Hayabusa: O Exército de Brancaleone e sua Absurda Cavalaria

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Suzuki Hayabusa

[ Suzuki, cadê o ABS da Hayabusa? Estou anotando aqui para não esquecer de comentar no texto, e continuar a pegar no pé das montadoras de motos esportivas que ainda não colocam ABS de série.]

Pronto, podemos começar com uma breve historinha da Hayabusa…

Suzuki Hayabusa
Fotos: Roberto Severo

A Hayabusa não inaugurou a categoria Ultimate Sport Touring, mas certamente é a moto que melhor define esta categoria. Lançada em 1999, a Hayabusa foi desenvolvida para concorrer com a CBR1100XX da Honda, uma das primeiras originais de fábrica a correr acima dos 300 km/h.

Suzuki Hayabusa

A categoria Ultimate Sport Touring, significa em poucas palavras “Quanto mais melhor”, ou o céu é o limite! As principais características são o desempenho absurdo do motor, o acabamento esmerado, aerodinâmica impecável e o tamanho avantajado. Outros bólidos já ultrapassaram a casa dos 300km/h, como a Kawasaki ZX-11 por exemplo, mas não “tão bem” quanto a Hayabusa. Quero deixar claro que “tão bem” significa “sem parecer que a moto vai desmontar no asfalto”.

Para concorrer com o bólido da Honda, que era vulgarmente conhecida como “Blackbird”, pássaro negro em inglês, foi que a Suzuki criou a Hayabusa. O nome é uma provocação à concorrente do sol nascente, pois “Hayabusa” é o nome do único predador natural do pássaro negro (Blackbird da Honda, no caso).

Suzuki Hayabusa

Este é o Falcão Peregrino, ou Hayabusa, o piu-piu que é capaz de atigir mais de 320km/h em mergulho e ninguém me tira da cabeça que o para-lama dianteiro foi inspirado em seu bico:

haya_passaro

A Hayabusa segue a mesma fórmula da concorrente, exceto pelo motor de mais de 1300 cilindradas (1340cc), maior e mais potente. Auxiliado ainda por grandes entradas de ar, que compõem o sistema SRAD já consagrado nas motos esportivas da Suzuki, como a famosa GSX 750. Como já expliquei no texto da avaliação da GSX-R1000, SRAD não é modelo de moto mas sim um sistema que utiliza a entrada de ar como um turbo, a medida que a velocidade da moto aumenta.

Suzuki Hayabusa

A Hayabusa mantém o posto de moto mais veloz do mundo. Em 2008 (2009 no Brasil), ela sofreu uma grande atualização, que deixou ela ainda mais rápida e imponente. Ficou maior e melhor. Nesta época, a Kawasaki já tinha a ZX14 com seu motor de 1400cc que, mesmo sendo maior, não conseguia ter o mesmo rendimento da Hayabusa.

[ Pausa para lembrar do ABS: na Europa já é obrigado o ABS em motos de série acima dos 125cc. Aqui parece que é considerado como item de luxo! ]

Suzuki Hayabusa

Seu trono está sendo ameaçado pela nova Kawasaki ZX-14R, que diz entregar um desempenho nunca antes visto em outra moto de série. O pessoal do Best Riders já está em contato com a Kawa para possivelmente fazermos em breve um “comparativo de monstros”.

No Brasil desde 2009, o modelo atual da Hayabusa não sofreu modificações, apesar de continuar sendo a moto mais veloz do mundo, é algo que me deixa incomodado e perplexo, pois a versão 2012/2013 lançada no último Salão de Colônia, na Alemanha, apresentou ao público a versão com ABS desta musculosa senhora. Quando chegará por aqui? Bem, só o pessoal de planejamento estratégico (ou tático?) da Suzuki é que poderá responder, inclusive os porquês desta enorme lacuna de tempo.

Traseira Hayabusa

Apresentações mais do que feitas, vamos à avaliação da grandona:

Olhando de longe a moçona já impressiona, baixa, larga e mal encarada (no bom sentido), impõe respeito a qualquer moto que emparelhe no farol ou que seja ultrapassada na rodovia. Brancaleone tem sangue azul, tradição de décadas como uma das mais desejadas motos de alta velocidade e com voz de rainha que escapa pelos dois canos laterais:

[ Interlúdio do ABS: é mais importante parar que acelerar, aliás a frenagem é uma aceleração Negativa, então, melhore a aceleração de sua moto, equipando-a com ABS ]

Sinceramente, ela é grande e desajeitada se for pensar em um contexto urbano, mas como diria o saudoso poeta, desculpem-me as feias, mas a dama de ferro da Suzuki é linda! Quando ela para, o tempo também faz uma pausa e todos ficam olhando para ela. Se o propósito é desfilar, amigon, você achou a moto dos sonhos. É uma passarela em cada rua, um pedestal a cada farol.

