A Hora e a Vez da Violeta

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Fazer semana 2 A Hora e a Vez da VioletaSexta-feira, nove horas, tomando café da manhã na padaria com o pessoal da Best Riders, pão na chapa para lá, média para cá, e o Bucha aponta para fora e me diz: “olha lá a sua moto…”

Lá estava a Yamaha Fazer 250 roxa (violeta é mais elegante), do outro lado da rua olhando para dentro da padaria.

Tenho mania de dar nomes a objetos, a minha custom, por exemplo, é a Beyoncè (uma Harley-Davidson Road King negra corpulenta), então, logo comecei a chamar a esperta Fazer 250 de Violeta. E assim começou a nossa relação de quinze dias nesta etapa do Teste do Mês.

Como disse, tenho uma moto custom grande e pesada, então imaginava que o choque na pilotagem seria sensível, mas até que não foi, tirando alguns costumes, como insistentemente tentar colocar o pé quase na roda dianteira, condicionei o pensamento de que não estou na Beyoncè  e que o apoio de pé, bem como o câmbio, fica perpendicularmente abaixo do meu corpo. Confesso que ainda falho, e quando saio as vezes erro o pé.

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Rodas de liga dão ar esportivo a Fazer

Bem, a seguir estão as minhas percepções pessoais que achei relevantes durante o curto mas agradável período de convivência com a pequena notável:

Design x funcionalidade:

Os retrovisores são um pouco altos e oferecem uma visão traseira não tão boa, além de dar uma aparência de orelha de abano para a Violeta. Uma cirurgia plástica ali não seria má idéia. Mesmo com eles regulados, tinha que movimentar a cabeça para melhor enxergar o passado na estrada.

A dianteira, foi o acerto. O belíssimo farol estilizado e bem recortado dá um ar sério e confiante à Violeta, quando acesos, iluminam muito bem o futuro do caminho. As rodas de liga leve dão um ar bem esportivo, mas sem ser pretensioso, para mim, foi outro acerto.

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Bela Composição

A visão traseira de nossa dama mecânica é bela e moderna, a lanterna faz parte do design e compõe harmonicamente a rabeta. Desculpem, não sei se à noite, no trânsito, acionando os freios, a visibilidade é adequada, isso demandaria um certo malabarismo radical e arriscado para pilotar, olhar a traseira e ainda puxar ou pisar no freio icon smile A Hora e a Vez da Violeta , portanto não me resta outra alternativa a não ser confiar nos projetistas da Yamaha.

O painel é bonito, de fácil leitura e intuitivo, basta olhar e você já tem uma bom diagnóstico do comportamento da moto.

Câmbio:

Precisos e bem dimensionado. As duas últimas marchas poderiam ser um pouco mais longas para trechos de estrada, mas não comprometem, até mesmo pela proposta urbana da moto.

Freios:

O freio dianteiro responde muito bem, o traseiro achei um pouco “borrachudo”. Deixa eu explicar, parece que quando você pisa no pedal, a pinça não aumenta a pressão no disco na mesma proporção, mas de forma alguma compromete a frenagem, até porque, como aprendemos no jardim de infância, nunca acionamos somente o traseiro, certo?

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Frente Moderna com belo Design

Motor e Dirigibilidade:

Por vezes, a Violeta entrou em coma súbito na hora de acelerar na saída de um farol. Inicialmente achei que era eu que não estava acostumado com a montaria, mas depois de sucessivas necessidades de reanimação, percebi que pode ser alguma regulagem no sistema de injeção.

A posição de pilotagem é bem próxima do guidão e bastante propício para manobras curtas, a ciclistica é excelente tanto em curvas rápidas acima de 80 km/h, quanto em trechos de estrada e em manobras em regiões de congestionamento.

Vale contar uma estória para ilustrar melhor. No dia 31/05 tinha uma reunião na Rua Funchal, na Vila Olímpia, e eu moro no Km. 24 da Rodovia Raposo Tavares, na Granja Vianna. Bem, para quem não é de São Paulo, estamos falando de um percurso de aproximadamente 25 km., intermeado por uma rodovia congestionada (15km), trechos de trânsito forte onde os carros se espremem, um pedaço (2km) de avenida marginal ao Rio Pinheiros e outro trecho beeeeem congestionado chegando ao destino (Ponte de acesso e avenida dos Bandeirantes).

O encontro era às 8:00, e acordei assustado às photo 300x138 A Hora e a Vez da Violeta7:25. De carro, com sorte e prece para todos os santos, eu levaria aproximadamente uma hora. Passei pelo chuveiro, me enfiei na roupa, olhei para a Violeta e pensei: “Dona Madame Violeta, é agora que você vai provar por que veio ao mundo. Agora é que você vai para a vida real!”. Motor em alta rotação constante, arranques que colocam a embreagem a prova, muitas trocas de marcha em situações que exigem precisão, manobras em curto espaço colocando a ciclística a prova, e às 08:00 em ponto já estava estacionado na frente do prédio da Rua Funchal.

