Honda CB 1000R

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Moderníssima e arrojada, a street-fighter CB 1000R  impressiona pelo comportamento dinâmico e chega às concessionárias por um preço que promete fazer a concorrência refazer as contas. Um verdadeiro presente de natal da Honda para quem estava à procura de uma naked moderna e com excelente custo/benefício!

 

 

por Gabriel Berardi – fotos Marcos Brasil

Quase 24 anos atrás, em 1986, a Honda do Brasil apresentou um modelo que se tornaria um ícone entre os motociclistas brasileiros, a CBX 750 F. Inicialmente importada do Japão, em 1987 ela começou a ser nacionalizada e se tornou a primeira moto com motor de 4 cilindros em linha produzida pela Honda no Brasil.

Honda CBX 750F – Foto: internet

Com o passar dos anos, a  “sete-galo” foi perdendo seu poder de sedução, especialmente quando comparada à bela CBR 450 SR, de 1989, e às modernas esportivas “tetra” CBR 600F e CBR 1000 F, que a marca começou a importar em 1992. E assim foi que, em 1994, a mais famosa 750 finalmente deixou de ser produzida. O fim da CBX 750 deixou uma legião de órfãos na marca, gente que se encantou com o “sabor” de uma tetracilíndrica, mas que não encontrava nas radicais esportivas CBR ou nas naked bicilíndricas — como a CB 500 de 1997 — uma substituta para a “galo”.

Somente em 2004, com a chegada da CB 600F Hornet, a Honda voltou a atuar no segmento. Pouco tempo depois, em 2007, a marca ainda importaria do Japão a CB 1300 SF, uma big-naked que ficou no mercado até 2010; e que também deixou saudades em uma série de entusiastas… e eu me incluo entre eles. Mas, enfim, toda essa historinha é para mostrar que a Honda sempre exerceu um papel especial neste segmento, o que de certa forma justifica o estardalhaço que a CB 1000R promete fazer no mercado.

Depois da impressionante VFR 1200, a Honda volta a surpreender com mais uma moto de DNA esportivo e alta cilindrada.  Uma moderna street-fighter que já é um sucesso no exterior e que foi apresentada aos brasileiros no último Salão Duas Rodas de São Paulo, realizado em outubro deste ano. Não que ela já não fosse esperada, afinal, o fato de terem deixado de importar a CB 1300 SF era um sinal claro de que ela chegaria, no entanto, podemos afirmar que poucos imaginavam encontrar uma moto tão aprimorada tecnicamente.

Antes mesmo de sentar e girar a chave já podemos notar um dos pontos altos desta nova naked nacional: o design moderno e agressivo. Lançada simultaneamente no Japão e Europa em 2008, a CB 1000R ainda não envelheceu.

As compactas carenagens laterais — estilizadas em forma de raio — protegem o grande radiador e servem de moldura para o motor tetracilíndrico que, como não poderia ser diferente em uma legítima street-fighter, fica totalmente à mostra. As linhas angulosas do tanque de combustível também colaboram para o visual “musculoso”. Além do estilo e do motor totalmente exposto, ajudam no impacto visual desta CB os coletores dourados em contraste com o preto do propulsor, o moderno escape e, principalmente, a roda traseira, que também fica totalmente exposta graças à adoção de uma balança monobraço.

Na traseira encontramos a mesma solução adotada na família CB 600 (Hornet e CBR 600F), ou seja, uma rabeta estreita e afilada, com alças de apoio para o garupa embutidas e uma lanterna de LED discreta e ao mesmo tempo eficiente.

Uma tendência no mercado automobilístico, e que, agora, começa a chegar também às motos, é a criação de uma identidade visual para a marca. Ou seja, da mesma forma que os novos Chevrolet se caracterizam por grades gigantes e hoje está difícil distinguir a frente de um VW Fox ou um Gol de um Jetta ou Passat, basta olhar o farol dianteiro desta naked para não termos dúvidas de que estamos diante de uma Honda da família CB. A boa notícia é que, felizmente, em nenhum momento confundimos a nova “mil” com uma CB 300 ou Hornet, mérito de um pequeno refletor redondo com a luz de posição, em LED, que além de um toque de requinte, proporciona identidade própria a esta street-figther.

