Fazer Blueflex – Quebrando preconceitos

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1979

Fazer 250 BlueflexFotos: Edgar Rocha/ Divulgação Yamaha e Reprodução

O ano era 1981. Enquanto você escutava em seu rádio FM a voz “diferentona” de Kim Carnes cantando Bette Davis Eyes, os engenheiros motociclísticos por aqui estavam às voltas com a alquimia de fazer uma moto funcionar de maneira suficientemente aceitável com álcool hidratado.

Neste mesmo ano, a Honda lançou a primeira moto a álcool do mundo, uma CG 125. No ano seguinte foi a vez da Yamaha, com a RX125 a álcool, equipada com motor dois tempos e, também como sua concorrente, contava com tanque adicional de gasolina para partida a frio.

Muito tempo se passou e 30 anos depois as motos flex começam a disputar o mercado, apesar da desconfiança dos consumidores com relação aos benefícios de ter uma moto bi-combustível.

Grande parte desta desconfiança se dá pelo fato de termos aprendido que somente fica viável usar o álcool quandoo preço dele está 30% mais barato que a gasolina e também pela inconstante política do governo sobre o preço dos combustíveis.

Minhas impressões da Fazer 250 continuam as mesmas de quando tive o prazer de conhecê-la melhor em maio de 2011.  Acho que ela tem um dos melhores conjuntos comparando com suas concorrentes. Você pode reler a matéria aqui: Uma grata surpresa.

De lá para cá, a única coisa que ela merecia era uma atualização de linhas e acabamentos, uma vez que este modelo está no mercado praticamente sem alterações significativas desde o início de 2010.

Confesso que fui um pouco cético a respeito da Fazer Blueflex. Imaginei que era um lançamento apenas para “passar recibo” diante dos consumidores e da sua principal concorrente de que “nós também dominamos a tecnologia flex”.

Imaginava que uma moto circulando com álcool, teria a mesma proporção de consumo que um carro. Ou seja, rodaria 30% a menos no álcool que com gasolina. Outro ponto que faz com que cada vez mais consumidores utilizem álcool em seus veículos é o custo de encher o tanque. Tudo bem que você vai rodar menos, mas psicologicamente, o impacto de gastar R$100,00 já no inicio da semana para encher o tanque do carro é outro. Como o tanque das motos geralmente é pequeno, encher com álcool ou gasolina, a diferença fica pequena.

Bem, saí da redação do Best Riders e logo a última barrinha do indicador de combustível começou a piscar. Procurei um posto de aparência confiável e, pela primeira vez na minha vida, pedi para encher o tanque da moto com álcool. A reação do frentista foi engraçada: – Álcool? – ele perguntou.  Sim – respondi, a moto é flex.

A única diferença que o consumidor irá notar se estiver abastecido com álcool, é a luz BLUEFLEX do Sistema Yamaha de Segurança.  Ao dar partida em temperaturas baixas, o condutor deve aguardar a luz BLUEFLEX apagar antes de engatar marcha, caso contrário, a motocicleta desligará automaticamente. Nada mais é que um sistema igual ao do descanso lateral, se você engata a marcha a moto desliga. Isso foi criado por medida de segurança, para evitar que o piloto saia com a moto muito fria e ela engasgue ou morra, o que pode provocar uma queda. Comigo a luz acendeu 3 vezes, sempre a noite e não demorou mais de 30 segundos para apagar.

Enchido o tanque, vamos às contas. O tanque da Fazer tem 19,2 litros , sendo 4,5 de reserva. Coloquei 13,6 litros gastando R$ 25,83. (preço da gasolina R$2,898 / álcool R$1,899 – 34,4% a menos). Achei que sentiria alguma diferença na condução e comportamento do motor, mas nada foi sentido nestes primeiros 150 quilômetros rodados na cidade em trechos da baixa/média /alta.

Tinha como missão, esvaziar dois tanques da Fazer Blueflex em pouco tempo, e com meu trajeto habitual e números extremamente econômicos da moto, isso levaria alguns dias.

