Distúrbios Comportamentais no Trânsito

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É assustador o que se vê no trânsito hoje em dia. É a máquina sobre rodas virando escudo e arma ao mesmo tempo. Falta educação, gentileza, cordialidade e cidadania. Mas existem alguns comportamentos que assustam, intimidam e geram insegurança a todos nós.


Vamos chamar de psicopatias ou sociopatias o Transtorno de Personalidade Antissocial. Nessa condição nosso motorista vê as pessoas como objeto. Ele é consciente, sabe o que está fazendo, nunca identifica seu erro. Isso não tem cura, é um processo crônico, evolutivo. Ele é capaz de atropelar um pedestre, dar uma fechada num outro veículo causando dano pessoal e material e nem se importar com isso. Nunca sente remorso dos erros e absurdos cometidos. É avesso a vida associativa.

O raciocínio, razão, emoção são nulos.

Os loucos são tratáveis. São inconscientes, não têm razão e são afogados por excesso de emoções. Existem ainda os distúrbios comportamentais ou comportamento antissocial gerados pelo uso do álcool e drogas de maneira isolada ou crônica.

Álcool e drogas atuam no cérebro alterando funções cognitiva (atenção, concentração, raciocínio, vigília), motora (reflexos, movimentos coordenado) e sensório perceptivo (tato, audição, visão). Tanto um como outro agem deprimindo o sistema nervoso central. Provocam distúrbios comportamentais, geram fatos policiais e impreguinam o nosso trânsito.

Temos ainda, indivíduos portadores do Transtorno Explosivo Intermitente (TEI). São aqueles chamados de “Pavio Curto”. Trata-se de um quadro psiquiátrico em que o indivíduo perde “a estribeira”, perde a tranquilidade e parte para o ataque. Faz escândalo, berra, grita, xinga, faz ameaças, é capaz de destruir objetos, bater no veículo que supostamente lhe incomoda sendo capaz de saltar e agredir fisicamente ou através do que tiver nas mãos. Torna-se elemento extremamente perigoso porque não tem limites. Naquele momento se acha pleno de razão. São esses que intimidam as pessoas no trânsito.

O quadro aparece de maneira súbita, inesperadamente diante do que julga ter sido agredido, ultrajado, explode com esse distúrbio tornando-se extremamente perigoso diante do que julga ser o seu algoz.

Interessante que após o fato demonstra vergonha, arrepende-se e julga-se culpado.

Esse é o inimigo que mais vemos presente no dia a dia do nosso trânsito, que gera violência, agressões e desencadeia a “Fúria no Trânsito”.

É o elemento que sempre está na defensiva e repentinamente, quase sempre sem motivo mais justo, parte para o ataque enfurecido, da fechada, joga o farol alto, cola na traseira, tornando-se um invasor da tranquilidade e do espaço alheio.

Fatores biológicos, psíquicos, sociais e ambientais são os desencadeantes desse transtorno.

Há necessidade de se buscar auxílio psicológico e psiquiátrico por conta própria e muitas vezes por orientação da família que teme os momentos mais agudos das crises. Não podemos e não devemos deixar tais quadros evoluírem e levarem os portadores a conflitos no trânsito que podem chegar à prisão ou morte.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior

Diretor de Comunicação e do Departamento de medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET

Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

 

1 COMENTÁRIO

  1. Muito bem redigido o artigo, entretanto, os problemas que hoje vivenciamenos no trânsito, a meu ver, estão com raízes fincadas ainda mais abaixo de causas de natureza emocional ou então, provocadas por efeitos de substâncias psico-ativas.

    Hoje vivemos uma crise de valores; ser educado, gentil, cortês, virou sinal de fraqueza, de gente sem brio e sem capacidade de lutar pelo seu espaço. em nossa sociedade competitiva e marcada pelo culto ao ter, aprende-se desde cedo que se você não for agressivo, outro tomará o seu lugar e nada lhe restará a não ser o rótulo de looser.

    Além disso, com a ausência sistemática de pais e mães da educação dos filhos, associada à decadência do ensino formal público, está dando espaço para a formação de uma sociedade marcada pelo “cada um por si, Deus por todos”; você que se dane, contanto que eu esteja bem. Este quadro vai se perpetuando pois os adultos de hoje são as primeiras gerações fruto de casais nascidos no final dos anos 60 e 70 e que se viram obrigados a passar o dia todo fora para poder conquistar algum conforto neste mundo de exacerbada exigência profissional.

    Assim, estamos perpetuando este estado de coisas e, sem o freio moral para barrarmos nossos impulsos mais vis, damos margem para que os distúrbios comportamentais se manifestem livremente, ao menor sinal de contrariedade – e o trânsito é só um potencializador desta possibilidade.

    Desta maneira, estamos asfaltando o caminho para que se acelere ainda mais a edificação de um organismo hostil e fértil terreno para o surgimento de patologias sociais.

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