BMW F 800 R é sinônimo de diversão

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Se você procura diversão para o dia a dia, curte um track day e pequenas viagens, talvez essa seja sua próxima moto.


Texto: André Garcia / Fotos: Marcos Brasil

A F 800 R foi inspirada na sua irmã maior K 1300 R e substituindo, ao menos aqui no Brasil, a F 800 S (semi-carenada) que não agradou na estética e no preço, logo ganhou o público mais jovem da BMW.

Em relação à F 800 S, a naked recebeu pequenas alterações, como alongamento do braço oscilante em 50 mm e o trail diminuído de 95 para 91 mm, pequenas modificações que tornaram a F 800 R mais arisca e rápida nas mudanças de direção, colaborando muito com a dirigibilidade na cidade onde pude constatar seu caráter urbano, muito divulgado pelo fabricante.

Urbana com cara de briga

Incumbido de utilizá-la na primeira semana, numa feliz coincidência pude utilizá-la de maneira ampla: rodovia, cidade e autódromo, num total de 920,2 quilômetros. Sinceramente, apesar de ser fã incondicional das tetracilindricas, vou sentir saudades dessa loira alemã.

Autódromo

Mudança rápida de direção se deve a trail de 91mm

Durante o curso de pilotagem Speedmaster, ministrado pelo jornalista Geraldo Tite Simões, obtive autorização para andar na pista do ECPA, um circuito com 2.100 metros de extensão e bem travado, o que se mostrou ideal para a F 800 R.

Num total de 40 voltas (ou 84 quilômetros) pude notar atentamente como, realmente, a moto é ágil em mudanças de direção e saídas de curvas. A 3 000 rpm, já temos disponível 80% do elevado torque de 8,77 kgmf , ou seja, não há qualquer dificuldade para levantar a roda dianteira e todo cuidado é necessário.

Em curva de baixa demonstra ciclística bem equilibrada
40 voltas e vontade de não mais sair da pista

Dado o seu torque elevadíssimo e sua ciclística bem acertada, não foi difícil ultrapassar várias máquinas de 4 cilindros, mas não se esqueça, estava num circuito travado.

Na pista, senti falta da possibilidade de desligar o ABS e pior, quando acionado o freio traseiro o sistema é acionado muito cedo, e isso é sentido pelo retorno passado pelo pedal. Quando se pisa com vontade no pedal da direita, a vibração no pé é tamanha que a sensação passada ao piloto é de que o pedal vai cair. Apenas para registrar, a média de consumo na pista foi de 13 km/l.

Urbano

Na cidade chama atenção por onde passa

Na cidade essa “beéme” é quase perfeita. Com torque sobrando já em baixas rotações e suspensões bem calibradas e progressivas, não falta conforto ao piloto e garupa. É verdade que,  algumas vezes,  chega ao final de curso, o que chega ser normal numa moto dessa categoria e considerando a buraqueira urbana.

O “quase” perfeita não se deve a suspensão, mas sim ao largo guidão que, se por um lado facilita as manobras propiciando ótima alavanca, ele enrosca nos corredores, o que exige especial cuidado por parte do piloto, especialmente em corredores onde as faixas são mais estreitas. Outro complicador são os retrovisores em forma de gota que vibram e distorcem a visão.

No trânsito pesado conforme sobe a temperatura do motor, a embreagem fica mais pesada e o neutro só é possível com a moto em movimento, parado é mais difícil mas não impossível. Sente-se a vibração do motor, passado as pedaleiras e as manoplas, mas nada preocupante ou que incomode. A melhor média na cidade foi de 18,28 km/l e a pior 16,60Km/l.

Rodovia

Na reta em alta velocidade, o amortecedor de direção não a deixa "shimmar"

Durante a semana levei a F 800 R a uma verdadeira via sacra, num único dia rodei 280 km, peguei congestionamento urbano, rodovia, boas e péssimas avenidas e pude constatar mais um importante detalhe: ela não é para principiantes! Necessário experiência em dosar a mão direita.

