Por outro lado, o amadurecimento do mercado e o cenário favorável da economia fizeram com que, hoje, muitos motociclistas já estejam deixando suas pequenas motos de baixa cilindrada para partir para uma média. Como na maioria dos casos o intuito é uma moto para o lazer, conforto, versatilidade e uma utilização igualmente prazerosa na cidade e na estrada são tão importantes quanto esportividade, alta performance e, claro, um bom custo/benefício.

Assim, ao mesmo tempo que a F representa a possibilidade de um step-up, para quem já possui uma naked ou moto de 250/300 cm³, não será surpresa se muitos motociclistas que partiram logo de cara para uma RR migrem para a F também após perceberem que raramente utilizam todo o potencial de competição…até porque o desempenho da F é mais que suficiente para proporcionar overdoses de adrenalina no sangue para quem não tem um Rossi ou Stoner no sobrenome.

Com as qualidades demonstradas neste primeiro contato com o modelo e considerando o preço sugerido pela Honda, não temos dúvidas que a CBR 600F já chega ao mercado como a moto a ser batida. Seguramente, ela será a esportiva mais vendida do Brasil; e por larga margem. A expectativa da Honda é comercializar 230 motos por mês, mais que o dobro dos modelos mais vendidos atualmente, que emplacam pouco mais de 100 unidades/mês.

Pela diferença de preço, não pensa duas vezes e opte pelo modelo com C-ABS, mesmo que para isso você seja obrigado a optar pela moto preta já que a belíssima CBR “F” branca e vermelha só está disponível na versão standard.

7 COMENTÁRIOS

  1. Tenho uma Hornet 2011, (modelo 2011-segundo modelo no Brasil), e adianto que, em 2012 esta CBF será minha proxima moto, ate agora ela retrata o unico problema que encontrava nas 3 Hornets que tive, ou seja a falta de carenagem ! Cicilistica invejavel, 102 cv de potência, otima para uso urbano e estrada, leve, agil, boa para a garupa, otima suspensao dianteira invertida, consumo normal para uma média, excelente quadro sem solda que nao permite torcoes, super resistente, e com a maior rede de assistencia do Brasil, isso se ainda assim precisar de algum reparo ou revisao, portanto pra ser sincero, e sem puxar sardinha pra Honda, mas tenho que elogia la e dizer que, pra ser sincero, essa CBF parece um sonho…rsrsrsrs…

  2. Corrigindo o repórter, o F na sigla se refere a palavra “Fairing” que significa carenagem.
    Assim como existem as Kawasaki ER-6N (N=Naked) e sua versão ER-6F (F=Fairing)que por aqui está sendo comercialisada como Ninja 650.
    Então o “Fun” a que o reporter se refere é somente a diversão que ele sentiu ao pilotar a moto e não a sigla da moto.

    • Pedro, você está certo no caso da Kawasaki e de outras marcas, contudo, no caso específico da Honda, o “F” refere-se a Fun segundo explicou a própria marca. Também tive essa dúvida quando eles comentaram sobre o nome na apresentação à imprensa, e eles confirmaram que é F de Fun mesmo.

      Obrigado por contribuir com a notícia e com os demais leitores. Um abraço.

      Gabriel Berardi

  3. Fortíssima candidata à ser minha próxima moto.
    Belo teste, aliás, ficamos no aguardo de um teste mais aprofundado, um comparativo entre ela e as outras carenadas hehehe.

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