Ditados Populares

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* Por Edgar Rocha

Alguns ditados populares são muito sábios e frequentemente usamos em nosso dia a dia. Outros, devido aos novos tempos, acabam perdendo o efeito ou o sentido. Já escutei muito um ditado que se refere a um veiculo que deu muitos problemas durante o tempo que esteve com o dono. “Tive duas alegrias. Quando comprei e quando vendi”, diz ele. No mercado de motocicletas, infelizmente este ditado não pode mais ser aplicado.

Conheço muitos casos de pessoas que adquiriram uma moto e só tiveram uma alegria: Quando compraram. Devido a diversos fatores, tais como a saída da montadora/importador do mercado, a falta de peças ou o preço do seguro, a moto fica invendável. Nem adianta colocar preço que a moto não sai. O famoso mico.

Também tem os casos em que o cliente apanha tanto na hora da compra, seja na demora da entrega, problemas de documentação, motos entregues avariadas entre tantos outros motivos, que nem a alegria da compra ele tem.

Bom, mas o que fazer quando descobrimos que compramos um mico, ou que a moto que adquirimos, que na época era “a perfeita”, se tornou este símio? Aprender. Aprender com a lição e com a perda financeira, e na próxima vez que for comprar, analisar direitinho o que está comprando, sem se deixar levar somente pelo fator preço.

Se você tem um mico destes em mãos, já anunciou em diversos sites, colocou no Facebook, avisou a todo o pessoal do trabalho, vem baixando o preço constantemente e começa a pensar em aceitar trocas absurdas, e mesmo assim ainda não vendeu, melhor queimar logo por qualquer preço ou dar baixa no documento e destruir a moto. Nem adianta procurar aquele sobrinho que está completando dezoito anos e presenteá-lo com a motoca. Com toda certeza ele vai dizer: “Pô tio, valeu, mas prefiro andar de ônibus”. E ele está certo. Nesta idade ele já tem problemas demais para ficar preocupado em arrumar peças ou adaptar peças de outras motos para manter o “mico” que ele ganhou funcionando. Isso fora a vergonha de rodar com aquele mico entre a rapaziada dele.

Antes de comprar, pense bem. Se uma moto simples e básica custa 10 e a outra que vem toda equipada, com freios a disco, partida por controle remoto, rodas de liga, painel completo, etc. etc. custa seis, tem alguma coisa errada e você só vai descobrir depois de estar sentado e ser o feliz ou infeliz proprietário desta moto. “Quando a esmola é demais o santo desconfia”.

Não tem mágica ou milagre. Andar com um produto de qualidade, que tenha alto valor de revenda, inúmeras concessionárias aptas para um eventual reparo, ampla oferta de peças de reposição tem um preço. Comprar uma moto genérica que vem muito mais equipada que qualquer outra por um preço bem mais baixo, acaba custando mais caro, acredite.

Como diz meu pai, “sou pobre demais para comprar porcaria”. O que ele quer dizer em sua sabedoria é que o barato sai caro. Mesmo quando se tem pouca grana (ainda mais quando se tem pouca grana), temos de comprar algo que dure e não dê trabalho e inúmeros problemas, a não ser que você tenha vocação para MacGyver.

E se fosse um remédio? Você compraria o mais barato, se tratando de sua saúde? E se fosse um paraquedas? Você compraria um “legalzinho” quando se trata de segurança e risco de morte? Pois uma motocicleta de má qualidade pode afetar sua saúde. Imagina o estresse e a quantidade de cabelos brancos que você vai ganhar quando ela der inúmeros problemas e você não achar uma solução. E também, uma motocicleta influi diretamente em sua segurança e em seu risco de morte.

Para se ter uma ideia de como estamos vulneráveis e de como nossa segurança depende de pequenos detalhes, faça uma coisa. Pegue seu cartão de crédito e coloque sobre a mesa. A área de seu cartão é de 45 cm². Quando você está em cima de sua moto, pilotando tranquilo, apenas esta área está em contato com o chão. Sim, metade da área de seu cartão é a superfície de contato do pneu dianteiro e a outra metade aguenta toda a tração do traseiro.

Ou seja, a sua segurança ou insegurança depende desta pequena área de contato. Resumindo, quando se compra uma moto focando somente no preço, temos de lembrar que nossa vida depende também de bons pneus, de uma boa suspensão, de bons freios, ou seja, de um bom e confiável conjunto, o que nem sempre acompanha as pechinchas anunciadas por aí.

Acho que aqui vale destacarmos também o tema ‘peças de reposição’. Será que você não está sendo negligente com sua segurança comprando material de baixa qualidade? Não é tão difícil fazer a escolha certa. Uma vez que você decidiu pelo modelo e cilindrada, pesquise em sites, reportagens e fóruns sobre a satisfação dos clientes. Veja os testes, avaliações e comparativos. Acesse sites de reclamações e leia atentamente para não se deixar levar por testemunhos de pessoas insatisfeitas que, além dos problemas, fizeram a escolha errada e agora só resta reclamar e maldizer da sorte em fóruns e sites. Muita gente reclama de tudo sem embasamento e às vezes tenta conseguir garantia em casos em que a culpa foi de erro na utilização ou falta de manutenção prevista.

É a famosa estória, um cara insatisfeito conta para dez pessoas e um cliente satisfeito só comenta com uma. Veja a incidência da mesma reclamação e se a montadora/importador está resolvendo de forma satisfatória a demanda de problemas. Não se deixe levar por problemas passados em má fase que a montadora atravessou. Isso já era. Veja o que está ocorrendo com os modelos atuais e com aquele que deseja comprar. Verifique se o modelo e marca têm liquidez. Ligue para uma loja e ofereça o modelo que quer comprar, na troca por outra moto.

Veja se o lojista aceita sua fictícia moto na troca ou recusa de cara. Ligue para uma revenda da marca que deseja adquirir e solicite algumas peças de reposição. Será que ela vai ter as peças? Verifique o preço do seguro na hora da compra e no caso de uma renovação. Independente do valor, valorize sua compra e faça uma escolha consciente, até porque “dinheiro não aceita desaforo”.

Não estou aqui defendendo as marcas caras. Estou dizendo que entre o 8 e o 80 existem opções intermediárias e inteligentes que vão lhe satisfazer e evitar que você fique louco de raiva ou estatelado no chão. Não caia na conversa de vendedor quando ele fala, “é igualzinho a marca tal”. Lembre-se: a Roberta Close era igualzinha a uma mulher! Você “compraria gato por lebre?”

Estamos vivendo um momento muito bom. A cada ano aparecem mais modelos e marcas novas no mercado. A concorrência vai se acirrando e quem sai ganhando é o consumidor, além do fato de que os juros estão em baixa e a cada dia mais ofertas com juros zero aparecem.

Aproveite esta fase e escolha certo. Caso você tenha feito uma opção errada no passado, não tem problema. Lembre-se, “errar é humano, mas repetir o erro é burrice”.

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