Pena que a Honda não teve a mesma ousadia da CB 1000R na escolha das cores. Por enquanto, as CB “Made in Manaus” estão restritas ao verde metálico (em uma tonalidade idêntica à da Hornet) e ao preto. Confesso que adoraria ver por aqui a espetacular combinação branco, azul e vermelho HRC com rodas douradas, como é oferecida no mercado externo.

O painel de instrumentos está integrado à pequena carenagem frontal e é dividido em três mostradores digitais. O espaço nobre, no meio, é ocupado exclusivamente pelo conta-giros digital e pelas luzes-espia. O velocímetro e temperatura do motor ficam no display à esquerda enquanto marcador de combustível, relógio e hodômetros ficam no LCD à direita.

Em matéria de informação, sentimos falta apenas de um indicador de marcha, e, para proporcionar uma leitura mais rápida, gostaríamos de ver o velocímetro na parte central do painel. Ao contrário do que normalmente acontece, apesar de não ser tão imediata como em um sistema analógico, a leitura do conta-giros na CB 1000R não compromete. Mesmo pilotando à noite a iluminação azul não cansa, mas, ainda assim, a sua intensidade pode ser ajustada.

Na nossa opinião, há dois itens que destoam totalmente do moderno conjunto da CB 1000: os antiquados punhos de luz e os enormes indicadores de direção (piscas). Por falar nisso, a iluminação do farol é excelente e, vale destacar, a moto oferece pisca-alerta, item que deveria ser obrigatório em toda motocicleta.

Apesar de pertencer a uma categoria de motos projetadas para provocar overdoses de adrenalina e embriagar nossos sentidos com cheiro de borracha de queimada e acelerações insanas, a posição de pilotagem e a ergonomia da CB 1000R em nada lembram as radicais esportivas. Alto e largo, o guidão de alumínio está perfeitamente posicionado para permitir absoluto controle da moto e, ao mesmo tempo, adequado nível de conforto. Obviamente não chega a ser a posição ativa de uma trail ou supermotard, mas em nada lembra algumas desconfortáveis esportivas ou sport-naked com semiguidões.

Se por um lado o assento estreito permite boa movimentação do piloto em curvas, a excelente densidade de sua espuma e o formato anatômico garantem conforto suficiente para que algumas horas sobre a moto não sejam um martírio. As pedaleiras não estão excessivamente recuadas e deixam boa altura livre em relação ao solo. Os comandos, como já é tradição nos produtos Honda, possuem acionamento suave e preciso. A embreagem hidráulica e o pedal de câmbio com curso adequado também colaboram, especialmente nos deslocamentos urbanos onde frequentemente temos de mudar de marcha.

Por falar em ambiente urbano, a CB 1000R mostrou-se perfeitamente viável para uma utilização na cidade. Mesmo enfrentando mais de 100 quilômetros de trânsito bastante congestionado durante este teste, a naked  demonstrou muita agilidade. Acredite, a aparência de moto desconfortável, pesada e de comportamento brutal não se confirma na prática. Como acontece também com outros modelos desta categoria, o grande inimigo desta naked na cidade é a criminalidade. Por ainda não estar à venda, não conseguimos uma cotação de seguro para efeito de comparação com as concorrentes.

Como comentamos no “impressões” que publicamos na ocasião de nosso primeiro contato com a moto, a agilidade da CB 1000R seja talvez sua característica mais surpreendente. É como se tudo na moto fosse calculado milimetricamente para proporcionar uma pilotagem divertida e, ao mesmo tempo, desafiadora.

Compacta e com soluções técnicas que buscam a centralização de massas, encontramos uma motocicleta incrivelmente maneável nas curvas e estável em qualquer condição. Não importa se estamos percorrendo uma curva de raio curto, longo ou mesmo se estamos pilotando de forma agressiva ou simplesmente passeando; a moto mostrou-se sempre equilibrada e sólida, mesmo em pisos com algumas imperfeições, característica comum em nossas estradas. Não custa lembrar que o chassi é semelhante ao utilizado pelas Hornet e pela recém-apresentada CBR 600F, o que é uma ótima notícia.

Neste tipo de moto, oferecer potência e torque abundantes em médias rotações é muito mais importante que alcançar giros altíssimos; ou seja, linearidade vale muito mais que os valores absolutos. E nisso a CB 1000R vai bem.

