Senador da República fala sobre o trânsito no Brasil

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briga no transito Senador da República fala sobre o trânsito no Brasil

Foto: AutoEsporte

O Brasil tem uma das mais revolucionárias legislações de trânsito de todo o mundo. Mas isso, infelizmente, não tem impedido que o número de acidentes, vítimas e óbitos venham aumentando a cada feriado prolongado. Uma nova estatística da violência no trânsito, entretanto, convida a todos a uma profunda reflexão sobre o setor.

Os casos de invalidez provocados por acidentes nas ruas explodiram. Eles já são a principal causa de indenizações pagas pelo Seguro Obrigatório, o conhecido DPVAT. A confirmação veio no balanço mais recente feito pela seguradora que administra o DPVAT e mostra um crescimento anual assustador. No primeiro semestre deste ano, foram pagas 107.403 indenizações por invalidez decorrente da violência sobre rodas. Elas representaram 65% de todas as indenizações concedidas. Desde que as estatísticas começaram a ser feitas, nunca este índice foi tão alto. Em 2010, elas representaram 60%; em 2009, 46%, 2008, 32%, e em 2007, 31%. No ano passado, foram pagas 151.588 indenizações por invalidez.

O crescimento da frota de motocicletas é apontado como a principal razão para o aumento no número de acidentes. No Brasil, as motos respondem por 27% do total de veículos. Em alguns estados do Nordeste, essa proporção, entretanto, chega a 60% da frota total. Ou seja, o aumento do número de motocicletas está puxando as estatísticas de acidentes para cima. A falta de educação no trânsito continua sendo a maior causa de acidentes. Foram gastos, nos primeiros seis meses deste ano, R$ 1,1 bilhão com o pagamento de indenizações a vítimas de trânsito. Outro dado alarmante é que o Brasil pode interromper uma sequência de três anos de queda nas indenizações por morte.

Elas passaram de 66 mil, em 2007, para 50 mil em 2010. Mas, se o ritmo do primeiro semestre se repetir nos próximos seis meses, as indenizações por morte vão passar de 52 mil. Nos casos de morte, a maioria das vítimas é pedestre (44%). Já no total de indenizações pagas (morte, invalidez e despesas médicas), o motorista aparece como principal vítima (43%). A maioria é de jovens entre 15 e 34 anos.
O trânsito é a principal causa de morte de jovens no país. O Brasil, segundo a ONU, é o quinto país com mais acidentes no mundo. Quando fui ministro da Justiça tive a oportunidade de regulamentar todo o Código de Trânsito e contribuir para poupar perto de 6 mil vidas ao ano. Mas agora não podemos afrouxar a fiscalização e devemos cobrar das autoridades o ensino de trânsito nas escolas.

Texto publicado em 08/08/2011 – Primeira Edição

Autor: Renan Calheiros é senador e líder da bancada do PMDB. Em 2010, foi eleito seu terceiro mandato. O ápice de sua carreira parlamentar ocorreu nos anos 2005-2007, quando assumiu a Presidência do Senado e, consequentemente, do Congresso Nacional.

Comentários: Enviei resposta ao Senador Renan Calheiros sobre seu bom texto, inclusive, sugerindo a leitura da última matéria em minha coluna e fiz algumas indagações:

O que a classe política brasileira tem feito efetivamente para melhorar o trânsito? Todos sabemos e já se tornou retórica ultrapassada falar em falta de educação. O que a classe política tem feito efetivamente para a educação no Brasil? O Professor é valorizado? Como pode um pedágio onde se roda menos de 20Km na região de Campinas/SP custar R$ 9,90, onde se percorre o trecho em menos de 30 minutos (dependendo da velocidade) e um professor ganhar R$ 7,40 por 50 minutos de aula no Estado de São Paulo considerado o mais rico do país?

Fico imaginando a situação do professor  nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Enquanto o Brasil for governado com política partidária ao invés de política de Estado, onde o que um começa o próximo não termina porque não era do mesmo partido, não sairemos do lugar e milhares de pessoas continuarão morrendo por algo que poderia ser evitado.

O canal está aberto para resposta.

André Garcia

Comentário Best Riders


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