Suzuki Hayabusa

Vou dividir minhas impressões em cidade e estrada para contextualizar melhor:

Cidade / trânsito:

O que gostei:

Câmbio: como ela possui uma potência desumana, ela aguenta barbeiragem com a caixa de câmbio. E por gostar de altas rotações, reduz a necessidade de muitas mudanças de marcha, cheguei a 120 km/h em primeira e tinha espaço para mais. O problema é quando você engata a segunda a 10.000 rpm, precisa saber o que vai acontecer em seguida, senão você vira do avesso fácil, fácil. Testei: a grandona vence a inércia e começa a andar até em quarta marcha.

Arrancadas: não precisa ser adivinho para saber que ela consegue sair na frente de todos outros “objetos” motorizados quando o verde abre. Mas se bobear, ela levanta seu para-lama dianteiro, que realmente lembra um bico de uma ave de rapina, e amigon, em pista molhada, você, moto, e asfalto vão se encontrar!

Retrovisor Hayabusa

Espelhos: boa largura e o tamanho não compromete a ultrapassagem de carros no corredor (desde que o corredor seja largo), o formato retangular também privilegia uma boa visão, se fosse em formato de diamante talvez fosse melhor.

Manete hayabusa

Regulagem da “altura” das alavancas de freio e embreagem: deixam os comandos ao gosto do cliente e isso ajuda para o uso frequente na cidade.

Manete hayabusa

O que não gostei:

Motor: sobra motor para as ruas brasileiras, sem sentido ficar no acelera e freia constante, a moto esquenta e o piloto cansa.

Suspensão: a suspensão da Hayabusa é adequada, mas não funciona bem no terreno lunar.

Posicão de pilotagem: não é natural, desconfortável para o uso diário, pescoço, punhos e coluna sofrem acima dos 40 minutos de percurso com trânsito.

Manobras: é um desafio manobrar a Branca para estacionar na rua, ou passar entre os carros. Curvas muito fechadas também fazem a moto gemer de dor.

Freios/Controle de Tração: para mim, ABS é imprescindível para este modelo! Controle de tração faria toda a diferença em pista molhada.

Estrada:

O que gostei:

Performance: não poderia deixar de ser a primeira a lembrar, a moto desliza na estrada, aceleração constante, retomada em qualquer marcha e virtualmente qualquer velocidade. A vida começa acima dos 8.000 rpm, aí é que ela coloca a faca nos dentes (bico?) e sai à caça de presas na estrada.

Mas o ministério da velocidade adverte, se você não tem experiência fique abaixo dos 5.000rpm e curta o seu passeio. Brancaleone acelera e por vezes parece estar à frente do seu pensamento. Você quer, você faz, e as vezes não dá para “desfazer”, se é que me entendem… Outra forte característica da Hayabusa, é que você começa a perder a noção de velocidade por causa do seu porte e segurança que passa. Quando olha no velocímetro toma aquele susto!

Câmbio: perfeito para este ambiente, a sexta parece infinita, mas mantém boa velocidade de cruzeiro.

Estabilidade em curvas e retas: isso se deve ao excelente quadro, pneus e suspensão que conferem muita segurança a até mesmo ultrapassagens em grande velocidade durante o contorno de uma curva aberta

Luzes e Espelhos: faróis muito bons iluminam bem a estrada mesmo com chuva torrencial. Análogo ao que disse para a cidade, ficam bem posicionados e abertos para boa visão do que passou ou do que está vindo.

Suzuki Hayabusa

O que não gostei:

Posição de pilotagem: mesmo solta na estrada, para trechos muito longos a posição de competição cansa o mais piloto dos mortais.

Freios/Controle de Tração: Insisto, ABS e controle de tração deveriam ser mandatórios para este modelo!

Outros comentários:

Freios: Para ficar clara minha posição, apesar de pegar no pé, os freios convencionais funcionam muito bem, mas não para uma moto deste porte e potência, qualquer emergência pode se transformar em apuro acima dos 80 km/h.

Suzuki Hayabusa

Escapamentos/Radiador: sistema de escape 4-2-1-2 com um catalisador de alta capacidade. Um radiador de alta eficiência com duplos ventiladores elétricos controlado pelo ECM para aumento da capacidade de refrigeração. O radiador de óleo tem 10 núcleos de linha para a dissipação de calor.