Desmontei, me afastei um pouco e ainda perdi uns 15 s olhando com gratidão para a Violeta que sentava confortavelmente no meio-fio, me olhando com aquela cara de “Gostou? Vem, que tem!”.

Percebi que apesar do motor ainda ser novo, a Violeta, em velocidade cruzeiro de 90 km/h a 6.000 rpm se comporta bem. Acima desta rotação a moto vibra um pouco mais e o motor começa a fazer um barulho não muito agradável. Como se ela falasse: “amigão, pega leve! Não fui feita para isso, baixa a rotação que estou ficando enjoada”.

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Haste do pezinho fica meio escondida

Pézinho e Apoio de pé:

Sim, é um acessório, mas vale algumas considerações sobre o apoio da moto:

Quando recolhido, em modo pilotagem, o pezinho fica acondicionado bem entre o apoio de pé e da alavanca de câmbio. Isso dificulta o acesso à haste de abaixar o acessório, principalmente se você estiver vestindo botas ou um sapato mais largo. Seria bem-vindo também um cavalete central para estacioná-la melhor em regiões com muitas motos, o que é bastante comum em São Paulo.

Já tive uma Dragstar 650, e sei que a Yamaha coloca em suas motos um dispositivo, que na verdade é um solenóide, com uma finalidade bem interessante, e não foi diferente na Fazer 250:

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Solenóide (seta vermelha) e pezinho (seta azul)

Se o pézinho estiver abaixado e o motor ligado, ao engatar uma marcha a moto desliga automaticamente, evitando assim que o incauto piloto saia com o “trem de pouso” abaixado. Se a moto estiver com alguma marcha engatada e o pezinho abaixado, não é possível nem mesmo acionar o motor de arranque. É na verdade uma mitigação de risco, mas que gera outro risco… Se este dispositivo enguiçar, você não conseguirá ligar a moto e ficará na mão, pode chamar o socorro, e rebocar!

Outras percepções (e não menos importantes):

Por vezes parado no farol fechado, os motociclistas ficavam olhando para a Dna. Violeta e perguntavam “é nova?”, “que modelo bonito? Já está a venda? Quanto custa?”, ou seja, ela chama uma certa atenção positiva.

Motos menores oferecem outra experiência de pilotagem do ponto de vista psicológico. Nas grandes temos uma certa aura protetora implícita, a relação com o asfalto é diferente, mais distante. Em uma menor, a experiência é mais intensa, é você sobre um sistema que faz com que você se mova. Nas grandes, a percepção, é que a moto que está te levando, há menor interação com o meio ambiente. Esta é a uma das muitas belezas do motociclismo, por mais que você seja experiente, basta um novo modelo para você ter uma experiência inovadora e reveladora.

Sempre que vir uma Fazer 250 (especialmente se for roxa) estacionada ou no trânsito, vou sentir saudades. Sayonara Violeta.

8 comments

  1. Caro Roberto,
    geralmente mecho em motos antigos de cilindradas altas, ou seja, a chance de o motor fundir ou quebrar é muito pequena. Mas te pergunto, caso compre uma Fazer 0km, e invente de comprar alguns “venenos” e injetar nela. Vai dar problema?
    Ja ouvi falar que em cilindradas baixar mecher no motor é pedir para comprar uma moto nova.
    Abração

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  2. Em tempo. Caso o sistema apresente problema, basta descobrir se o interruptor é NA (normalmente aberto) ou NF (normalmente fechado). Em cada caso basta retirar o cabo do interruptor e imenda-lo ou abri-lo e a moto volta a funcionar.

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  3. Apenas uma correção. O que impede ligar a moto com pezinho abaixado não é uma solenoide. Alias solenoide é algo muito diferente. Aquilo é simplesmente um interruptor (tambem chamado de micro chave, microrutor).

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  4. Caro Roberto<gostei de sua matéria.. vamos esperar pelos novos testes ..abraços

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  5. Beleza de teste. “PARABENS”O unico problema encontrado, das marcha finais serem curtas, é de facil solução. Aos 7.000 ou 9.000 Km. quando da troca obrigatoria da relação (coroa, pinhão e corrente), pode ser feita a opção de um dente a maior no pinhão (corresponde a 3 dentes a menos na coroa). O que vai deixar a moto mais mansa e com um final mais logo, sendo assim mais estradeira. abrax.

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  6. Muito bom Sr. Roberto Mas por quanto sai a violeta ?

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  7. muito bom texto. divertido demais, tá o melhor dos testes do mês até hoje =)

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Comentário Best Riders


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