Ducati Diavel: super máquina

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O leitor já imaginou receber uma ligação: “temos uma Ducati Diavel para teste, você quer fazer?”

ducati diavel

Fotos e texto: J. Dionysio

Ducati Diavel: super máquina

O que vocês acham que iria responder? “Estou ocupado. Não quero. Tenho que fazer outras coisas“… Hahahahaha, nem pensar!

Não é difícil imaginar que o coração deu aquela acelerada, só de pensar no que esta máquina é capaz de fazer. Caramba, fiquei alguns dias imaginando quais testes faria. Umas 2 noites pesquisando sobre o modelo, as inovações, o design, as origens e os criadores.

Chegou a hora de retirar a Diavel. Depois de receber as instruções, agora ao vivo, saio da garagem e as primeiras impressões… O bicho não é de brincadeira. A “coisa” pega se for preciso, e como pega!

A boa impressão fica já ao acionar o sistema elétrico: ao realizar o check up do sistema, uma animação construindo o desenho da Diavel a laser. Um mimo de muito bom gosto.

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Dar partida sem usar a chave, chamado pelos criadores de “hands free”, um sensor (wireless) reconhece a chave, que ficará no seu bolso, habilita o sistema. Muito prático e, claro, um diferencial notável. Da mesma forma, ao desligar a moto o sistema aguarda um toque no botão para o travamento automático, após posicionarmos o guidão lateralmente.

Retrovisores muito bonitos e com regulagens fáceis, fixos com um sistema que “desarma” caso o piloto esbarre em outro veículo, evitando danos as partes, show!

O painel é um item a ser descrito isolado. É magnífico! Existem dois, um montado no guidão com as informações básicas como velocidade, rotação do motor, hora, temperatura do motor e ambiente e luzes de advertência, incluindo aqui luz indicando reserva de combustível (não temos marcador de combustível), entre outras.

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O outro painel TFT (uma variável do LCD, indicado para imagens de alta resolução e em cores, muito boa visualização) fica sobre o tanque e podemos configurá-lo de diversas formas, cores, intensidade de luz. Impressionante! Também para os  mais folgados, pode-se deixar no modo automático, onde o sistema é capaz de detectar a luz incidente e mudar, intensidade e cor, facilitando a leitura.

Os faróis são um detalhe a parte… Que show de criatividade e eficiência! Um grupo de leds cortam na transversal dividindo em dois. Lindos. Aliás a iluminação desta máquina é um detalhe a parte, as luzes indicativas de direção fazem parte da carenagem dianteira e traseiras, facilmente visualizadas, bem como a iluminação da placa, com seu suporte lateral.

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O motor com seu peso levemente deslocado para parte da frente da motocicleta, equilibrados em um chassis treliçado, que com o desenho das rodas e suspensão dianteira, nos lembra a silhueta de um corredor na posição de largada. São 162 CV (a 9.500 rpm) e torque 127,5Nm (a 8.000) muito bem dimensionados, calçados com generosos pneus 240/45 ZR17 Pirelli Diablo Rosso II na traseira e 120/70 ZR 17 Pirelli Diablo Rosso II na dianteira.

Sistema de escape 2-1-2 leve, com conversor catalítico e duas sondas lambda; na ponteira dois silenciadores de alumínio, produzindo um ronco muito agradável, dão o tom da potência despejada pelo bicilindrico em V.

Outra característica marcante é o sistema desmodrômico  de acionamento das válvulas (exclusividade Ducati). Muito eficiente no controle em fechar e abrir as válvulas por um eixo com ressaltos que tem contato diretamente com os balancins (são 2 por válvula, um para abrir e outro para fechar), garantindo a vedação no momento exato e ideal de cada válvula. Lembrando que o convencional por molas, em determinada situação pode fazer as válvulas “flutuarem”, ocasionando escapamento dos gazes e perdendo eficiência do motor, o que não acontece com esta Ducati.

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No computador de bordo temos basicamente três tipos pré definidos de configurações do modo de condução: SPORT, TOURING e URBAN. Além dos modos, em situações normais, como chuva por exemplo,  é possível personalizar o DTC (Ducati Control Tração) e RbW (Ride-by-Wire), para cada situação e destreza do piloto.

O banco largo, muito confortável, configurado inicialmente somente para o piloto, pode rapidamente converter-se para duplo, retirando-se a carenagem que o protege em uma operação simples. Outros detalhes como os apoios para os pés do carona, bem escondidos na lateral do chassi e para as mãos, escondidos na traseira. Criatividade dos designers italianos, que digamos a verdade, com muito bom gosto.

Segurança é um item que notamos ser uma preocupação constante dos engenheiros, pois aliado a parte eletrônica de controles, os freios ABS são eficientíssimos segurando este “Atleta” cheio de força e disposição. Na dianteira com discos duplos semiflutuantes de 320 mm, pinças monobloco Brembo radialmente montadas com 4 pistões e, na traseira, disco de 245 mm, pinça flutuante de 2 pistões. Isto pudemos comprovar ao levar uma fechada, em alta rotação, na Rodovia dos Bandeirantes, de um caminhão. Como é bom ter equipamentos eficientes…

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Com toda essa tecnologia, a entrega de potência bem linear, e os eficientes e bem dimensionados freios, aliados a ciclística magnífica deste modelo, o requinte por parte dos designers, fazer curvas em alta, rodar, quer na cidade ou estrada, os 350 km de nosso teste em uma manhã, foram muito muito agradáveis e prazerosos.

Não é por acaso que a Diavel recebeu do público alemão o prêmio de melhor motocicleta Naked em 2012, e a marca Ducati de melhor fabricante de motocicletas esportivas, com 77% dos votos.

Claro, que ao falarmos de uma marca tão importante no mercado, só poderia esperar um equipamento muito bom, mas me surpreendi com o que pude experimentar nesta moto. Não aquece nada, nem mesmo quando o trânsito pára na cidade, aliás, ela circula muito bem nos corredores, a potência entregue é muito bem escalonada, não temos surpresas. Se quero ir devagar, é muito tranquila, se quero potência ela se torna “nervosa”! Mas em qualquer dos casos, pára com muita eficiência, o que considero em nosso trânsito violento e mal educado, uma prioridade. Neste quesito, os engenheiros foram muito eficientes em “domar” este Atleta.

5 COMENTÁRIOS

  1. Ciclística fantástica (uma superbike), conforto naked-custom, uma moto completa pra quem procura eficiência e prazer sobre duas rodas! Vale cada centavo.
    esclusività.
    Rafael Negrão.

  2. Olá.
    Parabéns pela matéria. A moto realmente é um show.
    Só deixo a informação que nenhum motor da Ducati é em “V”. Todos eles são em “L”, com um cilindro na horizontal e outro na vertical!

    Grande abraço!
    Alexandre.

  3. Essa moto é impressionante, uma joia!
    Nesta cor ficou de bom gosto, valorizou o quadro, quem sabe um dia!
    Tomara que a marca consiga se recuperar em solo tupiniquim!

  4. Parabéns pela matéria da Ducati Diavel.
    Tá de nível muito alto a matéria.
    Gostei muito.
    Gostaria que mostrasse mais motos Ducati principalmente a Ducati 1199 Panigale vermelha.

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