Banco Hayabusa

Banco: a posição do piloto é confortável, tenha certeza que seu traseiro será o último que doerá depois de uma hora pilotando Brancaleone. O do garupa, não compromete tanto, e tenha certeza que exibirá os atributos de quem estiver debruçado(a) no piloto, complementando a belíssima rabeta da moto!

Painel: simples e funcional, tem os instrumentos necessários e é bem intuitivo, bateu o olho, fez a leitura: velocímetro, tacômetro, marcador do nível de combustível e marcador de temperatura do líquido do radiador, fora os básicos: indicador de setas, luz alta, pressão do óleo, nível de combustível, superaquecimento do líquido de arrefecimento e funcionamento da injeção eletrônica. Ao centro do painel há uma tela de LCD que exibe marcha engatada, hodômetro total e dois parciais, relógio, modo de pilotagem selecionado e luz indicadora de RPM (Shift Light).

Painel Suzuki

Consumo: se a ideia é economizar, seja na estrada quanto na cidade, não precisa dizer que esta não é a moto. Fiz uma média de circuito misto de 12 km/l, mas tudo depende de como você controla seu pulso direito. Teve trecho que fiz 7,5 km/l com o pulso nervoso, e outros de estrada de fiz quase 16 km/l.

Acessórios: caro amigo, customização é algo ligado a gosto, segundo o meu, a moto já vem pronta da concessionária, fora a instalação de sliders, não mexeria em nadinha. Possui até mesmo ganchos laterais e alça para o garupa.

Continuando a falar sobre customizações, tem gente que não fica contente com a potência original e incremeta um pouco mais para chegar aos 400 km/h em poucos segundos:

A Hayabusa 2012/2013 já pode ser encontrada nas boas casas japonesas do ramo pelo valor sugerido de R$ 56.000,00 disponível com novos grafismos e cores – Pearl Nebular Black, Pearl Mirage White e Candy Indy Blue (Preta, Branca e Azul).

Concluindo, a Brancaleone é suave sem perder a imponência, flutua na estrada em velocidade de cruzeiro e gruda no asfalto quando o piloto torce o cabo (desculpem o quase trocadilho). Tudo se explica quando falamos resumidamente que é uma clássica.

Fora isso, para complementar, seguem várias informações, muitas das quais a Suzuki diz e a gente acredita e publica:

Ficha técnica

Motor
Tipo 4 tempos, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, DOHC, refrigerado a líquido e cárter úmido.
Cilindrada 1340cc
Diâmetro x Curso 81,0 x 65,0 mm
Taxa de compressão 12,5:1
Potência máxima 197 cv @ 9.500 RPM
Torque máximo 15,81 kgf.m @ 7.200 RPM
Marcha Lenta 1.350 RPM +/- 100
Capacidade de óleo 3,5 litros
Combustível
Alimentação Injeção Eletrônica
Tanque de combustível 21 litros
Eletrônica
Ignição ECU/CDI
Partida Elétrica
Bateria 12V 12Ah selada
Farois 12V 55W H11 x 2
Transmissão
Embreagem Multi-discos banhada a óleo com acionamento hidráulico.
Câmbio Manual sequencial de 6 marchas
Transmissão final Por corrente com o-ring
Quadro
Tipo Berço duplo em alumínio
Dimensões
Comprimento 2.190 mm
Largura 735 mm
Altura 1.165 mm
Distância mínima do solo 120 mm
Distância entre eixos 1.480 mm
Altura do assento 805 mm
Peso seco 220 kg
Peso em ordem de marcha 260 kg
Suspensão
Dianteira Garfo telescópico hidráulico invertido com ajuste de pré-carga da mola, mergulho e retorno, curso de 120 mm.
Traseira Braço oscilante monoamortecido com amortecedor a gás e ajustes de pré-carga da mola, mergulho e retorno, curso de 140 mm.
Roda dianteira De liga leve de 17 polegadas
Roda traseira De liga leve de 17 polegadas
Pneu dianteiro 120/70 17 M/C 58W (sem câmara)
Pneu traseiro 190/50 17 M/C 73W (sem câmara)
Freio dianteiro Dois discos flutuantes e ventilados, de 310 mm, mordido por pinças de 3 pistões cada, 6 no total.
Freio traseiro Disco único ventilado, de 260 mm, mordido por pinça de 1 pistão.
Preço sugerido (2012) R$ 56.000,00
Cores (2012) Branca, Preta ou Azul

Keep Riding!

