Eu, Tu, Eles e a Segurança Nossa de cada Dia

1
852
corrida-de-moto-na-rodovia-2

Depois de publicar o texto do piloto “Live Fast, Die Young“, achei de bom grado refletirmos seriamente sobre questões que envolve a nossa vedete segurança! Vedete porque este é o assunto que todos querem discutir, e que todos acham que têm razão, mas que poucos chegam a um equilíbrio razoável e colocam no palco os atores certos para avaliar. Quando chegamos às motos, o tema segurança se desdobra em três grandes grupos de áreas, que chamo de atores:  o Piloto, a Montadora e as Concessionárias das estradas, algumas vezes o governo para vias públicas, não privatizadas. O conjunto é que compõe o que chamamos de boca cheia de “Segurança”. Proponho então desconstruir cada um destes atores no picadeiro da segurança e verificar o que cada um contribui com nossa “vedete”:

Eu, Tu, Eles e a Segurança Nossa de cada Dia

O Piloto:
segurança corrida-de-moto-na-rodovia

Por mais que a tendência natural do “bicho gente” seja 1-culpar o outro antes de verificar a parcela de culpa que tem; 2-criticar o governo e o Estado mesmo que o acidente tenha sido causado por um despreparo e negligencia dele mesmo.

Treinamento

Isso não é atividade apenas do piloto. Ele precisa se dispor a participar mas tem que haver um treinamento sério por parte das montadoras e por que não do Estado e das concessionárias de estradas privatizadas? O treinamento vai muito da insegurança e ignorância do piloto, e da forma como ele lida com isso. Não é demérito nenhum ter pouca (ou nenhuma) experiência, ou desconhecimento de técnicas de pilotagem e de sinalização (ignorância). É sim uma falha grave, sair para as ruas despreparado e sem conhecimento teórico do seu equipamento (moto), colocando a sua vida e a de outros em risco.

Capacidade e moto certa

Compre a moto adequada para a atividade que quer usá-la. Não adianta comprar um scooter e querer viajar para a Argentina. Também não dá para fazer trilha de moto utilitária de baixa cilindrada. Aumenta o risco camarada! Pesquise, pergunte e compre certo. Se não a segurança será comprometida.

Ler manual

Claro que esta leitura é cansativa, “chove muito no molhado”, e há questões óbvias como “não colocar a mão no motor quente”, etc…. Mas há informações importantes, sobre calibragem dos pneus, óleo recomendado, e outras que 90% dos usuários nem imaginam. Você sabe qual a forma mais segura de amarrar uma motocicleta para transporte? Está no manual. Sabe fazer o ajuste de pré-carga da mola da suspensão traseira (e porquê fazer)? Está no manual. Sabe regular a altura do farol? Está no manual.

Evitar ao máximo comprar peças de desmanche

Básico né. Lei da oferta e da procura do nosso mundo capitalista. Se há procura, o mercado se movimenta para ter oferta. Em português bem claro: Amigon, se você procurar peças usadas para a sua motocicleta em desmanches ou de procedência duvidosa, vai aquecer o mercado paralelo e por sua vez aumentar o roubo, furto de motos. Isso envolve as montadoras, conforme falo logo a seguir.

Moto é Moto, Jumento é Jumento

Deixa eu contar um causo rápido: sabe qual é uma das causas de acidentes em regiões distantes do nosso Brasilzão? O camaradinha, pegava seu jumento, ia pro boteco na trilha de terra batida no meio do nada. Bebia igual a um bode véio, voltava para casa a pé (mas chegava), e o jumento voltava sozinho. Depois que trocou as quatro patas por duas rodas… adivinha o que?! A moto não volta sozinha pra casa! Entendeu? Brincadeiras a parte, tem que saber dos riscos que envolve uma moto. E não comprar somente por que é o que o dinheiro consegue comprar em quinhentas vezes para deixar de lado o jumento, ônibus ou metrô.

Limites

Sim, há limites. Se você ultrapassa, aumenta o risco de você se acidentar. Principalmente com motos esportivas, os motociclistas trafegam acima dos limites de velocidade e fazem ultrapassagens em trechos proibidos, que são sinalizados por faixa dupla ou placas. Isso não tem nada a ver com classe social, e sim com cultura, educação (de novo). Aliás estas motos, geralmente só são acessíveis para as classes altas. Como exemplo, cito o trecho na região de Itatiba a Morungaba em São Paulo que é palco para vários destes desrespeitos e por consequência, vários acidentes. Alguns fatais. Basta uma curva mal feita na velocidade errada, uma “espalhadinha”, e…:

segurança corrida-de-moto-na-rodovia-2

A Montadora:

segurança corrida de moto na rodovia

Treinamento

Saber como pilotar, quais são as melhores práticas nas vias urbanas e nas estradas. Como fazer manutenção em suas motos são conhecimentos que apenas montadoras mais visionárias e preocupadas com o motociclismo investem. Neste quesito, não há como não destacar a Honda e seus CETHs espalhados no Brasil.

Produto de qualidade

Claro que a qualidade do material dos produtos bem como o processo de manufatura é algo importante para uma moto. Ums simples solda mal aplicada pode custar a vida de um motociclista.

Pós-venda

Sim, a venda não termina quando o motociclista sai da concessionária (ou compra de terceiros). O ciclo é bem maior e inclui revisões bem feitas, relacionamento esclarecedor e próximo ao proprietário, atendimento rápido e especializado nas oficinas. Isso contribui com a segurança também.