Decidi pegar o domingo e sair sem destino, para encarar uma estrada. Só iria parar quando o marcador de combustível indicasse reserva. Saí cedo e rodando pela Marginal Pinheiros, ainda não havia decidido meu destino. Acabei pegando a Castelo (a Rodovia Presidente Castelo Branco SP-280, também denominada BR-374, é a principal ligação entre a Região Metropolitana de São Paulo e o Oeste Paulista). Mantive velocidades que variavam de 100 a 120km/h. O motor trabalhou o tempo todo entre 6.500 e 8.000 rpm. Como fazia muito tempo que não andava na Fazer e ainda estava não havia colocado gasolina, não podia fazer comparativos, mas fiquei impressionado com o rendimento e disposição deste monocilíndrico com arrefecimento a ar, radiador de óleo, 2 válvulas  SOHC que rende 21cv a 8.000 rpm.

Fui indo, indo, indo e se o tanque fosse maior, talvez só parasse no Mato Grosso. Mas poucos quilômetros após Boituva, a última barrinha do indicador de combustível começou a piscar. Bem, hora de procurar a cidade mais próxima e abastecer. Entrei em Cesário Lange (para quem não ligou o nome à pessoa, fica a 151 km do centro se São Paulo), dei uma volta pela cidade, parei perto do coreto na praça central para algumas fotos e comecei a procurar um posto para abastecimento, desta vez com gasolina. Na saída da cidade, achei um posto simpático que parecia ter um combustível honesto e de boa qualidade. Enchido o tanque, vamos aos números: 309,3 km rodados desde o último abastecimento em São Paulo com álcool, 14,51 litros colocados de gasolina. Consumo – 21,31 km/l. Pouco? Não, nada disto. Vale lembrar que depois de cerca de 150 km rodados na cidade, rodei mais 150 km em alta rotação durante a viagem toda. Achei o consumo bem razoável para quem rodou com álcool a 120 km/h. (preço da gasolina R$ 2,699 / do álcool R$ 1,899 – 29,6% a menos). Agora o destino é retornar a São Paulo, mantendo a mesma media de velocidade e rotação.

Aproveitei o belo domingo de sol e resolvi levar a Fazer Blueflex para ver onde é feito seu combustível. Rodei pelo interior paulista em direção a Piracicaba. Passei por algumas usinas de álcool e não resisti em fotografar a Fazer do lado de muita cana. Na estrada comecei a sentir a diferença de comportamento, desta vez rodando com gasolina. Sentia que mais frequentemente o acelerador chegava ao limite e que o rendimento da moto ficou inferior em comparação à viagem de ida. Depois de passar por Tietê e Piracicaba, segui para São Paulo pela Bandeirantes mantendo a mesma media horária mas com nítida diferença de rendimento.

Chegando a São Paulo, voltei à rotina de trajetos e consegui manter o mesmo padrão de percurso e médias horárias para uma aferição mais precisa. Com o hodômetro marcando 328,6 km, novamente ela entrou na reserva. Hora do veredito final. Abasteci a Fazer, sempre mantendo o mesmo nível e foram 13,89 l. Consumo de 23,66km/l.

Em resumo: Com a marca de 21,31km/l no álcool e com 23,66km/l na gasolina, a Fazer se mostrou muito eficiente e econômica, quebrando o preconceito que tinha com relação às motos flex. A diferença de rendimento e resposta foi grande e começo a ver a importância do desenvolvimento do mercado de motores Flex. Você encontra a Yamaha Fazer YS250 Blueflex nas cores prata e preta ao preço de R$11.690,00 com um ano de garantia sem limite de quilometragem.