Na rodovia ela mostra que tem aptidão, apesar da proposta urbana, de encarar pequenas viagens. Apesar de confortável e com ergonomia perfeita,  na estrada sim a vibração incomoda razoavelmente. A faixa de rotação que considero mais crítica é entre 5 000/5 500 rpm a 120 km em 6ª marcha. A vibração diminui a partir dos 6 000 rpm, mas aí, o problema já é a infração de trânsito. Notei que a vibração da F 800 R 2011 melhorou em relação ao  modelo 2010, que era muito mais áspera e vibrante, a BMW não informou se houve alguma melhoria.

Lembra-se quando falei da diminuição do trail para 91mm? Se isso colabora para agilidade nas mudanças de direção, por outro lado, perde-se em estabilidade na reta em alta velocidade (a partir de 120 km/h), piorando a situação com fortes rajadas de vento. Para isso, a solução encontrada pela BMW foi a utilização de um amortecedor de direção, que cumpre bem sua função, mas nitidamente é possível sentir a tendência de “shimmy”. Melhor média na rodovia foi de 17,99 Km/l e a pior 13,44 km/l.

Outros detalhes

Facilidade na hora de encher o pneu e abastecimento

Os botões são intuitivos, mas o botão da seta poderia ser menos sobressalente, escondendo o botão da buzina que continua com o curso longo, levando um certo tempo para acioná-la.

Painel é bonito mas poderia ser otimizado. Banco é confortável para piloto e garupa

O painel é completo, porém burocrático. Não é possível uma leitura rápida. O ideal seria o velocímetro no visor digital. É necessário o piloto olhar duas ou três vezes dependendo da sua necessidade, diversas vezes olhei no velocímetro buscando o conta-giros.

Pelo salgado preço de R$ 36.900, a BMW bem que poderia ter mantido o aquecimento de manopla, apesar de estarmos num país tropical, no inverno faz falta. Aliás, apesar do preço, não vejo a F 800 R como concorrente da Honda Hornet ou qualquer outra japonesa tetracilíndrica, dado as propostas serem diferentes.

Na minha modesta opinião, a única moto que compete com a F 800 R  em proposta,  estilo e quantidade de cilindros, é a Kawasaki ER-6, apesar da cilindrada menor (650 cm³), e a diferença é de quase R$ 10.000. Lembro, ainda, que existe a Ducati Monster 696, que não está disponível para testes.

Em termos de seguro, cotei no meu perfil e obtive valores que não são mais um diferencial, como num passado próximo:

Prêmio                                         Franquia                                                  Seguradora

R$ 2.517,33                                 R$ 3.990,74                                              Alianz Seguros

R$ 3.678,55                                 R$ 2.580,00                                             Porto Seguro

R$ 5.850,00                                R$ 8.107,00                                             Bradesco Seguros

Portanto, se você curte status e grife, adora diversão, talvez essa seja sua próxima companheira.

 

André Garcia utilizou na cidade: calça jeans HLX, bota Ridge Alpinestar, capacete Shark S650, luvas X-Vince e jaqueta TACNA; na pista macacão TACNA, botas SIDI Vertigo, luvas M Tech, capacete Shark RSX

Agradecimentos: Claudinei Cordiolli FotógrafoGeraldo Tite Simões e Cristiane Justo – Corretora de Seguros – (11) 3423-1942

14 COMENTÁRIOS

  1. Troquei a minha BMW R-1150RS por uma F-800R e inicialmente fiquei preocupado por ter comprado uma moto de menor cilindrada. Estou muito bem impressionado e até surpreso com a agilidade, potência, torque e equilíbrio dessa moto. Ela faz curvas como eu nunca tinha visto e decididamente é para quem gosta de emoções, quem quiser ter preferencialmente conforto deve comprar outro tipo de moto.

