H-D Iron 883: uma moto de atitude

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* Texto e fotos: Edgar Rocha

Apesar de diversas sugestões bem humoradas de alguns leitores para batizar a nossa Iron 883, por uma questão de hierarquia e respeito, vou deixar para nosso colaborador Roberto Severo nomear o nosso Teste do Mês, com sua verve que lhe é peculiar.

Confesso que não sou muito fã das motos custom, mas a HD Iron 883 me deu muito o que pensar.

A primeira coisa que me veio à cabeça, depois de andar nessa irmã da Sportster 883 Roadster, foi um refrão de uma musica que diz: “Good Girls Go to Heaven. Bad Girls Go Everywhere (As garotas boas vão para o céu. As garotas más vão para qualquer lugar)”. Não adiantar ser bonita, educada, boa moça. Tem que ter atitude, e isso não falta na HD Iron 883. Não que ela não seja bonita. Longe disto. O visual totalmente preto fosco além de belo passa um espírito rebelde onde aquela máxima se encaixa perfeitamente: “O menos é mais”.


As linhas da Iron 883 são clássicas e elegantes e o visual retrô, que parece feito por um talentoso customizador, nos remete àqueles filmes dos anos 50. Parte de sua aparência clássica está na pintura preto-fosco de toda sua roupagem na utilização do motor V2 Evolution, que faz parte da linha Sportster desde 1984 e que, como tradição da marca, não tem sua potência declarada, mas oferece torque de 7,2 kgfm a 4.500 rpm.

Já andei em diversas customs que privilegiavam o conforto, a performance ou o design. Mas a Iron 883, apesar de não se destacar em nenhum destes quesitos, tem atitude e acaba traduzindo o verdadeiro espírito Harley-Davidson, tão difundido durante esses anos de história da marca.

Gosto bastante da preocupação com os detalhes de acabamento da H-D, presentes na maioria dos modelos e que acabam sendo a assinatura da marca. Os pneus sempre trazem o nome Harley-Davidson em sua lateral. Os comandos intuitivos e punhos são sempre os mesmos, entre diversos outros detalhes, que se fotografados em close, saberemos que se trata da peça de uma Harley.

Rodar com a Iron 883 na cidade é uma experiência ágil e deliciosa. Apesar de considerá-la mais uma Urban Bike do que uma Custom, ela se mostrou bem leve, de fácil condução no trânsito, devido às suas dimensões, capacidade de esterçamento e resposta do motor.

Não posso deixar de citar que o pequeno curso das macias suspensões traseira e dianteira faz com que elas cheguem ao batente com facilidade e os baques secos são uma constante, chegando a doer na alma.

Estranhei um pouco a posição de pilotagem nos primeiros quilômetros, mas depois acabei acostumando. O banco muito baixo (735 mm), as pedaleiras altas e alinhadas ao fim do tanque peanut de 12,5 litros de capacidade (que também faz parte da linha Sportster nos modelos mais antigos) e o guidão estreito e baixo tornam a pilotagem fácil na cidade, mas cansa bastante na estrada. Na cidade, a cada parada, batia com a canela nas largas pedaleiras e até me acostumar com a posição, ganhei diversas manchas roxas. Talvez seja por isso que vemos diversas Iron com comando avançado.

A Iron vem de fábrica com o assento Sportster Solo, o que inviabiliza você dar uma carona ou passear com a namorada. É possível colocar um banco para o garupa, mas a operação além de custosa, requer a troca dos amortecedores traseiros por um par com outra calibragem.

Em matéria de ciclística, a Iron 883 segue a tradição da Sportster, com garfo telescópico convencional, na dianteira (curso de 92 mm), e dois amortecedores na traseira (curso 41 mm). Ou seja, utilize-a em um bom e conservado asfalto. Boa de curva na estrada, mas com cuidado para não raspar a pedaleira ou o escapamento e ágil para os seus 251 kg, fazendo com que os desvios rápidos necessários em nosso trânsito e a condução nos corredores não seja um problema.

Os freios não são o ponto alto da Iron 883. Apenas um disco na dianteira de 292 mm e pinça dupla e um na traseira com 260 mm de diâmetro e pinça simples, acabam por deixar a frenagem não muito eficiente. Como o centro de gravidade está bem atrás, em frenagens mais fortes a roda dianteira tende a travar, uma vez que o modelo não conta com ABS.