Ficha Técnica:

Comprimento total: 2.065 mm
Largura total: 745 mm
Altura total: 1.065 mm
Altura do assento: 805 mm
Distância entre eixos: 1.360 mm
Altura mínima do solo: 190 mm
Peso seco: 137 Kg
Raio mínimo de giro: 2.4 m
Motor: 4 tempos, SOHC, refrigerado a ar com radiador óleo, 2 válvulas
Quantidade de cilindros: 1 cilindro, 2 válvulas
Cilindrada: 250 cc
Diâmetro x curso: 74,0 x 58,0 mm
Taxa de compressão: 9.80:1
Potência máxima: 21 cv a 8.000 rpm
Torque máximo: 2,1 kgf.m a 6.500 rpm
Sistema de partida: Elétrica
Sistema de lubrificação: Cárter úmido
Capacidade do óleo do motor 1,5 litros
Capacidade do tanque de combustível (reserva): 19,2 litros (4,5 reserva)
Alimentação: Injeção eletrônica
Sistema de ignição: TCI
Bateria: 12V x 6 Ah, selada

Transmissão primária: engrenagens
Transmissão secundária: corrente
Embreagem: Úmida, disco múltiplo – mola helicoidal
Câmbio: 5 velocidades, engrenagem constante
Quadro: Berço duplo de aço
Ângulo de cáster: 26° 30'
Trail: 104,5 mm
Pneu dianteiro: 100/80 17 M/C 52S
Pneu traseiro: 130/70 17 M/C 62S
Freio dianteiro: Disco hidráulico de 282 mm de diâmetro
Freio traseiro: Disco hidráulico de 220 mm de diâmetro
Suspensão dianteira: Garfo telescópico
Suspensão traseira: Mono amortecida
Curso da suspensão dianteira: 120 mm
Curso da suspensão traseira: 120 mm
Painel de Instrumentos: Painel digital – velocímetro, hodômetro total e dois parciais (trip1 e trip2), mais hodômetro do combustível (f-trip), marcador do nível de combustível digital e relógio. Luzes espias – contagiros análogo.
Peso (ordem de marcha): 154 kg
Cilindrada real: 249,0 cc
Cores: preta e prata

Preço: R$11.690,00

12 COMENTÁRIOS

  1. Não há dúvidas de que a Fazer é uma excelente moto, até mesmo a melhor da categoria, mas eu acredito que já está na hora da Yamaha começar a pensar em algo novo e mais competitivo, pois sabemos que a Yamaha tem qualidade para isso e a Fazer mesmo é prova disso. Inclusive a Honda, por mais criticada que seja não dorme no ponto nesta categoria, pois no Brasil lançou a “CG” 300 que na minha opinião não me agrada nem um pouco. Mas só para vocês terem idéia comparando com a Argentina lá ainda não tem a “CG” 300 e a Honda lá ainda vende a Twister como moto nova com outras cores e carburada, vejam o link http://motos.honda.com.ar/motos/CBX-250 , então… gosto da Fazer e acho uma excelente moto mas acredito que já está na hora da Yamaha mudar e colocar uma moto mais competitiva no mercado. A Dafra tem a Next e estou vendo muitas dela na rua, e se por exemplo por algum milagre a Suzuki trouxer a Inazuma no próximo ano?!?! E ainda correm boatos em reportagens sobre motos meia Megelli meia Zongshen para 2013 na Kasinski. Então é hora de renovar Yamaha, até porquê já no ano que vem teremos a “CG” 300 flex.

  2. Essa moto e a melhor dessa categoria,economica,bonita,da pouquissima manutençao e com um pouco de imaginaçao vc da uma mudada no visual dela.Agora se vc ta bem de bolso compra uma KTM 200cc e va ser feliz pra KCT..hehehe!!!

  3. Parabéns pela matéria Edgar Rocha!

    Tive uma fazer ano/modelo 2008. Boa mesmo! Economia fantastica. Eu soh acho que esse motorzinho merecia uns cavalinhos a mais. Talves isso mudaria a proposta da moto de ser economica neh?! Mas falta potencia. Qdo viajava com a minha o motor dela esforçava demais, pelo menos era o que me parecia. Isso q naum passava de 120 km/h justamente pra naum forçar tanto.

    Se a Yamaha quer uma moto assim economica poderia lançar outro modelo tipo 400 cc, mais potente e tal. Que naum tivesse tanta preocupação com o consumo, mas que tbem naum fosse deixado totalmente de lado. Uma moto melhor pra viajar e tal… E pra usar no dia a dia tbem. Ou entaum dar uma mudada na Fazer, apenas uns 26 cv por exemplo jah fariam uma diferença e tanto, sem comprometer tanto o consumo.

