A Bola da Vez!!…Será??

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Um termo que tenho ouvido bastante no mercado de duas rodas, que o Brasil é a “bola da vez”, com relação à prioridade das montadoras. Discordo um pouco deste termo “bola da vez”…acho que o Brasil é, na verdade, a “ tábua de salvação”.

Durante décadas fomos preteridos pelas montadoras de duas e quatro rodas. Recebíamos o resto, as sobras do que não se vendeu lá fora. Os modelos lançados aqui eram ultrapassados e já tinham saído de linha nos outros países. O que acontece, é que o mercado internacional está muito ruim. A crise afetou muito mais lá fora do que aqui dentro. Vejam os números de mercado.

De 2008 para 2010, o mercado europeu encolheu 33% e o norte-americano 50%. Vale lembrar que em 2005 o mercado norte-americano chegou a vender quase 1.100.000 motocicletas e, em 2010, este número caiu para menos de 440.000.

Na Europa, a coisa também não anda nada boa; o mercado espanhol de duas rodas diminuiu 20,30%, o francês 21,91%, o alemão 22,82%, o italiano 24,68% e o inglês 45,65%. No mesmo período, o nosso mercado decresceu apenas 6,31%.

Temos de respeitar os volumes, pois o mercado brasileiro de duas rodas emplacou, em 2008, 1.925.514 motocicletas e, em 2010, 1.803.929. Seis por cento de queda de 2008 para 2010 representa mais que o total do mercado inglês em 2009.

Segundo um site chinês especializado em comércio exterior, de 2007 para 2008 o Brasil aumentou em 74,6% as importações de motocicletas da China, contra 14,4% da Itália e -18,3% da Alemanha.

De repente, diversas montadoras anunciam intenções de se instalar no Brasil, visitam a Zona Franca de Manaus e assumem as operações no Brasil, antes delegadas a distribuidores oficiais. Nunca fomos foco de nenhuma montadora, nem nós nem a Índia, a China ou a Rússia. E quando menos se espera, grandes fábricas abrem revendas nestes países e montam subsidiárias.

A vinda para o Brasil não é uma questão de atuar em um mercado crescente, que apesar de ter tido uma redução em 2008, segue a passos largos para retomar os números pré-crise. É uma questão de sobrevivência das marcas, no cenário atual.

Recentemente, a Yamaha fechou sua fábrica localizada em Barcelona, na Espanha. Em 2009 já tinha fechado sua fabrica em Gerno di Lesmo, na Itália. Na esteira do aperto do cinto, a Piaggio transferiu a produção da sua fábrica de Martorelles (Barcelona), onde eram produzidas as marcas Derbi e Rabazza, para as suas fábricas na Itália, e a Honda informou que não produzirá mais suas motos na fábrica espanhola de Santa Perpetua.

Até entendo a resistência dos fabricantes em virem para cá. Vir para o Brasil é uma tarefa muito complicada para eles. Um país que fala uma língua única, que tem uma carga tributária pesadíssima e um sistema complicado de entender, além de uma péssima logística, não pode ser prioridade para ninguém. Tente explicar para um estrangeiro que deseja se estabelecer aqui no mercado de duas rodas que ele será tributado três vezes, pelo governo federal, estadual e municipal. Depois de algumas horas, ele se dará por vencido e aceitará.

Vencida esta etapa, tente explicar para ele que as normas de emissões Euro 3, utilizadas e aceitas pela maioria dos países, não servem aqui. Em seguida, mostre as diversas formas de importação; conta e ordem, compra e venda, por encomenda, etc.. e as alternativas de portos e suas características: Fundap, etc.

Depois de meses de reuniões com advogados, tributaristas, engenheiros e tradings, seu cliente acha que entendeu tudo e está pronto para iniciar as operações no Brasil. Só que não acabou: faltou explicar a ele o ICMS, IPI, PIS e COFINS, sistema de crédito e débito de impostos, termo de acordo de redução de ICMS e a necessidade de preços diferenciados para alguns estados, devido à substituição tributária…Ufa!

Com todos estes obstáculos e dificuldades, ainda sim estamos atraindo cada vez mais o interesse dos fabricantes europeus e asiáticos, e isso não só no mercado de duas rodas como no de quatro também. O investimento da recém-chegada JAC Motors em publicidade, com direito a Faustão em horário nobre, é uma prova disso.

Já que somos considerados “a bola da vez” e que nosso público consumidor nunca foi tão prestigiado e desejado, vamos aproveitar e exigir o mesmo tratamento que os fabricantes dedicam ao público europeu e norte-americano. Produtos de ponta, preços justos, tecnologia embarcada e maior oferta de produtos.

6 COMENTÁRIOS

  1. Edgar, mesmo sendo o Brasil a bola da vez, ainda temos o famoso custo Brasil… burocracia,impostos, safadeza de fiscais, etc etc, que espantam as fabricas, como voce se lembra da “nossa” VENTO MOTORCYCLES USA.
    Mas mesmo assim, espero que venham todas, quanto mais melhor para nos, os consumidores e profissionais do ramo.

  2. Fala Edgar, parabéns pela matéria, espero que um dia o governo seja um facilitador e os consumidores se tornem seletivos,e que a bola da vez seja uma constante e não uma temporada de verão para as empresas se hosped
    arem somente para esperar a chuva passar lá fora…abços… Henrique Gasparino

  3. Grande Edgar, acho que a situação internacional coloca o Brasil como consumidor importante, diferente da situação anterior de sermos a lata de lixo que recebia restos do 1º mundo. Parabéns por colocar isso de maneira profissional e palatável.

  4. Bom, a crise lá de fora esta dando um resultado a nosso favor, que pagavamos muito por motocicletas de baixa qualidade em comparação com as lá fora. Que venham elas logo para o Brasil.

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