BMW G 310 GS quer ser aventureira para o dia-a-dia

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Com roda aro 19 na dianteira e suspensões de longo curso, “Baby GS” chega ao Brasil em 2018 com preço em torno de R$ 24.000

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G 310GS foi avaliada no trânsito, em rodovias e nas sinuosas estradas rumo ao Mont Serrat na Espanha

TEXTO: Arthur Caldeira / Agência INFOMOTO
FOTOS: Daniel Kraüs/BMW e Divulgação

BMW G 310 GS quer ser aventureira para o dia-a-dia

O trânsito de Barcelona às oito horas da manhã pode ser tão estressante quanto o de qualquer grande cidade brasileira. Pedestres, ciclistas, carros, ônibus e caminhões disputam o espaço com motos e scooters que, sim, podem transitar no corredor. Não seria a melhor situação para pilotar uma enorme aventureira, mas foi adequado para começar a avaliação da nova BMW G 310 GS.

BMW G 310 GS
Mini aventureira, G 310 GS encara o trânsito urbano e até mesmo uma estrada de terra

Com 169,5 kg pronta para rodar, a versão trail da plataforma G de 310cc tenta reproduzir, em menor escala, a experiência da R 1200 GS, modelo aventureiro e carro-chefe das motos BMW em todo o mundo. A “Baby GS”, como tem sido carinhosamente chamada, é um lançamento muito importante para mercados como Índia e Brasil, confessou Edgar Heinrich, chefe de design de motocicletas da BMW.

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Ágil, compacta e leve (169,5 kg), G 310 GS “escapou” com facilidade do trânsito de Barcelona

“Sabemos que esse consumidor vai usar a moto como meio de locomoção no dia-a-dia, mas que também vai levar garupa e viajar com a moto. Por isso procuramos um equilíbrio entre desempenho, facilidade de pilotagem e preço acessível”, explica Heinrich.

Construída com o lema “pronta para as aventuras do dia-a-dia”, a G 310 GS é compacta e ágil para desviar do trânsito da capital da Catalunha, embora a arrancada nos semáforos não empolgue muito. É preciso girar o acelerador com vontade até os 3.000 giros para ganhar velocidade e ter algum torque para rodar em baixa velocidade.

A altura de 835 mm do banco permite que até eu, com 1,71 metro, apoie os dois pés no chão quando um carro fecha o corredor ao desviar de um caminhão descarregando. Na próxima saída à direita, a estrada começa a subir uma montanha e deixa para trás as agitadas ruas de Barcelona.

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Banco a 835 m do solo é confortável e espaçoso para o piloto – bagageiro traseiro é de série

Devoradora de curvas

A G 310 GS compartilha a base mecânica com a naked “R”, com todas as qualidades e limitações do projeto. O mesmo motor de 313 cm³ e 34 cv a 9.500 rpm com um cilindro invertido, que permitiu aos engenheiros alemães construir um quadro de aço compacto com uma longa balança de alumínio. Roda de 19 polegadas e 41 mm a mais de curso na suspensão invertida foram adotados no conjunto dianteiro da versão GS.

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Motor é o mesmo da “R”, um cilindro invertido com 313 cm³: 34 cv a 9.500 rpm

“Procuramos fazer dela uma moto ágil para mudar de direção e, ao mesmo tempo, estável em velocidades mais altas e curvas rápidas”, explica Jürgen Stoffregen, projetista das motos de um e dois cilindros da BMW.

As soluções técnicas funcionam na prática. O guidão mais largo proporciona alavanca suficiente para ir rapidamente de uma curva a outra nas sinuosas estradas espanholas. Por mais que eu exagerasse na inclinação as pedaleiras não rasparam no chão e o conjunto ciclístico não chegou ao seu limite em nenhum momento. Diferentemente do compacto motor.