17 COMENTÁRIOS

  1. Caro Roberto,

    parabéns pela matéria! Ando de Haya há bastante tempo (atualmente uma azul com rodas douradas, K9) e a moto representa o que há de melhor na categoria sport-touring. O pessoal sempre confunde sport-touring com RR. São escolas bem diferentes em seu propósito. E acho que tanto as sport-touring quanto as RR, não são boas motos para o trânsito das cidades, com seu piso comprometido e com motoristas pouco afeitos às regras de trânsito.
    Um abraço.

  2. só pra complementar meu raciocínio, eu vejo muito mais Hayabusas usadas para vender nos sites do que Fireblades…, não entendo o pq disso se a hayabusa é tão “lendária”

    • Gaudio,

      Obrigado pelo comentário!

      a explicação pode ser questão de gosto. Sem dúvidas as Fireblades são mais versáteis. Nunca pensaria em ter uma Hayabusa como meu meio de transporte único.

      Abraço,

      Roberto Severo

  3. Roberto Severo e amigos do site, eu gostaria de algumas opiniões, tenho duvidas entre uma cbr 1000 rr, que sei ter uma ciclistica referencial dentro de sua classe, e uma hayabusa, são dois estilos diferentes eu sei, mas estou a procura de algo para pequenas viagens, com segurança e prazer. Embora eu ouça muita gente falando bem da hayabusa algumas pessoas falam mal principalmente em relação a maneabilidade, minha pergunta é pra quem gosta de viajar(independente da posição de pilotagem mais carregada das SS), qual passa mais segurança? a frenagem da hayabusa é tão complicada assim pelo seu peso? a maneabilidade da hayabusa é muito mais trabalhosa em auto estradas como Anhanguera ou Airton Senna? e quanto a prazer de aceleração, pelo que sei uma SS acelera mais rápido principalmente a Fireblade que tem um midrange cheio de torque, bem menos final que a haya claro, mas pq todos falam da experiência incomparável de acelerar a Hayabusa? e minha pergunta final, pq a hayabusa perde tanto valor de mercado depois de usada, enquanto as SS não perdem?, se ela é realmente é uma lenda, teoricamente deveria perder pouco, …e se ela fosse tudo isso, as SS seriam muito pouco comercializadas afinal a maioria dos mortais compra uma esportiva para curtir estradas e raramente autódromos, abraço a todos

    • Gaudio, Obrigado por nos escrever,

      Se você quer respostas de aceleração mais rápidas: 1000rr; se quer curtir mais o passeio: Hayabusa.

      Sim! A Hayabusa é mais difícil de manobrar, e Não! Ela freia muito bem. Pelo seu texto imagino que gosta de curtir e não somente enrolar o cabo.

      Espero ter ajudado.

      Abraço,

      Roberto Severo

  4. Parabéns Roberto. Competente como sempre.

    Se pra motos 250cc o ABS já faz falta, nem quero imaginar tentar parar um monstro desses por um cachorro saindo do mato ou um doido cruzando a pista. Nem todo mundo é piloto.

    Já não basta a minoria dos consumidores reclamarem em sites sobre a situação defasada do mercado brasileiro.
    Está na hora dos jornalistas colocarem na parede esses diretores de marketing nesses eventos de lançamentos, aí sim o cabra sente o aperto.

    Sua iniciativa é louvável, devemos cobrar com mais frequência.

    • Ivan,

      obrigado novamente por comentar, e é impressionante pensar que apenas a minoria das motos de alta cilindrada saem com ABS de fábrica. Muitas vezes nem é opcional.

      Abraço,

      Roberto

    • Olá Mac33,

      muito obrigado pelo gentil comentário! O foco é o leitor, o motociclista (com ou sem moto), sempre!

      Grande abraço, e continue a nos prestigiar!

      Abração,

      Roberto Severo

  5. pois é, no ranking duas rodas ta na 1ª posição em aceleração de 0 a 100 KM/H, com 3s28, porém, fechou a volta em 13ª com 1min15s54, ficando atraz de tudo e de todos, na 1ª posição temos a BMW S 1000RR com 1min09s30.
    Por que eu estou falando disso? oras, hayabusa é uma moto pesada, dificil de guiar, sem destreza, quem compra uma hayabusa achando que vai deixar os outros p/ trás, se engana feio, o ranking de tempo de volta realizado por leandro mello (piloto de testes), prova isso. Se você quer emoção em uma moto, compre uma BMW S 1000RR e seja feliz, pelo 3 mês consecutivo líder em vendas no BRASIL!

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