  2. Li o texto e descordo de algumas informações. Como o André disse, a opinião é muito particular.
    Já rodei 2000km com essa moto e não sinto essa dificuldade toda de pilotar a moto, ela tem um torque alto mas é muito tranquilo sair com ela e utilizar a potência sem levantar a moto.
    Quanto a vibração em velocidades mais altas, sinto sim, principalmente nas retomadas, porém não chega a ser tão incomoda como citado.
    Não sei o quanto influência o perfil (pesoxaltura) do piloto, mas eu já rodei 400km com 1 parada e com garupa nessa moto e não sofri como você diz!
    Claro que não é uma tetra, mas dizer que só é concorrente para a ER-6 é ser muito restritivo e direcionador as 4 cilindros.

    Quanto ao seguro, tenho 29 anos, moro em são paulo, solteiro e meu seguro foi de 2.400, quanto uma “tetra” não sai por menos de 5mil!

    Enfim, qualquer que seja a escolha, sejam felizes, mas a F800R não é só status e uma marca.

    Abraços e boa diversão a todos!

    • Anderson eu falei que a ergonomia é perfeita e é confortável. Não sofri nada, salvo com a vibração em rodovia.
      Quanto a dificuldade em pilotar a moto, é sinal que você já tem a experiência exigida pela moto.
      grande abraço

  3. Ah a marca bávara…muito boa a matéria…a BMW é praticamente a moto dos sonhos de qualquer um!!
    Se o teste da F 800 GS for nesse padrão via ficar show!!

    • Thiago a ER-6 é menos arisca porque a frente é mais estável. É mais domável. Não seria o ideal para principiantes, mas dá para encarar, especialmente se tiver ABS.

  4. André. Parabéns pelo texto. Eu compartilho com você que a F 800 R pertence a uma categoria diferente das tetracilíndricas. Contudo, no texto você cita que esta BMW não é uma moto para principiantes.

    Só para eu entender a sua percepção sobre a moto, na sua opinião, considerando ciclística, curvas de potência e torque, um principiante teria mais dificuldade com esta F 800 R ou com uma tetracilíndrica nipônica?

    • Maurício na F 800 R o conjunto não é para principiantes: torque elevado disponível em baixa rotação e frente arisca (devido ao trail de 91mm). A única tetracilindrica nipônica para principiantes na minha opinião é a Yamaha XJ6.

  5. Gostei do texto, bem avaliado e com informações precisas, faltou só um pouco de concordância para dar mais fluidez na leitura.

    A vibração chega a adormecer as mãos e/ou pés na cidade / estrada?

    Faltou dados do perfil do André para chegar no valor do seguro.

    Gostei das fotos feitas no autódromo, já a de abertura da matéria fez ela sumir na parede.

  6. “Lembro ainda, que existe a Ducati Monster 696, mas, notícias, informações de venda ou possibilidade de teste é inexiste.”
    O que você quis dizer com isso? O negócio de vocês é teste, não texto. Peçam para alguém dar uma “arrematada”.
    A F 800 R é uma autêntica britadeira. Falta só instalar a haste de aço e ela arrebenta qualquer parede, não importa a rotação. Sua ergonomia deixa qualquer um cansado rapidinho, principalmente se pegar o trânsito de uma grande cidade. Como atesta o próprio teste, na estrada ela também vibra e dá trabalho. Então vamos ver: o preço é alto em relação à concorrência; o ABS dá susto; o consumo não é dos melhores; o seguro subiu… Sobrou o logotipo.
    Mas tenho que me render, parabéns ao bravo André por ter rodado mais de 900 km com a bichinha. Realmente não é pra qualquer um.

    • Caro Vander,

      Quanto ao texto houve uma falha já editada, de toda forma, obrigado por destacá-la.
      Quanto às características da F 800R, cada um tem as suas impressões e, particularmente, considero que esse modelo especificamente esteja longe de ser uma “britadeira”.

      Um abraço,
      Gabriel Berardi – Editor

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