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Chassi é estável e equilibrado para pilotar rápido em uma serra. Ciclística da G 310 GS impressiona

Embora fique à vontade na cidade rodando em baixos giros, em uma subida de montanha tive de manter a rotação acima dos 6.000 rpm. Era necessário reduzir uma marcha antes das curvas para que o compacto monocilíndrico tenha força nas retomadas e não fique para trás. Agradeci pela macia embreagem banhada em óleo e ao ajustado câmbio de seis velocidades que equipam o modelo.

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Pilotar a “Baby GS” em uma serra é tão divertido quanto ao guidão de motos maiores

Guiar a leve 310 GS trocando marchas e acelerando forte pelas serras ao entorno do famoso Monte Serrat é tão ou mais divertido do que ao guidão de motos maiores. O trem dianteiro gruda no chão e permite andar rápido e inclinar bastante nas curvas. E conta com ajuda dos pneus Metzeler Tourance que, mesmo sendo de uso misto, foram construídos exclusivamente para o modelo com ombros mais “macios”, garantindo a aderência no asfalto.

A única crítica vai para o mergulho exagerado do garfo dianteiro em frenagens mais fortes. Os freios – a disco nas duas rodas e com pinças Bybre (uma subsidiária da Brembo na Índia) – exigem que se aperte o manete com vontade para diminuir a velocidade e a frente afunda demais. Suspensão dianteira com sistema anti-mergulho só mesmo desembolsando muito mais dinheiro pela R 1200 GS.

Não é off-road

O percurso de 200 km atravessou uma estrada de terra e cascalho com cerca de 15 km. A situação, comum para quem procura uma aventureira acessível, não intimida a G 310 GS. O sistema de freios ABS pode ser desligado, outro diferencial em relação à naked. Suas suspensões – ambas com 180 mm de curso – absorvem as imperfeições do piso com conforto em uma tocada mais tranquila.

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Outro diferencial da versão GS é que o ABS pode ser desligado para pilotar na terra

Parada para fotos e, antes de seguir viagem, retiramos as borrachas das pedaleiras para pilotar de pé e mais agressivamente. Enquanto os pneus abrem caminho em meio aos cascalhos, as rodas de liga-leve não transmitem confiança para enfrentar pedras maiores.

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Na dianteira, G 310 GS tem roda 19 e suspensão invertida com 180 mm de curso – 41mm mais do que a R

Para desviar dos obstáculos e entrar nas curvas, a roda de 19 polegadas na dianteira não tem a mesma segurança do aro 21, normalmente adotado em motos trail. Novamente, tenho que reduzir uma marcha e buscar o torque do motor para me manter na trajetória escolhida. A suavidade do motor deve agradar pilotos iniciantes, mas limita pilotar com mais empolgação na terra.

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Na terra, roda 19 mostra suas limitações e tive de fazer o motor girar alto para manter a trajetória

A posição de pilotagem também não ajuda. Embora os joelhos abracem o tanque, o guidão é baixo demais para pilotar em pé no off-road. A G 310 GS é versátil e vai bem na terra, mas convém respeitar o limite das suspensões e rodas.

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Borrachas da pedaleira podem ser retiradas e o ABS, desligado, mas guidão é baixo para pilotar em pé

Confortável e vibrante

Retornamos ao asfalto. Desta vez em uma rodovia mais larga de quatro pistas. A opção pelo câmbio de seis marchas mostra seus benefícios nessa situação: a 125 km/h o motor está a 7.500 rpm, indicados no painel digital. A tela de LCD também informa, com mais simplicidade, o que há nas motos maiores da marca: velocidade, conta-giros, indicador de marcha engatada, relógio, marcados de combustível, hodômetro, consumo e luzes de advertência. O útil shift-light, que acende a 11.000 giros, é discreto demais e difícil de ver em um dia ensolarado.