Apesar de simples, os equipamentos são bem desenhados e com funcionalidade excelente, tais como o sistema de iluminação. As luzes de direção (piscas) traseiras com LED trazem a lanterna e a luz de freio integradas. E também o painel que é um mostrador redondo e traz apenas velocímetro analógico, um pequeno visor digital, que tem hodômetro total e dois parciais, relógio e um aviso quando o descanso lateral está abaixado.

Outro ponto interessante e presente na maioria dos modelos da marca é o sistema de segurança bloqueio automático feito através do chaveiro que acompanha a moto. Ele ativa e desativa as funções de segurança da moto quando você se afasta e se aproxima dela.

O modelo utiliza rodas de liga-leve com 13 raios, aro 19 polegadas na dianteira e 16 na traseira, calçados em pneus Michelin Scorcher 100/90B19 57H e 150/80B16 77H.

O câmbio de 5 marchas é bem preciso e apresenta os engates barulhentos de sempre. Uma sexta marcha seria bem-vinda.

Apesar da fraca performance do motor, da frenagem não muito eficiente, da suspensão curta e sem curso e da vibração do conjunto em alta velocidade e rotação, a HD Iron 883 tem tudo para cativar o consumidor que procura uma moto com estilo, bela, com personalidade, atitude e que traduz o verdadeiro espírito estradeiro de uma custom.

Tenho que concordar que reclamei demais, e o ponto que mais me incomodou foi os retrovisores, com os quais só via os meus ombros. Mas tenho que admitir que adorei a moto.

Senti-me pilotando uma vintage bike, coisa que sempre quis! Deu vontade de usar uma jaqueta tipo aviador, capacete antigo e goggles, como os motociclistas dos anos 50.

Curti muito minha semana com Iron e minha viagem de fim de semana de cerca de 400 quilômetros vai ficar na lembrança. Como disse no início, não adianta ser recheada de qualidades e atributos. Tem que bater uma empatia, tem que ter afinidade, tem que ter atitude.

13 COMENTÁRIOS

  1. Eu coloquei na minha pedalarias avançadas, levantei o tanque e coloquei um guidao mini-ape, ficou muito confortável de pilotar e com estilo. Dizer que o motor e fraco e’querer andar acima de 180, aí não da mesmo. Responde muito bem na cidade e na estrada. Estou super satisfeito!

  2. Eu tenho uma, é tudo verdade mas estou em lua de mel com a neguinha. Estou indo para Miami para trazer amortecedores traseiros Progressive de 11′ ou 12′ para deixar ela ainda mais bandida (o original é de 13′). o problema maior é o garfo que da fim de curso, vou trazer molas progressive e uma tal valvula da Rico (intimidator). Aceito sugestões.

  3. seria legal um teste de longa duração, ver qual peça cai primeiro (por conta da vibração soltando as porcas) hahahaha

    concordo que é uma moto bonita, mas lamento não ter a concorrência das tão-vintage-quanto norton e triumph (boneville)

  4. Sensacional essa materia.
    Vem a confirmar tudo o que ja li e estou degustando da minha querida Norminha ( minha Iron 2012 ).
    Harley é Harley, e vice-e-versa.
    Ou seja, apesar da suspensão, do retrovisor, da vibração, do banco uniposto e da pedaleira central, eu amo a minha Iron !
    Abraços a Sir Severo ( remembering the female used underwear filtered coffee !)

  5. Linda essa moto! Sei que custom são jacas (pesadas, não andam, não freiam, não curvam…), mas gostei demais dessa Iron.

    Nunca tive custom pois minha coluna não permite (lombar estragada), mas essa Iron me tira o sono.

    São m… de moto mesmo, aí se te perguntam porque vc gosta de custom a resposta deve ser:
    “Se você está perguntando e eu tiver de explicar, é porque provavelmente você não vai entender.”

    [ ]’s

  6. Mestre Edgar,

    que história de hierarquia é esta 🙂 , agradeço a honra de me conceder o batismo… Não será em vão. Mas na verdade, não sou eu quem batiza… Em algum momento, elas dizem seus nomes para mim :-O

    Abrax,

    Roberto Severo

  7. Putz, acho que vou ler de novo prá ver o que funciona direito, retrovisor que mostra ombro, suspenção que bate toda hora, pedaleiras que batem na canela, freios que não freiam, só faltou o tradicinal cozinhar das canelas na cidade.

  8. Esta Harley é pura atitude e concordo com “O menos é mais” a Iron é puro ESTILO , só um pecado , cade as fotos para usar de Wallpaper com o logo da Best Riders???

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