Fórum VOLVO – OHL de Segurança no Trânsito – Pere Navarro

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O exemplo espanhol a ser seguido pelo Brasil.

Quando Pere Navarro Olivella assumiu a Diretoria Geral de Trânsito da Espanha em 2004, o país de 40 milhões de habitantes vivia um caos no trânsito com 3.993 mortes por ano, em 2010 o número chegou a 1.717 mortes, uma redução de 57% em 6 anos.

Pere Navarro não é uma unanimidade em seu país, afinal de contas, assim como no Brasil os espanhóis não gostam de ser fiscalizados.

Mas, Pere Navarro mostrou em Brasília que medidas simples, mas enérgicas em respeito às leis de trânsito mudam a realidade de um país, já que na  Espanha assim como no Brasil, o povo é festeiro, gosta de beber e comer, sendo possível obter segurança viária como nos países nórdicos.

A Espanha abriu o debate com a mídia, colocando as vítimas no centro da política de segurança de trânsito, criando o “Dia Mundial das Vítimas de Acidentes de Trânsito” e “Monumentos à memória das vítimas inocentes dos acidentes de trânsito”. Passou a gastar 9 milhões de euros por ano em campanhas de conscientização.

Campanhas polêmicas mostrando crianças em acidentes, deficiente físico em blitz ou ridicularizando os infratores reincidentes. A Espanha adotou campanhas duras, para sensibilizar o adulto.

Para Navarro “não há tratamento indolor para uma doença grave”.

Durante sua palestra mencionou mais de uma vez que houve prioridade política. Em 2004, pela primeira vez, os programas de todos os partidos previam medidas para reduzir os acidentes de trânsito. Houve consenso entre os políticos independentemente do lado que estavam (Governo ou Oposição, de direita ou esquerda).

Alertou que “os acidentes de trânsito são evitáveis, não uma maldição divina. É preciso dar voz às vítimas para que expliquem aquilo que sofreram. Elas sim têm muito mais credibilidade”. Em blitz para teste de alcoolemia, há participação ativa de sequelados para mostrar ao motorista o que pode acontecer se ele beber e dirigir. Afirmou ainda, que na Espanha atualmente são realizados mais de 5 milhões de testes de alcoolemia, num universo de 25 milhões de condutores habilitados.

Perguntado sobre a possibilidade do cidadão espanhol se negar a fazer o “teste do bafômetro” como ocorre no Brasil, respondeu que na Espanha será considerado alcoolizado. Lá o direito coletivo prevalece sobre o direito individual. (Recomendo a leitura)

“Quando uma sociedade não tem o que comer, não terá preocupação com o trânsito. Há certa relação com a renda do país. Quando se atinge determinado nível, não há mais disposição de deixar tantas vidas nas estradas. O Brasil passa por um bom momento, com economia e administração estáveis. A hora é agora. Não se pode conviver com esse número de vítimas.”

“É inadmissível o Brasil conviver com cem mortos a cada dia em acidentes evitáveis. Não é possível que haja algum outro problema mais grave do que o trânsito brasileiro para o Governo resolver em conjunto com a sociedade.  É uma guerra.”

“O Estado deve concentrar esforços nos elementos fundamentais como não beber ao dirigir, utilização do cinto de segurança e do capacete (no caso da motocicleta), excesso de velocidade e infratores reincidentes.”

“Para a velocidade, só há uma solução: os radares. Temos 800 nas estradas.”

Interessante que o sistema legal da Espanha é parecido com o do Brasil, todavia, o consenso foi a obrigatoriedade de se cumpri a lei existente, ou seja, incrementaram a fiscalização, mudaram o Código Penal para realmente punir o infrator que coloque a coletividade em risco de segurança.

Quanto as motos, Navarro foi categórico ao afirmar “que cada vez haverá mais motos pela dificuldade do trânsito nas grandes cidades. Elas são mais vulneráveis. É preciso disciplinar as motos. Há mais rigor para autorizar a permissão de conduzir motos. É preciso também repensar o desenho viário. Tudo foi construído apenas em função dos automóveis.”

Os comentários dos especialistas brasileiros em relação a palestra de Pere Navarro serão comentados no meu próximo texto, oportunidade que farei um balanço e sugestões de propostas para o trânsito brasileiro.

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