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Painel digital é simples, porém com muitas informações, como nas motos maiores da BMW

O assento é largo e o piloto tem bastante espaço e conforto. O pequeno para-brisa oferece boa proteção contra o vento e, não fosse pela vibração excessiva nas pedaleiras, a G 310 GS segue bem o ritmo de uma autoestrada.
Além da vibração, acima de 130 km/h o motor não tem muito mais fôlego para ultrapassagens. A velocidade máxima declarada pela BMW é de 145 km/h. Em uma longa reta, “esgoelando” o motor cheguei a 154 km/h no painel.

No Brasil só em 2018

Confesso que estava curioso para testar a G 310 GS, assim como muitos fãs de motos de uso misto e proprietários de trails japonesas de construção mais simples. De perto, a Baby GS surpreende pelas linhas bem resolvidas e pelo bom acabamento. O para-lama alto, o porte avantajado na dianteira e as entradas de ar facilmente a identificam como uma integrante da família de aventureiras.

Fabricada na Índia sob supervisão da Alemanha, a G 310 GS não parece ser uma moto barata com o emblema BMW. Pelo contrário. Parece ser uma moto premium, mas em tamanho reduzido.

Versatilidade, conforto e facilidade de pilotagem são atributos que os engenheiros da marca conseguiram incorporar à G 310 GS. O motor pode não ser dos mais fortes, mas o desempenho é claramente superior ao de monocilíndricos da mesma capacidade, como da Yamaha Ténéré XTZ 250 e da Honda XRE 300. O consumo foi condizente: 26 km/litro. Com o tanque de 11 litros, a autonomia estimada é de razoáveis 250 km.

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Posição de pilotagem é confortável e espaçosa como nas trail. Consumo foi de 26 km/litro

Os freios poderiam ser melhores; o tanque, maior; e os manetes mereciam ter ajustes. Mas, então, lembrei-me do que falou o chefe de design, Edgar Heinrich: o tal preço acessível.

Se a BMW seguir a proporção adotada nos mercados europeus, a Baby GS irá custar em torno de R$ 24.000 no Brasil – cerca de R$ 2.000 a mais do que a naked G 310 R. O preço estimado é mais em conta do que a Honda CB 500X (R$ 25.900), mas compatível com a Kawasaki Versys X-300 (R$ 22.990), concorrente da moto alemã no segmento de aventureiras compactas.

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Baby GS deve chegar ao Brasil em 2018 com preço em torno de R$ 24.000

A G 310 GS deverá fazer sua estreia no Salão Duas Rodas. O modelo será montado em Manaus (AM) e só chegará às concessionárias brasileiras até o final do primeiro semestre de 2018.

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Para-lama alto e carenagens laterais do tanque identificam a 310 como integrante da linha GS

FICHA TÉCNICA – BMW G 310GS

Motor Monocilíndrico, 4 válvulas, comando duplo no cabeçote e arrefecimento líquido
Capacidade cúbica 313 cm³,
Diâmetro x curso 80 mm x 62,1 mm
Taxa de compressão 10,6:1
Potência máxima 34,47 cv a 9.500 rpm
Torque máximo 2,85 kgf.m a 7.500 rpm
Câmbio Seis marchas
Transmissão final Corrente
Alimentação Injeção eletrônica
Partida Elétrica
Quadro Tubular em aço
Suspensão dianteira Garfo telescópico invertido com 41 mm de diâmetro e 180 mm de curso
Suspensão traseira Monoamortecedor com 180 mm de curso e ajuste na pré-carga da mola
Freio dianteiro Disco simples de 300 mm de diâmetro, com pinça de fixação radial de quatro pistões e ABS
Freio traseiro Disco simples de 240 mm de diâmetro com pinça flutuante de dois pistões e ABS
Rodas e Pneus 110/80 R 19 (Diant.) e 150/70 R 17 (Tras.)
Comprimento 2.075 mm
Largura 880 mm
Altura Não informada
Distância entre-eixos 1.420 mm
Altura do assento 835 mm
Peso em ordem de marcha 169,5 kg
Tanque de combustível 11 litros
Cores Branca, cinza e vermelha
Preço (estimado) R$ 24.000

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