Com um câmbio bem escalonado e um ótimo acerto eletrônico, os 125 cv e os mais de 10 kgfm de torque do motorzão tetracilíndrico chegam à roda traseira de forma gradual, o que significa que, pilotando com um mínimo de responsabilidade, em nenhum momento a CB 1000R assusta o piloto com respostas bruscas ou inesperadas. Mesmo sem amortecedor de direção, a frente mostra-se um pouco inquieta apenas em acelerações fortes em 1ª e 2ª marchas, absolutamente normal se considerarmos as características deste modelo.

Entretanto, apesar do irretocável comportamento do motor, por ser mais curta e com praticamente o mesmo entre-eixos da CB 600, girar o punho do acelerador sem um pouco de cautela pode não ser muito recomendado se você gosta de andar com as duas rodas no chão. Puro êxtase para pilotos com alguma experiência em provocar e controlar uma máquina assim, mas, com piso molhado e em saídas de curva, lembre-se que não há controle de tração.

Na hora de parar, mais uma vez a “Hornet 1000” — ouvimos muito isso nas ruas durante este teste — mostrou-se impecável, com freios potentes e fáceis de dosar, o que proporciona uma frenagem segura em qualquer condição. Não é preciso nem dizer que, se você está mesmo decidido a adquirir uma, parta logo para a versão com C-ABS.

Como já dissemos, no geral, as características demonstradas credenciam esta “mil” como uma excelente opção para quem quer ter uma naked de alta cilindrada, mas ainda tem pouca experiência com motos deste porte.

Pelo que pudemos apurar em algumas concessionárias na capital paulista, apesar de ter sido apresentada no Salão, em outubro, as primeiras unidades da moto estão chegando às revendas agora em dezembro. Para levar uma CB 1000R para casa, o consumidor terá de desembolsar R$ 40 000 pela standard e R$ 43 000 pela C-ABS. Valores acima da tabela divulgada pela marca (R$ 37 800 e 40 800, respectivamente), mas, mesmo assim, bem inferiores aos praticados pela rede Kawasaki para a Z1000 — R$ 45 900 (std/2011) e R$ 52 900 (ABS/2012), a concorrente direta da “mil” da Honda. Vale lembrar que a CB 1000R já é produzida em Manaus.

8 COMENTÁRIOS

  1. PEGUEI A MINHA 3 MESES E REALMENTE TUDO O QUE FOI PUBLICADO POR VOCÊS EU ESTOU SENTINDO, PRINCIPALMENTE NA FACILIDADE PARA PILOTAR NA CIDADE, ELA É PERFEITA.

  2. eu tinha uma z750 ABS, vendi pensando em pegar uma CB1000r, conversei com donos desta moto, me disseram que baixa oléo, e já travou o motor na garantia, barulho na corrente,a z1000 concorrente para vender o cara chora, tem 2012 0 encalhada nas concessionárias, prefiro esperar a nova r1, a gente perde muito dinheiro com essas motos, vou pegar a r1 e não vender mais.

  3. Ótima matéria, completa e intuitiva. Feita por quem entende e gosta de moto. Parabéns.
    Eu estava certo de adquirir uma Hornet, pois acho a moto bonita e com uma potência razoável. Porém, quando ví a CB 1000R, agradecí ainda não ter comprado a Hornet. Gosto de esticar a moto na estrada e curtir um pouco altas velocidades. Já curti bastante a CBR 1100 XX, Superblackbird e também a Hayabusa 1300 (2010) do meu irmão. Sei que são bastante diferentes essas super esportivas em relação a CB 1000R, mas por isso mesmo acho que a naked é um belo brinquedinho que vai proporcionar muita diversão de uma forma mais civilizada. Se for como estou pensando, e lí na matéria acima, acho que a CB 1000R é meu número, foi feita pra mim.
    Quanto ao preço, via de regra é o sujerido pela fábrica que conta, mas como é lançamento, creio que as concessionárias vão praticar o chamado “ágio” por algum tempo ainda. E o pior é que eu vou ter que pagar por isso (mesmo totalmente contra em se submeter a esse tipo de chantagem).
    Um abraço.

  4. Gostei da matéria! Acho que poderiam comentar sobre a garupa, sei que não é o forte dela mas fica mais fácil de se convencer a patroa se tiver alguma materia.
    Parabéns ao Best Riders, todo dia acompanho!!

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