Rede Autorizada 

Para que o pós-venda funcione, é necessário ter uma rede autorizada grande, espalhada por todo o país para que o motociclista possa encontrar a melhor manutenção original próximo ao seu domicílio. Ou em casos extremos, a montadora deve ter uma logística boa para suprir o proprietário com informações de como proceder para ter sua moto revisada e em condições de rodas com segurança.

Disponibilidade de peças a um preço razoável

Isso é polêmico e é um dos fatores que menos parece ter relação com segurança, mas tem muita. Objetivamente, se a peça original for difícil de encontrar ou for cara demais, isso aquece o mercado paralelo ou de peças roubadas. Simples assim. A montadora e sua rede deve focar em fornecer e a manter um bom estoque de peças a um preço razoável para o consumidor final.

Recall

Você sabia que no Brasil o recall é por conta das montadoras? Que o governo não as obriga? Vai da consciência e poder de fogo de cada uma. Agora, uma vez feita a chamada, há uma série de procedimentos a serem realizados, desde publicação da chamada em rede nacional de televisão e publicações impressas bom como a substituição gratuita dos componentes defeituosos. Por isso que algumas pequenas pensam cinqüenta vezes antes de acionar o recall. Só de publicidade vão uns 100 mil reais, mais as peças, mais a mão de obra, sem falar no medo (irresponsável e idiota) de ter sua reputação “arranhada”. Aí, quando os acidentes acontecem, tratam como “situações isoladas”. Verifique quais montadoras tem recall como uma prática. Isso é responsabilidade ética.

A Estrada:
segurança corrida-de-moto-na-rodovia-2

Treinamento e Educação

Campanhas como a que a CCR, concessionária de várias estradas do Estado de São Paulo e do Brasil, proporciona é de vital importância para isso. O motociclista vai fazer o seu passeio matinal de sábado, e volta pra casa com um pouco mais de educação na mochila – Campanha Viagem Segura  no complexo (shopping) SerrAzul da via Bandeirantes em São Paulo, ponto de encontro de milhares de motociclistas nos finais de semana. Volto a dizer que se há campanhas por parte das concessionárias, o piloto tem que se beneficiar disso, não adianta ficar reclamando no sofá de casa que ninguém faz nada por ele e que tudo é ruim

Policiamento

Tem um ditado inglês que diz que “…tudo é só risos e diversão… até alguém perder um olho”… Aí companheiro, não adianta chorar, vai ter que se virar caolho. Caro Best Rider leitor, dê uma olhada neste vídeo filmado na Anhanguera em São Paulo e veja se não tem sabor de final infeliz, sem um olho?

Pois é, aqui nada aconteceu… Você se vê dentro do carro ou montado em uma das motos? Será que se houvesse um policiamento ostensivo nesta rodovia esta cena teria acontecido? Infelizmente é nosso cérebro reage muito melhor quando há privações a curto prazo e punições financeiras em jogo (a saúde não basta).

Comunicação com os usuários

É inegável que o tema privatização de rodovias é polêmico, mas também é inegável que as rodovias que passaram por este processo, principalmente no Estado de São Paulo são consideradas as melhores do país. A Bandeirantes do grupo CCR está entre elas segundo o ranking da CNT. Não vamos ser hipócritas e achar que todas são uma maravilha, mas há investimento em infra-estrutura viária, e preocupação em escutar não somente os motoristas, mas também os motociclistas. Proponho a cada um enviar uma comunicação para empresas concepcionárias e teste o comprometimento com a comunicação com seus usuário. A CCR jantem este canal  Teste, envie uma mensagem e verifique a agilidade em responder e o conteúdo da resposta, isso é um bom indicativo do quanto preocupado ela está em lhe ouvir. Tente por exemplo mandar algo como “como a concessionária se preocupa para assegurar o bem estar não somente do motorista de carro, mas também do motociclista nas estradas que tem concessão”. Testei e obtive uma resposta rápida e precisa informando links para campanhas como a que eu mencionei anteriormente.

segurança motos-campanha-ccr

Outros quesitos que fazem toda a diferença nas estradas e que contribuem muito na segurança e devem ser considerado antes do piloto optar por pegar esta ou outra estrada:

  • Socorro especializado e rápido;
  • pontos de descanso em rodovias (inclusive para troca de roupas de chuva);
  • Asfaltos abrasivos;
  • Guardrails contínuos;
  • tintas especiais para pintura no solo (asfalto) que não virem um “sabonete” quando chove;
  • Pedágios exclusivos e com manutenção/limpeza.

Conclusão:

Caro Best Rider leitor, o que aparece em todos os três personagens (Estradas, Piloto e Montadoras) na nossa história sobre segurança? Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três! Treinamento, educação e comunicação que proporcionam uma mudança de cultura. Isso é fundamental para um trânsito seguro e civilizado, Tanto por parte da Montadora, quanto do Piloto, do Governo e das empresas que administram estradas de rodagem, as concessionárias. Portanto pesquise, por onde vai viajar, não pelo preço do pedágio ou pela distância, e sim pelas condições da estrada e pela segurança que ela oferece. Compre a moto certa de uma montadora que lhe oferece um bom treinamento, tenha uma política de recall confiável e peças acessíveis e a um preço justo. Pense que uma conclusão possível é: “eu não tenho perfil para rodar de moto”. Daqui pra frente é com você amigon!

coluna 4 segurança corrida nas rodovias

Keep Riding!

1 COMENTÁRIO

  1. Excelente texto Roberto. Acho que eles também mudam nossa cultura e o BR tem seu pale nisto também ! Gostaria de sugerir algum artigo dobre equipamentos. Que tal começar com as jaquetas e o hit do momento. Air bag faz diferença ou nao? Abraço

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


cinco × 6 =