A importância do fluido de freio

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Lamentavelmente, a maioria dos motociclistas não costuma fazer uma revisão periódica do sistema de freios. Tanto, que é muito comum encontrar alguém que teve algum problema no sistema quando foi fazer um curso de pilotagem ou track-day, ocasiões em que exigimos bastante de todo o conjunto. Normalmente, as principais causas de problemas são pastilhas velhas ou de má qualidade e, principalmente, fluido em mau estado.

Manter o fluido de freio em bom estado é muito importante até para a vida útil dos componentes mecânicos do sistema, e isso significa que não adianta nada colocar o melhor fluido do mercado na nossa moto para andar com ela uma vez por mês até a padaria, e trocá-lo a cada dois anos… vou explicar melhor.

É uma questão de custo-beneficio. O fluido, quando mais eficiente for, maior a manutenção que requer. É por isso que em uma moto de competição ele é trocado cada vez que a moto retorna para o centro técnico, enquanto em uma moto de rua, em condições normais, ele é (ou deveria ser) substituído uma vez por ano.

Quando temos dúvidas sobre qual é o fluido recomendado pelo fabricante, basta dar uma olhada na tampa do reservatório. Lá sempre vem escrito o tipo de fluido a utilizar.
Hoje em dia, geralmente é utilizado DOT4, mas muitas oficinas estão optando por colocar o líquido de especificação DOT5.1, que é um fluido que tem como característica a possibilidade de se misturar com os DOT3 e DOT4. A contrapartida é que ele requer uma manutenção mais frequente que os outros dois referidos por possuir maior facilidade para absorver água.

Tanto os fluidos de má qualidade quanto os utilizados para competição tendem a atacar as borrachas do sistema, o que acaba fazendo com que elas dilatem demais. Essa é mais uma razão para a manutenção do sistema em uma pista de competição ser frequente. O fluido de freio absorve umidade do ar constantemente, tanto que, muitas vezes, encontramos as mangueiras dos reservatório dianteiro e traseiro molhadas. Saiba que isso não e um vazamento, é umidade.

Essa umidade é perigosa, pois não e outra coisa que água. Perigoso porque assim que nosso sistema passar os 100°C (temperatura de fervura da água) o sistema cria bolhas de ar internamente e, consequentemente, ficamos sem freio.

Existem ferramentas — de vários tipos, tamanhos e preços — para identificar o grau de umidade em nosso fluido. Eu utilizo um que parece uma caneta grossa e indica através de três luzes o grau de contaminação do fluido: a lâmpada verde indica que o fluido esta em bom estado, quando acende a amarela é recomendado trocar, enquanto a vermelha indica que deve ser realizada a substituição imediata do fluido no sistema.

Os fluidos de freio trabalham com um ponto de ebulição 200°C no caso do DOT3, 230°C para os DOT4, e 270°C para os de especificação DOT5.1, e assim vai, resistindo mais à temperatura a medida que aumenta a exigência do equipamento.

Os fluidos de freio DOT6 utilizados em competição e comercializados no Brasil, normalmente chegam  a 325°C antes de “ferver”, contudo, o DOT6 não é nada recomendado em veículos de rua, justamente pela alta absorção de água o que exige completa substituição com pouco tempo de uso, muito diferente do prazo de 1 ano pedido para a troca do DOT5.1.

Outra característica que demos conhecer do fluido de freio antes de manuseá-lo é que o fluido ataca a pintura, cria manchas e, dependendo, até descasca. Em caso de contato com superfícies pintadas, deve-se lavar o local afetado com muita água imediatamente. E sempre recomendado que, uma vez que a embalagem do “líquido de freio” for aberta, o que sobrar seja descartado.

Sempre lembre que, na dúvida sobre o estado do seu fluido de freio, é melhor trocar.

Abraço,

Sebastián Rochón

3 COMENTÁRIOS

  1. Altamente esclarecedor, um texto muito bem elaborado, escrito em
    uma linguagem comunicativa, repassando um rico conhecimento.
    palavras de um verdadeiro mestre.
    abcs

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