  4. FAZER ja é um modelo economico, ao invés de por refrigeração líquida e freio com pistões duplo na vira-lata eles me vem com essa de FLEX, faça-me o favor dona yamaha, vá ver se eu to lá na esquina.

  5. Tanto HOnda quanto yamaha pintam e bordam com a cara do consumidor, parem de defender usem a internet direito, entrem nos sites da yamaha internacionais, e vejam a diferença dos produtos, tanto fazer quanto CB300R e cria, a primeira coisa que acontece é o escapamento ficar marrom bosta, aquela cor horrivel, você n vê isso na dafra, MOTO DO ANO 2013 CATEGORIA STREET ATÉ 300cc. isso inclui, ninjinha e o escambal, ou seja, honda e yamaha estão dormindo no ponto, acordem!

  6. Falam e falam da yamaha, mas me digam quando foi lançada a primeira CG300 e o que mudou de la pra cá?
    Muitas empresas nao mudam seus produtos pelo fato de seu design ainda ser atual, o que é o caso da Fazer, a Dafra Next 2013 tem o mesmo design de uma fazer 2011, o que prova que a Yamaha ja estava a frente de seu tempo em 2011.
    Seria interessante alguma alteraçao ou atualizaçao, nao uma mudança desnecessaria, o unico motivo da honda vender mais é o fato de ter mais CC e o pensamento pequeno do brasileiro, que ainda acredita que Honda é inquebravel, economica, a manutençao igual de bicicleta e na hora de vender eh facil e valorizada.
    Tudo mentira!!! Historia pra boi dormir!!!

    • Olá Ivan,
      Obrigado pelo seu comentário. Realmente as médias ficaram próximas o que me causou surpresa. Não esperava este resultado. Imaginei que a proporção seria semelhante a de um automóvel
      Abraços

  7. Esperava um consumo melhor, mas esse é bom. A sra Yamaha fez mais uma maquilagem na Fazer, e agora fez uma mais ousada para os padroes Yamaha. Afinal de contas a Yamaha lança uma moto por década, fica fazendo passando um botonzinho de vez em quando e no maximo uma vez ela faz uma transformação estética, tipo um banho de loja e salão de beleza. Sabe aquela mulher que uma vez fica o dia no salão e compra uma roupa nova e quando a gente vê acha que é outra mas quando olha e a mesmo mulher de sempre???!!! Então é isso que a Yamaha faz. E bom ter algo nova de vez em quando né!!

    • Walison, claro, totalmente diferente do q a Honda fez com a Twister (anos sem mudar nem um parafuso) e com Falcon (duvido uma pessoa comum encontrar diferença nítidas entre o ultimo lançamento com carburador e a”nova” Falcon com injeção). Comentário típico de um Hondista fanático. Vale lembrar q se a Yamaha não tivesse lançado a YBR, a Titan tava rodando até hoje só com partida a pedal, freio a tambor… Quanto ao teste da Fazer Flex, também achei baixos os números, mas ao menos ela é flex e não mix como as concorrentes. Acho um absurdo uma moto de 250cc custar de 11mil a 16mil reais. Tenho uma Fazer 2006, rodo quase 100km/dia com ela, não considero uma grande moto, tenho muitas ressalvas em relação a ela, mas ainda é muito melhor q um Twister ou uma CB300, então tenho q ficar satisfeito, enquanto não aparecem modelos nessa faixa que realmente impressionem.

    • Olá Walison,
      Obrigado por sua participação. Também esperava médias mais altas, mas rodei quase que a viagem toda em giro alto o que comprometeu a consumo. Acredito que em situações onde o regime do motor seja mais baixo ( cidade ), a média de consumo melhore.
      Com relação as alterações no modelo, geralmente grandes empresas tem muita inercia em mudar de direção ou alterar modelos. Vemos o oposto no mesmo segmento (250cc )em empresas menores e mais ágeis.
      Abraços

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