H-D Iron – Nervosa, Bonita e Feita a Ferro e Fogo

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Fotos: Roberto Severo

Sabe qual é a diferença de um cavalo puro sangue e uma H-D 883? Um deles tem rodas. E sabe qual é a diferença entre uma H-D 883 Roadster, de uma Iron 883? O acabamento. Aliás, o departamento de marketing da Harley, em algum momento da produção deste sabor de 883, desmaiou, e quando acordou a moto já estava na vitrine da concessionária, pois, fora a linha top “Touring”, a percepção é que, em algum lugar no quartel general da H-D em Milwaukee, depois de uma moto pronta, um big-shot de marketing vira para seu subordinado e diz: “Ok, ok, ficou beautiful! Desmonte todos os acessórios, embale-os, e coloque-os no wall das stores para vender. Depois disso, a motorcycle estará ready! Direto para o Showroom.”

Brincadeiras a parte, e já que estamos falando de estética, alguns pontos altos são: as rodas com 13 raios de liga-leve e tampas de válvula pretas combinando com a pintura, os para-lamas recortados realçando o pneu e os garfos dianteiros, que dão o tom old-school. A cobertura do reservatório de óleo, o protetor de correia e as drag-bars de alumínio contrastam com o preto, beautiful!

Ah, o nome dela já veio direto do centro de equitação de Milwaukee, Rachel Alexandra ao seu dispor. Também nomeia uma das maiores estrelas do turfe (pode por no Google). E nosso cavalinho metálico do mês mostrou ter sangue quente!

Nos testes, sempre comparo os quesitos, e dou notas, considerando a proposta da máquina. Seria descabido comparar as características da 883 com uma supertrail, ou uma estradeira. Por que estou dizendo isso? Porque ela é uma moto única em sua história e concepção. Se tivesse que escolher uma palavra para definir esta moto seria “Retrô”. É uma das motos do mercado mais fiel ao rabisco original, lá na década de 50. Portanto, vamos prozear sobre a Madame Rachel Alexandra, a sangue quente de Milwaukee.

O banco já é um indício do porque esta moto é única. Hoje em dia, qual projeto original contempla uma moto de série com banco solo rebaixado a 75 centímetros do chão? Aproveitando: garupas? No way! Sorte do(a) pretenso(a) frustrado(a) passageiro, pois a suspensão é um dos pontos que parece que a H-D orgulhosamente traz desde a década de cinqüenta. Parou no tempo. Lembra da comparação com o cavalo? Pois é! Tire a sela do bicho, monte nele e terá uma experiência mais próxima da suspensão de pouco curso da Rachel.

A iluminação vai de encontro com a proposta do design. Ela não tem uma luz central de freio na rabeta e os piscas fazem uma tripla função: lanterna, luz de freio e sinalizador de direção. Ao meu ver, ponto para a turma da concepção do modelo. Os freios são um pouco duros, e nem pense na sigla ABS. Poderia ser uma bela evolução deste quesito.

Os instrumentos se resumem minimalisticamente ao velocímetro, e dentro deste, um visor de cristal líquido com um relógio, um odômetro absoluto e dois parciais. Ponto. Eu acho que não poderia ser diferente para a Iron. Uma solução elegante e pertinente.

Para os “fanboys” e “fangirls” em H-D, vou abrir um parênteses histório sobre o motor: é um Blockhead, projeto que equipa alguns modelos de Harley desde 1984, também conhecido por Evolution®. Foi desenvolvido baseado nos lendários Shovelhead e Ironhead, e prima pela durabilidade e confiabilidade. Mas mitos a parte, achei muito boa a potência e aceleração para a motorização (obviamente 883 cm³), com um desempenho acima da média para motos da mesma categoria – para os engenheiros de plantão: 7,2 kgf.m a 4.500 rpm. A R. Alexandra é bem nervosinha e responde bem ao pulso direito do piloto, tanto para arrancadas quanto para retomadas. Já que falamos de aceleração, engatamos uma segunda marcha e falamos do câmbio, que embora assuste os motoristas, pilotos e vendedores ambulantes nos semáforos quando “espetamos” a primeira, soando como uma marretada seca na primária, tem marchas bem dimensionadas e uma quinta aliviadora na estrada mantendo uma boa velocidade de cruzeiro.

Agora amigo, o barulho é uma realidade, a suspensão bate, o motor as vezes faz barulhos diferentes e o escapamento até que abafa bem. A boa notícia: não quebra não! Solução? 1) acostume; 2) venda; 3) solução Homer Simpson: se seu carro está com barulho estranho no motor? Aumente o volume do rádio, ou seja, customize: coloque uma ponteira com um som que confira um ronco bonito e pronto, sua vida e seus problemas vão melhorar para sempre!

A R. Alexandra é de conforto duvidoso para longas viagens, não só pelo fato de não ser feita para isso, mas por ter uma autonomia baixa dado o seu tanque de 12,5 litros. Dependendo da distância, serão várias paradas para abastecimento. Também recomendo a instalação de uma barra estabilizadora para melhorar a ciclística nas curvas.

A moto é pequena (2.245 mm) e leve (251 kg peso seco), um dos motivos de ser tão nervosa, claro que por questões estéticas, se você for muito grande, tanto na vertical quanto na horizontal, pode ser que sofra um pouco e se sinta um “perú no pires”, no caso de grandes dimensões horizontais, ou um “Louva-deus em um palito de fósforo” no caso de possuir altura avantajada. A propósito, eu estou no limiar da primeira situação.

