BMW Motorrad Days 2012 – Foz do Iguaçu Sob o Sol de Munique

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BMW Motorrad Days 2012Fotos: Roberto Severo

Sempre achei que horóscopo, “report” de trânsito e previsão do tempo fossem as coisas mais imprecisas que o ser humano tentava catastroficamente prever. E assim foi da previsão do tempo para o final de semana do evento da BMW. Na saída de São Paulo, já estava preocupado com a previsão de chuva para todos os dias do evento Motorrad Days Brasil 2013 proporcionado pela montadora alemã, o segundo da série. O destino, diferente do ano passado que foi em Angra dos Reis, desta vez foi a extra-caliente Foz do Iguaçu – Paraná.

BMW Motorrad Days 2012

Chegando lá, fomos recepcionados pelo Astro Rei despejando mais de 36ºC na moleira dos motociclistas, admiradores da marca e curiosos que lotavam o hotel Mabu, um dos melhores da região, e acertadamente escolhido para ser a embaixada germânica neste final de semana prolongado (1-4 de Novembro).

Muita gente chegando de moto vindo de todas as partes do nosso Brasil e de países próximos. Lá estavam alguns “Iron Boots” que fizeram mais de mil e quinhentos quilômetros em um dia e chegavam com o mesmo entusiasmo e brilho nos olhos de garotos prontos para uma festa.

Passeios

Depois de um verdadeiro descanso para quem veio de longe, com direito a comédia “Stand Up” durante a noite, no dia seguinte, todos para a estrada rumo a represa de Itaipu. Sempre contando com ótima organização e presença ostensiva da polícia, seja da Guarda Civil quando da Militar e Receita, tanto oferecendo segurança, quanto facilitando o trânsito das motos quando necessário. Tudo para que os motociclistas pudessem aproveitar os passeios como o de Itaipu e Cataratas, bem como seguir para o conturbado formigueiro Paraguaio e fazer compras.

Confira o vídeo com uma visão geral do evento e fragmentos do passeio à Itaipu:

Além dos eventos a bordo de motos, também havia alguns teóricos. Não, não torça o nariz! Assisti à palestra de Pablo Berardi sobre “Conceitos de Pilotagem Básica” para um público de mais de 200 pessoas atentas. Muitas perguntas interessantes e respostas precisas pautaram um conteúdo que ia além do básico. Foram mais de duas horas de informações. Estas palestras poderiam ser facilmente embaladas em cafés da manhã ou mesmo em outros pequenos eventos. Por que não? Agregaria um enorme valor para os motociclistas.

Havia também no estacionamento do hotel uma pequena oficina da BMW que fazia ajustes, pequenos reparos, e até troca de óleo para os participantes, o piloto chegava depois de mais de mil quilômetros de estrada e era recebido por uma equipe especializada para resolver possíveis problemas. Isso é algo que poucas vezes vemos em eventos deste porte. Ponto para a BMW, como diriam os chineses, isso chama-se “customer care”: custo marginal e satisfação certa!

No quesito público, trata-se de um “clube” diferenciado e não estou aqui para fazer censo social do evento, mas vale citar que o que predomina é classe A+ mesmo. E qual é o problema? A gente tem Mercedes na garagem, sim! Helicóptero, sim! Moto BMW, sim! E gosta de pilotar, sim! Digo isso porque para viventes que materialmente já têm de tudo, ou quase tudo, aquele brilho nos olhos mostrava que motocicleta a gente compra, mas a emoção de pilotar não tem preço. Na frente do hotel encontrávamos de tudo, desde as versáteis G 650 até as sensacionais K 1600 GTL passando pelas truculentas peladonas K 1300 R e as estilosas K 1300 S. Agora, a preferência mesmo ficava com as “supertrails“, enfim as grandes da linha GS. R 1200 GS, Adventure ou não, com variações de cores e acessórios. Eu particularmente adoro a Adventure com direito a baús laterais e traseiro.