Os retrovisores, realmente são para observar os próprios ombros, isso porque o guidão é estreito demais e a Harley tem a filosofia, não só para retrovisores, mas para muitos acessórios, “One Size Fits All”, ou em português claro: “um tamanho serve para todas”. Seja qual for a linha e o modelo. A mesma peça (neste caso o retrovisor) vai desde a 883 até modelos da linha Touring. Resumindo, este retrovisor em uma H-D com guidão largo, funciona bem, mas na nossa Iron não funciona nada. Atenção para a primeira customização: uma dica barata para mitigar este problema, e na minha opinião combina com o modelo é inverter os espelhos e virá-los para baixo. A moto fica diferenciada (eu gosto) e a visibilidade bem melhor. Atenção, este artifício é para a 883, não tente isso fazer em casa com sua “De Luxe”, “Fat Boy” ou “Dyna”.

Concluindo, como já relatei na análise da Sportster 1200, esta é uma daquelas motos que privilegia o conjunto homem+máquina. É esteticamente bonita e o motor da H-D mostra porque veio ao mundo. Particularmente, gosto do grafismo no tanque estilo Jack Daniels como nesta que testei, mas há outros de bom gosto também. Enfim, é uma moto que não precisa de tanta customização inicial, mas dá bastante liberdade, como suas primas 883 para esta perigosa e deliciosa atividade de gosto livre! É isso!

Keep riding!

15 COMENTÁRIOS

  1. Talvez ninguem responde com consistencia o que deixarei aqui, mas nada custa tentar, o que gostaria de saber na realidade é quero comprar uma HD mas sera que a 883 sera boa pra mim? tenho 1.94 110kg sou um cara grande, qual HD sera indicada pra mim na sua experiencia? lembrando que nao tenho 50.000 dilmas pra comprar um ROAD KING, agradeco desde ja e abraco a todos.

  2. Sir Severo ( the original Rabit ) foi extremamente fiel ao perfil da moto. Dura mesmo….mas paixao garantida ao proprietario. Moto de personalidade, que vai alem da avaliacao tecnica, tomando de assalto o coracao do motociclista. Satistacao plena,eu garanto!
    Abx!

    • Bom vê-lo por aqui Sir Murra,

      Meu affair com a R. Alexandra foi muito bom. A moçoila é estilosa demais da conta!

      Abrax,

      Roberto “Rabit” 🙂

  3. Pessoal, eu tô começando nesse papo de moto e queria uma idéia de vocês: eu sou um cara grande, já tenho mais de 30 (já passou a minha época de ficar fazendo loucura por aí)… sei que tem um pessoal que acha que pra começar tem que ser no máximo com uma 250cc, mas eu acho que uma moto desse porte com um cara de 1,92m e 120Kg vai ficar feinho… tipo um peru em um pires, saca?
    E aí, rola começar com uma Iron?

    • DVC,

      Nunca concordei com quem fala que para começar tem que ser algo pequeno, tudo depende do piloto. Qual é o seu estilo preferido? Para pessoas altas, as trails são muito boas por serem altas, mas vai de gosto. Na linha da H-D eu recomendaria facilmente a Iron, caro que observadas as ressalvas de conforto e longas viagens. Uma Dyna também seria uma boa opção para amantes das customs, assim como uma Shadow da Honda, Boulevard da Suzuki, Midnight Star da Yamaha, Vulcan da Kawasaki.

      Abrax,

      Roberto Severo

      • Grande Roberto!

        Meu caro, grato por ter dedicado alguns minutos para responder a minha pergunta.
        Eu também fico com “pé atrás” quando alguém vem dizer que tem que começar com motos pequenas.
        A dúvida maior é realmente o estilo: trail vai bem em razão da altura, e me parece que são melhores para os corredores das cidades (guidão passa bem pelos corredores… leia-se “retrovisores”), mas confesso que uma Custom também me agrada muito.
        Mas, no final das contas, independente da escolha, não será a última moto que eu vou comprar… então dá para experimentar uma e no futuro outra… rs!

        Abraço!

  4. Estou em lua de mel com a minha neguinha. Para quem quer um moto para uso diário talvez seja melhor a Roadster. Mas a iron tem esse visual matador, não me importo com tanto com o conforto.

    A suspensão dianteira é a pior, vou trazer molas da progressive e uma valvula da Ricor (intimidator) para ver se melhora…alguma sugestão aqui??? Dizem que trocando o óleo ela melhor….

    Na suspensão traseira devo colocar um progressive da seria 440 tamanho de 11 ou 12′ para o visual ficar ainda mais bandido (o amortecedor original é de 13”)

    • Sergio,

      A troca das molas ajuda, mas não resolve, é da arquitetura da moto mesmo. Uma barra estabilizadora na bengala ajudaria bastante nas curvas. Gostei da idéia da suspensão traseira, depois mande fotos da “neguinha”.

      Abrax,

      Roberto Severo

      • Pode deixar Roberto, estou indo para os EUA, as compras vão ser exclusivamente em função da neguinha. Devo trazer ponteiras Screaming Eagle negras ou Vance & Hines. O escapamento original é mto silencioso pro meu gosto, questão de segurança. Ai depois verei se vou precisar remapear a injeção ou trazer um módulo para Regular a injeção (existem muitas opções como Power Commander e Fuelpak, fem inclusive o Nacional “Pigster”, muito falado no forumHD)…
        Aliás, fica minha sugestão para um artigo aqui!

        ps. Outro detalhe, a Harley da garantia de 2 anos, na hora de levar na revisão recomendam refazer as modificações, neste caso, para não perder a garantia (pé no saco…rs).
        Abs!

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