Mudando de motos para discos voadores

No segundo dia do evento, cheguei no café da manhã do hotel, e logo me sentei em uma mesa na qual um senhor, já com alguns cabelos brancos, conversava em inglês com poucos jornalistas. Pareciam camaradas, e o papo fluía como se eles fossem conhecidos de longa data. Perguntei para ao amigo que estava ao meu lado quem seria o “gringo”. Ele riu e disse: – É que você só vê ele de capacete 99% do tempo. É o Chris Pfeiffer!

Um mito do stunt-racing, que já fez trial e endurance, piloto exclusivo da BMW, discorrendo sobre todos os assuntos possíveis, com a maior descontração e simplicidade. Inclusive contou que sua mala se perdeu (pela segunda vez) em uma conexão na Alemanha por causa dos malditos “overbookings“, com todos os seus equipamentos de pilotagem dentro, incluindo capacete e jaqueta. Animadamente ele dizia que iria fazer as apresentações no evento mesmo sem o equipamento especial, e que usaria o que tivesse disponível. Já estava gostando do papo antes de vê-lo em ação.

As apresentações foram em Itaipu – com equipamento improvisado -, no próprio estacionamento do hotel e nas Cataratas do Iguaçu, com aquele sol castigando piloto e moto. O homem é uma mistura do famoso mágico Houdini com motociclista, ele veste a moto, ou melhor a moto é a extensão dos membros. Chega a impressionar o mais experiente piloto, confira alguns trechos da apresentação:

O que impressiona é que a F 800 R que ele usa, segundo depoimento do próprio Chris, não tem tantas alterações de performance do que as que vocês acham nas concessionárias da BMW. O que a moto possui são adaptações para as manobras, como freio traseiro na mão para permitir a pilotagem sem os pés apoiados (apesar de ter dito que usava muito o freio do pé também); pedaleiras em várias partes da moto para que possa ficar “andando” por sobre elas enquanto a moto estiver em movimento; e uma coroa descomunal para aumentar o torque. Claro que para a atividade dele, faróis e outros equipamentos são desnecessários. E só. O resto, é igual à moto da concessionária.

Depois que você assiste a um show destes percebe que tem muuuuuuito a aprender. Cheguei à conclusão de que não é só impressionante o que Mr. Pfeiffer faz na sua moto, como também é fantástica a ciclística, motor e câmbio da F 800 R. Tudo orquestra com perfeição. Aqui não tem discussão, a moto é levada a extremos e responde muito bem.

O resumo da ópera não poderia ser diferente: evento profissional para público exigente, local bem escolhido, pois saiu do eixo Rio-SP e ficou mais próximo a outros países do continente, e locação irrepreensível.

Em relação a melhorias, eu me repito a cada evento motociclístico que participo: em tempos de interatividade as montadoras ainda pensam em eventos nos quais as informações vão da marca para o piloto, unilateralmente. Ainda mais se tratando de pessoas que querem congregar, se conhecer. A interatividade dos pilotos poderia ser mais incentivada. Falei o mesmo da festa da H-D há dois meses. Por que não criar painéis de fotos, vídeos, criar ambientes virtuais com histórias dos participantes, informações, algo onde a produção de conteúdo seria dos próprios motociclistas, provocando um ambiente de maior interação. Quem sabe em 2013. Os eventos de moto ainda são muito iguais, quem vai sair na frente e inovar? Em terra de cego quem tem um olho, anda de moto.

Keep Riding,

Roberto Severo

2 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom,gostei muito em a BMW ter feito esse evento e sem contar com atração especial Chris Pfeiffer,esse cara é muito bom mesmo,eu venho acompanhada ele a muito tempo desde de 2003,estão de parabéns,espero um dia esse evento ter aqui em pernambuco (Recife)

    • Olá Daniel,

      obrigado pelo comentário! Sim, o Chris Pfeiffer além de ser de outro mundo é um cara simples “gente como a gente”. Faço votos que o evento chegue a outros locais do país!

      Grande abraço,

      Roberto Severo

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